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Como é fazer yoga em Bali

Quem escreveu

Luciana Guilliod

Data

26 de July, 2019

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A ilha zen

Se muita gente viaja a Bali em busca de autoconhecimento, eu já me conhecia o suficiente para saber que era necessário passar o Carnaval longe do Rio de Janeiro. Em vez de viver uma ofegante epidemia, meu objetivo em viajar para a Indonésia era levar uma rotina leve, sem pressa e experimentar diversas práticas de yoga. Frequentei diferentes estúdios em Canggu, Ubud e Gilli T para experimentar como é fazer yoga em Bali.

O business da yoga é semelhante nos diferentes estúdios e cidades. As práticas duram uma hora e meia, o que permite que ela seja complexa e diversificada: é tempo o suficiente para fazer pranayama (respiração), meditação, ouvir ensinamentos e praticar muitas posturas. Os preços não variam muito, ficando entre R$ 20 e R$ 30 a aula avulsa. Os valores caem bastante se você optar por pacote ou mensalidade.

A grande maioria das aulas é das linhas que também são comuns no Brasil, como Hatha, Flow, Ashtanga, Yin e Vinyasa. Claro, também dá para achar muita acroyoga e SUP yoga. Bali é turística e a yoga é uma prática inclusiva, então a maior parte das aulas são para iniciantes e intermediários, e variações das posturas sempre são ensinadas para que todos possam praticar.

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Luciana faz a postura do cachorro olhando para baixo (foto: Luciana Guilliod)

As aulas podem ter estilos misturados e normalmente terminam por uma linha mais relaxante, ou que privilegie a permanência nas posturas. Os estúdios oferecem mais de um espaço para a prática e muitos deles correspondem às lindas shalas de bambu com vista para campos de arroz, numa das poucas oportunidades da vida onde expectativa e realidade se encontram. Água e acessórios como blocos, tiras e toalhas estão disponíveis. Muitos alunos levam o próprio tapete, mas os estúdios também oferecem mats.

As aulas estão sempre cheias, com a turma ocupando quase todo o espaço disponível. As pessoas chegam com antecedência. Às vezes o esforço é para encontrar um lugar onde se esticar. Não há ventiladores e é impossível não suar. Por causa disso – ou talvez pelo fato de todo mundo ser lindo, jovem e magro, ninguém usa camiseta nas aulas.

E por falar em camiseta, os estúdios são business completos, que vendem roupas, acessórios, livros, cafés e smoothies saudáveis. Tudo em inglês, para alunos tão ocidentais quanto os professores.

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Praticantes relaxam no Serenity antes de começar a aula (foto: Luciana Guilliod)

Os estúdios

E como foi minha experiência de praticar yoga em Bali? Nada melhor para curar o jet lag que uma hora e meia de vinyasa às 7h30. Na manhã seguinte à minha chegada em Bali, fui conhecer o Serenity, dos complexos mais famosos de Canggu. Bem mais simples que o Yoga Barn, que você já viu aqui. O lugar tem restaurante, pousada e a melhor massagem que fiz na ilha. Foi uma aula com incontáveis saudações ao sol e um carinho especial por posturas invertidas. “Enjoy this gap of nothingness” disse o instrutor ao final da prática, enquanto relaxávamos na postura do bebê, absorvendo os ganhos de uma hora e meia de yoga. Quantas vezes nos permitimos não fazer nada, um nada pleno e puro, e ainda observar e aproveitar essa pausa? Respirei e sorri. A viagem estava começando.

No dia seguinte, voltei para uma aula que começava com Yin e terminava com Vinyasa. Na segunda metade, as posturas eram mantidas por dois a três minutos e talvez por ser mais desafiadora, a prática estivesse mais vazia que a do dia anterior.

A despedida de Ubud foi no hypadíssimo The Practice. Se a Wallpaper resolver publicar estúdios de yoga, poderia começar por este. A instrutora, uma austríaca linda, jovem e magra, explicou que o foco da aula era trabalhar a coluna e a respiração. Enquanto cumpríamos exercícios de respiração e posturas, ouvimos histórias e ensinamentos – em inglês. “Na yoga, o objetivo não é ter a postura perfeita e sim a atitude perfeita”. Na yoga e também na vida.

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SUP yoga ao nascer do sol (foto: Luciana Guilliod)

Em Gilli T, quis experimentar algo diferente. Comecei o dia do meu aniversário dando duas voltas ao redor da ilha de 7km de circunferência. Após a corrida, desafiei meu equilíbrio com SUP yoga , onde as posturas são praticadas em cima de uma prancha de stand up paddle.

Foi a única aula vazia que fiz em Bali – estávamos presentes apenas eu, a instrutora e outra viajante. Imagino os iogues raiz torcendo o nariz para a prática, mas ao nascer do sol naquele cenário lindo, o SUP yoga é tão feito para o turista que fotos registrando sua prática são enviadas via Whatsapp. A instrutora era balinesa e aprendera yoga vendo vídeos no Youtube. Deu para perceber. Por ser diferentona, a SUP ioga é mais cara, coisa de R$ 50 ou R$ 60. Valeu mais para brincar de algo diferente que para praticar yoga em si.

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Saraswasti, o estúdio low profile em Ubud (foto: Luciana Guilliod)

Em Ubud fui duas vezes ao The Yoga Barn e quis fechar a viagem com algo completamente diferente. Num lugar pequeno, discreto e sem firulas, que oferecesse uma boa prática e mais nada. O tiro certeiro foi no Saraswati, com apenas uma sala no segundo andar de um prédio onde o instrutor era balinês. Uma aula com menos de 10 alunos, onde havia gente mais velha que eu, ainda linda e magra. O dia começou com uma hora e meia de posturas, correção de alinhamento, ensinamentos e terminou com um avião de volta para casa.

Fiz planos de praticar yoga diariamente ao voltar para o Rio. Mesmo que custasse caro. Mesmo que eu tivesse que cortar outra atividade da rotina para sobrar tempo. Mesmo que tivesse que oferecer meu filho primogênito em uma cerimônia hinduísta. Precisava manter os planos. A prática constante de yoga já se fazia revelar na postura ereta, na respiração completa, no humor tranquilo, na aceitação dos desafios da vida com serenidade.

Os planos não sobreviveram à primeira terça-feira com três reuniões no caos do Rio de Janeiro.

*Foto de destaque: Unsplash

Quem escreveu

Luciana Guilliod

Data

26 de July, 2019

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Luciana Guilliod

Carioca da Zona Norte, hoje mora na Zona Sul. Já foi da noite, da balada e da vida urbana. Hoje é do dia, da tranquilidade e da natureza. Prefere o slow travel, andar a pé, mala de mão e aluguel de apartamento. Se a comida do destino for boa, já vale a passagem.

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