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8 motivos para amar Berlim também no inverno

Quem escreveu

Domingos Lepores

Data

15 de December, 2015

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Muita gente acha que a única coisa que resta a fazer durante o inverno em Berlim é se enfiar no Berghain no fim de semana. Como a diferença entre o dia e a noite é muitas vezes imperceptível, não deixa de ser uma boa desculpa para soltar aquele lado gótico que habita recôndito o seu ser.

Para se ter uma ideia, no solstício de inverno – o dia mais curto do ano – o amanhecer começa às 8h30 e o sol se põe às 15h30. Mas sol? Na verdade, pode-se dizer que é a claridade que não vem da lua, já que o sol pode ficar semanas sem realmente dar as caras por aqui. E, unindo a falta de luz natural com o frio em torno de zero grau, a pedida é aproveitar o melhor que a programação de inverno tem a oferecer, num lugar bem aconchegante e quentinho, esperando ansiosamente pela volta da luz e do verde da primavera.

Pensando nisso, aqui vai uma seleção de oito coisas para aproveitar o lado bom do inverno.

Sauna:

Sauna é uma das grandes paixões dos alemães, ao lado das cervejas e linguiças. E quem poderia imaginar que eu, que nunca me interessei por sauna quando morava no Brasil – afinal, para que passar mais calor se a temperatura lá fora já está acima dos 30 graus e você não para de suar ao fazer o mínimo esforço, não é mesmo? – fosse também ficar apaixonado pelo suadouro?

Há dois tipos de sauna: seca, também chamada de finlandesa e a vapor, conhecido também por banho turco. A temperatura na sauna seca é de 60 a 90 graus; e na sauna a vapor, 40 graus. Muita gente discorda, mas eu acho a sensação de calor na sauna seca mais tolerável, apesar da temperatura mais elevada. Isso acontece porque na sauna a vapor a umidade do ar é quase absoluta, causando mal estar muitas vezes.

Existe até mesmo um pequeno ritual a seguir na sauna seca. Recomenda-se fazer três sessões de 15 minutos cada, finalizadas com uma ducha gelada (coragem!) e alternadas com 15 minutos de repouso. Em algumas saunas, em horários e dias específicos, há um Saunameister (mestre da sauna), encarregado de fazer três infusões aromáticas de eucalipto ou frutas cítricas, por exemplo, durante cada sessão de 15 minutos, e de agitar uma toalha, provocando ainda mais calor por alguns instantes.

Foto: Vladimir Nenezic / Shutterstock.com
Foto: Vladimir Nenezic / Shutterstock.com

As duas principais redes de academia da cidade – FitnessFirst e Holmes Place contam com saunas super bem equipadas. Mas numa visita de poucos dias à cidade, outras boas opções são o Liquidrom (numa atmosfera mais bling-bling, com muitos russos e chineses), a piscina municipal de Neukölln, o chique spa do Hotel de Rome e a somente para homens Der Boiler, que, na verdade, mais parece um spa.

Berliner Festspiele - MaerzMusik 2015 Liquidroom
Liquidrom

Galerias de arte e museus:

Berlim conta com inúmeros museus e galerias de arte. Alguns dos quais você não pode deixar de visitar são: Neues Museum, que guarda o busto de Nefertiti, Berlinische Galerie, que, apesar do nome, é um museu mesmo, o centro de arte contemporânea Haus am Waldsee e as galerias CFA e König/Saint Agnès, localizada no prédio que abrigou uma igreja de arquitetura brutalista nos anos 1960 e que é por si só uma atração.

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Marzipan e Sanddorn:

Nada melhor do que se esbaldar com os quitutes e bebidas típicos do inverno, não é mesmo? Uma torta de Marzipan combinada com um Punsch de frutas vermelhas ou de Sanddorn (frutinha amarela e ácida, cheia de vitamina C) é a minha pedida. Um lugar para apreciá-los é a casa de chá, confeitaria e floricultura Anna Blumme. Dica: dê uma espiada no café anexo do outro lado da esquina, que normalmente oferece mais opções de bolos e tortas.

Cafés:

Também não dá para não pensar em inverno sem aquelas horas gastas à toa num café. Roamers é o meu favorito. O lugar lembra um rancho perdido no meio do Texas e, no inverno, a condensação, que embaça os vidros que dão para a rua, faz com que você se sinta numa estufa no meio dos cactos espalhados entre as mesas. Sem deixar de mencionar o carrot cake, decorado com raminhos de alecrim, e que é de sair rolando pelo chão. Tischendorf, também em Neukölln é outro que eu também adoro, com decoração que lembra casa de tia-avó do interior.

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Num outro tipo de programa, para quem tem pendores aristocráticos, o classudo bairro de Schöneberg conta com a casa de chá Bilderbuch (o próprio site já mostra a atmosfera has-been do lugar) e o jardim de inverno da LiteraturHaus, em Charlottemburg, para alimentar o lado bookworm que nos aflora durante o inverno.

Bibliotecas:

As bibliotecas das universidades são sempre um ótimo lugar para socializar e reclamar do tempo cinza com desconhecidos. Duas das mais legais são as da Humboldt Universität e a da Technische Univesität.

Cinema:

Passar algumas horas assistindo a um filme é uma das melhores formas de esquecer da realidade fora da sala de cinema. O Kino International é disparado o cinema mais legal da cidade, não só pela programação, mas sobretudo pelo belo exemplo de arquitetura socialista dos tempos da Alemanha Oriental.

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Schneeballschlacht:

Depois da temporada de mercados de Natal, uma das poucas atividades divertidas ao ar livre é a batalha de bola de neve que acontece no final de janeiro no Görlitzer Park. Ou ainda fazer Rodelbahn, descendo a colina do Victoria Park, também em Kreuzberg, e lembrar os tempos dos carrinhos de rolimã, mas agora com neve!

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Festivais:

Berlim é sede de três festivais durante o inverno: a Berlinale, de cinema, em fevereiro; o Transmediale, voltado à cultura e tecnologia, também em fevereiro, e o CTM, direcionado à cultura clubber e à música eletrônica experimental.

Quem escreveu

Domingos Lepores

Data

15 de December, 2015

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Domingos Lepores

No seu aniversário de sete anos, ganhou um globo terrestre e pouco depois já sabia (quase) de cor o nome das capitais dos países do mundo. Ainda não conheceu a Ásia e a Oceania, mas mudou há cinco anos para Paris e mora há dois em Berlim. É péssimo em senso de orientação. Sempre acaba se perdendo nas ruas transversais e achando aquele café ou loja que você vai ver indicado na edição de um guia de viagem só no ano seguinte.

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    Vivemos em um mundo de opções pasteurizadas, de dualidades. O preto e o branco, o bom e o mau. Não importa se é no avião, ou na Times Square, ou o bar que você vai todo sábado. Queremos ir além. Procuramos tudo o que está no meio. Todos os cinzas. O que você conhece e eu não, e vice-versa. Entre o seu mundo e o meu.