Quito, o umbigo do mundo

Data

20 de November, 2015

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O Equador é o mais novo queridinho aqui na América do Sul. Mesmo com o atual dólar nas alturas, o país ainda é considerado barato para nós brasileiros. Tem paisagens lindas e o melhor: de tão pequeno, você pode tomar café da manhã na serra e  e jantar na costa. Quito é a cidade pela qual todos os voos internacionais que vão para o Equador passam, seja para ir a Montañita na costa do Pacífico, para as famosas ilhas Galápagos, ou ainda para fazer a rota dos vulcões. E se você certamente vai ficar em trânsito por lá, por que não aproveitar um pouco a cidade?  Num primeira impressão, Quito pode parecer um pouco provinciana, mas conhecendo o caminho das pedras, dá para se divertir à beça!

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BÁSICO

Quito é uma das cidades de maior altitude no mundo: está a 2800 metros acima do nível do mar. Chegando ao aeroporto, há várias opções para ir à cidade (o aeroporto mudou-se há mais ou menos um ano e agora fica a mais ou menos 30 minutos da cidade). A tarifa do ônibus executivo, operado pela empresa Aero servicios, sai por 7 dólares. O táxi custa entre 25 e 30 dólares, dependendo do destino final. Nossa opinião? Pegue o  ônibus executivo, já que o preço é justo, tem wifi, ar condicionado e poltronas cômodas.

MOEDA

O Equador é o único país da América do Sul que utiliza o dólar americano como moeda oficial, pois, nos anos 2000, devido à desvalorização do sucre, o país sofreu um daqueles planos econômicos ( parecidos com aqueles vivemos no Brasil nos anos 80). Então fica fácil levar dinheiro líquido, já que é só comprar dólar no Brasil.

Graças ao dólar como moeda oficial, o Equador conseguiu ser um país com pouca inflação. Os preços em geral são bem baratos:  bons serviços a preços módicos, mesmo com o nosso atual câmbio desfavorável. Um almoço em um PF qualquer, que custa aqui uns bons 30 reais, lá você encontra a partir de três dólares, com sopa, prato, suco e sobremesa.

Se você, no entanto, decidir comprar dólares lá, melhor ir fora do aeroporto, pois a cotação será mais favorável. Há muitas casas de câmbio, principalmente no setor Amazonas (o qual você ouvirá falar bastante), e também no centro de Quito.

TRANSPORTE

O transporte público é barato: a passagem de ônibus custa US$ 0,25 e o preço de uma corrida de táxi também sai em conta. Para uma distância grande, não passa de oito dólares o táxi Também é possível utilizar o transporte chamado interprovincial, em que se paga um dólar por hora. Ou seja, para ir de Quito a Mindo, com duas horas de viagem, custará  2 dólares. Isso é porque o Equador é exportador de petróleo, e a gasolina tem preços módicos. Além disso, os equatorianos andam muito orgulhosos das estradas que foram recentemente refeitas pelo governo atual.

Para se deslocar em Quito, a opção mais comum é o trólebus, a passagem de US$ 0,25 permite rodar a cidade inteira. O metrô ainda está em construção.

Em Quito rola também um serviço gratuito de bike. Para isso, você precisa se cadastrar na página, preencher todos os dados e entregar uma cópia do seu passaporte (ou seja, é um pouco de trampo), mas as BICIQ valem a pena se for ficar mais de dois dias, pois é bem fácil andar pela cidade.

Quito (Ecuador), 15 de mayo de 2015. Edición número 121 de al trabajo en Bici. Luis Astudillo C. / Cancillería Ecuador.
Quito, 15 de maio de 2015. Luis Astudillo C. / Cancillería Ecuador.

PARA SE HOSPEDAR

Como qualquer cidade relativamente grande, Quito tem opções que vão de hotéis de luxo a albergues, variando de 8 a 400 dólares a diária. Hospedando-se no centro da cidade, o acesso a museus, casas antigas coloniais e outros prédios históricos é super fácil. Além disso a região central tem uma arquitetura bem interessante, bares, restaurantes e comércio de todo tipo.

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Um dos hotéis mais legais é o super clássico Plaza Grande Hotel. Além de ficar na praça principal da cidade, as suítes têm aqueles mimos fofos: uma caneta de pena para escrever, suco de “tomate de árbol” e macarrons.

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Outro hotel lindíssimo, mas mais afastado da cidade, é o Rumiloma. Perfeito para quem quer fugir do agito e passar uns dias no friozinho, com uma comida excelente, canelazo e lareira.

Os hotéis mais bacanas ficam na González Suarez, como o Swisshotel, por exemplo, cujas diárias giram em torno de 180 dólares.

E se o seu budget é menor, um hostel fofo é o Boutiquito, com preços a partir de 14 dólares, incluindo café da manhã. Outra zona com muitos hostels e bares é a rua Amazonas,  um lugar ideal para sair e badalar, tomar um cerveja, conhecer outros viajantes e comer. A Blue House hostel é uma rede de hostels com preços bacanas na área.

PARA COMER

A comida equatoriana é, sem dúvida, especial, e conhecida mundialmente pela sua tradição em sopas. É que eles tem uma imensa variedade de frutas e verduras disponíveis durante todo o ano, pois quase não há estações, só temporadas de chuva ou calor.

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A gente já fez um post sobre o que é imprescindível comer no Equador aqui. Em geral, todos os menus são compostos por sopa, prato, suco e sobremesa, até mesmo nos “PFs” mais baratos. Normalmente, sempre vem uma carne: frutos do mar, carne de porco, frango ou bovina, dependendo da região (no litoral, há mais frutos do mar; na serra, mais ovelhas).

E se você estiver de chuchaqui (ressaca), a recomendação dos locais é certa: encebollado (um tipo de sopa com frutos do mar e muita cebola), que fará com que sua ressaca acabe e você possa continuar a festa. (Nós testamos. É verdade!)

Procurando bem, é possível achar em Quito o chantocuro (lagartas servidas em um prato). Nas montanhas é muito tradicional comer mote, a fritada, o hornado, mote pillo, e, na costa, o ceviche com arroz marinero e o encebollado. Além disso, é bem comum achar espetinhos de porquinho da índia, considerado uma comida muito saudável (tem coragem?). Sucos naturais é outra moda por lá. Experimente todos.

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Não é um costume deixar gorjeta, pois em geral o serviço de 12% já está incluído nos preços.

Há ótimos restaurantes. O Vista Hermosa é um lugar estrategicamente localizado em um dos edifícios mais altos do centro histórico de Quito. Como seu nome indica, é para quem quer curtir a paisagem de Quito colonial. Ao anoitecer, o lugar vira uma baladinha. Vá curtir um som toda quarta, quinta, sexta-feira e sábado a partir das 20h30. De segunda a sábado das 13h a 0h. 

Um hotel bacana para ir comer é o La Casona de la Ronda, eles tem uma receita familiar de seco de chivo  (uma espécie de ensopado de overlha) impressionante! Todos os dias, almoço e jantar até 22 h

Para saborear todas as opções de um sistema que exportamos para lá, a comida por quilo, um restaurante para visitar é o GRAMS Grams comida al peso, que fica no sul de Quito. Diferente dos do Brasil, o GRAMS é uma ótima opção para poder experimentar um pouquinho de cada comida local, e é feito todo de bambu. Segunda a sábado das 12h às 16h.

O restaurante e mirante El ventanal fica nas encostas de Pichincha, em San Juan, tem uma brisa ótima e uma vista espetacular do Centro Colonial e da avenida los Volcanes. Vale pela vista. Terça à sexta das 16h à 0h, sábados das 12h às 22h e domingos das 12h às 16h.

PARA TURISTAR

Uma boa forma de começar a bater perna em Quito é subir o teleférico, que é o lugar mais alto de Quito, a 4.800 metros de altitude, para ver a cidade inteira. Melhor ir ao entardecer, quando a cidade começa a acender suas luzes. Nesse mesmo espaço fica o Ventura Park, um parque de diversões com montanha russa, kart, carrinho bate-bate, para renascer  a criança dentro de você. O trekking até a montanha Pichincha também é bem legal. De segunda a domingo das 9h às 18h, sábados e domingos das 9h às 20h,

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A mitad del mundo é o lugar mais visitado, com um monumento no exato ponto onde o hemisfério norte e sul se separam. E no museu Intiñan, durante os finais de semana, acontecem apresentações de artistas locais. De segunda a domingo das 9h às 18h. 

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O centro de Quito é bem preservado. A rota das 7 cruzes é o caminho das igrejas cobertas de ouro, muito bem cuidadas. A mais famosa é la compañía y la Iglesia de San francisco.  Uma lenda conta que o arquiteto fez um acordo para construir a igreja, mas como não estava conseguindo construir a igreja no prazo estabelecido, fez então um pacto com o diabo. Era assim: se ele terminasse a igreja a tempo, sua alma pertenceria ao Satanás. Assim, o arquiteto, já no final da construção, escondeu a última pedra daria a construção do templo por terminada, e assim salvou sua alma!

A rua La Ronda, é uma caminhada agradável, em estilo colonial, com muitos bares, artistas, comida típica de rua. Ótima pedida para passear à noite ‘de boa’.

Foto Seriously travel
Foto Seriously travel

El Panecillo  é a virgem que cuida de Quito (basicamente é o Cristo Redentor deles). A estátua da virgem foi criada para proteger a cidade. Diz que os mais fiéis vivem no centro para estar mais próximos de Deus.  El panecillo possui uma vista muito bonita do centro e do norte da cidade.

O Parque Itchimbia  e o Palácio de Cristais é um dos locais que mais recebe turistas e é um dos espaços mais verdes e grandes da cidade. No parque Iitchimbia acontecem apresentações, concertos e festivais. O Palácio de Cristal fica dentro do parque e é considerado o berço de grandes artistas locais. Eles tem ainda com uma exposição de arte, renovada de tempos em tempos.

A Capilla del Hombre fica na região da Bellavista, ao norte de Quito, é a casa que pertenceu ao pintor Oswaldo Guayasamin, considerado o melhor pintor da história do país (e, eles afirmam, da América do Sul). Hoje um museu, tem obras de Diego Rivera, do cantor Silvio Rodríguez, presentes do ex-presidente cubano Fidel Castro, além de muitas obras de arte pré-colombianas.

Quito também possui um ônibus turístico, tipo hop-on hop-off.  Aquele esquema: pagando o preço de uma passagem, você pode entrar e sair quantas vezes quiser do ônibus. Mas a opção não é tão vantajosa, pois como a cidade é pequena, para ganhar tempo, o melhor é ir diretamente aos locais turísticos, e a maioria dá para caminhar.

PARA INSPIRAR

Assim como os países vizinhos, o Equador é conhecido pelos museus e tradições coloniais e incas. Quito é conhecida como La carita de dios (a cara de Deus), patrimônio premiado pela Unesco.

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Foto skyscrapper city

Um dos museus é o Yaku, Museo del Agua. O mais bacana é ver como a água desce das montanhas até chegar às casas de Quito, além de poder aprender como cuidar da água (coisa que precisamos fazer no Brasil, aliás). Lá tem umas bolhas gigantes de sabão, entre outras exposições lúdicas e interativas.  De terça a domingo das 9h às 17h30.

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Foto Andes.info.ec

Palacio de Gobierno, de arquitetura estilo colonial, tem entrada gratuita, mas é preciso levar documento. O acesso aos visitantes é a cada 20 minutos, com visita guiada opcional. O mais legal é que, caso o presidente esteja no palácio, você pode cumprimentá-lo e tirar foto com ele. Das 9h às 18h.

Museo Intiñan, ou museu do Sol, está localizado bem na metade do mundo, na divisa dos hemisférios norte e sul. Diversão não falta: colocar um ovo na cabeça de um prego (coisa que só se consegue fazer no meio do mundo), ou ver ainda a famosa lenda para que lado a água gira. É um lugar imperdível. A entrada custa dois dólares para crianças, e quatro para adultos. De segunda a domingo das 9h30 às 17h.

A capital possui uma grande lista de museus, a maioria localizada no centro da cidade. Caminhando pelo centro você vai achar muita coisa e dedique uma tarde apenas para bater perna.

PARA TOMAR UM BOM DRINK

Perto da rua Amazonas, tem lugares de cerveja artesanal, coquetéis, happy hour, enfim, é o point. Vale lembrar que em Quito não se pode beber na rua. E a venda de álcool só é permitida durante a semana de segunda a quarta-feira até às 22 horas e de quinta a sábado das 12h às 2h da manhã. Dica: saia cedo.

Foto CHERUSKER
Foto CHERUSKER

No Cherusker você acha ótimas cervejas (coisa rara): cervejas vermelhas, pretas, amarelas, e michelada (a invenção mexicana com suco de limão e molho de pimenta que amamos tanto!) Dependendo do tamanho da sede (e do copo), o preço pode variar de dois a sete dólares. O prédio de três andares é lotado de locais.  De terça à sexta das 12h à 0h e sábados das 12h às 2h.

Na mesma rua Amazonas tem o pub Finn Maccol, com happy hour/double drink por cinco dólares. De terça a domingo das 12h à 0h.

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Foto: www.analojienlamadrugada.com

Em Guapulo, o bar Ananke tem uma vista linda, com um terraço idem, e o melhor: drinks a partir de dois dólares.  De segunda a domingo das 16h à 0h.

Na mesma região, o bar temático Naranjilla Mecânica é famoso pelos shows e pelo ambiente que lembra o filme de Stanley Kubrick. De terça a domingo das 15h à 0h. 

O La Ronda  tem clima mais familiar, famoso por oferecer uma bebida que se parece com o nosso quentão, o chamado canelazo (aguardiente,  naranjilla e canela). Se estiver frio, é ótimo para esquentar o corpo e fazer o frio desaparecer. O copo sai por um dólar e a jarra por cinco. 

PARA DANÇAR

Por causa da lei antiálcool, a noite em Quito começa bem cedo, as baladas começam às sete da noite, e terminam às duas da manhã, como em muitos países da Europa.

A rua Amazonas e a região da Praça Foch são as opções mais famosas para sair, dançar e beber. E aqui você terá de ser eclético, afinal, estamos no Equador. Reguetón, salsa, música eletrônica e rock se misturam na mesma balada. Quem já viajou bastante pela América Latina sabe bem do que se trata…

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Um dos clubes mais conhecidos é o Bungalow 6. A casa tem mesa de pebolim, dardos, sala de jogos, terraço, lugares para sentar e fazer um chill-out, além de, é claro,  pista de dança. De drinks o Equador não é assim muito bom, o mais tradicional é o pecera (bebida de vodka, sprite, com um licor por cima para ficar azul). Eles afirmam que com apenas uma pecera é possível dançar a noite inteira, mas como como gostamos de garantir, melhor tomar mais que uma. Nas quartas-feiras, mulher não paga (sim, também tem dessas por lá). Terça a sábado das 19h às 2h.

Está no Equador e quer sacolejar o esqueleto? O  LA VOE é o lugar. As noites parecem uma competição de dança, pois a maior parte das pessoas dança igual ao seu professor de dança de salão na academia.  Dá uma olhada no site para saber quando rola música ao vivo.

Agora, se mergulhar no ritmo local não é a sua, a opção é a Siete, a balada de música eletrônica mais bem localizada. A entrada custa 15 dólares, e a festa começa mais tarde do que o normal, das 22h até às 3h).

Quito conta também com um festival de música, o Quito Fest Festival.  É bem eclético, bem diferente dos festivais a que estamos acostumados.

PARA COMPRAR

O mercado artesanal é bem turístico com artesanato, objetos macramé, redes, narguilé, piercings, blusas de lã, camisetas, sapatos, mas vale super a pena ir para comprar ponchos e roupas de lã dos locais. De segunda a domingo das 9h às 18h.

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O Parque El Ejido é também muito frequentado, naquele esquema do povo fazendo caricatura, artesanato… É como se fosse um mercado de San Telmo na Argentina, sabe? Ou Embu em SP. Domingo é o melhor dia.

Já para o comércio de rua a pedida é a rua Ipiales. Como a gente vê em toda cidade, é a rua de comércio barato, em que é preciso tomar cuidado com a carteira para não voltar para o hotel sem nenhum tostão.

Para compras menos “típicas”, vá ao  Quicentro shopping, com lojas de marcas internacionais (leia-se Tommy Hilfiger, Zara, Carolina Herrera, Armani). De segunda a domingo das 8h30 às 21h. Por último, o El jardin é o shopping mais caro, mas também o mais bonito. De segunda a domingo das 10h às 20h30.

AOS ARREDORES DE QUITO

A duas horas de Quito, vale visitar Mindo, um lugar com muitas cachoeiras para dar aquela merecida relaxada.

Otavalo também fica a duas horas de Quito, uma cidade conhecida pelo artesanato indígena, cachoeiras, espaços para acampar e o  assustador vulcão Cotopaxi –  um dos picos mais altos do mundo. Atualmente o acesso ao Cotapaxi é probido, pois ele está em plena atividade e soltando um fumacê danado.

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Agradecimentos especiais a Erik Rafael Piñeres que contribuiu para as dicas desse guia.

Data

20 de November, 2015

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