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O interior da Irlanda pelo roteiro do Wild Atlantic Way 4

Quem escreveu

Carlos Raffaeli

Data

01 de March, 2017

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Chegando ao extremo norte da ilha, muita tradição em County Donegal: onde a Irlanda é mais Irlanda.

Chegamos à última parte do nosso trajeto por todo o litoral atlântico da República da Irlanda, e finalmente chegamos a County Donegal. O Wild Atlantic Way ainda continua em território britânico pela Irlanda do Norte e cruza paisagens cada vez mais rústicas e únicas, passando por lugares famosos, como o parque de Giant’s Causeway, castelos e belíssimas fortalezas em ruínas.

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County Donegal, última parte do Wild Atlantic Way.

E nenhum lugar é melhor do que Donegal para fechar este roteiro com chave de ouro. O condado de Donegal fica no extremo norte da ilha, apertadinho entre a Irlanda do Norte e o mar. A sua geografia física e política contribuem para um certo isolamento, garantindo a Donegal características muito próprias e “extremamente irlandesas”. No bom sentido, claro. Aliás, no melhor dos sentidos.

 

A umidade constante em county Donegal. Foto: Acervo do autor.
A umidade constante em County Donegal. Foto:  Carlos Raffaeli.

Para mim, depois de mais de um ano inteiro vivendo na Irlanda, Donegal era a síntese do que é ser o irlandês na sua essência. O sotaque carregado, que se mistura com os da Irlanda do Norte e da Escócia; a hospitalidade e, ao mesmo tempo, o distanciamento característico das pessoas do interior; as regiões de An Ghaeltacht; o contato imediato com a natureza; as músicas tradicionais irlandesas; os mitos, a comida, o clima. Enfim, tudo.

E a natureza, que é fantástica ao longo de todo o percurso até aqui, tem uma dramaticidade ainda mais espetacular em Donegal. O frio é dominante, e ter um dia ensolarado nesta região é motivo para mais comemorações do que em qualquer outra parte do país. Algumas montanhas possuem picos nevados, o que também quase não acontece nas demais regiões.

Castelo de Donegal, no centro da cidade. Foto: Carlos Raffaeli
Castelo de Donegal, no centro da cidade. Foto: Carlos Raffaeli

Depois da parada de surf em Bundoran, no artigo anterior, visite a pequena e charmosa cidade de Donegal, a 30km de distância pela rodovia N15. O charme da pequena cidade de 2.000 habitantes se dá pelas casinhas de pedra e pelo imponente Donegal Castle, que domina a paisagem do The Diamond, como é conhecido o centro da cidadezinha.

O castelo começou a ser construído ainda no século XIV no local onde estima-se ter havido uma fortaleza viking, construída para proteger a Donegal Bay. Levou mais de dois séculos para chegar à sua forma final. Ao lado do castelo, bem pequeno e discreto, fica a ótima dica do pub Olde Castle Bar

A poucos minutos de Donegal está o lindíssimo lago Lough Eske, que vale muito a pena ser visitado. Na sua margem está um dos mais luxuosos hotéis 5 estrelas da Irlanda, o Lough Eske Castle, um imenso castelo do século XV, aberto à visitação e que oferece a melhor vista para o lago.

O castelo de Solis Lough Eske, convertido em hotel de luxo. Foto: Dan
O castelo de Solis Lough Eske, convertido em hotel de luxo. Foto: Dan

Se a sua partida de Donegal for na hora do almoço, um ótimo lugar para bons pratos está 25km adiante. A vila de pescadores de Killybegs é daquelas cidadezinhas com um charmoso porto cheio de pequenas e coloridas traineiras de pesca. Pare em algum dos restaurantes do local para comer pescados recém saídos do mar.

Barcos no porto da pequena Killybegs. Foto: Stephen Kelly [ https://goo.gl/3Otn5T ]
Barcos no porto da pequena Killybegs. Foto: Stephen Kelly

Seguindo a estrada R263, a mesma que dá acesso a Killybegs, cruzamos mais outra importante região de An Ghaeltacht, centrada na pequeníssima vila de Glencolumbekille. Além de toda a natureza impressionante que cerca este local, pare para admirar o Slieve League, o segundo maior cliff da Irlanda e completamente esquecido pelo turismo, o que é ótimo.

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Os cliffs em Slieve League, esquecidos pelo turismo. Foto: Tony Webster

De lá, pegue a trilha que leva até o One Man’s Pass, uma passagem estreita pelo topo da montanha para testar sua adrenalina. A vista para o mar e para os cliffs lá de cima fica na retina de qualquer um para sempre. 20km à frente na estrada, a completamente deserta Malin Beg é considerada a praia mais bonita de Donegal.

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A praia de Malin Beg. Foto: Adrian Gallagher

Os 70km que separam Maling Beg de Dungloe tem pontos difíceis de resistir a paradas, como as praias de Rossbeg, Portnoo e Maghery, e o cabo de Innishfree. Mas chegando lá, é possível pegar um ferry e em 20 minutos chegar na ilha de Arranmore Island para mais ambientes perfeitamente isolados. A ilha tem ótimas opções de trilhas e, no vilarejo onde atraca o ferry, há excelentes opções de restaurantes e pubs que servem frutos do mar sempre fresquíssimos.

Arranmore Island. Foto: Pauric Ward [
Arranmore Island. Foto: Pauric Ward

O ponto alto de Donegal é, sem dúvida, o Glenveagh National Park, o último parque dessa viagem. Com 16 mil hectares de bosque, o parque abriga lagos, vales e a paisagem muito particular do extremo norte da Irlanda. Com status de parque nacional e muito bem preservado desde os anos 70, o Glenveagh é lar de animais selvagens como veados, lebres, águias douradas e falcões peregrinos.

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Detalhe de Glenveagh Castle. Foto: Michael Speckner

Ainda dentro do parque, visite o Glenveagh Castle, construção vitoriana que abrigava a família dona da propriedade que abrangia toda a região do que hoje é o imenso parque. Para completar, conheça o Glenveagh Gardens, os jardins do castelo. Ambos ficam próximos ao acesso do centro de visitação, que conta com uma excelente estrutura educativa sobre a natureza local. De lá partem diversas trilhas para diferentes pontos do parque.

Continuando pela estrada N56o, passando pela praia de Falcaragh, pare em Dunfanaghy para deixar o carro e seguir a pé – ou de bike – pela trilha até o imperdível cabo de Horn Head. Visite a praia de Dunfanaghy Beach para aulas de surf e pubs com música ao vivo e frutos do mar; ou vá até as praias vizinhas de Portnablagh, para uma caminhada pelo pier, ou de Marble Hill. 

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Horn Head. Foto: Ricardo Cabral

Daqui até a última parada da viagem, em Malin Head, são mais de 100 quilômetros de estrada e com mais um tanto de praias paradisíacas para conhecer. A península de Fanad (mais no box abaixo) é um destaque imperdível. Seguindo a viagem a partir de Dunfanaghy pela rodovia N56, a passagem por Letterkenny é obrigatória.


Fanad Peninsula e Letterkenny 

A península de Fanad tem o sua próprio ring road, de aproximadamente 70km, passando por praias desertas e mais cenários incríveis. Os destaques ficam por conta da praia de Portsalon e a Ballymastocker Bay. Na ponta extrema da península, o farol de Fanad Head Lighthouse, no litoral de pedras contorcidas, oferece uma vista inesquecível.

Maior cidade de Donegal, Letterkenny, assim como as outras cidades de maior porte do WAW, oferece boa estrutura para hospedagem e de serviços, como pubs e restaurantes. A cidade é centrada na Market Square, de onde se tem acesso fácil a pontos de interesse como a catedral de St. Eunan, datada do século XVII; St. Eunan’s College, um belíssimo castelo da era Tudor; e o Donegal County Museum, um dos melhores museus do país, e que conta a história da região através de artefatos arqueológicos e lendas do folclore irlandês. Imperdível!


Saindo de Letterkenny pela rodovia N13, chega-se a península de Innishowen. Subindo pela regional R238, passe pelo cabo de Dunree Head para visitar o farol e a fortaleza de Fort Dunree e sentir-se em um episódio de vikings ou Game of Thrones. O museu que a fortaleza abriga conta a história da construção e a sua importância ao longo dos séculos para a proteção do local, muito cobiçada por piratas e corsários.

Dunree Fort. Foto: Andreas F. Borchert
Dunree Fort. Foto: Andreas F. Borchert

Prepare o espírito para a despedida. Mais 40 km e chegamos ao ponto mais ao Norte da ilha da Irlanda. A beleza única e exótica do lugar, que serviu de locação para o último Star Wars, é o ponto perfeito para a despedida do Wild Atlantic Way. Chegando na península de Malin Head, pare em qualquer um dos vilarejos, alugue uma bicicleta e pegue as trilhas que levam até o final do cabo de Malin Head e sinta a sensação de dever cumprido: com certeza essa viagem vai ficar para sempre na sua memória.

Fáilte!

Fim de um dia inesquecível no roteiro do Wild Atlantic Way. Foto: Carlos Raffaeli
Fim de um dia inesquecível no roteiro do Wild Atlantic Way. Foto: Carlos Raffaeli

Os dois primeiros posts da série estão aquiaqui e aqui.

*Foto do destaque: Carlos Raffaeli

Quem escreveu

Carlos Raffaeli

Data

01 de March, 2017

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Carlos Raffaeli

O Carlos é carioca e acredita que viajar é aprender. Em todos os sentidos de "viagem" e "aprendizado". Não liga para horóscopo mas é muito canceriano. Siga no instagram: @carlosraffaeli

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