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Dez lugares para aproveitar o inverno no Brasil (que não são Campos do Jordão ou Gramado)

Quem escreveu

Gaía Passarelli

Data

05 de June, 2018

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O melhor do inverno no Brasil é o sol. Sério! As cidades de serra e montanha dos estados entre Minas Gerais e Rio Grande do Sul recebem menos chuva durante o inverno, e isso significa céu limpo quase todo o tempo e também cachoeiras de água cristalina, trilhas limpas e picos de onde às vezes até se avista o mar. É procurando isso que as pessoas se movem para destinos como as serras da Mantiqueira e do Itatiaia para lotar pousadas onde o cheiro de lenha queimando é onipresente nos finais de tarde. Agora, se é frio que você quer, você vai encontrar mais ao sul mesmo: o epicentro da friaca brasileira fica no sul do estado de Santa Catarina. Abaixo, dez dicas de lugares que brilham muito no inverno (incluindo algumas que você não imaginava).

Santo Antônio do Pinhal, SP

Bem pertinho de Campos do Jordão, na Serra da Mantiqueira, Santo Antônio do Pinhal é uma ótima escapada de final de semana paulistano: fica a cerca de duas horas da capital. Também serve como base para explorar as outras cidades aconchegantes da região, como a vizinha São Bento do Sapucaí, onde está a Pedra do Baú, e a pequena Gonçalves. Cachoeiras, picos para trilhas e restaurantes servindo truta são o lugar comum da área, mas uma vez em Santo Antônio não deixe de comer sorvete na pequena Eisland, que fica fora da cidade e faz sorvetes com leite da própria fazenda.

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Vista da rampa de voo do Pico Agudo, um dos passeios mais populares de Santo Antônio do Pinhal – foto: Flickr – Daniel Mirrha

Domingos Martins, ES

A região serrana do Espírito Santo tem uma porção de lugares legais para quem gosta do combo frio-cachoeira-caminhada, como o Pico da Bandeira, dentro do Parque do Caparaó, na divisa com Minas Gerais. Um lugar mais fácil, bastante acolhedor e popular entre os capixabas, é Domingo Martins, a cerca de 50 quilometros de Vitória, onde fica o Parque Estadual da Pedra Azul (foto). De charme colonial, a cidade atrai quem curte esportes de aventura tipo rafting e escaladas, e abriga uma estação do circuito turístico ferroviário, o Trem das Montanhas Capixabas.

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Dentro do Parque Estadual da Pedra Azul – foto: Wikicommons

Urubici, SC

Sabe quando neva no sul e a internet fica cheia de foto dos bonecos de neve brasileiros? Então, é daqui que eles vem. São Joaquim, que batiza o parque nacional da região, é a cidade mais famosa da Serra Catarinense (região que atinge as temperaturas mais baixas do Brasil durante o inverno, e onde às vezes neva) e tem pousadas quentinhas, lojas de chocolate e fica lotada quando a friaca chega. Mas Urubici é o lugar para conhecer se você quer menos gente e mais paisagem — pense em montanhas verdes cobertas por extensas florestas de araucárias. Urubici também é a mais fria das cidades da serra, e detém o recorde de frio do Brasil: -17.8ºC no Morro da Igreja em 1996.

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A Pedra Furada vista do Morro da Igreja, na Serra Catarinense – foto: Flickr – Trilhando Montanhas

Pirenópolis, GO

Essa linda cidade histórica pertinho de Brasília tem Festival de Inverno, Festa do Divino, festival gastronômico, de fotografia, de jazz, da primavera e até uma versão da Flip, a FliPiri (conheça todos os eventos aqui). Com o mesmo clima e arquitetura de cidade colonial encontrada em, por exemplo, Paraty e Ouro Preto, Piri é um lugar tanto para ir atrás de aventuras como voar de balão sobre o cerrado, quanto cair em bares noite adentro. A riqueza natural da região garante uma porção de reservas naturais, cachoeiras, vales e paredões de pedra para rapel e escalada. O Parque Estadual Serra dos Pireneus abriga a maior parte dos passeios.

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O casario colonial de Pirenópolis – foto: Renato Salles

Cambará do Sul, RS

Cambará fica a 200 quilômetros de Porto Alegre e é a cidade inicial para quem vai visitar os cânions dos parques nacionais de Aparados da Serra e da Serra Geral. A região é pouco explorada e esconde algumas das paisagens mais bonitas do país, mas os parques tem pouca estrutura de apoio, mais um motivo para fazer visitas guiadas com gente que conhece o caminho (ligue na Associação de Condutores Locais de Eco-Turismo: (54) 9916-1583 / 9964-1033). O passeio mais famoso é o do mirante do Cânion da Fortaleza, que leva cerca de cinquenta minutos. Mas há outros, como o do Itaimbezinho, que impressiona pela vegetação densa cobrindo os paredões de granito. Vale mais um aviso para lembrar que aqui, uma das regiões mais geladas do Brasil, a cerração é forte e chega de repente. A única forma de escapar dela é espantando a preguiça e saindo para os passeios nos cânios de manhã bem cedo. Fora do parque, procure as piscinas naturais do Lajeado da Margarida, passeio que pode ser feito a cavalo – ninguem vai te julgar se você não encarar entrar na água gelada, tá?

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Cânion Itaimbezinho – foto: Flickr – mishmoshimoshi

Petropolis, RJ

Você já quis visitar os restos mortais da família imperial brasileira? Aqui você pode: fica no mausoléu de uma catedral gótica na região serrana do Rio de Janeiro, a Catedral de São Pedro de Alcântara. Essa é só uma das coisas especiais sobre Petrópolis, cidade que cresceu ao redor da família imperial, que vinha aqui passar os meses de verão para fugir do calor carioca. A cidade fica pertinho do Rio, e hoje é um pólo turístico para todos os gostos de bolsos. Há passeios com jeito de excursão de escola como o Palácio de Cristal, o Museu Casa Santos Dumont e a Casa da Ipiranga que mostram história, costumes e algo da opulência da época. Petrópolis também é a cidade mais próxima para quem vai visitar o Parque Nacional da Serra dos Orgãos, com paisagens exuberantes e picos rochosos que atraem montanhistas. Mas o que faz de Petrópolis um destino especialmente agradável no inverno são as suas pousadas: há sete pousadas dentro da categoria “roteiros de charme” só no município — a Locanda Della Mimosa é uma das mais famosas. Também vale ida até Teresópolis e Itaipava.

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Palácio Imperial: é turístico, mas dá pra gastar umas boas duas horas aqui – foto: Flickr – David Almeida

Guaramiranga, CE

Você não esperava ver nordeste nessa lista, eu sei. Verdade seja dita, não faz sentido comparar as temperaturas da região serrana cearense com as do sul, mas não deixe que isso te desanime. Guaramiranga fica no Maciço do Baturité, cerca de 100 quilometros da capital Fortaleza, tem paisagens lindas e é um dos principais destinos turísticos do Ceará. O Carmaval atrai musicos do mundo todo, mas não espere sambas e marchinhas: é época do Festival de Jazz e Blues.

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A Suíça do Ceará – foto: Flickr – Dudu Viana

Ouro Preto, MG

Aquele clichê que é clichê por uma boa razão! Ouro Preto, primeira capital das Minas Gerais, coladinha em Belo Horizonte, tem uma porção de razões para sua visita, a começar pelas dezoito (!) igrejas do período colonial. Ouro Preto também tem pousadas charmosas e restaurantes de todos os tipos e preços, concentrados principalmente ao redor do Centro Histórico – procure o Passo, num casarão na beira do rio perto da Casa dos Contos. No inverno, quando o tempo seca, o céu azul é constante, as ladeiras ficam menos escorregadias e o clima é ideal para fazer passeios e depois ver o dia cair tomando cachaça e comendo queijo em algum dos muitos bares da cidade. Ouro Preto ainda tem uma programação cultural intensa, que inclui Carnaval (quando a cidade fica lotada!) shows e festivais. Passeios em Mariana e outras cidades históricas da região (Tiradentes é um pouco mais longe: 158 km) são obrigatórios, mas também vale usar Ouro Preto como base para visitar o complexo de arte de Inhotim, em Brumadinho. Ah, o Festival de Inverno da cidade está na 51ª edição e acontece em julho. Interessados devem reservar já.

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Igreja deSão Francisco de Paula – foto: Flickr – Leandro Ciuffo

Itatiaia, RJ

Itatiaia é o município principal da região e batiza o parque nacional onde estão os picos das Agulhas Negras e Prateleiras, subidas de dificuldade moderada que requerem guia autorizado e equipamento básico de escalada em alguns trechos. Mas por aqui também estão cidades como Penedo, a única colônia finlandesa do Brasil, Visconde de Mauá, com todo um agito gourmet em torno de restaurantes e pousadas bacanas, e Itamonte, com vilarejos esquecidos pelo progresso onde é fácil encontrar cachoeiras intocadas e famílias produtoras de queijo que chamam prum café na beira do fogão a lenha. Os meses entre junho e setembro, com tempo mais seco, são ideais para fazer trilhas e ver vistas como essa:

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Pico das Prateleiras: é o segundo mais famoso, mas a vista é mais bonita! – foto: Flickr – Fred Schinke

Serra da Bocaina, SP

Se você procurar Serra da Bocaina no Google Maps vai encontrar uma porção de cidades, incluindo pequenas cidades históricas do interior paulista como Bananal e Areias. Mas direcione para São José do Barreiro, que é de onde sai um longa, íngreme, sinuosa e linda estrada que leva até o alto da serra de onde, em dias claros, em alguns pontos (como no Mirante do Sobrado) se vê o mar. Mas atenção: não é passeio de um dia e qualquer pousada no topo da serra requer reserva antecipada, ainda mais nessa época do ano. Também é necessário verificar carro: subida, só com veículo adequado. Uma vez lá em cima, os programas são quase todos dentro do parque Nacional da Serra da Bocaina, com uma porção de trilhas de dificuldades variadas e cachoeiras de águas geladas. A do Santo Izidro fica a menos de dois quilômetros da entrada do parque e é a mais procurada — mas a descida e subida até o poço principal não é moleza, acredite. O Pico do Tira Chapéu, a mais de dois mil metros de altitude, é o passeio obrigatório e leva um dia todo. Pra quem realmente curte andar, essa é a melhor época do ano para fazer a Trilha do Ouro, que sai de Barreiro e vai até Paraty. É uma aventura e tanto, e leva pelo menos dois dias inteiros por paisagens espetaculares dentro da serra, incluindo a Cachoeira dos Veados, com 150 metros de queda. Requer preparo físico e guia autorizado.

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Cachoeira do Santo Izidro, a mais visitada da Bocaina – foto: Flickr – rural.scapes
*Foto do destaque: Renato Salles

Quem escreveu

Gaía Passarelli

Data

05 de June, 2018

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Gaía Passarelli

Gaía Passarelli é paulistana de nascença, autora do livro "Mas Voce Vai Sozinha?"(Globo, 2016) e do blog How to Travel Light. Encontre-a em gaiapassarelli.com

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Comentários

  • Olá, boa tarde. adoro as matérias de vocês, e sou leitor frequente aqui!! antes de viajar para qualquer lugar venho dar uma passada aqui para procurar dicas e sair do óbvio do google! Hoje ao ler essas dicas me lembrei muito da minha cidade que e acho que super se encaixaria em meio as dicas, não sei se conhecem mas deixo a dica para vocês. Chapada dos Guimarães é o lugar, não é porque sou de lá, mas para mim é um dos lugares mais lindos no pais para passar um pouquinho de frio. deem uma pesquisada no lugar porque vale a pena. beijos,
    - Rômulo Moreira
    • totalmente de acordo, Rômulo! só não inclui nesse guia pq pelo que pesquisei o inverno não é uma boa época do ano para ir para a Chapada dos Guimarães, por causa da forte neblina. confere? :) obrigada!
      - Gaía Passarelli

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