Guia básico para se virar em Tóquio

Quem escreveu

Lalai Persson

Data

21 de February, 2018

Share

Tóquio é, provavelmente, uma das cidades mais fascinantes do planeta. A mistura do monumental com o artesanal, do novo com velho, do high-tech com o analógico, do lugar cheio com o inóspito, nos faz sentir em outro planeta. Você pode estar em Shibuya, se perder numa ruela vazia e achar que foi transportado para outro tempo e lugar.

Tóquio. Foto: Andre Benz / Unsplash

Permita-se se perder na cidade. Entre e saia de ruas mesmo que elas pareçam não ter nada para oferecer. O mínimo que ganhará é um passeio arquitetônico, já que neste quesito os japoneses mandam bem e não é pouco.

Tóquio é tão única em tudo, que ao mesmo tempo em que encontramos shoppings center de muitos andares para compras, descobrimos uma livraria que vende apenas um título por mês. É uma cidade que tem um bairro dedicado às nerdices nossas de cada dia, Akihabara. Os geeks piram!

Morioka Shoten, livraria em Ginza que vende um título por mês
Morioka Shoten, livraria em Ginza que vende um título por mês. Foto: Lalai Persson

A cidade abriga ótimos museus e galerias de arte em que, geralmente, a contemplação já começa na arquitetura de seus prédios. É só lá que encontraremos um museu dedicado exclusivamente à obra da Yayoi Kusama, ao Snoopy e um dedicado ao fantástico mundo do Estúdio Ghibli.

Tóquio, no Japão, é uma “região” e não uma cidade como pensamos. É um pouco complexa de entender. São 10 milhões de habitantes na parte central, que durante o dia somam-se a mais 2,5 milhões, devido às pessoas que vem de outras prefeituras vizinhas para trabalhar e/ou estudar. Prepare-se para uma cidade cheia quase o tempo todo. Já a região metropolitana ultrapassa 37 milhões de habitantes. Seu centro administrativo (como se fosse a “cidade de Tóquio“) é formado por 23 bairros especiais. Cada um tem sua autonomia, prefeito e regras.

Casa de Chá no Inner Garden, Meiji Shrine, guia básico de Tóquio
A inóspita Casa de Chá no Inner Garden, Meiji Shrine, em plena Shibuya. Foto: Lalai Persson

Simplificando, os bairros de Tóquio são como cidades com seus próprios distritos. Um exemplo é Shibuya, um dos mais populares entre os viajantes. Os distritos são Shibuya, Ebisu, Harajuku, Daikanyama, Hiroo, Sendagaya e Yoyogi, cada um com suas próprias características. Em resumo: Tóquio não tem exatamente um centro. Essa estrutura é um dos fatores que faz ser tão complexo fazer um guia completo de Tóquio.

Área central de Tóquio, guia básico de Tóquio
Área central de Tóquio.

Chegando e partindo

Ao chegar no aeroporto Narita a melhor forma de ir para a cidade é de trem. Ao invés de pegar um trem direto para a Tokyo Station, pesquise antes qual a melhor estação para deixar você mais perto do seu hotel. São várias opções de linhas, por isso vale a pena consultar o Google Maps ou Maps antes. O valor varia entre 1500 a 2820 ienes (os trens expressos), dependendo do trem que você vai pegar. Já quem chega via Haneda economiza trocados e tempo, já que ele é bem mais perto da cidade.

Uma dica valiosa: o Maps, da Apple, tem uma vantagem incrível em relação ao Google Maps: ele mostra a saída que você tem que pegar na estação onde vai chegar. Isso faz muita diferença, já que tem estações com 40 saídas diferentes.

Caso fique num hotel, confira se eles não fornecem shuttle. Pode ser vantajoso, já que o preço em relação à viagem de trem não é muito diferente e o tempo, dependendo de onde estiver, pode ser mais ou menos o mesmo. Na volta para casa isso faz diferença, já que estamos sempre cansados e descer e subir escadas, fazer baldeação com malas pode ser um suplício.

Locomoção

Trem em Tóquio, guia básico de Tóquio
Trem em Tóquio e a gente de bike. Foto: Ola Persson

O transporte público funciona maravilhosamente bem, mas barato não é. Custa a partir de R$ 5 (170 ienes) uma viagem básica (curta) de metrô ou ônibus, por exemplo.

A forma mais fácil para usar o transporte público é comprar um cartão Pasmo ou Suica em qualquer estação ou mesmo já na saída do aeroporto. Eles cobram uma taxa de 500 ienes, que é devolvida junto com o crédito (se tiver) ao devolvê-lo no fim da viagem. Isso é possível nas grandes estações como Shibuya, Shinjuku, Tokyo, etc. Aí é colocar crédito no cartão e não se preocupar mais com ele. A tarifa varia de acordo com a quantidade de estações rodadas e as áreas. O crédito é abatido do cartão na saída da estação, então caso não tenha crédito suficiente, é só pagar a diferença diretamente no caixa ao lado da catraca.

Eu sempre abasteci o cartão com 5 mil ienes. Não se preocupe se vai gastar tudo, pois é possível usá-lo também nas lojas de conveniência, que aceitam pagamento com Pasmo ou Suica, assim como alguns café e outros estabelecimentos comerciais.

Uma boa opção na cidade para os mais desenvoltos é explorá-la em cima de uma bicicleta. Mas atenção, Tóquio é uma cidade cheia o tempo todo, calçadas escassas e grandes avenidas. Caso não tenha problema com isso, pode ir com fé em duas rodas, porque todos respeitam o ciclista. Eu, particularmente, que não encaro uma bike sozinha (fiz isso uma vez por lá, mas foi em turma), acabei explorando muito a cidade a pé, percorrendo pelo menos 20 quilômetros por dia enquanto estive por lá. Isso também rende grandes achados.

Táxi em Tóquio é caro, a não ser que a corrida seja pequena, por isso evite caso não esteja com dinheiro sobrando. Uber é ainda mais caro que táxi. A maioria das linhas de metrô e trem rodam até meia-noite mais ou menos. Perdeu, o próximo é às 5h da manhã. São duas opções neste caso: dormir num hotel cápsula, que custa em torno de 4 mil ienes (cerca de R$ 130) ou pegar um táxi, que custa 730 ienes por quilômetro + cobrança extra por conta do horário. Faça as contas e veja o que vale mais a pena. Alguns hotéis cápsulas não aceitam mulheres. Fica a dica.

Internet

Modem wi-fi, mão na roda no Japão, guia básico de Tóquio
Modem wi-fi, mão na roda no Japão.

Para estar conectado o tempo todo, o ideal é comprar antecipadamente um plano wi-fi. A melhor opção é o modem (bem compacto) ao invés do chip, que pode ser utilizado por 10 devices simultaneamente, inclusive computador. O valor varia entre 3.950 ienes (R$120) para dois dias e 12.450 ienes (R$380) para um mês. Sim, é caro!

Comida

Café da manhã asiático, mas com uma pitada ocidental, no Hoshinoya Hotel.
Café da manhã asiático, mas com uma pitada ocidental, no Hoshinoya Hotel. Foto: Lalai Persson

O café da manhã no Japão não tem nada a ver com o nosso. Por lá é comum comer arroz, natto (alimento típico japonês feito com soja fermentada) e missoshiro, acompanhados por legumes, peixe, carne de porco, ovo, chá verde, café ou qualquer outro alimento de preferência de quem o está preparando. Mas hoje em dia é fácil encontrar redes de cafés com opções ocidentais ou mesmo padarias e cafés do jeito que a gente gosta.

Miniatura fake de comida no Japão
Deixamos o preconceito de lado e agradecemos por fotos e miniaturas fakes de comida na vitrine. Foto: Lalai Persson

Atente os horários. Almoço após às 14h não será algo fácil, assim como o jantar também é cedo. Às 19h os restaurantes começam a ficar empacotados de pessoas e é difícil encontrar lugar para sentar, mesmo numa cidade que conta com mais de 80 mil restaurantes.

Tóquio é sobre três coisas: comer, beber e comprar. Come-se bem como em poucos lugares no planeta. Não à toa, é a cidade com mais restaurantes estrelados pelo Guia Michelin. São 234 com estrelas, sendo 166 com uma, 54 com duas e 12 com três estrelas. Já os Bib Gourmand somam 278 restaurantes. É também onde se encontra um dos Michelin mais baratos do mundo, o Tsuta, onde o prato de lámen custa 1.100 ienes (cerca de US$ 10). É fácil encontrar restaurante bom, é fácil encontrar restaurante ruim. Eu sempre dou uma aquela checada de rabo de olho para ver se vou com a cara, procuro resenhas no Google e não deixo de espiar o site bento.com. Isso, claro, quando consigo saber o nome do restaurante. :)

A variedade gastronômica no Japão vai muito além da nossa imaginação. Os pratos do dia-a-dia variam bastante de bairro para bairro, mas os mais comuns são tonkatsu, okonomiyaki, shabu shabu, macarrão (udon, rámen/lámen, soba e somen) preparadas das mais diversas formas, gyudon, sukiayki, yakitori, tirashi, nigiri-sushi (bem fast food, senta-se num balcão e vai pegando sushis na esteira rolante que passa na sua frente).

Vale a pena lembrar: muitos lugares não aceitam cartão de crédito, especialmente restaurantes e bares, além do transporte público. Ou seja, pode encher a carteira de ienes porque são eles que você vai usar. Eu costumo comprar os meus na Tunibra, que tem um câmbio melhor do que a maioria das casas de câmbio, mas tem que ir lá buscar pessoalmente.

Onde ficar

Hoshinoya Tokyo, o melhor hotel que eu fiquei na cidade.
Hoshinoya Tokyo, o melhor hotel que eu fiquei na cidade. Foto: Ola Persson

Eu já fiquei em Takadanobaba (Shinjuku), Harajuku (Shibuya), Chiyoda, Roppongi e em Tokyo Bay. Os dois primeiros foram os melhores para locomoção, pois eu estava colada numa estação da Yamanote Line (JR), a linha circular de Tóquio. Esse é o segredo. Não é necessário ficar colado em Shibuya ou Shinjuku, mas se estiver ao lado desta linha, sua vida vai ser bem mais fácil. Não curti ficar em Chiyoda (mas amei muito o hotel em que fiquei) e muito menos em Tokyo Bay, que só valeu mesmo para eu ter meu dia de Scarlett Johansson.

 

Onde passear

Passeando de bike em Tóquio.
Eu dando um rolê de bike em Tóquio.

Tóquio oferece mil possibilidades para conhecê-la. Geralmente os viajantes acabam ficando entre Shinjuku, Shibuya, Minato, Ginza e Asakusa, mas apenas por conta do Senso-ji. Caso tenha tempo na cidade, vá além. Permita-se explorar mais a área norte e noroeste da cidade.

Abaixo listo algumas das áreas mais comuns e as que passei um tempo maior:

Shibuya: Ebisu, Harajuku e Yoyogi

O famoso cruzamento em Shibuya num dia chuvoso.
O famoso cruzamento em Shibuya praticamente vazio num dia chuvoso.

É umas das áreas mais disputadas na cidade. É intensa, mas calma nas beiradas. A estação central é o grande ponto de encontro. Ao lado dela fica o famoso cruzamento, o mais lotado do mundo, onde 2.500 pessoas cruzam a rua ao mesmo tempo cada vez que o sinal verde aparece no luminoso. Para ver a loucura que é esse cruzamento, não deixe de subir no primeiro andar do Starbucks que fica em uma das calçadas.

Pontos imperdíveis não faltam em Shibuya, especialmente para quem está querendo comprar. O Center Gai é umas das principais ruas para compras. A Tokyu Hands tem 24 andares, considerando que cada andar tem 3 “meio andares”, e é o paraíso do DIY. Entre todas as seções, a minha favorita é de viagem. A Tower Records quebrou no mundo, mas a marca foi comprada pelos japoneses que mantiveram algumas lojas espalhadas pela cidade. A loja de Shibuya é considerada a maior loja de discos do mundo! São 8 andares, cada um dedicado a um estilo de música e uma ótima livraria.

A entrada do Yoyogi Park no outono.
A entrada do Yoyogi Park no outono. Foto: Lalai Persson

Circular pelo Yoyogi Park e pelo santuário Meiji são dois passeios indispensáveis, mas pode separar pelo menos 2 horas para eles. Uma das livrarias mais bonitas da cidade, a Daikanyama T Site, fica em Shibuya a apenas 1,3km da estação. Vale muito a pena fazer a caminhada para ver o lado mais tranquilo da região. Não deixe de se perder nas ruas de Harajuku, caminhe pela Cat Street e a Takeshita Street, uma espécie de 25 de Março japonesa. No fim de semana é quase intransitável e há fila para entrar nas lojas e locais mais concorridos. Um oásis em meio à movimentada Harajuku é o restaurante Eatrip, que tem menu à base de alimentos orgânicos, prometendo comida da fazenda direto para o prato.

O suculento hambúrguer do Great Burger.
O suculento hambúrguer do Great Burger. Foto: Lalai Persson

Quem estiver procurando uma folga da cozinha japonesa, um dos melhores hambúrgueres da cidade fica também na área de Harajuku, o The Great Burger. Tem sempre fila, mas não se intimide, porque ela é rápida.

Para quem quiser se inspirar um pouco, há duas boas opções de museus na região. O Museu de Fotografia de Tóquio, em Ebisu, traz um ótimo panorama do trabalho de fotógrafos japoneses. Já o Watari Museum é dedicado à arte contemporânea. É um museu particular pequeno com projeto arquitetônico assinado pelo Mario Botta. Eles recebem quatro exposições por ano.

Yokocho em Shibuya
Yokocho Nonbei em Shibuya. Foto: Lalai Persson

Lugares para tomar um bom drink não faltam, mas que tal aproveitar para conhecer um “audiophile bar”, bares dedicados à música? O JBS tem as paredes forradas de vinis e é dedicado ao jazz, blues e soul, enquanto o Koara é dedicado à música eletrônica. Ambos proporcionam experiências únicas. Foi em Shibuya também que encontrei um “bar para chamar de meu” no yokocho Nonbei, beco com um monte de mini bares colados um no outro. O meu favorito é o último à direita na ruela interna (não tenho a menor ideia do nome dele, mas procure a “Mama”).

A noite em Shibuya pega fogo e pista boa para dançar não falta. Meu lugar favorito é o Bonobo, provavelmente o menor clube em que já fui. O único inconveniente é que as pessoas fumam na pista e eu sofro um bocado com isso. Os clubes Unit e Womb costumam ter ótima programação de música eletrônica também.

Tomigaya, Shibuya, Tokyo
Caminhando por Tomigaya. Foto: Ola Persson

Caso tenha tempo, dedique um dia batendo perna em Tomigaya, em Yoyogi, um dos cantos mais fofos de Shibuya. Por ali a lista de lugares para ir é infinita. Come-se e bebe-se bem. Não deixe de passar no meu café favorito, o Little Nap, e na lojinha luxuosa da Monocle. Para os apaixonados por terras escandinavas, tome um café no norueguês Fuglen ou uma cervejinha artesanal japonesa no Øl by Oslo, enquanto assiste as pessoas passarem na calçada.

Shinjuku

As cores de Shinjuku, Tóquio.
As cores de Shinjuku, Tóquio. Foto: Lalai Persson

Shinjuku faz “divisa” com Shibuya e tem um dos parques mais bonitos e o maior de Tóquio, o Shinjuku Gyoen. Tem a estação mais movimentada do mundo, recebendo mais de 2 milhões de passageiros por dia. Tem também alguns dos prédios mais altos de Tóquio e é lá que fica o hotel Park Hyatt, que ficou famoso após ser cenário no filme “Lost in Translation”, onde vale a pena a visita para um drink para contemplar a cidade posando de Scarlett Johansson. O prédio do Tokyo Metropolitan Government Office já foi um dos mais altos da cidade e tem um observatório com acesso gratuito. É possível avistar até o Monte Fuji em dias com o céu limpo.

O delicioso toro do Kanae, Shinjuku.
O delicioso toro do Kanae, Shinjuku. Foto: Lalai Persson

É também em Shinjuku que fica o famoso Golden Gai, o maior yokocho (ruas estreitas cheia de izakayas minúsculos) da cidade, com mais de 200 mini bares espalhados em apenas seis ruelas. Mas atenção: virou há algum tempo ponto turístico, então eles cobram mil ienes dos gringos só para sentar no balcão e os drinks não são nada baratos. Bem perto dali tem um dos meus izakayas favoritos, o Kanae. Não é muito fácil de achar por ficar escondido num subsolo de um prédio, mas a recompensa é comer de joelhos o toro que eles tem no cardápio.

A área da estação Shinjuku impressiona à noite tanto quanto a de Shibuya com suas luzes, vídeos, barulhos, pessoas indo e vindo. Todas as grandes lojas de departamentos tem filial ali. É só procurar a sua favorita. Outro lugar badalado na região é o Omoide Yokocho (Piss Alley), cheio de izakayas e barracas de yakitori (espetinho).

Para amantes da arte, Shinjuku abriga o mais novo museu da artista japonesa Yayoi Kusama. Mas não esqueça de comprar os tickets com antecedência, pois eles não são vendidos na porta.

Minato: Roppongi e Aoyama

21_21 Design Center, em Roppongi, Minato.
21_21 Design Center, em Roppongi, Minato. Foto: Lalai Persson

É em Minato que tem a maior concentração dos meus museus favoritos em Tóquio. Nele se encontram o Centro Nacional de Arte de Tóquio, o maior museu do Japão e um dos mais modernos do mundo. Tem um projeto arquitetônico tão lindo, que só por isso já vale a pena a visita. O Mori Art Museum, dedicado à arte contemporânea e o mais alto do mundo, fica nos 53º e 54º andares do Roppongi Hills, mas o museu cobra um extra para chegar até as janelas para contemplar Tóquio (sacanagem!). O Nezu Art Museum apresenta uma coleção particular de arte asiática, de caligrafia a pintura, de tecidos a cerâmicas, além de abrigar um belíssimo jardim japonês. O 21_21 Design Sight, galeria de arte com projeto assinado pelo Tadao Ando, também fica na área no meio de um parque e costuma abrigar boas exposições.

Café no Commune 246_Aoyama
Café no Commune 246_Aoyama. Foto: Lalai Persson

A famosa Tokyo Tower é outro lugar para apreciar Tóquio das alturas, mas é necessário desembolsar alguns ienes. Já a área de Aoyama, uma das mais chiques da cidade, é uma grande aula de arquitetura. Ali é tudo grandioso e bonito, incluindo a famosa loja da Prada. A boa pedida é subir a Omotesando Boulevard em direção a Harajuku. É nesta área que ficam alguns dos prédios mais impressionantes de Tóquio. Não deixe de visitar o Omotesando Hills, um pequeno shopping assinado pelo Tadao Ando, que não tem escada interligando um andar ao outro. Essa área é cheia de “influencers” (ou candidatos a…) andando com fotógrafo a tiracolo para fazer look do dia. Até eu não resisti e fiz o meu. :)

A Aoyama Book Center é outra livraria que merece uma visita. Pariya, delicatessen que parece ter saído do Pinterest, é um ótimo lugar para um almoço, jantar ou apenas um drink. O Commune 246 é uma área super charmosa com food trucks, cafés e até um bar dedicado às cervejas artesanais. Apaixonados pela Muji não deixem de visitar a Found Muji, uma loja conceito da marca.

Para dançar, o Vent é uma das melhores pedidas em Tóquio.

Chuo: Ginza

Ginza, Tóquio.
Ginza, Tóquio. Foto: Richard Schneider / Flickr.

Ginza, outro bairro chique de Tóquio, foi uma área que eu explorei muito pouco. Ginza abriga também tesouros da arquitetura em suas grandes lojas de departamentos ou flagships, como a Uniqlo com seus doze andares (isso mesmo, doze andares). É possível também fazer um passeio arquitetônico na região entre Marunouchi e Ginza, tem bastante para ser visto.

Quem estiver com menos dinheiro no bolso, mas querendo fazer umas comprinhas, pode experimentar a GU, uma marca mais barata da Uniqlo.

O supermercado mara da Muji Yurakucho.
O supermercado mara da Muji Yurakucho. Foto: MUJI / Divulgação

A 500 metros da estação Ginza tem a flagship da Muji, Yūrakuchō. Prepare-se para querer morar dentro dela. Eles tem um ótimo café, que pode ser bom para um almoço rápido.

Um dos mercados de peixe mais famoso do mundo, o Tsukiji Market, também fica na área. Mas atente às regras para visitá-lo e prepare-se para tomar um café da manhã regado à sashimi.

Ginza também tem uma lista infindável de ótimos restaurantes, mas mais caros que as demais áreas de Tóquio. Quem quiser conhecer uma das cozinhas mais tradicionais do Japão, pode colocar o Ginza Maru na lista de restaurantes para conhecer. Eles servem kaizeki, um dos pratos mais antigos do Japão que resistiu ao tempo. Espere por sofisticação, ritual e um investimento financeiro que valerá cada centavo gasto. Os pratos (degustação) custam a partir de 6 mil ienes (R$ 190) no jantar, mas no almoço é possível degustar a partir de 1.050 ienes (ufa!). Quem preferir algo mais simples, como um bom lamen, o Kagari oferece um dos melhores de Ginza. A parte boa é que ele funciona ininterruptamente das 11 às 23h, com pratos custando entre 900 e 1500 ienes.

Taito: Ueno e Asakusa

A época da sakura no Ueno Park, em Tóquio.
A época da sakura no Ueno Park, em Tóquio. Foto: fastjapan.com

Ueno abriga um dos parques mais concorridos de Tóquio na época das cerejeiras (em 2018 será entre 21.03 a 8.04) . O Parque Ueno é famoso também por abrigar vários museus como o Tokyo National Museum, o National Museum for Western Art, o Tokyo Metropolitan Art Museum e o Museu Nacional de Ciência, além de um zoológico, três templos e um santuário. Não é pouca coisa!

Ameyoko, Ueno
Eu fazendo a blogger em Ameyoko, Uno. Foto: Francine Flora

Mas uma das coisas mais legais de Ueno é a Ameyoko, uma área de compras ao lado da estação. Essa sim é uma verdadeira 25 de Março japonesa. É uma loja colada na outra somando cerca de 400. Não deixe de visitar o Ameyoko Market, cheio de iguarias de todos os lugares do mundo. É também uma ótima área para comprar tênis – que parecem tabelados no Japão – mas ali dá para achá-los um pouco mais barato e alguns modelos exclusivos.

Já o que nos leva até Asakusa é o templo budista mais antigo de Tóquio, o Sensō-ji. Visita obrigatória para quem visita a cidade, mesmo que templos não estejam nos planos. Aproveitando que está na área, vá bater perna na Nakamise Shopping Street, ótima para comprar souvenires.

Setagaya: Shimokitazawa

As fachadas fofas das lojas em Shimokitazawa.
As fachadas fofas dos brechós em Shimokitazawa. Foto: Lalai Persson

Shimokitazawa é um dos bairros mais hipster de Tóquio (e já faz tempo). É o paraíso para quem ama brechós e lojas de discos. Meus brechós favoritos são o New York Joe Exchange, o Haight & Ashbury, o Chicago e o Grand Bazaar.

A Disk Union é o paraíso para quem ama vinil e adora raridades. Já a Jet Set é perfeita para achar novidades. Para fãs do Estúdio Ghibli, dê uma passada no Tolo Bakery Cafe que, aliás, é uma ótima opção para um almoço sem pressa. Vegetarianos vão gostar do bio ojiya cafe. Para um curry, música e drinks, o Arena é um achado.

Para um café rapidinho, visite o Urban Local Living. Apaixonados por cerveja artesanal, o dia pode terminar no bar Ushitora. Uma das minhas lojas favoritas é a Marble Sud que, apesar do nome, é uma marca local e faz roupas femininas bem bonitas. Para comprar uma toalhinha para secar as mãos, a Fog Linen fica em frente.

Shimo, como é chamada pelos locais, é um bairro delicinha sem arranhas-céus e com cara de local. Dá para passar o dia inteiro batendo perna por lá entrando de porta em porta.

Meguro: Nakameguro

Nakameguro, Meguro, Tóquio
Nakameguro é cheio de ruelas e casinhas fofas. Foto: Martin Lissmyr

Nakameguro é uma área bem trendy em Tóquio. Tem muitas lojas de marcas locais, restaurantes, bares e cafés, muitos concentrados em torno do canal. Um dos melhores achados no bairro é a Travelers Factory, uma loja de artigos de viagem super fofa. Moda masculina pode ser encontrada na ILDK. Para um brunch no domingo, o Beard, capitaneado por um simpático casal, promete comida simples com ingredientes de qualidade.

Quem curte um café bem tirado, o Onibus Coffee Nakameguro não desaponta, além do lugar ser uma graça. Outro café delicinha na área é o Switch Coffee Tokyo.

Suginami: Koenji

Restaurante na saída da estação Koenji.
Restaurante na saída da estação Koenji. Foto: Lalai Persson

Descobri Koenji na minha última ida a Tóquio e me apaixonei, mas tive pouco tempo lá. Koenji abrigou a cena punk em Tóquio nos anos 1970. O bairro tem muitas casas de show ao vivo, cafés, brechós, lojas de discos e é totalmente fora do burburinho turístico, mas nem por isso menos lotada. É uma área extremamente criativa e artística. Lá é possível encontrar até um hotel dedicado à arte, o BnA. Tempura em estado de arte se encontra no Tensuke, tanto no almoço quanto no jantar. Para um bom show de punk ao vivo, a pedida é o Higashi-Koenji 20000v. O Tico é o lugar perfeito para quem não abre mão de um drink bem feito. Eu me esbaldei um pouco nos brechós. Comprei peças ótimas pela barganha de mil ienes. Eles estão em todos os cantos. Ouse e entre em todas as portinhas. Você terá boas surpresas.

***

Esse post á apenas uma introdução para quem está indo para Tóquio pela primeira vez.

Há muito para ver além do que mencionei acima, mas essas foram as áreas que eu mais explorei e este guia tem a intenção de ser uma introdução à cidade. Em breve publicarei guias mais detalhados dos bairros onde mais bati perna. A minha intenção é apenas uma: que você se apaixone por Tóquio assim como eu me apaixonei. <3

Você também pode ler aqui um guia mais completo para iniciantes no Japão.

*Foto destaque: Benjamin Hung / Unsplash

Quem escreveu

Lalai Persson

Data

21 de February, 2018

Share

Lalai Persson

Lalai prometeu aos 15 anos que aos 40 faria sua sonhada viagem à Europa. Aos 24 conseguiu adiantar tal sonho em 16 anos. Desde então pisou 33 vezes em Paris e não pára de contar. Não é uma exímia planejadora de viagens. Gosta mesmo é de anotar o que é imperdível, a partir daí, prefere se perder nas ruas por onde passa e tirar dicas de locais. Hoje coleciona boas histórias, perrengues e cotonetes.

Ver todos os posts

    Adicionar comentário

    Assine nossa newsletter

    Vivemos em um mundo de opções pasteurizadas, de dualidades. O preto e o branco, o bom e o mau. Não importa se é no avião, ou na Times Square, ou o bar que você vai todo sábado. Queremos ir além. Procuramos tudo o que está no meio. Todos os cinzas. O que você conhece e eu não, e vice-versa. Entre o seu mundo e o meu.