Decoding

Tendências dos principais festivais de inovação e criatividade do mundo.

Festivais de música

Os melhores festivais de música do Brasil e do mundo num só lugar.

Fit Happens

Aventura, esporte, alimentação e saúde para quem quer explorar o mundo.

Podcast Jogo do CoP

O podcast Jogo do CoP discute quinzenalmente assuntos aleatórios.

Quinoa or Tofu

Restaurantes, compras, receitas, lugares, curiosidades e cursos. Tudo vegano ou vegetariano.

Rio24hrs

Feito com ❤ no Rio, para o Rio, só com o que há de melhor rolando na cidade.

SP24hrs

Gastronomia, cultura, arte, música, diversão, compras e inspiração na Selva de Pedra. Porque para amar São Paulo, não é preciso firulas. Só é preciso vivê-la.

Valle Nevado

Chicken or Pasta na temporada 2019 do Valle Nevado.

Valle Nevado: uma ótima opção na América do Sul para aprender a esquiar

Quem escreveu

Lalai Persson

Data

23 de July, 2019

Share

Apresentado por

Há anos divago sobre o grande desafio e a persistência que é esquiar para mim. É um esporte caro que requer investimento contínuo, ou seja, precisa gostar para continuar. E esquiar está longe de ser algo que gostei logo de cara. Por que então eu insisto tanto? Eu sempre achei que poderia gostar nas vezes em que eu consegui deslizar com os esquis pela neve sem o terror tomando conta de mim. Mas a cada viagem que faço para a neve, eu ainda levo na mala um aparato psicológico e emocional para lidar. Não foi diferente nessa minha última viagem ao Valle Nevado, a maior estação de esqui e de snowboard da América do Sul.

Esta foi minha sétima viagem para me aventurar no esqui, sendo a segunda no Hemisfério Sul. Desde que o meu marido e amigos estiveram no Valle Nevado, eles insistiram que eu deveria tentar me livrar do meu medo lá, pois é uma estação amigável para pessoas que, como eu, costumam ver o esporte de inverno como inimigo. Tem professores ótimos, pacientes e preparados para lidar com pessoas que nasceram em terras tropicais como nós. Além de tudo, a maioria fala ou arranha bem o português.

Finalmente chegou o meu momento de ir. Pela primeira vez embarcamos nós todos do Chicken or Pasta para curtirmos cinco dias nesse tal vale encantado.

esquiar no Valle Nevado, Chile, esqui
A vista dos Andes lá de cima é inigualável – foto: Ola Persson

O Valle Nevado tem estrutura e serviço primorosos, atendendo (e satisfazendo) qualquer tipo de perfil de viajante. Esquiadores de todos os níveis, não esquiadores, medrosos e corajosos encontram o seu lugar. A estação incrustada nos Andes já vale a visita só pela sua beleza. A imponente cadeia de montanhas circunda todo o resort, oferecendo uma vista de tirar o fôlego. A altitude também corrobora para essa falta de ar. A base, onde ficam os hotéis, está a 3 mil metros de altitude. El Plomo, o pico mais alto e a montanha sagrada dos Incas, fica a 5.430 mil metros de altitude, mas só é possível chegar nela fazendo expedição. Já a segunda montanha mais alta, a Bismark a 4.700 metros de altitude, tem acesso por helicóptero. Ou seja, é só para os ousados e de nível avançado saltarem ali e descerem por áreas fora de pista. Levantar de tombos no Valle Nevado pode não ser uma tarefa tão simples. Mas tudo é compensado por sua beleza excepcional. Você vê os Andes de qualquer janela, da piscina, do terraço do bar, da academia, do quarto, da recepção dos hotéis.

Para chegar são apenas 46 quilômetros dirigindo a partir de Santiago, num percurso de pouco mais de uma hora. Mas são 2.700 metros de altitude que separam a capital chilena do Valle Nevado. Essa diferença é sentida ao longo da estrada sinuosa que nos leva até lá. No dia em que subimos para o Valle, o céu azul e a nevasca do dia anterior prometiam um sábado perfeito para abrir a temporada de 2019. A temperatura era de muitos graus negativos quando chegamos e não demorou para uma nova nevasca cair sobre a região. Comemoramos! Quanto mais neve, melhor!

esquiar no Valle Nevado, Chile, esqui
Para nossa sorte, os últimos dias foram lindos no Valle Nevado! – foto: Ola Persson

Nos hospedamos no hotel Puerta del Sol, um quatro estrelas bem aconchegante. É ele um dos cartões postais do Valle e onde fica a piscina aquecida a céu aberto com vista para os Andes. Esse é só uma das 3 opções de hotel no resort, e para nós foi a escolha ideal. O resort conta ainda com sete restaurantes, atendendo a todos os paladares. A cozinha francesa, italiana, americana e, claro, chilena, estão todas presentes. Comida em estação de esqui é algo que pode deixar a desejar, mas aqui foi uma surpresa atrás da outra no tour gastronômico que fizemos experimentando cada uma de suas cozinhas. O que soube é que a comida melhorou muito de uns anos para cá. Para relaxar após o esqui, o resort conta com 4 bares, do mais tranquilo ao mais badalado, além dos après ski (conhecido também como “baladinha pós-esqui”) que acontecem em horário de happy hour com DJ e cerveja bem gelada.

Depois de checar tudo que o Valle Nevado oferece, fiquei tranquila ao saber que programação não faltaria caso eu descobrisse somente agora que esquiar não é para mim. Mas para a minha surpresa, comecei meu primeiro dia ousando! A minha aula seria às 11h, mas às 9h eu estava pronta para a pista. Dei aquela aquecida para entender se eu ainda lembrava como ficar em pé no meu par de esqui. Me senti tão confortável a ponto de topar pegar o teleférico Mirador que leva para pistas a 1,5 quilômetro da base. De lá é possível voltar esquiando pela Camino Bajo, a pista verde (iniciante) mais extensa do Valle, ou pela Diablada, pista vermelha (avançada) que foi a favorita dos meus amigos nesta viagem. Foi a primeira vez que me senti à vontade num esqui logo na largada. A descida não foi muito fácil, pois a pista estava com muita neve fofa (powder) e a visibilidade caiu drasticamente no caminho, fazendo céu e pista parecerem uma coisa só. Ainda assim, percorri até o final sem grandes sustos (mas alguns tombos).

esquiar no Valle Nevado, Chile, esqui
A cara da felicidade de quem se sente segura – foto: Ola Persson

Após descer para a minha primeira aula, eu estava radiante com meu começo. Mas na minha aulinha acompanhada de iniciantes que nunca tinham colocado um esqui no pé, mostrou que eu tenho ainda muita neve para comer. Voltei várias casinhas, mas saquei que esquiar é isso. Você faz aula, vai lá e esquia, mas esquia do jeito que dá e acredita que está indo bem (e pode até estar indo mesmo). O corpo ainda fica numa posição meio zoada, os joelhos gritam de dor porque estão sendo usados indevidamente, você não tira o olho dos esquis, cansa mais do que o normal, as pernas ficam viradas pra dentro, deixar os esquis paralelos parece uma missão impossível, o ombro se mexe quando é para ficar parado, você cai várias vezes ou se joga na neve porque precisa descansar e não sabe como parar. Aí você volta para o básico e saca a lista de coisas erradas que faz.

Para mim foram dias reaprendendo coisas que eu achava que sabia. Fiz duas aulas de duas horas cada, a primeira bem básica com o grupo da press trip. A segunda não tão básica, mas resolvendo um monte de problemas que tenho ao esquiar, do medo a saber como usar o corpo corretamente, algo que parece óbvio mas não é. Foi a primeira vez em todas as minhas investidas como esquiadora em que eu acordei querendo ir para a pista, onde fiquei sempre até o fim do dia. Quando consegui esquiar sem olhar para os esquis (a mesma coisa de andar sem olhar para os pés) e relaxar neles é libertador.

esquiar no Valle Nevado, Chile, esqui
Bons drinks para quem não é de ferro – foto: Ola Persson

O Valle Nevado tem tudo que me prometeram. Pista para quem quer começar, mas não quer se sentir tão iniciante (mesmo sendo um). Professores com didática. Eles são realmente bons, uns mais pacientes que outros. Fazer aula de esqui não é nada barato, mas é um investimento que vale cada centavo, seja aula particular ou em grupo. Aula é imprescindível para quem está começando. O esqui é um esporte extremamente técnico, por isso é preciso paciência e persistência. Claro que tem gente que coloca o esqui pela primeira vez no pé e sai esquiando. Tenho amigos destemidos que começaram assim e continuam subindo e descendo pista vermelha ou até mesmo preta sem temor. Mas aprender técnicas faz a gente perceber essa melhora na própria performance, a segurança que passamos a ter e até mesmo a segurança que oferecemos para quem está ao nosso redor.

O Valle Nevado conta com 37 pistas espalhadas em 120 hectares de terra, com 9 mil metros de pistas esquiáveis. Dessas, 4 são para iniciantes, 10 para intermediários e 14 pistas para esquiadores mais avançados. Ou seja, puro deleite para o experts. O ponto esquiável mais alto acessado por ski lift está no Cerro Tres Puntas, a 3.670 metros de altura, com um desnível de 810 metros até a base. São 11 teleféricos conectando a estação, incluindo uma gôndola para quem não quer esquiar, mas quer tomar um drink ou mesmo almoçar no meio das pistas, no Bajo Zero, que costuma também ter festinhas no fim de tarde.

Quem prefere o aconchego oferecido pelos hotéis, não há também com o que se entediar. Tem spa, piscina com bar, lounge, restaurantes, academia e agora até passeios de raquete, que permitem passear pelas montanhas sem precisar esquiar.

esquiar no Valle Nevado, Chile, esqui
O por-do-sol é um espetáculo diário – foto: Ola Persson

Para fechar a nossa temporada com chave de ouro, tivemos o eclipse solar com 92% de cobertura do sol num espetáculo lindíssimo. Foi clima de celebração. Naquele momento só pude agradecer por essa persistência que eu tenho e não tinha muita certeza sobre ela. Agora só me resta programar a próxima temporada de esqui, pois mal posso esperar para colocar novamente os esquis nos pés.

Agradeço imensamente a equipe da B4Tcomm pelo convite e parceria e também a equipe do Valle Nevado que nos acompanhou durante a press trip. Foi uma viagem super especial.

*Foto do destaque: Ola Persson

Veja também:
Guia completo do Valle Nevado
Como escolher seu hotel do Valle Nevado
10 motivos para esquiar no Valle Nevado
As melhores estações de esqui da América do Sul
Como se preparar para uma viagem de esqui
Jogo do CoP #16 – Aventuras no Valle Nevado com Cacá Filippini e Felipe Mortara

Quem escreveu

Lalai Persson

Data

23 de July, 2019

Share

Apresentado por

Lalai Persson

Lalai prometeu aos 15 anos que aos 40 faria sua sonhada viagem à Europa. Aos 24 conseguiu adiantar tal sonho em 16 anos. Desde então pisou 33 vezes em Paris e não pára de contar. Não é uma exímia planejadora de viagens. Gosta mesmo é de anotar o que é imperdível, a partir daí, prefere se perder nas ruas por onde passa e tirar dicas de locais. Hoje coleciona boas histórias, perrengues e cotonetes.

Ver todos os posts

    Adicionar comentário

    Assine nossa newsletter

    Vivemos em um mundo de opções pasteurizadas, de dualidades. O preto e o branco, o bom e o mau. Não importa se é no avião, ou na Times Square, ou o bar que você vai todo sábado. Queremos ir além. Procuramos tudo o que está no meio. Todos os cinzas. O que você conhece e eu não, e vice-versa. Entre o seu mundo e o meu.