Valle Nevado – A maior estação de esqui dos Andes

Data

23 de September, 2014

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Até meados dos anos 90, quando o brasileiro pensava em esquiar nas férias de julho, o nome que sempre pipocava na cabeça era Bariloche. Hoje, tão ou mais popular que a estação argentina, Valle Nevado virou o destino ideal para quem quer descansar na neve aqui pelas bandas do sul. Construído em 1988, por uma parceria franco-chilena, e baseado no projeto da estação Les Arcs, na França, o Valle tem características que fazem dele um destino certeiro. Para começo de conversa, fica pertinho de Santiago, então chegar lá é muito fácil e rápido. Segundo, o resort fica a 3000m de altitude, ao pé do pico El Plomo, e a região tem precipitação média de neve anual de mais de 5m. E fora isso, a área esquiável é de 800 hectares – a maior da América do Sul – com 49 pistas de todos os níveis de dificuldade.

O Básico

Viagens de esqui começam pela arrumação da mala. Nós já falamos sobre como montar o kit de roupas de esqui aqui. Se quiser sair do Brasil com tudo comprado, um lugar que tem peças simples, mas funcionais para uso ocasional, a preços acessíveis é a megaloja Decathlon. Mas em Santiago dá para encontrar uma variedade enorme de lojas e marcas diferentes, então as opções aumentam muito. Inclusive, no caminho para o Valle, antes de sair da cidade, tem um shopping inteiro só de lojas de esporte chamado Mall Sport. Lá encontra-se muitas marcas de qualidade, mais barato que no Brasil mas mais caro do que a Decathlon. Dá para pesquisar e conseguir boas promoções por lá.

Se você vai esquiar só para testar e não garante que vai querer voltar, nesse caso o ideal é pegar a roupa emprestada de algum amigo, ou alugar uma. Muitas agências de turismo têm pacotes completos que incluem traslado, aluguel de equipamento e roupas, ski-pass e aulas. Lá no Valle tem um monte de lojinhas com roupas e equipamentos, mas a chance de conseguir bons preços é bem menor. Mesmo assim, uma meia comprida (até o joelho) quente e uma “segunda pele” podem valer o investimento.

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O que você não pode esquecer é de passar um protetor solar forte – pelo menos FPS 50 – todos os dias, pois o sol, junto ao reflexo dos raios na neve branca, e o ar rarefeito da altitude fazem a radiação solar ser bem poderosa. Óculos escuros são bons para os dias muito limpos, já que ninguém quer almoçar com óculos de ski. E um protetor labial pode salvar vidas nos dias mais frios. Um dos melhores, e muito fácil de achar no Chile, é o Blistex.

A moeda, como em todo o país, é o Peso Chileno. Se bem que dinheiro é uma coisa que quase não se vê por lá. Quem está hospedado nos hotéis pode simplesmente assinar a conta na maioria dos bares e restaurantes e pagar tudo no check-out, que pode ser pago inclusive em dólares. Os poucos que não são parte do complexo aceitam cartões de crédito.

Se você acha que teu portunhol está mais para porto do que para nhol, não se preocupe. Quase 60% dos visitantes do Valle hoje são brasileiros. Por causa disso, praticamente todos os funcionários falam português decentemente. Inclusive os professores da escola. O site oficial também tem a bandeirinha verde-amarela para ajudar.

Transporte

Saindo de Santiago, o caminho de 46km demora mais ou menos 1h30, mas o trajeto é bem, bem sinuoso mesmo. Estômagos fracos podem sofrer. Além disso, nesse curto período de tempo, você sobe cerca de 2700m. Não é o caso de ter o temido ‘mal da montanha’, porém muita gente fica com um pouco de dor de cabeça, enjôo ou tontura. Então o melhor é chegar com calma, evitar muita agitação nas primeiras horas e – por que não? – tomar um bom pisco sour. Dizem que ajuda. Um pouco de paracetamol também resolve a dor de cabeça.

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O mais fácil é mesmo fechar um traslado da capital até lá. Os hotéis têm o serviço para contratar, as agências de turismo oferecem, e com certeza vai dar menos dor de cabeça. Taxis também são uma opção, mas o preço é negociado antes. Prepara a lábia para negociar. Algumas pessoas preferem alugar um carro para subir, mas isso não é recomendado para quem não está acostumado a dirigir na neve. A estrada até Farellones, vila logo abaixo do Valle, tem 40 curvas fechadíssimas, e você não quer derrapar nenhum centímetro por lá. Quem quiser se arriscar mesmo assim, deve aprender a colocar correntes nos pneus e pesquisar sobre os horários de subida e descida da estrada, que tem as pistas direcionadas em um sentido só em alguns períodos do dia.

Chegando lá em cima, você não precisa se preocupar com rodas. Teus únicos meios de transporte vão ser mesmo seus pés, seus esquis e os lifts.

Hospedagem

O Resort é bem pequeno se comparado à área que ocupa. São 3 hotéis de categorias diferentes e alguns prédios de apartamentos que podem ser alugados, tudo concentrado em um platô pequeno. Por isso você acaba encontrando com todo mundo que está hospedado lá o tempo todo. Os apartamentos tem as desvantagens de estarem mais afastados da entrada das pistas e dos restaurantes, e contam apenas com um mini-mercado para emergências. Então as compras de supermercado devem vir de Santiago. Os hotéis, portanto, além de mais confortáveis, ainda oferecem comodidades como assinatura de contas de refeições, depósitos para equipamento de esqui e meia-pensão: café-da-manhã e jantar inclusos nos restaurantes do grupo. Os 3 hotéis são:

Tres Puntas: é o mais simples de todos, com 3 estrelas. É também o mais barato. Isso não quer dizer que é menos confortável. Os quartos são relativamente espaçosos, todos tem banheiro privativo, serviço de quarto, etc. É o mais procurado pelo povo mais jovem, por ter quartos triplos e quádruplos com beliches, e por isso mesmo é o que tem a programação mais agitada.  Fica a 150m das pistas, distância que depois que você acostuma com as botas malditas, você percorre sem perceber.

Puerta del Sol: a opção intermediária é também o maior e mais conhecido. Com 4 estrelas, esse tem opções de quarto com varanda e vista para as pistas, quartos com mezanino, e quartos conjugados para quem vai com a família. Além da vista, o grande atrativo desse hotel é o acesso direto à piscina aquecida. Também está só a 50m das pistas e pertinho das lojas e restaurantes. E quem fica lá pela semana inteira, ainda ganha um massagem corporal de brinde.

Valle Nevado: o único 5 estrelas e mais indicado para casais em lua-de-mel. Os quartos tem todos mais de 40m2, com sala de estar e terraço, e vistas para as pistas ou para a montanha. O acesso às pistas é direto do lobby. Também é nele que fica o espaço fitness e o spa. Quando a temperatura lá fora é negativa, isso é uma maravilha. Claro que esse é o hotel mais caro de todos, mas quem não quer uma auto-indulgência dessas uma vez ou outra?

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O hotel Valle Nevado e a vista das montanhas

Comer e beber

O Valle tem um monte de opções de restaurantes e bares, então quem fica por uma semana não vai ter tempo de enjoar de nada. Fora que cada um deles tem um tipo de comida diferente, para agradar a todos. Cada hotel tem um pacote diferente de restaurantes incluso na meia pensão. Isso quer dizer que neles você não paga a comida no jantar, só o que beber. O café-da-manhã é sempre no hotel que você está hospedado.

A dica importante é que para evitar lotação, filas e dor de cabeça, todos os restaurantes trabalham com reservas. A central de reservas é centralizada, e você só precisa ligar para lá e dizer qual o restaurante e o horário que quer ir. O serviço funciona até as 17hs, então é mais garantido se você reservar antes de sair para as pistas. Dá para ligar do quarto, do lobby, ou até pedir para o concierge fazê-lo. Se esquecer, não se preocupe porque sem jantar você não fica. Só talvez tenha que se contentar com o lugar que estiver mais vazio.

As opções são:

Sur: fica no andar do lobby do hotel Tres Puntas. A cozinha é contemporânea, mas com traços fortes da culinária andina. Tem boas opções de carnes e peixes, sempre com acompanhamentos interessantes e sobremesas elaboradas. O serviço é muito atencioso, e tem uma boa carta de vinhos.

Truta recheada com ligüiça e queijo de ovelha sobre risoto de trigo
Truta recheada com ligüiça e queijo de ovelha sobre risoto de trigo, do Restaurante Sur

Mirador del Plomo: no hotel Puerta del Sol, esse restaurante trabalha com um sistema de buffet, que pode confundir um pouco. Em um canto perto da entrada, uma variedade grande de saladas, guarnições e petiscos bem gostosos. Em uma ilha no meio dos dois salões, uma equipe fica à disposição para preparar na hora o que você pedir, de massas a frutos do mar, de peixes a vários tipos de carne. As sobremesas, também fartas, ficam no fundo do salão de trás. Talvez por tanto levanta-senta, esse é também o que fica mais vazio, então pode ser um bom quebra-galho no dia que você esquecer de fazer reserva.

La Fourchette: como era de se esperar, o hotel Valle Nevado tem o restaurante mais requintado. Esse francês tem um ambiente muito elegante e bem decorado, serviço impecável e um cardápio exuberante. É engraçado ver todo mundo meio desengonçado jantando num lugar tão fino, já que ninguém se produz muito em uma estação de esqui. Mas é a melhor opção para quando se vai comemorar alguma data especial, ou para um jantar mais romântico.

La Leñera: apesar de não fazer parte do grupo de restaurantes dos hotéis, provavelmente é o que você mais vai freqüentar. Isso porque fica bem em frente à entrada das pistas, o que faz dele o lugar ideal para almoçar, fazer um happy hour, ou sentar um pouco que seja para esticar as pernas e tomar uma água. Tem um clima de bar da montanha, mas com boas opções de comida. Experimente uma vez pelo menos a sopa no pão (sabendo que sopa por lá é um picadinho de carne em um caldo grosso delicioso). Agora, se você se acha bom de garfo, pode tentar encarar o Desafío La Leñera: um hamburguer de 30cm de diâmetro que você não precisa pagar se comer sozinho em 30 minutos.

E aí, encara sozinho?
E aí, encara sozinho o Desafío La Leñera?

Bajo Zero: os mais empolgados com as pistas vão gostar dessa lanchonete, porque ela fica bem no meio da montanha, e funciona no esquema fast-food, pede no caixa e leva a bandeja para a mesa. Sanduíches, pizzas, hot-dogs, sopas, cafés, chocolates quentes e cervejas para comer rápido e não perder tempo de esqui.

Don Giovanni: num frio desses, impossível não querer se render a uma boa massa italiana. Esse restaurante bem clássico, fica em frente à piscina aquecida, e tem um ambiente bem amplo. As pizzas são bem gostosas, com massa bem fininha. De entrada, além das opções do cardápio, uma mesa com queijos, embutidos, azeitonas e mais fica a disposição para você se servir.

Na neve, todo mundo imagina que vai comer que nem louco e vai engordar, mas quem esquia na verdade faz muita atividade física, por horas e horas todos os dias, e acaba emagrecendo. Fora isso, o frio está sempre está sempre ali congelando as pontas dos dedos e das orelhas. Por isso, ninguém escapa lá de tomar alguns drinks e um bom vinho chileno. Praticamente todos os bares e restaurantes tem a mesma seleção de cervejas, com algumas opções locais artesanais ótimas, e destilados. Mas cada um tem uma hora boa para freqüentar.

Bar Lounge: exatamente em cima do La Leñera, esse bar tem uma vista privilegiada da montanha, e pode ser uma boa opção para almoçar também, pois tem um cardápio bem bom. Agora, o forte mesmo é no après-ski, quando eles acendem a lareira que fica bem no meio dos sofás. Esse é o melhor lugar para tomar drinks, apesar que o bloody mary estava excepcional num dia, e fraco no outro.

O hotel Puerta del Sol e o deck do Bar Lounge
O hotel Puerta del Sol e o deck do Bar Lounge

Bar Valle Nevado: dentro do hotel mais chique, claro que esse bar é o ideal para os apreciadores de vinho. A carta é extensa e você tem boas opções para degustar.

Bar Puerta del Sol: no mezanino do hotel de mesmo nome, esse bar costuma encher de gente quando as pistas fecham porque eles juntam os drinks com música ao vivo e algumas guloseimas para se servir. O povo se espalha pelos muitos sofás e poltronas e passa horas lá bebendo.

Bar Tres Puntas: quando dissemos que esse hotel era do pessoal mais jovem, grande parte se dá por conta desse bar. Com uma decoração meio kitsch e uma iluminação mais escura, é aqui que acontece o ‘agito’ do Valle. Cada noite tem uma programação diferente, e é lá que os mais animados ficam até a madrugada bebendo, dançando e jogando sinuca.

Diversão

Nem só de esqui vive um resort na neve. Por isso o Valle Nevado tem um monte de opções para quem já saiu da montanha, ou para que nem quis chegar nela. A mais conhecida, óbvio, é a piscina aquecida em um deck no meio dos hotéis, com uma vista espetacular das montanhas em volta. Lá fora temperaturas negativas, e lá dentro a água sempre em torno de 36 graus. Um armário de toalhas fica a disposição dos hóspedes dos três hotéis, e uma fogueira ajuda a esquentar quem já saiu. E dependendo da hora, um DJ transforma a piscina numa baladinha.

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Falando em balada, falamos que o Bar Tres Puntas tem uma programação diária para animar as noites. Todos os dias eles preparam uma atração para quem quer esticar. Tem a noite do karaokê, tem bingo, show de banda de rock ao vivo, e até cassino. Eles geralmente vêm até as mesas entregas a programação no jantar, mas se quiser saber antes, os concierges tem sempre todas as informações.

Numa pegada bem mais calma, todos os dias na área fitness tem aulas de yoga e alongamento gratuitas, sempre de manhã e no fim da tarde. É uma boa para esticar aqueles músculos que doem e que você nem sabia que existiam. Se o esqui não foi suficiente, ainda tem esteiras, bicicletas, e mais um monte de equipamentos para os que não dispensam a malhação. Ali do lado ainda tem o spa, que tem uma variedade enorme de tratamentos: massagens variadas, drenagem linfática, aromaterapia, peeling, sauna, envolvimento em algas, bar de oxigênio, manicure, banho de parafina e mais.

A criançada não vai ficar entediada porque eles tem uma programação especial desde cedo. O Kids Zone no Puerta del Sol tem monitores fazendo todo tipo de atividade como brincadeiras, jogos, aula de culinária e mais. Perto da escola, tem workshops de bonecos de neve, quando ela está boa. E a noite o cinema 3D passa os últimos filmes de animação.

Esqui & Snowboard

Vamos ao que interessa, já que mais de 90% das pessoas que sobem para o Valle Nevado vão com o intuito de esquiar, ou fazer snowboard. O Valle tem pistas para todos os tipos e gostos. 10% são para iniciantes, o que não é pouca coisa e mesmo quem não sabe nada e morre de medo vai se divertir. Os mais escolados podem se aventurar em pistas de neve fofa, bumps, ou até snow parks, áreas exclusivas para a prática de pulos e acrobacias.

As pistas seguem a gradação internacional e são dividas entre verdes (iniciantes), azuis (intermediários), vermelhas (avançados) e pretas (experientes). Na maioria dos picos tem mais de uma opção de pista com dificuldades diferentes, para que todo tipo de esquiador possa descer. A parte da frente da montanha, até o Cima Mirador, tem pistas mais tranqüilas, mas mais cheias. As costas da montanha tem os picos mais altos, com pistas geralmente vazias, mas mais íngremes. Quem conseguir chegar ao outro lado tem que subir no Cima Tres Puntas. Esse pico, a 3.670m de altitude, tem uma vista incrível de todo o vale. E do Cima Andes (3.485m) é possível ver Santiago lá embaixo.

Dá para ver a cidade lá?
Dá para ver a cidade lá?

O pacote do hotel te dá direito a um passe para as pistas, que nada mais é que um crachá que você carrega pendurado no pescoço. Toda vez que for pegar um lift, vão verificar se teu passe está válido. Ele só dá direito à área do Valle Nevado. Mas você pode pagar extra para ter direito às extensões até as estações vizinhas, La Parva e El Colorado. O acesso é feito por trilhas esquiáveis a partir das próprias pistas do Valle.

As aulas são contratadas separadamente, e você pode optar por várias modalidades. Tem aulas particulares e em grupo, esqui ou snowboard, crianças, freestyle (saltos), freeride (off-pist), e até aulas para deficientes físicos. Sim, de todos os tipos: cegos, amputados, paraplégicos, tetraplégicos e pessoas com síndrome de Down. Os instrutores são muito bem preparados para ensinar qualquer tipo de esquiador, e é impossível sair sem aprender. Você pode marcar suas aulas diariamente, mas corre o risco de pegar o dia seguinte cheio, então o melhor é fechar pacotes. Além de tudo sai mais barato. Para se aprender o suficiente para descer pistas vermelhas com segurança, pelo menos 3 aulas são o ideal.

O professor Patan dando aula
O professor Patan dando aula

A Valle também oferece saídas de randonée, onde o equipamento é usado para subir a montanha a pé. A técnica da subida parece com esqui nórdico e como é fora das pistas demanda um esquiador que sabe lidar com neve off-pist. É um bom jeito conhecer as montanhas além do resort, vistas incríveis e a satisfação de ter conquistado a descida. São oferecidas para grupos de 3 ou 4 pessoas e custam de 145.000 pesos a 165.000. Não há informações na versão brasileira do site, mas no chileno tem. Quando estivemos por lá, por não formar grupo, as saídas foram com uma das professoras/guias. Por isso, e por ter já equipamento próprio, o custo saiu o mesmo que aulas particulares.

Heli ski é para quem realmente esquia fora das pistas, um helicóptero leva alto e o grupo desce esquiando. Não é para iniciantes e incluso no pacote tem um guia de montanha e equipamento de segurança (até airbag de avalanche tem). Com um grupo de 4 pessoas, o custo para subir 2 vezes sai 1277 USD por pessoa em julho e setembro, enquanto agosto sai um pouco mais barato, 971 USD por pessoa.

El Plomo, o pico mais alto do Valle
El Plomo, o pico mais alto do Valle

Quem não quiser passar a semana por lá, mas quiser pelo menos passar o dia, pode deixar o carro no estacionamento que fica 1km para baixo da área dos hotéis. Lá dá para comprar o passe para um dia, alugar equipamentos e ainda pegar o único teleférico de gôndola, que te deixa no restaurante Bajo Zero, e ao lado da escola.

Fotos: Ola e Renato

E para curtir uma boa temporada de esqui, montamos uma playlist que combina com a neve.

Data

23 de September, 2014

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