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Tragédia do Museu Nacional: abrindo os olhos para os museus brasileiros

Quem escreveu

Renato Salles

Data

10 de September, 2018

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Já completou uma semana que nós assistimos estarrecidos à destruição do Museu Nacional, um dos maiores e mais importantes museus da América Latina e do mundo, e que muitos de nós sequer chegaram a conhecer. A notícia é absolutamente trágica, e nem vale a pena ficar aqui repetindo todos os detalhes de como aconteceu, e de tudo que se perdeu. Chegou a hora de começarmos a limpar as cinzas e olhar para frente.

Durante toda a comoção mundial dos últimos dias, muita gente se mobilizou para pelo menos expor seus conhecimentos, e assim jogar luz sobre os desafios que a museologia, a ciência e a cultura brasileiros tem pela frente. Por isso eu tomei a liberdade de reunir aqui tudo que fui encontrando de informação útil, desde as história do descaso com as instituições nacionais até como ajudar para que uma tragédia dessas nunca volte a se repetir.

Para começar, o VJ Spetto listou os grandes incêndios que destruíram equipamentos culturais na última década, o que evidencia que esse não é um caso isolado:

2008 – Teatro Cultura Artística
2010 – Instituto Butantã
2013 – Memorial da América Latina
2014 – Liceu de Artes
2015 – Língua Portuguesa
2016 – Cinemateca
2018 – Museu Nacional

Muito importante também é esclarecer todas as dúvidas sobre a captação de recursos através da Lei Rouanet. Muita gente mal informada acha que essa lei ‘desvia’ verbas dos cofres públicos para instituições financeiras, o que não é verdade. E mais: mesmo o Museu Nacional tendo projetos aprovados para captação pela lei, muitos deles não conseguiram verba alguma. É o que explica o Evandro Bonfim, que também desmente a notícia de que um aporte de 80 milhões de dólares do Banco Mundial foi vetado pela UFRJ, notícia confirmada pela BBC.

Museu Nacional do Brasil
A placa que ficava ironicamente na entrada do Museu Nacional – foto: Ana Gaviolli Mori
Pois é, tudo isso só vem mostrar que os nossos museus estão capengas por um motivo bem forte: falta de público. Uma notícia bem deprimente mostrou que o Louvre, em Paris, teve mais visitantes brasileiros em 2017 que o Museu Nacional. E como deu para entender da Lei Rouanet, ela é uma forma de financiamento cultural que é amplamente usada como forma de propaganda das empresas investidoras. Então o melhor jeito de fazer com que chegue dinheiro no teu museu favorito, vá, vá de novo, e vá mais uma vez levando toda a tua família. Se os museus estiverem cheios, as empresas vão encher os olhos ao destinar suas renúncias fiscais para lá. O Ítalo Martins fez o favor de relacionar 39 museus históricos só no Rio de Janeiro que merecem a tua visita, para não ter desculpas. Ele ainda lembra que pessoas que nasceram na cidade tem direito ao Passaporte dos Museus, que dá entrada grátis em muitos deles. Eu mesmo já tinha falado sobre isso quando escrevi sobre a belíssima Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, e sobre o MASP, em São Paulo.

Casos como o do Museu Nacional não são exclusividade brasileira. Acervos inestimáveis foram destruídos em vários países, pelas mais diferentes causas. O caso brasileiro só é alarmante primeiro porque a causa é o simples abandono, e segundo porque o acervo destruído representa uma perda caríssima não só para o país, como para todo o planeta. A comoção mundial foi tamanha que várias instituições se dispuseram a ajudar na recuperação do que for possível. A França, a Argentina e países latino-americanos já mostraram interesse em participar da reconstrução do museu. A respeitada National Geographic ofereceu parte de seu acervo para recompor as exposições. Até o Wikipedia montou uma campanha pedindo ‘doações’ de imagens e verbetes relacionados ao museu como forma de reconstruir pelo menos a memória do Museu Nacional. E também a Associação de Amigos do Museu Nacional abriu uma conta para quem puder fazer doações em dinheiro para quem puder ajudar. Pelo menos na tragédia os seres humanos mostram seu verdadeiro poder de união.

E por último, nunca é demais lembrar: estamos nos aproximando de mais uma eleição, talvez uma das mais importantes da história. O Brasil está politicamente em frangalhos, e no próximo dia 7 de outubro temos a chance de ver uma mudança para o bem. Mas para isso precisamos escolher bem as pessoas que vão nos representar nos próximos anos. Que tal usar seu voto para colocar no governo gente que vai realmente fazer algo em defesa da cultura e da ciência? Pesquise, pergunte, vá atrás para descobrir quem são os candidatos que não veem cultura como um assunto secundário. Essa é sem dúvida a medida mais importante para começarmos a valorizar nossas instituições.

Já falamos sobre a tragédia do Museu Nacional no último Chicken Wings, a nossa newsletter semanal. Você já assinou?

*Foto de capa: Paulo R C M Jr. – Creative Commons

Quem escreveu

Renato Salles

Data

10 de September, 2018

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Renato Salles

Para o Renato, em qualquer boa viagem você tem que escolher bem as companhias e os mapas. Excelente arrumador de malas, ele vira um halterofilista na volta de todas as suas viagens, pois acha sempre cabe mais algum souvenir. Gosta de guardar como lembrança de cada lugar vídeos, coisas para pendurar nas paredes e histórias de perrengues. Em situações de estresse, sua recomendação é sempre tomar uma cerveja antes de tomar uma decisão importante. Afinal, nada melhor que um bom bar para conhecer a cultura de um lugar.

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    Vivemos em um mundo de opções pasteurizadas, de dualidades. O preto e o branco, o bom e o mau. Não importa se é no avião, ou na Times Square, ou o bar que você vai todo sábado. Queremos ir além. Procuramos tudo o que está no meio. Todos os cinzas. O que você conhece e eu não, e vice-versa. Entre o seu mundo e o meu.