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Filipinas, pelos olhos nada azuis de Manila, a capital

Quem escreveu

Angela Mansim

Data

31 de July, 2018

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Engraçada a expectativa que criamos. Alguns lugares que nunca conhecemos antes, já foram pré-moldados e construídos pela nossa imaginação.

Filipinas é azul, mas nem sempre. Espera-se areia branca, água cristalina e um país muito diferente, do outro lado do mundo. Mas a verdade, é que viajando pelo tão desconhecido Sudeste Asiático, percebo que vemos sim as diferenças, mas nos assustamos com as grandes semelhanças.

Manila me pareceu a querida Sampa.

A desigualdade visível dividida em bairros, crianças tomando chuva, espetinhos de gato nas esquinas, mercados públicos com ingredientes frescos e parecidos com os de casa, as televisões falando por toda a parte e, por mais bizarro que pareça, tudo escrito em espanhol.

Sampa? De um dos prédios altos de Manila para a vista do bairro pobre Población. Foto por Angela Mansim.

Pedi um pão quentinho na vendinha do bairro e a filipina o apresentou para mim como “pan de sal“. O país foi colonizado pelos espanhóis, tendo sua independência em 12 de Junho de 1898. Apesar de existirem muitos dialetos, o inglês dominando e o tagalog como língua unificadora e oficial do país, as escolas, nomes de ruas, gírias e comidas, tudo está em espanhol. Foi assim que a capital ficou ainda mais parecida com São Paulo para mim.

Não só por isso, mas junto com a língua, os espanhóis trouxeram a religião. Pela rua, imagens de Jesus, do Papa, terços, santos, seminários, feriados católicos e, aos domingos, missas e cultos evangélicos acontecendo em todos os lugares da cidade.

Isto era tudo o que não esperava-se estando do outro lado do mundo. Um país asiático com tantas semelhanças que nos faz sentir em casa.

Rio Tietê? Vista da cidade de Manila, Filipinas. Foto por Angela Mansim.

Até mesmo o jornal filipino poderia ser tupiniquim. Lê-se em destaque notícias sobre corrupção, construções intermináveis, bairros pobres que sofrem com a falta de escoamento da chuva, grande oferta de empregos e seus muitos desempregados e o caderno esportivo é um dos mais queridos.

Ao pisar em solo filipino pela capital, percebe-se um país asiático não tão diferente assim. Sem hindus de sarongue, nem muçulmanos de véu, mas com católicos que fazem churrasco e apreciam aquela bela cerveja. Os filipinos são pessoas de sorriso fácil e a gentileza está por toda a parte. Mas se bobear, o tradicional furador de fila do banco também está sempre na sua frente…

Sobradinhos e arranha-céus em Mandaluyong, bairro na grande Manila, Filipinas. Foto por Angela Mansim.

Manila tem até a sua Avenida Paulista, a Ayala Avenue. Cercada por bancos nacionais e internacionais, a avenida é localizada na região mais rica da cidade (Makati), com seus prédios empresariais e trabalhadores que circulam sempre apressados segurando seus cafezinhos.

Engraçado, mas eu realmente me senti na charmosa Avenida Paulista, diferente apenas pela ausência de músicos tocando seus instrumentos e malabaristas fazendo acrobacias nos semáforos. Ao que parece, pela cidade toda, a arte de rua não é muito presente. Não se vê grafites nas paredes nem artistas ganhando a vida.

Avenida Paulista? Ayala Avenue em Manila, Filipinas. Foto por Angela Mansim.

Mas vamos falar de coisa importante, comida né?

Para você que, assim como eu, comer é a melhor atração turística de quando viaja, aqui vão algumas ideias sobre a vasta culinária filipina.

A cozinha filipina também assemelha-se muito com a nossa culinária de casa. Isto, em grande parte se deve a alta produtividade da agricultura, que disponibiliza ingredientes frescos a bons preços para a população (amém). E, não só isso, mas a maioria dos ingredientes são iguais aos que vemos em feiras no Brasil.

Nas feiras de bairro e nos wet markets da capital, vende-se frutas, legumes, verduras, frutos do mar e peixes sempre frescos. Mas, assim como por grande parte da Ásia, a carne vermelha chega com valores caríssimos para o consumidor final. Para se ter uma ideia, um peixe em um restaurante comum pode custar em média 100 pesos (7 reais) filipinos, mas a carne vermelha – de qualidade – no mesmo restaurante pode chegar a custar 1000 pesos (70 reais), para um pedaço de bife.

Diversidade de vegetais, frutos do mar e postas frescas de marlin azul nos mercados de rua das Filipinas. Fotos por Angela Mansim.

A culinária filipina tem origem malaio-polinésia, mas absorveu diferentes culturas ao longo dos anos, com muitos pratos de influência latino-americana, chinesa e americana. Entretanto, utilizando ingredientes locais, simples pratos conhecidos por nós, como os “cozidos”, se tornam muito diferentes, especiais e filipinos ;)

Alguns dos mais clássicos que podem ser encontrados tanto nas ruas quanto em restaurantes são o adobo (carne de porco ou frango cozinhada com vinagre, alho, sal, molho de soja e pimentas), a pako salad (salada com tomate, cebola roxa, tofu, ovos de pato, ovos de codorna e pako – uma variedade de samambaia), o Isaw e Betamax (espetinhos de rua feitos com o intestino ou sangue de porcos e frangos), o lechon (porco temperado e cozinhado inteiro durante horas no fogo), o tapsilog (prato com carinha de brasileiro com arroz, carne grelhada ou cozida e ovo frito), o Halo-Halo (um mix de frutas, gelatinas, pudim, cereais e gelo) e, o mais inusitado que eu encontrei, balut (ovos de pato já com o embrião formado levemente cozidos ou não).

Respectivamente o Betamax e o Isaw, a Pako Salad e o Balut. Fotos por Angela Mansim.

Como se teletransportar em Manila

Apesar de morar em Bali, que é o caos personificado em termos de trânsito, não recomendo dirigir em Manila. O trânsito é quilométrico e é muito chatinho dirigir na cidade, sério. Como boa low-cost traveler que sou, recomendo recorrer sempre ao aplicativo do Grab na cidade para se locomover de carro (super em conta), ou tentar outro tipo de transporte disponível, como os jeepneys, triciclos, metrôs ou ônibus.

As semelhanças novamente se fazem presentes. Os jeepneys, com suas cores únicas e decorações personalizadas, lembram muito as lotações brasileiras que, inclusive, nunca param realmente para fazer a troca de passageiros e estão sempre lotadíssimos. Os triciclos são os nossos moto-táxis, muito baratos por sinal, mas circulam apenas nos bairros, não podem fazer transporte pelas avenidas caóticas principais. O metrô que atravessa a cidade tem a sua peculiaridade, existem vagões somente para mulheres e vagões separados para homens. Se você é mulher, pode até ir em um vagão para homens, mas os homens de maneira alguma podem ir nos vagões das mulheres.

Jeepney, transporte bem comum que faz viagens entre bairros específicos. Foto por Angela Mansim.

Cansei do caos, cadê a praia?

Como assim você está nas Filipinas e não vai sair da cidade? Se assim como eu, você decidir depois de uma semanada de concreto, que é preciso fugir para enfim ir em busca do azul das Filipinas, Luzon, a ilha em que fica a capital Manila, tem muitas possibilidades como Zambales, Batangas, Nasugbu e Baler. Todas as rotas super viáveis e baratas de ônibus, e você pode comprar as passagens facilmente pelo site I Want Seats.

A minha rota de fuga foi Baler, 6 horas de distância de ônibus, custando em média 1.400 pesos (98 reais) ida e volta. A areia não era tão branca, nem o mar tão azul (parecia mesmo que eram as praias de São Paulo…) mas o lugar com certeza é paradisíaco, com muitas cachoeiras ao redor, montanhas enormes e coqueiros gigantes. Baler foi locação para o filme “Apocalipse Now” e tem se tornado grande rota turística para o surf.

Baler, Aurora. Fotos por Angela Mansim.

A experiência pode não ter sido tão azul, mas com certeza as Filipinas inverteram todas as expectativas do que esperava-se do “outro lado do mundo”.

Terra de habitantes calorosos, é com muito bom-humor (assim como no Brasil), que os filipinos levam o dia-a-dia. Alguns com uma vida simples na praia, outros com um “lifestyle business man” na capital.

Mas até aí, nada de novidade. Certo?

Quem escreveu

Angela Mansim

Data

31 de July, 2018

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Angela Mansim

Designer, especialista em perrengues, comida de rua e gestão de marcas. Come, dorme e se teletransporta por aí no jeitinho simples da vida local. Radicada em Bali, a baia de todos os mortais.

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