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Guia de rolês express em Barcelona durante o Primavera Sound

Quem escreveu

Amanda Foschini

Data

26 de May, 2017

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Falta pouco muito pouco para a próxima – e esgotada – edição do Primavera Sound, em Barcelona, e estamos com os nossos deveres de casa quase todos feitos. Já tem lista de imperdíveis, nosso amado guia de Barcelona com tudo o que vale a pena por lá e, para facilitar a vida de quem estará na cidade para o festival (e talvez sem energia para turismo nervoso), fizemos um guia de rolês express para esses dias de muita música e pouco tempo.

Palco Ray-Ban (2016) próximo à entrada do festival. Foto: Ola Persson

Tem de tudo um pouco: rolê gastronômico, rolê intelectual, rolê de pobre louco para quem já gastou o que tinha e o que não tinha no ingresso do festival, rolê musical para manter a vibe e rolê para quem não quer se cansar. Veja o que quer, o que aguenta, escolha seu rolê e nos vemos na pista.

Rolês gastronômicos

A boa gastronomia está gravada no DNA de Barcelona e comer mal por lá é um pecado mortal.

Bar Velódromo. Foto: www.apartmentbarcelona.com

O Bar Velódromo é perfeito para se iniciar na cozinha local e conhecer o be a bá da culinária catalã. Aberto das seis às três de manhã (uma raridade na cidade), o Velódromo tem perfume old school – tanto que não tem nem site próprio, decoração art déco e tapas que são um passeio pela tradicional comida catalã. Vale pedir o amado pão com tomate, ovos fritos com morcilla (linguiça de sangue), ou os tradicionais croquetes de presunto. Comida contundente para aguentar o tranco dos dias de festa e cervejinha gelada para não diminuir o ritmo.

Os bares “de toda la vida” são perfeitos para longas maratonas de tapas e um intensivão de cultura espanhola: pede quem gritar mais alto, não vale reclamar da demora e nem do mau humor do garçom. O Quimet i Quimet, no Poblesec, é um clássico que não apresenta sinais de cansaço. Além de cerveja artesanal e o vermute de primeira, suas tapas são de fazer gente grande chorar. Anote: salmão trufado, com iogurte e mel. Peça e me agradeça depois. O La Cova Fumada é outra instituição catalã que ocupa um cantinho da praça da Barceloneta há 61 anos com o mesmo esquema “lá em casa”. A prata da casa é a bomba, inventada por eles e famosa nacionalmente: uma fritanga de massa de batata recheada de carne picada e servida com molho picante.

Para os iniciados e interessados em gastronomia, novos restaurantes pipocam pela cidade dando uma nova cara à comida de sempre. O Suculent, restaurante escondidinho na Rambla do Raval, é uma aula de gastronomia local. O chef Carles Abellan aposta tudo no conceito “comida de vó com toques de modernidade”: de rabo de vaca com purê de batata doce trufada a barbatana de atum com feijão branco.

Para o hambúrguer da ressaca: PimPam, no Born, para hambúrguer raiz e Dirty Burger, no Bairro Gótico, para hambúrguer Nutella. Menção honrosa ao Bacoa por estar em todos os lugares da cidade e ao Oval por ser meu preferido.

Rolês intelectuais

Barcelona não é conhecida por seus museus e costuma não integrar o circuito europeu das mega exposições. Ainda assim, sempre há algo para ver – e aprender.

MACBA. Foto: Antonio Picascia / flickr.com

A 13ª edição do World Press Photo, uma das exposições de fotojornalismo mais respeitadas do mundo, mudou de data e este ano desembarcou em Barcelona em abril para apresentar as melhores fotos jornalísticas do ano passado em diversas categorias. A exposição segue até o dia 05 de junho no CCCB, no centro de Barcelona.

Ali do lado, o MACBA apresenta a exposição do artista árabe Akram Zaatari, “Contra a fotografia. História anotada da Arab Image Foundation”. Através do acervo fotográfico da fundação que ajudou a criar, Zaatari expõe relatos visuais alternativos dos conflitos do Oriente Médio e do norte da África.

Retratos e caricaturas sempre foram parte fundamental do trabalho de Picasso, um dos moradores mais ilustres de Barcelona, e a nova exposição temporária do Museu Picasso, “Picasso. Retratos.” aborda a relação do artista com este gênero.

Rolês de pobre louco

Dicas valiosas para quem já gastou o que tinha com o ingresso e a passagem para o festival.

La Pizza del Born. Foto: Divulgação

Doses de vermute a um euro, ambiente rusticão, atendimento amigo e tapas honestas fazem da Tasca El Corral, no Bairro Gótico, um achado para qualquer pobre louco. O famoso “saí de casa sem dinheiro e voltei bêbado”.

O Antic Teatre, no Born, é para pobre louco estilo Vila Madalena. Um centro cultural que ocupa um edifício tombado de 1650, área externa cheia de verde, cerveja barata e comidinhas. Para recuperar a paz interior perdida sem gastar muito.

A Pizza del Born é a matadora de larica oficial do pobre louco. Aberto até a uma da manhã, oferece combos de pizza ou empanada ou massa com salada + bebida por seis eurinhos. Se a larica persistir: doce de leite argentino a preço amigo.

O kebab é o dogão local e o melhor de Barcelona está no El Cocineiro de Damasco. O esquema é caótico, as filas são regra e o horário varia com a maré mas pai e filho sírios arrasam no atendimento e o kebab (de verdade) custa 4,50€.

Rolês musicais

Programas para quem não quer perder o ritmo do baile.

Expo “David Bowie”, no Museu de Design de Barcelona. Foto: Divulgação

David Bowie is”, a exposição mais visitada da história do museu Victoria & Albert, de Londres, chega ao Museu do Design de Barcelona no dia 25 de maio para recontar a história de Bowie e mostrar as conexões de sua carreira com os mundos do design gráfico e da moda. Visita obrigatória para quem gastou dinheiro para vir a um festival de música em outro país.

Os amantes e colecionadores de vinil estão convocados para um pit stop na Discos Paradiso, a loja de vinis mais conhecida da cidade. O forte ali são os vinis de música eletrônica mas a visita vale a pena para qualquer curioso. O ambiente é gostoso, amplo, clarinho e os donos, uma simpatia. Aliás, eles fizeram um salto à fama, assumiram as mesas e se apresentam no Primavera Sound dia 01 de junho ao meio-dia.

Se quiser dar uma pausa na loucura festivaleira e conhecer um pouco mais da cena local, se meta nas ruelas do Raval e pergunte pelo Big Bang Bar. Escuro, meio feio e meio com cheiro de pano molhado, o bar não é exatamente convidativo mas há 30 anos vem sendo ponto de encontro de músicos locais. De quarta a domingo rolam jam sessions de jazz, blues e noites de open mic com cerveja barata e molecada talentosa.

Mapa com todos os lugares mencionados neste post

*Foto capa: Biel Morro – @unsplash

Quem escreveu

Amanda Foschini

Data

26 de May, 2017

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Amanda Foschini

Jornalista paulistana hiperativa que às vezes puxa o R lá do interior. Viciada em música, açúcar, livros e praia. É mais feliz no verão, acredita nos reviews do Foursquare e sempre dorme no meio filme. Há 5 anos, vive um caso de amor (correspondido) com Barcelona.

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    Vivemos em um mundo de opções pasteurizadas, de dualidades. O preto e o branco, o bom e o mau. Não importa se é no avião, ou na Times Square, ou o bar que você vai todo sábado. Queremos ir além. Procuramos tudo o que está no meio. Todos os cinzas. O que você conhece e eu não, e vice-versa. Entre o seu mundo e o meu.