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Viajando para provas de trail run: uma conversa com Rosália Camargo

Quem escreveu

Luciana Guilliod

Data

19 de June, 2018

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A Rosália é gente como a gente: trabalha num escritório de arquitetura, cuida da casa, tem marido e filha… a diferença é que, nas horas vagas, é campeã em provas de 50 km de corrida em trilha. Nos conhecemos de tanto nos encontrar correndo na orla do Rio. O esporte levou a Rosália a conhecer alguns lugares mais incríveis do mundo e ela conta um pouquinho pra gente aprendeu viajando para provas de trail run.

– Você ainda vai correndo para o escritório?

Diariamente, corro para ir e voltar do trabalho. São aproximadamente 7km (um total de 14km ida e volta) e quando meu foco é uma prova mais longa, eu corro um pouco mais para aumentar o volume de treino.

Correndo 100 milhas na Indomit Costa Esmeralda (foto: foco Radical)
Correndo 100 milhas na Indomit Costa Esmeralda (foto: foco Radical)

– Como é sua rotina?

Eu deixo toalha, sapatos, shampoo, etc no meu armário no trabalho. Na mochila levo apenas a roupa do dia, e quando chove coloco em uma sacola para não molhar. É super simples e bom porque treino com peso na mochila diariamente.

– Que esportes pratica e onde costuma treinar?

Eu amo praticar esportes!! Desde 2011 estou focada apenas no trail run e as ultramaratonas demandam muito treino. Como complemento eu pedalo em casa (no rolo todos os dias de manhã) e nado três vezes na semana, aproveitando a hora do almoço. Em alguns finais de semana gosto de velejar, principalmente nos períodos de descanso pós prova.

Na Vista Chinesa, no Rio de janeiro (foto: Alex Ward)
Na Vista Chinesa, no Rio de janeiro (foto: Alex Ward)

– Que lugares no Brasil você conheceu por conta das provas?

Nossa… muitos!!! Correr já me levou a lugares incríveis. Corri em Tiradentes, lá no alto da Serra de São José! Conheci montanhas incríveis em Itaipava e Correias. Em Videiras subi o Morro do Cuca e me vi cercada pelas nuvens! Corri na Floresta Amazônica na base militar dos CIGS. Em Búzios explorei a Praia de Tucuns, a subida sinistra das emergências e corri pela costeira da Praia de Manguinhos. Enfim… já viajei muito correndo pelo Brasil.

Qual o seu lugar preferido no Brasil e por que?

Minha viagem mais bacana aqui no Brasil foi os 50km do Xterra Manaus, uma experiência inesquecível em 2014. Corremos em plena mata!

Correr em Manaus foi interessante em muitos aspectos. A organização da prova preparou uma boa base de introdução sobre a selva na sede dos Centros de Instrução de Guerra na Selva (CIGS). Lá conhecemos um pouco dos animais e dos perigos de estar em plena selva. O clima, certamente, foi um enorme desafio. Para driblar o calor ficava molhando o corpo com água para permitir a refrigeração natural.

– E no mundo? Qual o seu preferido e por que?

Correndo já tive oportunidade de conhecer lugares bem diferentes ao redor do mundo, desde vulcões, praias desertas a cidades lindas!! Meu preferido foi a Ilha da Madeira, onde corri os 100km da Madeira Island Ultra Trail. É meu favorito pela variação de altimetria e beleza da paisagem, marcada por muito azul e pedras… lindo!

A largada é em uma cidade grande, onde havia muitas pessoas para assistir, mas o percurso é totalmente remoto nesses 100km. A grande alegria era chegar nos postos de abastecimento, que sempre estavam lotados de pessoas e da mídia. Eram momentos bem tranquilos e a cada 13km aproximadamente surgiam esses postos bem animados! A paisagem é difícil de descrever… beira o assustador! São subidas longas e muitas pedras, mas sempre tendo como pano de fundo um azul incrível!

Correndo 100 milhas na Indomit Costa Esmeralda (foto: foco Radical)
Correndo 100 milhas na Indomit Costa Esmeralda (foto: foco Radical)

– Como faz para chegar num local com a cabeça e o corpo descansados?

É preciso ter experiência. E depois de errar muito, posso dizer que hoje consigo chegar no ponto certo para minhas provas. Uma dica é organizar bem tudo com antecedência, principalmente nas ultramaratonas, que demandam muita logística.

Primeiro eu reduzo o volume de treino. Começo a usar a bike como meio de transporte para o trabalho. Não uso meias de compressão, gosto de música para descansar. Amo sentar na janela e adoro ir tirando fotos de tudo!!! Levo toda minha alimentação, basicamente whey protein, barras de proteína e alguns complementos de carboidrato que estou acostumada. Antes da prova, foco no macarrão!

– Que cuidados toma? Alguma rotina de saúde e beleza para as viagens?

Cuido bastante da minha alimentação e do meu descanso. Uma mania que tenho é separar toda a roupa e comida de prova previamente, e sempre levo extras pensando nos imprevistos de clima.

– O que não pode faltar na sua mala?

Tênis!!!

Tem algum ritual, algo que sempre faz antes de viajar?

Sempre separo meu equipamento de competição em uma mala que levo comigo. Nunca despacho nada que vou usar na prova, principalmente minha alimentação – Qual seu lugar preferido no Brasil pra fazer esporte?

Gosto do Alto da Boa Vista, no Rio de Janeiro. É fácil de chegar saindo da minha casa e além de bonito, tem uma variação de altimetria ótima. Lá me sinto fora do Rio e é meu ponto favorito para os treinos longos dos finais de semana

– E no mundo?

Adoro variedade, gosto de conhecer lugares novos! Cada um que vou digo que é meu favorito… Recentemente estive correndo na Patagônia e foi incrível! Largamos em San Martin de Los Andes e o percurso passou pelo Cerro Chapelco!!! Lindo demais.

Rosália e Maria, sua melhor recompensa (foto: André Guarischi)
Rosália e Maria, sua melhor recompensa (foto: André Guarischi)

-O que você aprendeu depois de viajar tanto para competir?

Aprendi a levar minha família comigo, pois tudo fica mais bacana! Dá um mega trabalho, mas independente do resultado da corrida a viagem fica ótima.

Quem escreveu

Luciana Guilliod

Data

19 de June, 2018

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Luciana Guilliod

Carioca da Zona Norte, hoje mora na Zona Sul. Já foi da noite, da balada e da vida urbana. Hoje é do dia, da tranquilidade e da natureza. Prefere o slow travel, andar a pé, mala de mão e aluguel de apartamento. Se a comida do destino for boa, já vale a passagem.

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    Vivemos em um mundo de opções pasteurizadas, de dualidades. O preto e o branco, o bom e o mau. Não importa se é no avião, ou na Times Square, ou o bar que você vai todo sábado. Queremos ir além. Procuramos tudo o que está no meio. Todos os cinzas. O que você conhece e eu não, e vice-versa. Entre o seu mundo e o meu.