Decoding

Tendências dos principais festivais de inovação e criatividade do mundo.

Eventos gratuitos SP por Catho

Guia semanal de eventos gratuitos para curtir em São Paulo

Festivais de música

Os melhores festivais de música do Brasil e do mundo num só lugar.

Fit Happens

Aventura, esporte, alimentação e saúde para quem quer explorar o mundo.

Nomadismo Digital por Treviso

Trabalhando e viajando ao mesmo tempo.

Podcast Jogo do CoP

O podcast Jogo do CoP discute quinzenalmente assuntos aleatórios.

Quinoa or Tofu

Restaurantes, compras, receitas, lugares, curiosidades e cursos. Tudo vegano ou vegetariano.

Rio24hrs

Feito com ❤ no Rio, para o Rio, só com o que há de melhor rolando na cidade.

SP24hrs

Gastronomia, cultura, arte, música, diversão, compras e inspiração na Selva de Pedra. Porque para amar São Paulo, não é preciso firulas. Só é preciso vivê-la.

Valle Nevado

Chicken or Pasta na temporada 2019 do Valle Nevado.

Granada, a sede da burguesia e o centro do turismo na Nicarágua

Quem escreveu

Rê no Rolê

Data

23 de February, 2018

Share

Granada, fundada em 1524, foi palco de muitas batalhas devido às invasões de piratas britânicos, franceses e holandeses que tentavam controlar a Nicarágua nos últimos séculos. Hoje é a sexta cidade mais populosa do país com 130 mil habitantes e fica à beira do Lago Cocibolca, próxima ao vulcão Mombacho. Cidade favorita da burguesia conservadora, em oposição a León, sua rival, preferida pelos liberais, ambas disputaram por anos a capital do país, que acabou ficando em Manágua em 1852, no meio do caminho entre as duas cidades. A herança colonial de Granada é vista na arquitetura e nas ruas, alguns hotéis de luxo e resorts, uns senhores na estica cheirando arrogância de longe, as fontes em pátios dentro das casas…. aquele fedor de burguesia que é praticamente o mesmo em todo lugar.

Granada, Nicarágua. Foto: Re no Role
Granada, Nicarágua. Foto: Re no Role

No rolê em Granada, encontrei uma fábrica de bolsas em couro lindíssimas, que vende também cintos e carteiras (Soy Nica) e uma galeria de arte bem bacana… se eu tivesse com mais grana mandava algumas pinturas pro Brasil! Para comer, escolhemos o Centralito, que é o pico mais nica da rua dos turistas e serve um burrito enorme por 100 córdobas (10 reais).

É de Granada que saem passeios pra todos os lugares. Como estávamos em 4 pessoas, pagamos 20 dólares cada um e o taxista nos levou em todos os lugares. Nos hostels, cada passeio é vendido individualmente e custa 10, 14 ou 20 dólares por pessoa. Então rachar o táxi é uma boa ideia. De manhã fomos às Isletas de Granada, um conjunto de 365 mini ilhas, resultantes de uma jorrada de lava do Mombacho há milhares de anos, onde vivem hoje cerca de 1200 pessoas. O arquipélago é reduto dos milionários nicaraguenses e estrangeiros. Duas das ilhas pertencem ao dono da fábrica do rum Flor de Caña (que até pouco tempo atrás era dono do resort Guacalito) e das cervejas locais Toña e Victoria (ambas da mesma cervejaria). Outra ilha é do dono do jornal La Prensa, o principal jornal nica, e outras são de milionários franceses, ingleses, americanos, canadenses e etc. Segundo nos disse o barqueiro, “quem manda na Nicarágua agora são os gringos.”

Paramos no forte e na ilha dos macacos de cara preta e cara branca. Eles vem até os barcos pra pegar comida e fazer graça. Se bobear, te roubam o celular. Há vitórias-régias no lago Cocibocla e muitas aves. O passeio é OK, mas não é nada demais. Se tiver com pouco tempo em Granada, pule.

O rolê custou 30 dólares por pessoa para um passeio de barco de 2 horas. Depois fiquei sabendo que esse passeio custa 300 córdobas, ou seja, 10 dólares por pessoa. Na Nicarágua, turista que não pechincha paga mais. Como estava com os alemães, ninguém reclamou. É possível também conhecer as ilhas de caiaque, para quem gosta de fazer esporte embaixo do sol do meio dia.

Laguna de Apoyo, Nicaragua. Foto: Re no Rolê
Laguna de Apoyo, Nicaragua. Foto: Re no Rolê

Depois das isletas, o taxista nos levou ao mirante Catarina para ver do alto a Laguna de Apoyo, uma reserva natural entre os departamentos de Granada e Masaya, cujo visual é uma bela lagoa azul com o vulcão Mombacho atrás e a cidade de Granada ao fundo. Lá embaixo, na lagoa, tem umas casas para alugar e é provavelmente bem romântico passar algumas noites isolado por lá. Apoyo é um lago de cratera, formado na caldeira de um extinto vulcão há 23 mil anos, com 35 quilômetros quadrados de área. Este tipo de formação ocorre quando o vulcão está inativo por um tempo e a quantidade de água que recebe da chuva supera a evaporação e a infiltração. As crateras lagos também podem ser formadas a partir da colisão de um meteorito com a Terra. Vale o rolê porque o mirante tem um visual realmente incrível, não paga nada e é possível fazer passeio a cavalo; e tem umas lojinhas turísticas e dois restaurantes.

Laguna de Apoyo, Nicaragua.
Laguna de Apoyo, Nicaragua. Foto: danebrian / flickr

Do mirante, fomos à Masaya, cidade que fica a 14 quilômetros de Granada e onde está também o vulcão Masaya, um dos mais ativos da Nicarágua. O guia falou que em Masaya e nas cidades vizinhas é onde estão os “nicas blancos“. Masaya, ou “cidade das flores”, é a terceira maior cidade do país e sua principal atração é o mercado de artesanato. Na verdade, tem dois. O Mercado de Artesanía, que fica localizado num prédio histórico e onde os guias levam a maior parte dos turistas, e o mercado local, um pouco mais para frente e escondido entre ruas estreitas, bem grande e com tudo que o outro oferece pela metade do preço. Além dos souvenires básicos de qualquer lugar, é possível comprar redes (zilhões de tipos, a Centroamerica é a terra da hamaca), mantas e tecidos, camisetas, pinturas, maracas, artigos em couro e muito mais. Dá para perder umas horas pelos corredores que me lembraram os do mercado de Istambul.

Vulcão Masaya, Nicaragua.
Vulcão Masaya, Nicaragua. Foto: zug zwang / flickr

Mas o melhor do dia ficou para o final. O guia nos disse que era bom irmos cedo ao vulcão e chegar por volta das 16h30/17h porque toda noite forma-se uma fila de carros e a entrada no parque é limitada a 40 pessoas por vez. Então chegamos e esperamos quase 1 hora pra entrar. Para entrar no parque, estrangeiro paga 10 dólares e percorre-se de carro 6 km até um estacionamento onde tem um mirante para olhar lá embaixo, dentro da cratera do Masaya, com a lava borbulhando. Tive sorte porque ao meu lado tinha um alemão com binóculo e pedi emprestado para dar uma olhada de perto na lava por uns minutos. É realmente impressionante. Só é permitida a permanência por 15 minutos devido aos gases tóxicos e todo mundo tem que vazar quando os apitos soam para o próximo grupo poder subir.

À beira do Vulcão Masaya, Nicaragua.
À beira do Vulcão Masaya, Nicaragua. Foto: filmaj / flickr

A última erupção do Masaya foi em janeiro de 2016 e lá embaixo a lava ferve a 1200ºC. O piso da caldeira do Masaya é coberto por ‘lava de vegetação’, o que indica um resurgimento nos últimos 1000 anos ou mais, mas apenas dois fluxos de lava entraram em erupção desde o século 16. O primeiro, em 1670, foi um transbordamento da cratera de Nindiri, que naquela época hospedava um lago de lava de 1 km de largura. O outro, em 1772, saiu de uma fissura no flanco do cone Masaya. Desde 1772, a lava apareceu na superfície apenas na cratera do poço de Santiago (atualmente ativa e persistentemente desgaseificada) e, possivelmente, dentro da cratera de Nindiri em 1852.

Embora a atividade recente de Masaya tenha sido dominada pela desgaseificação contínua de uma cratera de poços preenchida com lava, vários eventos explosivos discretos ocorreram nos últimos 50 anos. Um deles, em 22 de novembro de 1999, que foi reconhecido a partir de dados de satélite. Em abril de 2001, a cratera explodiu e formou um novo respiradouro no fundo, e depois da explosão, rochas com diâmetros de até 60 cm viajaram a até 500 metros da cratera. Veículos na área de visitantes foram danificados e uma pessoa ficou ferida. Em outubro de 2003, uma nuvem de erupção foi relatada em Masaya e subiu até 4,6 km de altura. Em 2008, a montanha entrou em erupção vomitando cinzas e vapor.

Foi a primeira vez que vi um vulcão ativo na vida, e a força da mãe natureza manifestada no elemento fogo é de embasbacar. Se não puder fazer nenhum passeio em Granada por falta de tempo ou grana, faça somente a visita ao vulcão Masaya. Dá pra pegar um busão de Granada ou de Manágua direto para lá. E vá à noite porque o contraste da lava é mais visível depois do por do sol. Durante o dia, quem foi disse que só se vê fumaça. Vale muito o rolê!

*Foto destaque: Flickr – Camille Auble

Quem escreveu

Rê no Rolê

Data

23 de February, 2018

Share

Rê no Rolê

Ver todos os posts

    Adicionar comentário

    Assine nossa newsletter

    Vivemos em um mundo de opções pasteurizadas, de dualidades. O preto e o branco, o bom e o mau. Não importa se é no avião, ou na Times Square, ou o bar que você vai todo sábado. Queremos ir além. Procuramos tudo o que está no meio. Todos os cinzas. O que você conhece e eu não, e vice-versa. Entre o seu mundo e o meu.