Música & Diversão

MECAInhotim agitou o fim de semana num dos museus mais bonitos do mundo

Quem escreveu

Lalai Persson

Data

12 de July, 2017

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O MECAInhotim tem algo muito poderoso a seu favor, o lugar onde acontece. Não há muito como errar ao fazer qualquer coisa num lugar como Inhotim, que pode entrar na lista de locações de festivais mais bonitas do mundo. O festival chegou em sua terceira edição um pouco mais robusto e, ao contrário da última edição que aconteceu debaixo de chuva, tivemos dias invernais ensolarados bem agradáveis. Foram três dias lindos de morrer, cercados de verde, arte, música, bate-papos, workshops, comidinhas e bons drinks, além da companhia dos amigos.

Os cantinhos de Inhotim ocupado pelos “festivaleiros”. Foto: Ola Persson
A beira do lago era uma das mais concorridas no fim do dia no MECAInhotim. Foto: Ola Persson
A Galeria Miguel Rio Branco, uma das mais fortes de Inhotim. Foto: Ola Persson

Visitar Inhotim com um festival de música rolando entre seus bosques, galerias de arte e parques, deixa a visita bem especial. O clima é outro, o público é outro, as expectativas são outras. Nós, brasileiros, que não temos muitos festivais acontecendo fora do conforto das grandes e médias cidades, acabamos esquecendo o quanto é bom deixá-las para trás. Os amigos (idosos como eu), já mais preguiçosos com festivais por aqui, acabaram se rendendo, fazendo as malas e dando um jeito de encontrar um canto para ficar em Belo Horizonte, Brumadinho ou mesmo encarando a missão camping para passar dias inteiros numa deliciosa reunião pra lá de inspiradora.

A área onde foi colocado o palco principal do MECAInhotim. Foto: Ola Persson

O MECAInhotim teve alguns problemas. Senti falta de uma curadoria musical mais apurada, e de um espaço a mais para a música eletrônica, que timidamente vai ganhando um pouco de espaço no evento – mas ainda foi uma grande coadjuvante nesta edição. O camping teve problemas de água no primeiro dia, os caixas eram escassos e as filas demoradas. Mas ainda assim rendeu um ótimo fim de semana para quem se aventurou por lá. Não vi ninguém arrependido por ter ido.

Lojinha da Farm na área externa do MECAInhotim. Foto: Ola Persson
A área de make-up da Natura Faces, no MECAInhotim. Foto: Ola Persson
Fazendo a visita guiada promovida pelo Artkin & Stella Artois. Foto: Ola Persson

O festival contou com vários espaços dentro e fora de Inhotim. Na área do estacionamento estavam as marcas e suas ativações, food trucks, dois bares e um palco, que encerrava sua programação às 18h30. As marcas patrocinadoras entenderam, no geral, o conceito do festival, distribuindo cangas, lenços, mapas de Inhotim com curadoria de artistas, área para make-up com Natura Faces, uma lojinha da Farm e da Ray-Ban para incrementar o visual. A Stella Artois se juntou com o Artkin, oferecendo visitas guiadas: uma focada em botânica e outra em arte, com direito a kit picnic para acompanhar o passeio. Durante duas horas eu tive uma boa aula sobre várias obras que gosto, mas desconhecia sua histórias. Já a Melissa, além do glitter alcançado, ofereceu duas visitas guiadas, uma no sábado e outra no domingo, com o artista Felipe Morozini. Ou seja, finalmente as marcas estão entendendo e prestando um serviço útil à sua maneira.

O Lucio Ribeiro fez um set delicioso na Igrejinha. Foto: Ola Persson
A área externa da Igrejinha no MECAInhotim. Foto: Ola Persson

Na área interna de Inhotim, o festival ocupou a Igrejinha, dentro com ótimos bate-papos, e a área externa com as festas diurnas. Algumas um pouco barulhentas demais, destoando um pouco do clima que o parque-museu oferece. Mas o público, na maioria bem jovem, pareceu curtir. Por ali, a grande falha mesmo foi na produção do bar e caixa para venda de fichas, que pareceu prever um movimento bem menor do que o que teve. Chegamos a ficar meia-hora na fila para conseguir comprar uma cerveja.

A programação no sábado e domingo começou cedo. A festa Wake rolou no sábado, às 8h da manhã, e a aula de yoga aconteceu no domingo com ninguém menos que o DJ Vitor Kurc cuidando da trilha sonora. Mesmo com o festival se encerrando às 4h da manhã, o público foi polivalente, comparecendo nas programações matinais.

Workshop rolando no Largo das Orquídeas, MECAInhotim. Foto: Ola Persson

Os workshops aconteceram entre o Largo das Orquídeas, na Sala Educativo, no Centro de Educação e na irresistível Galeria Rivane. As aulas foram de fotografia artesanal à encadernação e receitas de chocolate. Todas lotadas.

Talk rolando com a Barbara Soalheiro no palco principal, MECAInhotim. Foto: Ola Persson
O clima tranquilo durante o dia no palco principal, MECAInhotim. Foto: Ola Persson
Eu e as amigas na obra do Oiticica, MECAInhotim. Foto: Ola Persson

O palco principal foi estrategicamente colocado atrás da grande instalação colorida, de Helio Oiticica, “Invenção da cor, Penetrável Magic Square #5, 1977“, uma das mais fotografadas de Inhotim. Ao lado, o restaurante Oiticica funcionou praticamente o dia todo, entrando madrugada afora, oferecendo boa comida a bons preços e garrafas de vinho para quem quisesse mesmo sentar à beira do lago, estender a canga e ficar ouvindo os shows sem ir para o palco. O nosso queridinho paulistano Pitico esteve presente com suas deliciosas comidinhas nessa área também. A porção de quiabo com manteiga de missô foi a estrela da noite. Durante a tarde rolaram os talks e à noite os shows, sendo o único lugar do festival a funcionar após as 19h. Por ali o único perrengue mesmo foi, de novo, comprar fichas para bebida e comida nos horários de pico. O resto funcionou muito bem, incluindo os banheiros. Foi um dos lugares mais bonitos em que já vi um palco de show montado. A iluminação e a qualidade sonora estavam perfeitas. A lua cheia ainda deu as caras como brinde extra.

Na sexta-feira quem animou a galera foram os cariocas do Balako, que entrou no palco à meia-noite e colocou todo mundo em pé e para dançar.

Karol Conká, MECAInhotim, por I Hate Flash.

Já no sábado, a paulistana Luiza Lian montou um delicioso terreiro eletrônico no palco externo. Não teve quem não se deixou seduzir pelos seus beats. Depois foi a vez da Karol Conká que lotou o palco principal e colocou todo mundo para cantar junto cada um de seus grandes hits, num grandioso show. Nesse dia, porém, a grande perda foi a não vinda do esperado DJ francês Joakim, que teve problemas familiares. Fez falta, mas o Pional (para mim uma das escolhas mais acertadas do MECAInhotim) cumpriu bem o papel ao substituí-lo com um long set das 23h às 4h da matina. Quem ficou até o fim se emocionou com o seu retorno ao palco após concluir o set, tocando nada mais do que “All Night Long“, de Lionel Richie. Provavelmente foi um dos momentos mais lindos de todo o festival.

A final do duelo dos passinhos, MECAInhotim. Foto: Ola Persson
Tássia Reis num show lindo de morrer, MECAInhotim. Foto: Ola Persson

Já no domingo, eu e todo mundo se rendeu ao Duelo de Passinho, comandado pelos mineiros do Lá de Favelinha. Foi maravilhoso, divertido e super good vibes. Se você ainda não viu dança de passinho ao vivo, corra e corrija esse erro. Depois deles rolou show da Tássia Reis. Que presença de palco, que voz, que mulher! Merecia mesmo era ter tocado no palco principal. Tássia merece todos os olhares e ouvidos voltados para ela.

Lia Paris, MECAInhotim. Foto: Ola Persson
Lumen Craft, o último grande show do MECAInhotim. Foto: Ola Persson

Lia Paris foi outra que lotou o palco principal para um show bem mais maduro do que vi meses atrás. Ela, toda curvilínea num macacão preto de couro marcando cada pedacinho do seu corpo, seduziu o público com sua voz e presença de palco, que está cada vez melhor. Porém, a minha rendição absoluta veio mesmo com o trio audiovisual paulistano Lumen Craft, que fez um show hipnotizante com canções cantadas em inglês perfeito (o grupo foi formado em Londres). Estranhamentos eletrônicos somados a um quase indie rock renderam um trabalho belíssimo. Não teve uma pessoa que não cedeu a eles durante o show, mesmo a maior parte do público não sabendo quem era. Nesse dia a falta foi do produtor holandês Stee Downes, sem aviso prévio. O Guga Roselli o substituiu com um ótimo set baleárico, que teria caído super bem no fim de tarde na Igrejinha. Quem se juntou a ele para fechar o festival foi o Joutro Mundo, mas aí eu já estava em joutro lugar.

Eu e a Veronica Gunther curtindo o solzinho, MECAInhotim. Foto: Ola Persson
Um lugar mais incrível que o outro. Foto: Ola Persson
Eu tietando a amiga Lia Paris, MECAInhotim. Foto: Ola Persson
Os amigos e a bela Malu, que aguentou firme o festival todo. Foto: Ola Persson

Foi bonito ver os amigos com bebês ou crianças pequenas encarando a maratona do festival num lugar totalmente apropriado para programa família. Foi uma experiência incrível passar três dias mergulhados em Inhotim, visitando tudo sem pressa. Não foi fácil em alguns momentos conciliar a programação do festival com a programação de Inhotim, mas ainda assim deu para visitar quase todas as galerias, participar de visita guiada, assistir talks e debates, comer e beber bem. Foi ótimo também para rever e ganhar novos amigos.

A entrada do MECAInhotim. Foto: Ola Persson
Qual festival tem essa locação incrível?? Galeria Adriana Varejão. Foto: Ola Persson

O MECAInhotim está traçando um belo caminho e tem tudo, se quiser, para trilhá-lo majestosamente, concorrendo a ser um dos festivais mais legais do país. Sendo sua terceira edição, dá para dizer que o potencial é grande. Levar o público das grandes cidades para o meio do mato não é uma tarefa fácil, mas acertou em cheio no lugar escolhido. Foram cerca de 9.000 pessoas nos três dias, contando os visitantes do parque. Ou seja, mais ou menos a metade do público. Foi bacana ver a programação diurna acessível para quem quisesse, incluindo visitantes. Também foi bacana ter tido um palco fora do parque museu, que pode ser acessada por qualquer um sem precisar desembolsar um centavo sequer. Que venha a próxima edição.

Quem escreveu

Lalai Persson

Data

12 de July, 2017

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