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Chicken or Pasta na temporada 2019 do Valle Nevado.

Heartland Festival: O festival que parece ser no quintal de casa

Quem escreveu

Fernanda Secco

Data

07 de June, 2019

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Antes de conhecer o Heartland Festival, não achava possível sair de um festival com gostinho de quero mais. Mas peraí, não me entenda mal. É claro que os festivais de música são incríveis, mas geralmente você sai exausto, pronto para tomar um banho de duas horas e dormir por uma semana.

Foto por Maja Kongegaard Bramm

O Heartland é tão aconchegante que faz você se sentir no quintal dos amigos, a única diferença é que invés do amigo desafinado tocando violão, você pode escutar Solange, Jada, Hot Chip, Kamasi Washington, Smashing Pumpkins, Interpol, Die Antwoord… Em vez de conversas sem pé-nem-cabeça, você pode ouvir ícones inspirarem uma platéia inteira. E claro, arte e comidas incríveis por onde você olhar.

O line-up do Heartland 2019 teve 28% de representação feminina, mas as mulheres marcaram o território de maneira impressionante.

A conversa com a Vivienne Westwood estava tão lotada que tinha gente vendo do lado de fora. Foto por Jonatan Nothlev

Sem dúvida a palestra da estilista inglesa Vivienne Westwood foi um dos momentos mais marcantes do festival. Com uma camiseta escrito “buy less“, a britânica fez uma apresentação única usando cartas de baralho customizadas. Ela chamou a Margaret Thatcher de hipócrita, contou das suas peripécias com o Sex Pistols. No final, detalhou sua teoria de como salvar o mundo e disse que os intelectuais devem se unir. A platéia (toda de pé) aplaudiu e agradeceu a inspiração.

Outra conversa que deu o que falar foi a da filósofa americana Judith Butler. Também conhecida como a “rainha dos queers“, Judith argumentou sobre o futuro das políticas de gênero e afirmou que esta será uma “longa luta social, mas claro que nós vamos ganhá-la porque temos prazer, esperança, paixão, amor e imaginação do nosso lado”. Algumas das mulheres da platéia (em sua vasta maioria dinamarquesas) se emocionaram com o bate-papo e choraram durante a apresentação – às vezes a gente até esquece que mesmo que os países mais avançados em igualdade de gênero, como é a Dinamarca, existe muito trabalho a ser feito.

Senaibo Sey. Foto por Nicolai Hildebrand

Na música, a sueca Seinabo Sey agitou a galera com a sua voz doce e fez seu show de pop-soul um dos melhores do palco Greenfield. Com ritmos de R&B e uma batida positiva, esta foi a segunda vez da cantora no festival – e com certeza não será a última.

Já no palco principal, a headliner Solange está longe de ser lembrada apenas por seu parentesco com Beyoncé – aliás ela trabalhou (e muito) em criar uma identidade única e independente a sua irmã mais velha. Seu show foi conceitual, divertido e cheio de talento. Os hits AlmedaDon’t Touch my Hair e Stay Flo não são exatamente para dançar, mas foram executados perfeitamente.

Die Antwoord – foto por Mathias Bak Larsen

Die Antwoord era um dos shows que eu, pessoalmente, estava ansiosa para ver. É claro que eles são over-the-top, clichê e praticamente uma versão do Aqua on crack. Mas quem liga? Eles tem uma baita presença de palco, um show divertidíssimo e oferecem a chance de dançar sem parar por 1,5 hora. Bônus: ver os gritinhos agudos da Yolandi ao vivo é um presente (risos).

Prato de frutos do mar do Musling Bistro. Foto por Niklas Vindelev

A gastronomia do festival é de lamber os beiços. Este ano, o banquete estava por conta do Kadeau, um restaurante que começou na ilha dinamarquesa Bornholm e hoje tem dois espaços e duas estrelas Michelin. O menu degustação era servido algumas vezes por dia, incluía bebidas e custava cerca de R$370 (adicionais ao ingresso do festival). Além do banquete, o festival oferecia outras experiências deliciosas, algumas pagas e outras gratuitas, como conversas e workshops no palco Tasteland. Nas barraquinhas dava pra comer de tudo. Algumas opções eram, cachorro-quente gourmet (R$25), prato de frutos do mar com lagosta e ostras (R$400), caviar com waffles (R$87), pães fresquinhos assados na mini-padoca (a partir de R$10) e iguarias locais da ilha de Funen. Nada muito barato, mas tudo muito gostoso.

Entre uma aula de yoga, uma instalação de arte e uma taça de vinho, aproveitamos para deitar e tirar uma soneca. Para finalizar o clima de quintal, não poderia faltar uma fogueira.

Já anota, porque 2020 o festival já tem data marcada. Vai ser no dia 29 a 31 de maio. Vem, deite na grama, curta a vista do castelo e deixe o Heartland Festival inspirar você.

 

*Foto de destaque por Maja Kongegaard Bramm

Quem escreveu

Fernanda Secco

Data

07 de June, 2019

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Fernanda Secco

De longas viagens de carro no México a aulas de cozinha no Vietnã, para mim o que importa conhecer são as pessoas. Não há nada melhor para conhecer um país do que aprender com experiências autênticas (e às vezes malucas).

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