Berlim além do muro

Data

22 de October, 2013

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Berlim é umas das cidades mais intensas e baratas da Europa. A economia alemã é uma das mais consolidadas do mundo, o que faz da sua capital uma cidade heterogênea em plena expansão. Dominada por guindastes, gruas e obras por todo lado, Berlim é hoje totalmente diferente do que foi anos atrás. O lado ocidental, anteriormente o lugar mais forte da cidade, hoje é um recanto mais calmo, contrariando totalmente o que acontece no lado oriental. Embora essa divisão tenha ficado no passado, o lado oriental se destaca hoje por aglomerar a maior quantidade de novidades na cidade. São dezenas de café, restaurantes, galerias de arte e lugares que devem ser visitados.

O BÁSICO QUE VOCÊ PRECISA SABER

Ao chegar na cidade, providencie primeiramente uma bicicleta ou um bilhete de metrô. As bikes estão distribuídas por todo lado e o aluguel é relativamente barato, afinal a cidade é dominada por elas. A moeda corrente é o Euro, que é a forma mais comum de pagamento na maioria dos estabelecimentos. Cartões de crédito de bandeira Visa ou MasterCard são aceitos em uma boa parte, mas não tenha isso como certo. Já a bandeira American Express não é muito bem-vinda, evite carregar teu dinheiro em um deles.

O metrô é o meio de transporte mais utilizado depois da bicicleta, tem uma vasta rede de linhas e estações que costuram a cidade. Os taxis são baratos e fáceis de encontrar. Como a cidade é muito plana, caminhar é uma boa alternativa, além de proporcionar uma visão real e direta da cidade.

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O povo berlinense é na sua maioria muito receptivo. Falam preferencialmente o alemão, mas não se chateiam em utilizar o inglês como língua momentânea.

INDO DE LÁ PARA CÁ

O trânsito de Berlim é muito tranqüilo. O fluxo de carros passam longe do que conhecemos em São Paulo, o mesmo acontece com as bicicletas, que dominam pelo menos 40% das ruas da cidade.

Se o plano é locar uma bike, existem muitos lugares onde você pode fazer isso. De bares a bancas de jornal, elas estão prontas para locação. Opte por pacotes de mais de um dia ou até mesmo semanais. Eles saem definitivamente mais em conta. Os bicicletários estão por toda parte também e com um bom cadeado, que geralmente acompanham o aluguel delas, proporcionam segurança. Pelo fato da cidade ser plana e as ciclo-faixas estarem presentes que quase todas as ruas, é muito fácil chegar de um lugar a outro sem demais transtornos.

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O metrô e os trams são alternativas para os que são preguiçosos ou preferem um transporte mais seguro. O sistema de linhas e estações é muito amplo e abrange praticamente toda a área urbana da cidade, se estendendo pela periferia através de linhas de trem e com funcionamento 24h nas sextas e sábados. Não existem catracas no metrô de Berlim. Em toda estação você encontrará uma máquina que emite os bilhetes, que podem ser comprados em dinheiro ou cartão e tem prazo de validade variado. Alguns bilhetes são específicos para turismo e tem validade determinada na hora da validação mecânica, que nada mais é do que um dispositivo que imprime a data e a hora em que o bilhete foi adquirido. Depois da compra e da validação, mantenha o bilhete sempre junto a você. Como não há catracas, o controle é feito aleatoriamente por fiscais que solicitam o mesmo a qualquer momento dentro dos trens e, caso você não esteja com o mesmo, a multa é salgada, em média de 40 a 50 euros. E  não se engane pensando que deixar de pagá-la durante a viagem vai livrá-lo da mesma, existem casos comprovados dessas multas serem recebidas aqui no Brasil. Fique ligado, os caras são mágicos em descobrir seu endereço.

Para facilitar a vida de quem usa o transporte público, existe um aplicativo da BVG, empresa que opera o sistema de trens e metrôs da cidade, que é uma grande mão na roda. No Fahrinfo, você coloca para onde quer ir, ele te localiza e traça o melhor percurso, com precisão de tempo para percorrê-lo. Você escolhe qual sistema quer usar, onde e quantas baldeações, e ainda vê por quanto tempo tem que andar no meio.

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Por último, mas não menos relevante, o aluguel de carros é uma alternativa. As empresas que oferecem esse serviço também estão por toda parte. Na sua maioria em um sistema de carros compartilhados, chamado free-floating. Você baixa um aplicativo que localiza o carro mais próximo a você por GPS e quando chega próximo ao veículo o mesmo destrava as portas, e com a chave já na ignição é só ligar e sair dirigindo. O pagamento é feito via cartão de crédito e o valor corresponde ao tempo utilizado. Os dois principais serviços de compartilhamento de carros são DriveNow e Car2Go. Ambos com o mesmo sistema de funcionamento, mas com frota diferente. A Car2Go usa basicamente uma frota de modelos Smart da Daimler e a DriveNow utiliza modelos Minis e modelos da BMW.

UM LAR PARA CHAMAR DE SEU

Acomodação é o que não falta em Berlin. É muito fácil achar algo que agrade e que caiba no bolso. Principalmente se a idéia for alugar um apartamento. Os preços lá são muito mais baixos que em outras capitais da Europa, e os apartamentos e estúdios do lado oriental em geral passaram por reformas nos últimos 10 a 20 anos, então estão em ótimo estado. Vale a pena uma pesquisa no AirBNB.

O melhor lugar para se hospedar em Berlim sem dúvida é o Mitte. É nele onde se unem as gerações marcadas pelas guerras, as classes profissionais e artísticas emergentes da cidade. Museus, memoriais e monumentos culturais, o bairro é uma profusão de valores, idéias e histórias que revelam o que faz de uma sociedade em ruínas se reerguer de forma imponente. Bons restaurantes, bares, galerias e muita, mas muita arte. Com um clima de animação dia e noite, é o preferido pelos turistas mais modernos.

Um hotel super bacana que fica no meio desse buxixo é o Casa Camper, projetado pelos arquitetos espanhóis Fernando Amat e Jordí Tió. Além do design contemporâneo incrível, ele chama atenção pelas cortinas dos quartos, que mostram na fachada quais estão ocupados. No térreo ainda fica o restaurante Dos Palillos, especializado em tapas, e com projeto lindo dos irmãos Bouroullec. Fica a uma quadra da estação Weinmeisterstrasse, e muito perto de tudo.

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Outra opção boa, e mais em conta, é a área da estação Rosenthalerplatz.  Por ali existe uma série de opções de hotéis e albergues e várias faixas de preço. O Circus Hostel é todo colorido, mas muito organizado, limpo e seguro. Ótima relação custo-benefício. Se você precisa de mais privacidade, ali do lado também tem o bom e velho Ibis, que nesse caso é bem novinho e oferece bastante conforto a um preço acessível.

Se preferir ficar do lado ocidental, prefira a região da Kurfürstendamm. Bem servida pelo metrô, concentra o polo comercial dessa antiga metade da cidade, e fica perto de atrações como o Tiergarten, o zoológico e a KaDeWe. Por ali os preços sobem, mas ainda tem opções bacanas, como o Sorat Hotel Ambassador, com diárias que vão de 80 a 100 Euros.

QUANDO BATER A FOME

Apesar da má impressão generalizada da comida alemã, Berlin oferece uma gama extensa e diversificada de restaurantes e cafés. E, acredite, aqui não é tão simples achar chucrutes e schnitzels, comidas típicas da Bavária, no sul da Alemanha. A culinária de Berlim é mais cosmopolita, então tem de tudo um pouco. Mas duas coisas ninguém consegue escapar de experimentar: o currywurst, salsicha grelhada servida com uma camada generosa do tempero indiano, vendido em barraquinhas por toda a cidade; e o döner, também conhecido como kebap, que nada mais é que primo comestível do nosso churrasquinho grego. Pode confiar, porque é bom demais. Só tome cuidado se te oferecerem o molho de pimenta, porque até os baianos vão lacrimejar um pouco com a ardência.

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Café Chagall

Café Chagall – Umas das melhores pedidas quando o quesito é uma boa cerveja, um bom brunch e atendimento extremamente diferenciado. Localizado na saída da estação Senefelderplatz do metrô, o Café Chagall é paixão certa já na chegada. A carta de cervejas é vasta, bem como o menu de refeições de influência russa, que inclui um brunch, que é servido até as 13h e recheado de delícias. Tudo isso oferecido com preços justos e com uma equipe de atendentes que esbanjam simpatia e cordialidade. Horários: aberto todos os dias das 10 a 3 da manhã.

YamYam –  Localizado no Mitte, próxima a estação Rosa-Luxemburg-Platz, o restaurante é pequeno, mas com uma comida coreana maravilhosa e com preços justos. Os pratos custam por volta de oito euros e a comida é apimentada como deve ser. Horários: de segunda a sábado das 12 a 24 horas; domingo das 13 a 23 horas (a cozinha nos dois casos fecha uma hora mais cedo).

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Westberlin

Westberlin Bar & Shop – Estrategicamente localizado perto do famoso Checkpoint Charlie, o Westberlin é um café e um espaço de mídia muito gostoso e diferente. Mistura locais, turistas e profissionais que procuram o ambiente tranquilo e muito bem decorado para trabalhar de uma forma mais descontraída ou até mesmos para um simples café. O menu é variado e o café é excepcionalmente gostoso. Os ambientes são muito bem decorados pelo próprio dono, um arquiteto americano, e transpiram criatividade. Horários: de segunda a sexta das 8:30 as 19; sábado e domingo das 10 até 19 horas.

Transit – Outro restaurante sensacional presente na região do Mitte e em Friedrichshain. Baseado na culinária thai e indonesian, o Transit tem um ambiente muito gostoso quando a intenção é um jantar em pouca companhia. Com mesas pequenas e um clima aconchegante, o lugar oferece diferentes pratos a base de peixe, frutos do mar e carne. Os nomes dos pratos são divertidíssimos, como duck in pyjamas, e os preços são mais felizes ainda. Os pratos variam em torno dos 3 euros por porção e são servidos em pequenos bowls que alimentam uma pessoa de forma bem razoável. Para acompanhar, porções de arroz ou noodles que saem pela bagatela de um euro cada. Horários: o do Mitte abre todos os dias das 11 a 1 da manhã; o de Friedrichshain, das 12 até as 24 horas.

Cocolo – Dedicado a comida japonesa, esse restaurantezinho despretensioso localizado no Mitte te possibilita assistir a produção do seu prato enquanto ele é preparado. Com opções variadas de lamen e demais pratos típicos do Japão, oferece versões diversas de pratos da culinária típica oriental. Chegue cedo pois o lugar é minúsculo e enche. Horário: só funciona a noite: todos os dia das 18 até meia noite.

KaffeeMitte – No meio do buxixo do Mitte, no quarteirão mais cercado de lojas bacanas, na esquina da Weinmeisterstrasse com a Neue Schönhauser Allee, fica esse café descolado com aquele perfil que sempre dá certo: garçons jovens e bonitos, bons drinks, comidinhas simples mas saborosas e mesas na calçada para ficar muito tempo vendo a gente linda da região passar. Bem despretensioso, você vai até o caixa fazer o pedido e pagar, daí fica esperando um sinal de que teu prato está pronto e você vai lá buscar no balcão. As cervejas ficam numa geladeira e você mesmo se serve. Os paninis são bem gostosos e as sobremesas, além de saborosas, enchem os olhos já na fila para pedir. Horários: segunda a sexta, das 8 a 20 horas; sábado, das 09 as 20; e domingo das 10 até as 20 horas.

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Louis – Mas se depois dessa variada seleção, ainda quiser comer um típico Schnitzel, prepare a fome, e muita! O Louis é um restaurante austríaco que leva a cultura dos Alpes bem à risca, então se você não mora no meio das montanhas nevadas, provavelmente vai se chocar com o tamanho do carro chefe deles. O Wiener Schnitzel tradicional é um bife de vitela empanado e frito, servido sobre uma cama de rodelas de batatas assadas. Você tem duas opções de tamanho para pedir. O pequeno já uma porção estúpida para uma pessoa normal. Custa 13 euros, e dá para dividir tranqüilamente. O grande tem o tamanho do antebraço de um homem de 1,80m, ou seja, não é para os fracos. Todos eles tem algumas opções de molhos, mas o comum é ele sem nada. Fica em Neukölln, em uma praça fofa, no meio de um bairro bem residencial. Horários: todos os dias das 11 até as 23 horas.

Olha o tamanho do filézinho

The Bird é a opção certa se sua fome for de um bom hamburguer junkie. Embora não seja nada gourmet, o restaurante serve um dos melhores hamburguers de Berlim com preços muito baixos. Com variações que vão do hamburguer com guacamole à deliciosas versões vegetarianas da iguaria. Sem falar das opções de cervejas que fazem companhia aos pratos. Aqui, o custo-benefício é de 100%! Horários: de segunda a quinta, das 18 a 24; sexta das 17 a 24; e no final de semana das 12 até as 24 horas.

I Due Forni é uma das melhores pizzarias em Berlim. Fica do lado do Café Chagall em Prenzlauer Berg, mas tem um irmão, chamado Il Ritrovo, em Friedrichshain. As pizzas são individuais e as sobremesas italianas, principalmente o tiramissu, são ótimos. A decoração do lugar é excelente: posters de bandas punks e graffiti enfeitam todo o local. Horário: aberto todos os dias, do meio dia a meia noite.

PROST! BRINDANDO EM ALEMÃO

Ir para a Alemanha e não beber cerveja é como vir para o Brasil e não sambar. Você acha cervejas de vários tipos e nacionalidades em qualquer muquifo, e sempre vale a pena. Além do que, é baratíssima se comparado ao preço de outros países. Beber na rua não é permitido, mas como muitas outras leis, ninguém leva muito a sério. Então pode usar e abusar das lojinhas de conveniência que se espalham pela cidade e ficam abertas 24hs. E se estiver por lá no verão, não deixe de aproveitar os Biergarten, literalmente os jardins de cerveja, onde ela é consumida em canecas de meio e um litro.

Simon Dach Strasse – Se teu negócio não é ficar zanzando por aí, e você prefere uma cadeira e um garçon, essa pequena rua em Friedrichshain é um ótimo lugar para passar o dia todo. Ladeada de bares dos dois lados da rua, com muitas mesas na calçada, opção não falta. A região ainda tem algumas ruas com comércio local interessante, alguns clubes menores e muita gente bacana indo e vindo.

Neue Odessa Bar – Para quem não está muito interessado em cerveja, mas gosta de drinks preparados de forma impecável, o Neue Odessa em Prenzlauer Berg é a pedida. O lugar tem um climão mais de paquera, mais escuro, com som alto, e muita gente linda. O Moscow Mule deles (drink que leva vodka, limão, gengibre e pepinos) é famoso e inesquecível. Horários: aberto diariamente a partir das 19 horas.

Konrad Tönz – Perto do Görlitzer Park, em Kreuzberg, fica esse bar com uma aura retrô, mas com um público divertido e música boa. Como é mais relaxado, o pessoal é mais aberto e conversa com facilidade com estranhos. Pegamos uma curiosa noite temática do Quentin Tarantino, então passamos boa parte da madrugada circulando entre Beatrix Kiddos e Vincent Vegas. Vai até altas horas, então é um bom lugar para esquentar para as famosas baladas berlinenses. Horário: todos os dias a partir das 20:15 horas.

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Badeschiff – Se o calor apertar durante o dia, você pode fazer como os locais e pegar uma praia no rio Spree, em Treptow. Nada que se compare às nossas, mas a visita se torna interessante quando você vê a piscina construída no meio do rio, com um grande deck em volta. Você paga 5 euros para entrar, e fica bebericando seminu em volta de gente bonita e desocupada. No inverno, normalmente a piscina é coberta e vira uma sauna, mas este ano estará fechada. Se não quiser pisar na areia, vá para o Club der Visionäre logo ao lado, que não tem praia, mas tem um bom bar e boa música. Horário: de maio a setembro, das 8 a meia noite.

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A CIDADE DA BALADA

Com certeza você conhece alguém que foi a Berlim e voltou com uma história maluca de uma balada em um lugar estranho. Os clubes da cidade são tão grandes, diversos e poderosos que já viraram uma instituição (com até poder político). Mas prepare-se porque nem tudo vem de graça. Além de enfrentar filas enormes nos clubes mais famosos, a door policy em todos é cruel, e tende a desprezar não-locais. O melhor a fazer é ir acompanhado de alguém que conheça o sistema, ou na falta, esperar até depois das 4 da manhã, quando a ‘fiscalização’ afrouxa um pouco. Não se preocupe de pegar o fim das festas, porque elas não tem fim. Começam quinta ou sexta a noite, e só acabam segunda na hora do almoço.

Berghain – Bem na divisa entre Kreuzberg e Friedrichshain, esse é o clube mais famoso da cidade, e talvez no mundo. Tido como a meca do techno, foi construído em um prédio abandonado de uma empresa de energia elétrica, e por isso é gigantesco. Tanto que no mesmo espaço montaram um segundo bar, chamado Panorama, e agora um restaurante. Prepare-se porque aqui a fila é uma constante. Ou faça como os locais e chegue para a festa domingo bem cedinho (sim, eles acordam e vão). Segundo fontes seguras, esse lugar continua sendo uma das melhores pedidas na noite da capital alemã. Horário: a partir das 23:59

KitKat – Se você quer mergulhar na noite berlinense de cabeça, esse é teu lugar. Mas aviso, esse lugar não é para qualquer um. O lema do clube é ‘faça o que quiser, mas comunique-se’. E a primeira parte do lema é levado bem a sério, tanto que lá é permitido andar pelado, transar onde quiser, e por aí vai. Tem gente que vai só por causa da música, mas mesmo esses tem que seguir o dresscode da noite, que pode ser qualquer coisa. Horários: normalmente a partir das 23 horas; after a partir das 8 nos domingos.

Lugar para sair e dançar é o que não falta na cidade do techno. O Wilden Renate é um clube com a cara dos dois primeiros, mas em escala e fila menor. O Stattbad fica em Wedding, e tem a pista dentro de uma piscina pública desativada. O Golden Gate fica embaixo de uma ponte no Mitte, e bomba às quintas. E o Möbel Olfe era uma loja de móveis usados transformado em bar/balada em que os gays se acotovelam para entrar.

ARTE E HISTÓRIA JUNTOS

Bauhaus Archiv – Dedicado a manter viva a história da maior e mais importante escola de design do mundo, o Arquivo Bauhaus é parada certa para que gosta de arte. Localizada ao sul do Tiegarten, o prédio já faz menção a criativadade ligada a Bauhaus desde que é avistado. A exposição do acervo deles é dedicada a trabalhos desenvolvidos pelos alunos durante o período áureo da escola, com professores como o próprio Gropius, Mies e Kandinsky. A loja na saída tem desde objetos incríveis e caros de design do mundo todo, até uma vasta seleção de posters lindos por módicos 5 euros. Horários: das 10 as 17 horas; fechados as terças.

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Museu Judaico – Projetado pelo arquiteto judeu Daniel Liebeskind, tem uma grande e interativa exposição sobre a história e a cultura judaica, mas o que chama atenção mesmo é o hall de acesso entre o edifício antigo e o anexo novo. Dividido em 3 eixos que se cruzam, mostra através de uma experiência sensorial os caminhos traçados pelas famílias européias durante a Segunda Guerra: o exílio, a continuidade e o  holocausto. Não deixe também de fazer um pit stop no restaurante. Além da boa comida, tem um grande pátio envidraçado muito bom para experimentar a deliciosa torta de rubarbo. Horários: segunda das 10 as 22 horas; todos os outros dias, as 10 as 20 horas.

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Hamburger Bahnhof – A antiga estação de trem, bem ao lado da novíssima Hauptbahnhof, foi transformada em museu de arte contemporânea, com um acervo impressionante, e abriga ainda exposições enormes de grandes nomes da arte alemã e mundial. E se você é dos que gosta de carregar peso, na loja de livros de arte deles dá para perder horas. Horários: de segunda a sexta, das 10 as 18 horas (quinta fica um pouquinho mais: até as 20 horas); no final de semana, das 11 as 18 horas.

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Auguststrasse – O Mitte, onde tudo acontece, é também o point das galerias de arte mais bacanudas da cidade. A Auguststrasse, em especial, reúne muitas, e as melhores delas. No mesmo quarteirão, quase vizinhas, ficam as que mais gostamos: a KW e a Me Collectors.

O Agora é um coletivo novo que que busca discutir as interações artísticas socias por meio do trabalho em grupo. Lá funciona então um estúdio, uma residência de artistas, ateliês para workshops e discussões, e claro, uma galeria de artes. Mas o espaço esconde outras maravilhas em sua bela sede situada em Charlottenburg, como um café e um restaurante, que serve brunch aos sábados durante todo o dia. Vale a pena checar a programação no site, e de repente pegar alguma performance ou intervenção antes de sentar para comer.

BATENDO PERNA

Berlim é uma cidade muito grande comparada ao padrão europeu. Mas por ser plana, muito arborizada, ter pouco trânsito, é perfeita para andar muito. E lugares para passear é o que não falta. Tem inúmeros parques, lagos, e claro, pontos históricos surpreendentes. Em nenhum outro lugar, a história do século XX é tão evidente e chocante.

Portão de Brandenburgo e Memorial do Holocausto – O ponto central de Berlim é o Portão de Brandenburgo. Por ele passava o muro, e ali aconteceu a famosa aglomeração para ver o show do David Hasselhoff (???) na noite de reveillon depois da queda. É também uma das entradas do enorme Tiergarten, vindo da famosa avenida Unter den Linden. Ali se acotovelam os turistas, junto com atores de rua vestidos de soldados, pedindo para tirar foto com você por um trocado. Mas tem que ver. Passando por ele em direção a sul, você encontra o Memorial do Holocausto. Projetado pelo arquiteto Peter Eisenman, é formado por 2711 blocos de concreto organizados em um terreno inteiro desnivelado. O conceito por trás do projeto foi amplamente discutido e pouca conclusão se tirou. Mas a experiência de visitá-lo é unanimidade: intenso.

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Bundestag – O prédio que abriga o parlamento alemão foi contruído no final do século XIX e assistiu a importantes episódios das duas grandes guerras. Por isso mesmo foi arrasado por incêndios e bombardeios, e ficou desativado de 1933 até 1990, quando começaram o processo de restauro. Em 1999 ele foi finalmente reaberto, e recebeu uma gigantesca cúpula de vidro projetada pelo arquiteto inglês Norman Foster. A cúpula pode ser visitada, mas as visitas devem ser agendadas com antecedência no site do parlamento.

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Tiergarten – O segundo maior parque urbano da Alemanha fica bem no meio da cidade e não tem como não passar por ele. No verão é uma grande massa verde densa, com pequenas clareiras onde o alemão aproveita para tirar a blusa e tomar sol entre os esquilos. No inverno é uma paisagem cinza, totalmente sem folhas, com grande apelo visual. Pelo meio dele se cruzam 5 avenidas, que se encontram em uma grande rotatória, a Grande Estrela, onde fica a Siegessäule. Essa estátua ficou famosa por conta do filme ‘Asas do Desejo‘ de Wim Wenders. Os mais animados podem pagar 6 euros e subir na torre até o pé da estátua. Lá de cima a vista da cidade é incrível, mas clastrofóbicos devem evitar.

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Mauerpark – Em Prenzlauer Berg está uma faixa de terreno que nem se pode chamar de parque, mas é onde ficou um dos maiores pedaços originais do muro. Só isso já vale a visita. Mas além disso, o Mauerpark se tornou muito popular por duas atrações dominicais. O Flohmarkt, mercado de pulgas, acontece toda semana ao lado, e tem todo tipo de quinquilharia, nova e velha, oriental e ocidental. Além disso, multidões vão para lá no domingo à tarde para ver o karaokê público que acontece no anfiteatro. Qualquer um pode entrar na fila e viver seus 3 minutos de estrela da música. Mas se mandar mal, vai sair debaixo de muita vaia.

Alexanderplatz – A praça central da Berlim Oriental é hoje o maior símbolo da cidade, por conta da torre de TV que fica bem no meio. Ainda hoje a torre é a segunda maior construção da União Européia. Na bola espetada funciona um mirante com restaurante, com uma vista espetacular da cidade em 360 graus. Mas claro que é um roteiro bem turístico, então não dá para escapar das filas. Ali também fica o Weltzeituhr, o relógio da hora mundial, que mostra o horário de inúmeras cidades. Ao redor da praça, existe uma infinidade de lojas e centros comerciais, incluindo a gigante dos eletrônicos Saturn, e a loja de departamentos Galeria.

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Potsdamer Platz – Se teve um lugar em Berlim que sofreu as conseqüências das duas guerras, foi a Potsdamer Platz. Depois, durante a Guerra Fria, essa praça foi seccionada pelo muro, e por conta disso ficou desolada até a reunificação. Desde então, sofreu uma gigantesca intervenção, foi toda redesenhada, e recebeu vários prédios novos com projeto de grandes arquitetos, como Renzo Piano e Richard Rogers. Ali fica o Sony Center, um prédio/praça bem comercial, mas com uma cobertura tensionada no meio que a noite é iluminada com LEDs coloridos e fica bem interessante. Ali do lado também tem o Neue Nationalgalerie, de 1968. Um projeto do Mies van der Rohe inteiro de vidro, e com exposições imperdíveis.

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Tempelhofer Feld – Em 2008, um dos 3 aeroportos da cidade foi fechado de vez, e em 2009 toda a área das pistas de pouso foi aberta ao público, se tornando um grande campo de recreação. As pistas continuam, como um ótimo lugar para se andar de bicicleta, patins ou skate. O prédio que abrigava toda a operação portuária hoje é usado esporadicamente para abrigar eventos, feiras, congressos e até shows de música.

Liquidrom – Se depois de tudo isso as pernas estiverem pedindo arrego, esse é o lugar. Esse spa ultra moderno tem, além de todas as comodidades de um spa qualquer, um sistema de som arrojadíssimo, que funciona embaixo d’água. Fora o som é ambiente, bem tranqüilo, e se você mergulha, parece que está dentro da caixa de som. Os preços são relativamente baratos, considerando que são em euro. Nada melhor para relaxar.

KAUFEN ZEIT (HORA DAS COMPRAS)

KaDeWe – A Kaufhaus des Westens é a maior loja da Alemanha e a segunda maior da Europa (perdendo só para a Harrods de Londres). São 60mil metros quadrados em um prédio lindo do século de XIX, com as melhores grifes do mundo. Mais do que comprar, vale a pena passear para ver a arquitetura, e aproveitar a parte de comidas que é um verdadeiro deleite.

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Andreas Murkudis – Também uma loja de grifes, mas com apelo muito mais alternativo e cool, a Andreas Murkudis é bem mais modesta com seus mil metros quadrados. Aqui a seleção de produtos é bem cuidada pelo seu dono, e o visual é ultra minimalista e chique. Roupas, jóias, design para casa, comida, cosméticos, de tudo um pouco, mas tudo único e incrível.

Weinbergsweg – Saindo um pouco do miolo mais conhecido da Alte Schönhauser Strasse e da Weinmeisterstrasse, essa ruinha saindo da Rosenthaler Platz esconde um monte de surpresas. Cafés com mesinhas na rua, livrarias, papelarias, lojas de discos e de cacarecos, marcas de roupas locais e um monte de coisas legais se misturam com predinhos residenciais e um parque nos primeiros quarteirões e nas travessas. Não perca a Rotation Records, a Schöne Schreibwaren e a SuperConscious.

Voo – No meio de Kreuzberg, tem a Oranienstrasse, uma rua que mistura tudo num roteirão alternativo: bares temáticos, restaurantes de imigrantes, casas noturnas suspeitas e muita gente descolada. Escondida no fundo de um pátio interno de um prédio, a Voo é uma multimarcas despojada de coisas bacanas e hipsters. Tem desde roupas de marcas desconhecidas até bicicleta. O café também é muito bom.

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Do you Read Me? – Perto das galerias da Auguststrasse fica essa pérola para quem encara trazer um monte de revistas de fora. Lá você encontra publicações do mundo inteiro sobre arte, moda, arquitetura, fotografia, música e cultura em geral, tudo com preço decente.

Rike Feurstein – Especializada em chapéus, a designer alemã começou vendendo suas criações no ateliê, mas logo que abriu sua pequena loja numa esquina do Mitte, fez tanto sucesso que foi parar na Barneys e no New York Times. Tudo lá é feito à mão, e ela está lá, super disponível e simpática para atender os clientes. Além dos chapéus, ela tem um trabalho incrível com os cachecóis feitos de tricô.

Marron – Para quem está montando a casa, ou quer comprar um presente de efeito, essa loja de decoração enche os olhos. Infelizmente não dá para trazer os móveis, mas lá você encontra almofadas, mantas, brinquedos, cabideiros, chaveiros, e até post-it com design único.

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FriedrichsLust – Outra loja escondida no fundo do pátio de um prédio é esse achado curioso. Ali comprar não é o foco principal, e sim admirar a coleção vasta de coisas antigas originais, peças de roupa novinhas em folha e objetos estranhos. O que mais chamou a atenção eram os animais empalhados, as bolas de couro de vários formatos e casacos militares que devem ter visto muita batalha. Mas fique ligado que só abre às quintas, sextas e sábados.

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Loja de roupa por quilo – Se você está num esquema low-budget, mas ainda assim quer trazer alguma lembrança de Berlim, a cidade tem uma seleção infinita de brechós e bazares escondidos. Mas o tipo de loja que faz mais sucesso é do das roupas vendidas por peso. Prepare a paciência e o nariz para vasculhar nas araras que não acabam. Os preços geralmente giram em torno dos 15 euros o quilo. As mais conhecidas são a Colors e a Garage, que são do mesmo grupo, e a Humana, que tem 3 endereços na cidade.

24hs em Berlin

Definir o que fazer em só 24 horas em Berlim é quase impossível. Primeiro porque a cidade nunca dorme mesmo, então dá literalmente para virar o dia fazendo coisas. Segundo porque a cidade é múltipla, tem para todos os gostos, e as coisas para fazer nunca acabam. Mas se você realmente só tem um dia premiado, vamos lá:

Para começar o dia enchendo o tanque de bateria para a maratona, peça um bom brunch no Chagall. Desça a Alte Schönehauser Allee, curtindo o Mitte até o Hackescher Markt e de lá siga para a Karl-Liebknecht Strasse. Seguindo para oeste, você vai passar pela ilha dos museus. Nessa ilha, cinco museus históricos, como o Pergamon, estão um ao lado do outro, mas a maior atração é ver as marcas de balas e bombardeios na fachada deles, mantidas intactas.

Seguindo na avenida, que agora é a Unter den Linden, você vai chegar até o Portão de Brandenburgo. À frente você vai ver o Tiergarten e a estátua da Siegessäule ao fundo, e ao lado, não deixe de ver o Memorial do Holocausto. Volte para a Friedrichstrasse, e vá para o sul. Você vai passar pelo conhecido Checkpoint Charlie, a porta de passagem entre leste e oeste na época do muro. Depois de andar tanto, que tal um pit stop no Westberlin? Ótimo para comer, sentar um pouco e tomar uma cerveja.

Com as pernas descansadas, é hora de ir para o Museu Judaico. Se você não almoçou antes, pode aproveitar o restaurante deles antes da exposição. Depois, chega de guerra um pouco. Um bom passeio pela Oranienstrasse ajuda a desanuviar. Se estiver calor, de lá da para ir até o Club der Visionäre para ouvir um pouco de música e tomar uns drinks. Saindo de lá, já dá para recarregar de novo para se preparar para a balada. Lá perto, vá no Nil Imbiss, um boteco sudanês que tem uns sanduíches deliciosos com falafel, halloumi, queijo feta, entre outras coisas.

Hora de esquentar, então uma boa pedida é subir para a Simon-Dach Strasse, escolher um dos bares e lá ficar jogando conversa fora com os amigos. Se quiser algo mais agitado, por ali mesmo tem o KPTN, bar fechado com música boa. Lá dá para esticar o quanto der, até a hora da batalha. Hora de escolher a balada e enfrentar as hostess-vilãs e rezar para entrar. O bom é que se for barrado em uma, sempre dá tempo de correr para as outras.

Data

22 de October, 2013

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