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Data

24 de January, 2019

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As crianças

“As crianças” é um desses encantamentos do começo de ano que, pressentimos, permanecerá até o fim dele, esticando-se pelos anos seguintes, quem sabe. O espetáculo desenha o horizonte de perspectivas embaçadas de três velhos amigos que, no passado, trabalharam juntos numa usina nuclear. Dois deles se casaram. A peça começa quando Rose (Stela Freitas), após um longo hiato, os visita, tendo na bagagem uma proposta que sela o destino do trio. O retorno traz iluminações e desassossegos e é partir desse jogo que a peça desfia sua história. Há uma engenharia dramatúrgica eficiente na maneira como passado-presente-futuro vêm à tona e à cena, um entrelaçamento potencializado pelo trabalho dos atores – além de Stela, Mario Borges interpreta Robin e Analu Prestes vive Daisy.

Os três possuem aquela melodia na voz que sublinha uma intenção naturalista de atuação e, ao mesmo tempo, evita que o texto potente de Lucy Kirkwood se esvazie em frases de efeito. Para além de uma reflexão sobre a finitude da vida, o espetáculo se debruça sobre a autonomia e nos empurra (sem nos dizer) uma questão por vezes amarga: o que fazer com as nossas vidas? Aos personagens cabe a leitura das rubricas, o que dá a eles certo poder e a impressão de controle sobre as ações. A noção de tempo-espaço é ressignificada com a opção de manter os três em cena o tempo todo, embora eventualmente um deles não participe diretamente. Uma vida está atada a outra. O espaço é curto, mas vale aqui uma lembrança: a direção é de Rodrigo Portella, a quem já elogiamos pelo trabalho no premiado “Tom na fazenda”.

“As crianças”. De quinta-feira a sábado, às 21h. Domingo, às 19h. Ingressos a partir de R$  60.
Teatro Poeira. Rua São João Batista, 104 – Botafogo.

A favorita

Com dez indicações ao Oscar, a comédia dramática dirigida pelo grego Yorgos Lanthimos  lidera a disputa pelo prêmio ao lado do mexicano “Roma”. Lanthimos é conhecido por um cinema que busca no estranhamento uma de suas fontes de tensão – ele pode estar presente na premissa e no desenvolvimento do enredo, com preferência por histórias não convencionais, mas também na condução dessa história, com mise en scène, trilha e montagem que emulam certa excentricidade. O desdobramento disso pode ser tanto cômico quanto trágico. “Dente canino”, “O lagosta” e “O sacrifício do cervo sagrado”, seus trabalhos mais conhecidos, sustentam a marca. “A favorita” também oscila entre um e outro ao acompanhar a disputa de Sarah Churchill (Rachel Weisz) e Abigail (Emma Stone) para ocupar o posto de conselheira, confidente e amante da rainha Ana (Olivia Colman). O desejo sexual fica em segundo plano no longa, que se interessa mais pelos caminhos sórdidos do poder. Lanthimos abusa das lentes grandes angulares à caça de algum efeito, mas sua marca como realizador é melhor destrinchada no trabalho das atrizes, especialmente Colman, em quem a graça e a desgraça, a fortuna e seu revés, habitam com dor e delícia. O resultado é excelente.

“A favorita”. Confira salas e horários aqui.

Por falar em Oscar…

As indicações ao Oscar saíram na terça-feira. Além do já citado “A favorita”, outros sete filmes concorrem na categoria principal. Quase todos estrearam. Alguns já estão foram de circuito, mas podem ser ressuscitados, efeito comum na temporada de prêmios. Vamos a eles:

“Bohemian Rhapsody”  [em cartaz]: é a cinebiografia de Freddie Mercury, portanto um prato cheio para o protagonista (no caso, Rami Malek) ter uma indigestão. Ao que parece, o ator saboreou o risco. Até os detratores do filme – e eles são muitos – elogiam o trabalho de Malek, conhecido até então pela série “Mr. Robot”. Apesar do auê, a vitória no Globo de Ouro (melhor filme – drama) foi uma surpresa e não deve se repetir. Foram cinco indicações, incluindo a de melhor ator.
Confira horários e salas aqui.

“Green book : o guia” [em cartaz]: feito sob medida para o Oscar, com uma vibe “Conduzindo Miss Daisy” que pode agradar os votantes. É o filme do consenso e por abordar o racismo tem o selo “tema importante” abotoado. A direção é de Peter Farrelly (sim, ele mesmo), responsável pelos pastelões “Quem vai ficar com Mary?” e “Eu, eu mesmo e Irene”. “Green book” mostra a relação entre um pianista negro e o motorista ítalo-americano durante uma viagem pelo sul dos Estados Unidos. A dramédia recebeu cinco indicações ao Oscar. Como venceu o Sindicato dos Produtores (um termômetro real do Oscar), é considerado o atual favorito ao prêmio principal. Mas o passado de Farrelly  e o fato de ele ficado de fora da lista dos diretores complicam as coisas.
Confira horários e salas aqui.

“Infiltrado na Klan” [em cartaz]: um soco de Spike Lee em plena era Trump, quando muitos consideravam que sua carreira já estava esgotada. Até prêmio honorário do Oscar ele recebeu… em 2016… Ou seja… tapinha nas costas, meu amigo. Após anos de serviços prestados ao bom cinema, Lee recebeu a primeira indicação como diretor – além disso, também concorre como produtor e roteirista. É um filme com sua assinatura, tendo o confronto racial como nó, embora aqui salpicado com mais humor, um humor que aperta e não afrouxa. Foram seis indicações. Em cartaz em poucas salas.
É agora ou nunca: confira aqui as sessões.

“Nasce uma estrela” [em cartaz]: há um certo fascínio quando cantoras se arriscam como atrizes, embora muitas façam isso protegidas pelo canto. Madonna tentou seu sonho dourado com “Evita” e morreu na praia, mas com um Globo de Ouro como consolo; Bjork abraçou o melodrama e, mesmo sublime como a sofrida protagonista de “Dançando no escuro”, foi lembrada apenas na categoria canção; Beyoncé também quis, mas ficou na cadeira e aplaudiu a vitória da colega Jennifer Hudson, exageradíssima no fraco “Dreamgirls”. Desprotegida dos figurinos e ornamentos habituais, eis que chega Lady Gaga, protagonista de uma história contada em outras três versões no cinema, num papel já defendido por  Judy Garland e Barbra Streisand. Contrariando a expectativa de bomba, foi ela quem se instalou no olimpo e gagou na gara dos garetas. Ulalá. Vai ganhar o Oscar de atriz? Vai ser lembrada pelo papel? Sei lá, nunca foi pelos 20 centavos mesmo.
Confira salas e horários aqui.

“Pantera Negra”: estreou em fevereiro do ano passado e, quase um ano depois, chegou às premiações com fôlego, um caminho possível graças à bilheteria mundial de mais de um 1,3 bilhão de dólares (a segunda maior de 2018) e ao apoio do público e da crítica. Foram sete indicações ao Oscar. Ao lado de “Missão: impossível – Efeito Fallout” , “Pantera” é o melhor filme de ação da última temporada, apesar dos (d)efeitos visuais, e o primeiro de super-herói a ser lembrado na categoria principal. Já saiu de cartaz, mas Wakanda pode ser descoberta ou redescoberta no streaming.

“Roma” [na Netflix]:  Alfonso Cuarón se alia ao tempo para, sem pressa, contar a história de Cleo, a empregada de uma família de classe média alta do México. Como se sabe, está ali a infância perdida do diretor – perdida porque já passou -, agora redesenhada com a câmera. O que vemos são memórias, talvez numa tentativa de alcançar o menino que ele foi, com pais, irmãos e  empregada. É uma história contada na chave do afeto e, talvez por isso, escape dela problematizações diretas a respeito da luta de classes, embora ela esteja alojada ali. Cleo não reclama do trabalho e se sacrifica por todos, mantendo o rosto plácido como estampa. Ou talvez máscara? A câmera a acompanha e, no trajeto, eventualmente se descola para fitar outro ambiente, outra gente – o movimento traz ecos de “E sua mãe também”. Em meio a sucessão de eventos ordinários, emerge, vez ou outra, algo extraordinário. Um avião cruza o céu e nos lembra que outras pessoas vivem outras vidas e que talvez aquela casa seja uma segura prisão, cujo dia a dia leva a empregada da cozinha ao quarto, do quarto ao pátio, do pátio ao quartinho onde vai dormir, enfim. Sim, existe o mar, mas o mar pode ser perigoso. Foram dez indicações ao Oscar.
Se não viu, veja aqui.
Se quer ver na telona de cinema, uma boa dica: o Cine Arte UFF promove uma sessão especial do “Roma”. Quinta-feira (24.01), às 20h. Ingressos a R$ 12 (inteira), aqui

“Vice” [estreia dia 31 de janeiro]: as transformações físicas de Christian Bale são um caso à parte: ele se equilibra num engorda-emagrece-engorda que, a despeito de mensagem edificante que passa de entrega irrestrita ao papel, corre o risco de chegar ao limite do cacoete. No fim das contas, falamos mais de ossos e gordura do que do papel em si. Ele mesmo disse que não faria isso de novo, mas mudou prontamente de ideia. Como não vi o filme, é disso mesmo que vou falar. Dessa vez, o ator engordou 18 quilos para dar vida a Dick Cheney, o vice-presidente dos Estados Unidos durante o governo de George W. Bush.  Para ver Bale magro-doente, assista “O operário”, “O sobrevivente” e “O vencedor”. Para ver Bale musculoso, assista a qualquer filme da trilogia “Batman” e “Psicopata americano”. Para ver Bale-gordo, assista também “Trapaça”. Ao lado de Malek, Bale-gordo é o favorito ao Oscar de ator. O filme recebeu oito indicações ao Oscar, incluindo mais uma para a conta de Amy Adams.
Antes de chegar oficialmente ao circuito, o filme foi programado para o Sessões à meia-noite do Estação NET Rio. Sábado (26.01), às 23h59. Ingressos a R$ 37 (inteira).

Peraí, que tem mais

O cineasta e professor de filosofia Dodô Azevedo comanda as aulas do projeto A masculinidade falhou – O cinema de Stanley Kubrick. No sábado (26.01), ele analisa cenas de filmes  como “Dr. Fantástico” e “Barry Lyndon” e adiciona uma pergunta necessária: que estranho amor é esse que o masculino possui por armas fálicas? A aula acontece das 16h às 19h. Às 21h30 será exibido “Barry Lyndon”.
A masculinidade falhou – O cinema de Stanley Kubrick. Sábado (26.01), a partir das 16h. Aula + sessão custa R$ 40.
Cine Joia.  Avenida Nossa Senhora de Copacabana, 680/SS loja H – Copacabana.

O monólogo “Cárcere” segue em cartaz no CCBB. O espetáculo acompanha uma semana na vida de um pianista que, privado da liberdade e de seu piano, será refém em uma rebelião iminente. Vinicius Piedade atua e dirige.
“Cárcere”. De quinta-feira a domingo, às 19h30. Ingressos a R$ 30. Em cartaz até 03.03.
CCBB. Rua Primeiro de Março, 66 – Centro.

Data

24 de January, 2019

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Filipe Isensee e Gustavo Cunha

Filipe nasceu em Salvador, mudou-se aos 9 anos para Belo Horizonte e, aos vinte e poucos, decidiu encarar o Rio de Janeiro. Há quatro anos conheceu Gustavo, cria da capital fluminense. Jornalistas culturais, gostam de receber amigos em casa e ir ao cinema. Cada vez mais são adeptos de programas ao ar livre - sempre que podem, incluem no passeio Chaplin, esperto vira-lata adotado há um ano.

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    Vivemos em um mundo de opções pasteurizadas, de dualidades. O preto e o branco, o bom e o mau. Não importa se é no avião, ou na Times Square, ou o bar que você vai todo sábado. Queremos ir além. Procuramos tudo o que está no meio. Todos os cinzas. O que você conhece e eu não, e vice-versa. Entre o seu mundo e o meu.