Música & Diversão

NOS Alive: o pequeno grande festival em Lisboa

Quem escreveu

Lalai Persson

Data

13 de July, 2016

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O NOS Alive não é grande, mas essa é a impressão que nos passa ao conferir o line-up impecável, talvez um dos melhores do ano. Ele é pequeno o suficiente para lembrar uma maquete de festival, para os olhos mais experientes. Você entra praticamente no primeiro palco, mais 5 passos, o próximo, daí o próximo, e pumba, o palco principal. Até talvez por isso você nunca tinha ouvido falar dele (se sim, parabéns, nós realmente não tínhamos). Vamos lá, colocar Radiohead e Arcade Fire no mesmo line-up foi de abalar o coração, especialmente porque o segundo foi escalado para poucos festivais neste ano.

Os amigos que acompanharam a nossa maratona de show. Foto: Lalai Persson
Os amigos que acompanharam a nossa maratona de show. Animados ou não? Foto: Lalai Persson
A turma toda reunida no terceiro dia.
A turma toda reunida no terceiro dia.

Para pés cansados de Coachella, curando as bolhas de Roskilde e Open’er e tomando fôlego pós-Primavera Sound, para nós, era um sonho se tornando realidade. Meio que trocar aquele clube de vários andares pelo seu DJ favorito tocando no quintal de casa. Sabe?

 

São cerca de 55.000 pessoas por dia passando pelo festival. Mas o Alive, como os portugueses o chamam, remeteu ao saudoso Planeta Terra. Médio na medida certa. Afinal quando andar entre os palcos não é uma maratona sem fim?

A área de comida do festival. Foto: divulgação
A área de comida do festival. Foto: divulgação

O NOS Alive não permite que você deixe de ver um show por causa da distância entre um palco e outro. Essa desculpa não á válida. O festival acontece em Oeiras, 3 estações de trem após Cais do Sodré, estação central de Lisboa. Mas, apesar de parecer simples, o festival demandou mesmo foi uma maratona para ir e vir. Na ida filas longas para comprar bilhetes de trem, falta de sinalização na estação, já que as duas linhas que passam por ali param em Oeiras, mas a falta de informação super lotou apenas uma delas, a linha para Cascais. Ônibus também era uma opção, assim como Uber ou Táxi, mas o trânsito e calor no meio da tarde eram impraticáveis.

Palco Heineken (o 2º maior)
Palco Heineken (o 2º maior)
Palco Principal
Palco Principal

Fora isso, que é algo básico, o restante funcionou muito bem. Banheiros suficientes, limpos e com filas rápidas. Muitas opções de comidas, mas poucas para quem opta por uma alimentação vegetariana. Quer grudar na grade no seu show favorito? É possível, seja ele o Radiohead. E nem precisa colar lá na chegada. É só fazer uma dobradinha Tame Impala & Radiohead, e você verá o show ali, babando na cara do Thom Yorke. Claro que isso fará você perder o incrível show do Father John Misty, mas não se pode ter tudo na vida, não é mesmo?

O gramadão que deixa o festival mais confortável. Foto: Arlindo Camacho / Divulgação
O gramadão que deixa o festival mais confortável. Foto: Arlindo Camacho / Divulgação

No chão, gramado artificial, que facilitam bastante andar pra cá e pra lá. São 4 palcos e um externo para quem preferiu mesmo ficar de fora do festival. A programação começava diariamente às 16h, ou seja, dá tempo de se deliciar com um belo bacalhau em algum restaurante da cidade no almoço e fugir do sol ardido que brinda Lisboa durante o verão.

Foi construída uma mini cidade no festival. Foto: José Fernandes/ Divulgação
Foi construída uma mini cidade no festival. Foto: José Fernandes/ Divulgação
Outro ambiente do festival. Foto: José Fernandes / Divulgação
Outro ambiente do festival. Foto: José Fernandes / Divulgação
Foto: Arlindo Camacho / Divulgação
Foto: Arlindo Camacho / Divulgação

O primeiro dia foi o único que não começou com ingressos esgotados, mas às 20h não tinha mais para vender na porta. Os amigos que chegaram por volta das 18h, amargaram 2 horas na fila para trocar o ingresso pela pulseirinha. Metade do público do festival é formado por ingleses.

Primeiro dia:

A primeira atração que vimos foi o 1975, banda britânica com dois álbuns no curriculum, com público formado principalmente por garotas entre 17 e 20 ano, que foram à loucura na pista do palco principal. O highlight foi quando tocaram a música do “The Sound”. 

Já os escoceses do Biffy Clyro entraram no palco e após alguns segundos de mistério, o caos foi instaurado no palco principal. A banda fez o show mais pesado que já conferimos desde o Foo Fighters, e o público prontamente agiu de acordo. Tivemos desde as famosas “rodinhas de porrada” ao “crowdsurfing”, que levaram todos os presentes ao delírio com o grupo liderado pelos fortes vocais de Simon Neil. Definitivamente um dos highlights do festival. Tivemos grandes momentos, mas “Machines” talvez seja um dos favoritos.

Biffy Clyro. Foto: Arlindo Camacho / Divulgação
Biffy Clyro. Foto: Arlindo Camacho / Divulgação

No palco Clubbing, o canadense Bob Moses fazia um show conciso e minimalista com um set perfeito para o início da noite. Foi uma boa surpresa, já que ele não estava no nosso radar. Vale dar uma pesquisada.

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Bob Moses. Foto: Lalai Persson

O John Grant fez o primeiro show no palco Heineken e foi meio conturbado. Tivemos que assistir o show a partir de um dos bares do palco. Com vocais impressionantes e uma banda competente, o cantor chamou a atenção pelas suas letras fortes e a forma pela qual ele transmitia suas canções para o público, que mesmo não sendo o maior, prestigiou John da melhor forma possível. Não deixe de ouvir a música que fechou o show, “Disappointing”.

Na sequência Wolf Alice tocou no belo palco Heineken, onde era fácil ficar bem próximo à banda. Uma boa palavra para definir o Wolf Alice é “empolgante”, e o seu show não poderia ser diferente. A galera estava mais animada e com as letras na ponta da língua, mas tudo subiu num outro nível quando a vocalista Ellie Rowsell anunciou que a próxima música se chamava, nada mais, nada menos, que “Lisbon”, o que causou uma catarse coletiva e até rodinhas de porrada “good vibes”. Foi um ótimo show para começar a noite, é uma banda com bastante potencial; a música “Bros” foi um destaque.

Wolf Alice. Foto: Hugo Macedo / Divulgação
Wolf Alice. Foto: Hugo Macedo / Divulgação

De volta ao palco principal, dessa vez não tão perto como antes, começava ali o show do Pixies. Com um repertório vasto, a banda fez um show de alto nível, lotando o palco principal. Começaram com “Bone Machine”, mantendo seu catálogo histórico com alguns lançamentos em plena sintonia. Os momentos mais lindos foram em “Monkey Gone to Heaven” e “Where is my mind”, além do bis em “Debaser”. 

Pixies. Foto: Arlindo Camacho / Divulgação
Pixies. Foto: Arlindo Camacho / Divulgação

Havia uma expectativa em assistir o Soulwax ao vivo, que estava há anos longe do palco e foi uma surpresa vê-los no line-up. Mas a surpresa maior é a sua nova formação. São 7 integrantes, sendo 3 deles bateristas incluindo o Iggor Cavalera. A segunda baterista, Victoria Jean Smith (Big Pink e M.I.A.), não se intimidou em ter à sua frente um dos maiores bateristas do mundo e tirou o fôlego do público que estava completamente hipnotizada por ela. A outra surpresa é a Laima Leyton (Mixhell) nos sintetizadores e vocais, incluindo uma versão em português de E-Talking, que deixou o público desnorteado com a surpresa. A banda trouxe algumas coisas novas no repertório e não deixou de fora os grandes hits como NY Excuse e Krack.

Soulwax. Foto: Hugo Macedo / Divulgação
Soulwax. Foto: Hugo Macedo / Divulgação

Um dos mais esperados da noite, The Chemical Brothers, abriu o show com o esperado hit da noite “Hey Boy, Hey Girl”. Ainda assim a galera estava extasiada com os jogos de luzes e projeções impecáveis produzidas pela dupla. O show mesclou hits e material do último álbum “Born in the Echoes”, que funcionou muito bem. Mesmo sendo um show sem grandes surpresas, a dupla fechou o palco principal com maestria.

Segundo dia:

O segundo dia começou com show dos maranhenses Soulvenir, que desconhecíamos. O show surpreendeu, apesar da qualidade ruim do som. Ficamos por lá para prestigiá-los enquanto esperávamos pelo show do Jagwar Ma, que não decepcionou, mas deixou a dúvida se ter aberto mão do Year & Years foi uma boa ideia.

Os brasileiros Soulvenir. Foto: Hugo Macedo / Divulgação
Os brasileiros Soulvenir. Foto: Hugo Macedo / Divulgação

A Courtney Barnett, que tocou na sequência também no palco Heineken (o melhor para ver show no festival), entrou no palco com a ótima “Dead Fox”. Todas as ótimas críticas que ela tem recebido desde o lançamento de seu primeiro álbum são mais do que merecidos. Ela colocou o palco abaixo e fez um dos melhores shows do festival. Foi incrível, forte, energético. Os highlights foram “Depreston” e, obviamente, “Pedestrian at Best”.

Cortney Barnett. Foto: Hugo Macedo / Divulgação
Cortney Barnett. Foto: Hugo Macedo / Divulgação

Já no palco principal, fomos nos esgueirando no meio do público no show do Tame Impala para tentar assisti-los mais de perto. Foi um espetáculo como sempre, com o sol se pondo na lateral do palco, tornando-o ainda mais especial. Começou com “Nangs”, que já levou o público ao delírio. O público? Ficou pelado. A cada jogada de câmera em alguém, que estava nos ombros de algum amigo, a regra era “tirar a blusa” e mostrar os peitos. Um mais animado, tirou as calças. O Kevin Parker parou o show, riu com vontade e comentou “eu sei o que vocês estão fazendo. Sei que estão ficando pelados”. Não teve como não rir, afinal esse é o quinto show em um ano que vejo do Tame Impala e foi o primeiro desfile de nudismo que rolou solto. Claro que a maioria eram inglesas eufóricas. Não faltaram os grandes hits como “The Less I Know the Better”, “Feels Like We Only Go Bakwards” e “Let it Happen”. A escolhida para fechar foi a deliciosa “New Person, Same Old Mistakes”.

Tame Impala. Foto: Arlindo Camacho / Divulgação
Tame Impala. Foto: Arlindo Camacho / Divulgação

O próximo a tocar seria Radiohead e veio a cruel dúvida: correr para ver o Father John Misty ou garantir um bom lugar no palco principal aguardando por 45 minutos. Mas não dá para perder o Father John Misty, a banda de Josh Tillman. O mítico Father John Misty chegou com um hit de seu primeiro álbum, “Fear Fun”, a incrível “Hollywood Forever Cemetery Sings”. O clima clássico foi desconstruído pouco a pouco com a sagacidade de Josh, que comentava sobre o palco vizinho vazando um pouco de seu som eletrônico, até mandando um “Shout out” cheio de ironia para… São Paulo (isso mesmo)! Daí para frente tivemos violões arremessados, microfones rodando, danças mais que exóticas e a presença de J. Tillman na nossa frente interagindo com a plateia durante a ótima “True Affection” (o que o rendeu um sutiã, que acabou se tornando decoração de palco). Foi um show memorável, daqueles para colocar na lista e não deixar passar.

Father John Misty. Foto: Hugo Macedo / Divulgação
Father John Misty. Foto: Hugo Macedo / Divulgação

O show do Radiohead seguiu exatamente o mesmo roteiro do tocado no Primavera Sound, com a diferença de que o Thom Yorke estava mais animado. Dançou, sensualizou e se expressou com o público no idioma “blá blá blá blá”, além de algumas frases e perguntas soltas. O show foi mais, no geral, bem mais animado e menos introspectivo que o do Primavera. A surpresa veio mesmo com o segundo bis com uma canção extra, pois além da esperada “Creep”, eles tocaram também “Karma Police”. Esta foi bônus e deixou todos, como sempre fazem, extasiados querendo mais.

Confira o show na íntegra:

Para animar e não deixar a peteca cair, seguimos para o palco Clubbing onde dançamos com o excelente Da Chick, a portuguesa Teresa de Souza, que evoca o melhor do funky americano e transformou o show em uma grande festa. Foi impossível passar pela frente do palco e não se render à sua animada música.

Da Chick. Foto: Arlindo Camacho / Divulgação
Da Chick. Foto: Arlindo Camacho / Divulgação

E cadê o pique para ver o Two Door Cinema Club, que tocaria no palco Heineken? O show começou com “Sleep Alone”, do segundo álbum “Beacon”. Impossível desistir do show para dar uma relaxada. Iluminação incrível com a galera animada como sempre (aliás, os portugueses são animadíssimos). O show seguiu com chuva de hits, nos remetendo para uma festa indie da Rua Augusta. A banda ainda apresentou umas novas músicas do seu iminente novo álbum, que deve sair nesse segundo semestre, e não decepcionaram, esse lançamento promete! 

Acabou? Claro que não! A noite fecharia com o imperdível Hot Chip. A turnê que tem um foco especial no último trabalho da banda, “Why Make Sense” foi nada menos que surreal, encaixando em sua setlist grandes hits como “One Life Stand” e “I Feel Better” com novos e ótimos arranjos, era bonito de ser ver como todos os integrantes trabalharam para aquele espetáculo acontecer. Foi uma ótima forma de terminar o segundo dia em uma nota altíssima.

Hot Chip. Foto: Hugo Macedo / Divulgação
Hot Chip. Foto: Hugo Macedo / Divulgação

Terceiro dia:

Começamos o sábado conferindo parte dos shows do José Gonzáles e do Caléxico. Foi um ótimo jeito de começar o dia com música bem calminha, tomando uma cerveja e decidindo a agenda do dia. Fora que o José Gonzáles faz um show de arrepiar com covers de “Hand on your Heart” (Kylie Minogue), “Heartbeat” (The Knife) e “Teardrop” (Massive Attack) em versões tão boas quanto as originais. Já o Caléxico colocou todo mundo para dançar com seu som “tex-mex” inconfundível.

José González. Foto: Lalai Persson
José Gonzáles. Foto: Lalai Persson
Caléxico. Foto: Lalai Persson
Caléxico. Foto: Lalai Persson

Hana, guitarrista e backing vocal da Grimes, a cantora montou e desmontou os seus equipamentos com a equipe de roadies, e trouxe um show gracioso e interessante com músicas de seu primeiro EP “Hana” das quais ela compôs e produziu (assim como a sua companheira de turnê). O set não foi dos maiores, mas foi ótimo e antes de deixar o palco, ela disse algo como: “Estarei com a Grimes hoje à noite, venham conferir porque ela preparou algo muito legal para vocês”. A ansiedade de quem aguardava pelo show da canadense só aumentou.

O fantástico palco do Arcade Fire foi montado rapidamente e ficava cada vez mais incrível até o momento em que o show de fato começou. Foi uma catarse coletiva. Nada mais providencial do que começar com “Ready to Start”, que levou a galera ao delírio. Ainda com elementos da turnê “Reflektor”, o show era visivelmente diferente e tinha uma nova proposta, dessa vez com uma setlist diferente que incluiu a adorada “We Used to Wait”, do álbum vencedor do Grammy “The Suburbs” e “My Body is a Cage” por inteiro. Fotógrafos não foram permitidos, e seguranças treinados faziam vista grossa nas lentes dos celulares do público, o clima de exclusividade nesse, que é um dos poucos shows da banda até a produção do novo álbum, era claro. Foram diversos momentos épicos. Para terminar, como um recado a cançar “Wake Up”. É, o show estava acabando. 

Arcade Fire. Foto: Arlindo Camacho / Divulgação
Arcade Fire. Foto: Arlindo Camacho / Divulgação

As luzes do palco se apagaram e em meio aos gritos incessantes, a voz etérea de Grimes surgiu enquanto suas dançarinas entraram no palco em um número que não durou muito, e logo trouxe a própria, que chegou com seu jeito desengonçado e uma capa feita a partir de uma bandeira do orgulho LGBT, foram poucos segundos até a excelente “Realiti” começar e ninguém mais ficar parado. Claire Boucher estava em sua melhor forma, indo de um lado para o outro mandando hit atrás de hit, tocando seus últimos dois álbums, “Art Angels” e “Visions”.  Ao final do show, quando achava que não conseguiria mais dar conta de tanta energia e imediatismo envolvido nesse set quase apocalíptico e extraterreste, Grimes surge com toda a sua timidez para anunciar a última música do show, a famosa “Kill V. Maim”, e a promessa de caos era clara, foi muito empurra-empurra em um ambiente que foi à loucura, especialmente no bridge da música, aonde uma roda enorme que pegou quase todo o palco foi aberta, que quando entrou no último refrão, levou o lugar abaixo e não teve como resistir e se jogar no meio. Que show. Ah, que show!

Para fechar o festival com chave de ouro, o show do Ratatat não poderia ter sido melhor. A dupla entra numa catarse, que se espalha para o público. Show para ficar sem fôlego com a dupla. O público, já cansado, não deixou o desânimo bater e se rendeu completamente ao som meio indie rock, meio eletrônico. Difícil definir e difícil não gostar.

Ratatat. foto: Lalai Persson
Ratatat. foto: Lalai Persson
Ratatat. foto: Lalai Persson
Ratatat. foto: Lalai Persson

A pergunta que fica é: nós voltaríamos ao NOS Alive? Se garantirem um line-up tão quebradeira como o desse ano e prometerem fazer algumas melhorias, estaremos com certeza na próxima edição. Afinal quem não gosta de um festival em que é necessário uma ajuda na locomoção entre os palcos.

E foi um sonho divertido, bonito e com aquela pequena vontade de não acordar. Foto: Lalai Persson
E foi um sonho divertido, bonito e com aquela pequena vontade de não acordar. Foto: Lalai Persson

*As resenhas dos shows tiveram participação especial do Fillipi Almeida. <3 – e o texto teve também mãos da Vanessa Mathias.

O Fillipi (à esquerda) que ajudou nas resenhas dos shows!!!
O Fillipi (à esquerda) que ajudou nas resenhas dos shows!!!

**Foto capa: show do Tame Impala por Arlindo Camacho / Divulgação NOS Alive.

*O NOS Alive é um dos festivais escolhidos para projeto A Volta ao Mundo em Festivais de Música. Fomos com a KLM Brasil, que faz parte do SkyTeam, oferecendo voos para 1.052 destinos em 177 países. #fly2fest

 

Quem escreveu

Lalai Persson

Data

13 de July, 2016

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