Islândia: a calorosa ilha do gelo

Data

02 de December, 2013

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“Hi, welcome to Iceland. It’s a really nice summer day outside: it’s 10ºC and 5 knots of wind” – Falou o piloto ao pousar na Islândia. É esperado que em uma ilha no topo do mundo, incomunicável durante centenas de anos a não ser por barbudos marítimos com chapéu de chifre, as pessoas tenham perspectivas diferentes. Por exemplo, do que é um belo dia de verão.

Lá, água fervente é cuspida do chão, existem 13 papais noéis em vez de um, a areia é negra, tem handball como esporte nacional, todo mundo tem nariz de elfo, surgem luzes verdes dançando no céu e arraia apodrecida é uma delicatessen (tipo trufas negras, saca?). Por isso 9 em cada 10 blogueiros-viajantes dizem que parece estar em um ‘outro planeta’. Evitando cair na mesmice, é diferente. E muito legal. Quem visita tem a oportunidade de ver uma natureza indescritivelmente linda e conhecer um povo adoravelmente louco de pedra. Programe-se já!

Esse guia é perfeito para quem vai viajar pela Islândia de ônibus. Caso você vá alugar um carro, fizemos um guia bem completo também para auxilia-lo a dar a volta na ilha.

INICIAÇÃO ISLANDESA

Língua: A primeira coisa que você tem que aprender é a falar Reykjavik. É assim Rrrr (r de espanhol – êíquiavik). A língua oficial é islandês, que é praticamente ilegível e impronunciável para nós latinos, mas todos falam inglês. Da pseudo-barista da Starbucks ao senhorzinho de 80 anos que cuida de inconseqüentes carneiros que não conseguem descer a montanha sozinhos.

Como chegar

A Islândia fica ali no meinho entre a Escandinávia e a América do Norte. Portanto, formas fáceis de chegar à Islândia: dos Estados Unidos, ou de Londres, ou pela Escandinávia. As companhias que oferecem os vôos mais práticos e acessíveis são a Icelandair, a SAS e a British Airways.

A Islândia não faz parte da União Européia, mas se você vier através de um dos países escandinavos, nem imigração para carimbar passaporte tem. Nenhuma dificuldade burocrática ou imigratória, já que o país está louco mesmo é por turistas. A Icelandair,  a mais famosa carregadora de turistas para ilha gelada,  até dá o stop-over GRÁTIS se estiver indo da Europa para os EUA por ela (pela promessa tácita que você vai deixar um dinheirinho lá em tours caros e talvez umas peles de carneiro).

Moeda e preços

A moeda lá é a coroa islandesa, e 37 desses dinheiros deles compram 1 dinheiro de brasileiro. Preços? Não, não é barato. Para dar uma idéia de preços:

Cerveja em um bar: ISK 900 / R$ 25
Jantar em um lugar bacaninha: ISK 6.000 / R$ 165
Coca-cola: ISK 200/ R$ 6
Pizza : ISK 1.500/ R$ 41

Maço de cigarro : ISK 1.000 / R$ 27
Gasolina (1 litro): ISK 250 / R$ 7

Quando ir, quanto ficar: Dizem que o inverno é lindo, mas num lugar onde no verão faz 10 graus, o inverno não deve ser moleza. Aqui no blog fomos no verão e no inverno, conseguindo sobreviver aos dois. Se você não quer pôr peles e brincar de Game Of Thrones (parte da série foi filmada lá), eu iria no verão. Mas, se ainda assim você se aventurar por lá entre novembro e fevereiro, pode curtir a aurora boreal, final de fevereiro/início de março é uma boa época. E claro que todos os turistas vão no verão. Então tem seus prazeres ir no inverno, quando o país fica mais vazio. Porém, muita coisa fecha nessa época, então viajar se torna um pouco mais difícil como comer, por exemplo.

Quanto tempo ficar? Bom, muita gente fica 3 dias ali como uma passagem entre EUA e Europa. Mas você não consegue viver a Islândia realmente em menos de 5 dias (aliás, para nós, não-nipônicos, lugar nenhum, né?). O ideal é pelo menos 10 dias (pelo menos!).

Foto: Nossa primeira aurora boreal vista no Ion Hotel – por Ola Persson

Os queridos islandeses: O país inteiro tem 300 mil pessoas (para você comparar: isso significa o BAIRRO do Grajaú em SP. Ou Campo Grande, no Rio), sendo 200 mil na capital. O interessante disso é que a chance de alguém se conhecer no país é grande. A impressão que dá é que todo mundo se conhece. E faz algum sentido: como aquilo é uma ilha, e como ninguém tem DNA viking para agüentar o frio para querer imigrar para aquelas bandas, eles ficam lá, reproduzindo entre si. Resultado: todo mundo é primo em até sexto grau.

CIRCUDANDO A ILHA

É bom decidir de antemão se sua viagem será de ônibus ou de carro. Na Islândia não existe sistema de trens. Para quem escolhe ônibus, os passeios sempre serão feitos por tours, não há como fugir deles.

De carro, o GPS e mapas te levam a qualquer lado, e você pode ir parando. Não é barato o aluguel (em torno de 70 euros por dia), mas os tours também são caros. Se tiver em turma, vale a pena. Recomendamos pegar um 4×4, que fez bastante diferença na nossa viagem. O ônibus te dá liberdade e oportunidade de conhecer a galere, e os tours estão prontos, ótimo para quem não é de devorar guias antes de ir. Dá para ver praticamente tudo que é importante das duas formas.

Para chegar à cidade, se você não alugou o carro direto do aeroporto, não importa a hora do vôo, de onde você vem, haverá um lindo busão da Iceland Tours que deixa você na cidade e nos hotéis, e custa baratinho (2.200 ISK), com wi-fi te esperando. Não precisa reservar antes. Aproveite e já pegue os flyers dos passeios que a própria Iceland Tours faz (e no aeroporto, várias outras).

As coisas são perto, viu? Com bom humor você dá a volta no país de carro em uns 5-6 dias, parando e tudo mais. Aliás, tem tours que vão quase até a outra ponta e voltam no mesmo dia.

Para quem se interessar em viajar pela Islândia de carro, fizemos um guia bem completo para dar a volta na ilha.

PASSEIOS

Golden Circle

Esse é o passeio mais famoso da Islândia. Famoso e perto. E fácil. Saem excursões em vários horários por dia, no final da tarde é quando você pega as atrações menos lotadas. Para quem alugou carro, o passeio é bem simples também.

Ele começa no Pingvellir National Park, onde o parlamento foi fundado em 930, sendo considerado um dos parlamentos mais antigos do mundo. É uma placa tectônica que forma uma paisagem única. Depois de um dos mil cafés com parada (peça a sopa de carneiro!) o pessoal vai finalmente para área geotermal para conhecer ‘o famoso Geysir’. Porque ele deu nome aos demais. Mas já tá velhinho o coitado, não cospe água mais. Na verdade a forma como as placas tectônicas rebolam lá embaixo impactam na atividade do Geysir, que não está jorrando atualmente. Mas lá também tem o gêiser, que não é gêiser mas é amigo do gêiser-mor, chamado Strokkur. Esse é bacana, porque ele jorra água a 30 metros de altura.

Geysir Strokkur - foto Robert Hoetink - shutterstock.com
Geysir Strokkur – foto Robert Hoetink – shutterstock.com

Por último, o passeio é na belíssima catarata Gullfoss. São quedas: de 11 metros, depois 21 metros até cair em uma fenda de 32 metros. No inverno ela congela e a vista fica ainda mais de tirar o fôlego:

Gullfoss por Ola Persson

Vale o passeio turistão! Custo por excursão: R$ 180 por pessoa, mais ou menos.

Ir a uma terma

Tem várias na cidade e ao redor. Os islandeses adoram uma piscina geotermal aquecida e é realmente um passeio local: muito mais islandeses do que turistas. Aliás, é uma ótima forma de fazer amigos por lá.

É muito importante atenção à higiene. Eles levam super a sério. Antes de entrar no lugar de banho, tire o sapato. Entre no chuveiro SEM a roupa, e lave super bem “as partes”. Sim, há instruções com ilustração do corpo humano em e um bonito frasco de shampoo para que turistas desavisados saibam bem onde lavar. E depois, é só cair para o abraço. Não, primeiro ponha o maiô. Melhor não sair abraçando as pessoas sem maiô e falar que foi dica do Chicken or Pasta.

pool-instructionsAlguns tours são combinados e passam por termas, caso não esteja de carro.

Entrar num vulcão

Esse tour é incrível, um passeio dentro do vulcão. Só funciona de 15 de Maio a 10 de setembro e é uma facada (600 reais), mas vale cada centavo.

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É o único vulcão no mundo que dá para entrar na câmara de magma. Só há 3 horários por dia, e uma boa caminhada para chegar. Enquanto não arrumarem um teleférico e escada rolante (a lá cristo redentor), é uma experiência para poucos.

Tudo sobre esse passeio já contamos num post divertidíssimo aqui.

Jökulsárlón Glacial Lagoon

É meio longe de tudo – para quem não está dando a volta na ilha, dá para ir e voltar no mesmo dia para Reykjavik mas tudo dá umas 15 horas. O caminho vale tanto quanto o destino, a costa sul é cheia de vilinhas. Passa pelo Parque Nacional de Skaftafell e por duas cascatas lindas, a Seljalandsfoss e a Skógafoss. O passeio é imperdível. Passear pela Islândia e não ver o lago glacial é não ter conhecido a Islândia.

Glacial Lagoon - foto: Ola Persson
Glacial Lagoon – foto: Ola Persson

Caso seja inverno, procure pelos passeios pelas cavernas de gelo. Eles só são possíveis com guias, já que são completamente escondidos e impossíveis de chegar sem ajuda. A maioria dos passeios pelas cavernas de gelo são com “rápido curso de como fotografar o gelo”, por isso eles são longos. Vá bem agasalhado.

Foto: Ola Persson
Foto: Ola Persson

Além disso você pode visitar aquele vulcão danadinho que deixou em 2010 todos os europeus presos no aeroporto, lembra? O Eyjafjallajokull.

View towards Eyjafjallajokull Volcano - Evocation Images - shutterstock.com
View towards Eyjafjallajokull Volcano – Evocation Images – shutterstock.com

Finalmente chegando à lagoa, um carro anfíbio mergulha na largura cheia de icebergs. E é lindo.

Por excursão, o passeio custa a bagatela de R$ 480 (ouch!)

Blue Lagoon

Esse passeio é super turístico, é um lago que quando você entra se sente numa água morna com outros velhinhos, tipo o filme Cocoon. É perto do aeroporto, então é muito comum o pessoal passar lá antes de ir embora. Há tours que fazem Reykjavik-Blue Lagoon-Aeroporto. Sobre a Blue Lagoon, apenas duas dicas mutuamente excludentes:

  1. Não coloque o seu cabelo na água. A sílica faz horrores pela sua pele, mas é a pior coisa para suas belas madeixas.
  2. Faça a massagem na água. Para isso você molhará o cabelo, mas ainda assim vale a pena. Não sei como não importaram a técnica ainda.

Não é necessário pegar um passe mais caro (premium, etc), só o normal mesmo. Gaste com uma massagem mais longa. E o Chicken or Pasta aceita de presente um potinho da máscara da Blue Lagoon que vende lá.

bluelagoon

PRA DORMIR

Lights Hotel: Já falamos nesse post aqui do Lights Hotel, que é a escolha dos editores desse blog. Além de celebrar a cultura islandesa, ainda não é caro (em torno de R$ 230 reais).

Kex Hostel. Foto: Divulgação
Kex Hostel. Foto: Divulgação

KEX hostel: Os hostels na Islândia são caros (prepara-se para desembolsar em torno de R$ 100  pela cama no quarto conjugado). Mas esse hostel é super descolado, tem um café da manhã orgânico incrível, um bar super bem decorado e um restaurante com comida decente e clientes blasé. Vira point à noite, com atividades recreativas (pense show de jazz, não concurso de talentos) que os próprios locais freqüentam. Ótimo para uns drinks, que naquele clima são necessários.

Ion Hotel Adventure, Islândia
Ion Hotel Adventure, Islândia

Ion Adventure Hotel: Para quem procura um hotel de luxo no meio do nada, lugar perfeito para caçar auroras boreais, o Ion é a escolha perfeita. Ele fica ao lado do Thingvellir National Park, a 38 quilômetro de Reykjavik. O hotel conta com uma vista de tirar o fôlego, tem um restaurante de primeira com cozinha internacional, um lava spa e um bar todo revestido de vidro, oferecendo uma vista do entorno. Vale a pena investir em uma noite ao menos por lá no dia em que for visitar o Golden Circle. Preço médio diária: a partir de US$ 360.

Em Vik, no sul da Islândia, a recomendação é o Edda Vik, que tem uma localização privilegiada e fica bem próximo as praias de areia negra. Atenção para quem estiver de carro: não há muitos restaurantes na região e não há cozinha à noite no hotel, então caso vá jantar na cidade, a recomendação é chegar no máximo às 20h/20h30 para não ficar na mão.

Quem for até Höfn, recomendamos o Hotel Höfn, que tem também tem uma ótima localização, bons quartos e um bom restaurante, que no inverno é a única opção para jantar na cidade.

Guest houses

Existem várias guest houses e B&B, inclusive alguns mais baratos que hostel. Um dos mais bacanas é o Our House. Ele sai R$ 200  mais ou menos para duas pessoas (preços de Setembro a Maio). Tem apenas 5 quartos.

E tem também o bom Airbnb com ótimas opções. Caso vá de Airbnb, a dica é ficar nas mediações da rua Laugavegur entre Snorrabraut e Laekjagarta até a altura da igreja Hallgrimskirche, assim você raramente precisará de táxi, algo bem difícil de conseguir na madrugada.

 

PARA COMER

Opções em Reykjavik não faltam. A cidade, apesar de pequena, tem mais de 130 clubes e restaurantes só na região central. Algo bem peculiar por lá é que, mesmo o restaurante tendo uma cozinha específica, será muito comum encontrar pizza e opções mexicanas no cardápio, mesmo que você esteja num bistrô francês.

Dill Restaurant, Islândia
Dill Restaurant, Islândia

Dill Restaurant: Esse é famoso por ser o melhor (e mais caro) restaurante de Reykjavik. Fica na Casa Nórdica, projetada pelo arquiteto Alva Aalto, a 15 minutos do centro. São apenas 30 lugares, então é difícil conseguir reserva. Falta só o Sr. Michelin ir lá dar estrelas.

Sajavargrillid (Seafood Grill): Um dos nossos restaurante favorito na cidade. Honestamente a comida é mind-blowing. Peça o menu de 4 pratos para conseguir experimentar de tudo um pouco. Garçons simpáticos, ambiente agradável e o preço é honestíssimo pela qualidade. Faça reserva antes para garantir um lugar, mas pode tentar chegar chegando que é capaz de conseguir lugar.

Peçam o peixe bagre no sjavargrillid
Peçam o peixe bagre no Sjavargrillid

 

 

SaegreifinnEsse é um dos pequenos restaurantes no velho porto conhecido internacionalmente pela sopa de lagosta. Baratinha, turística, e que ainda assim, vale a ida.

DRINKS PARA ESQUENTAR OS OSSOS

As dicas são para curtir bons drinks em Reykjavik.  Algo bem comum por lá e que vale muito a pena é o happy hour, quando você toma 2 cervejas e paga 1. O horário do happy hour é entre 17 e 19h.

Kaldi Beer: Além de ter happy hour, que fora do Brasil realmente significa algo (descontinhos ou bebida 2 por 1), tem uma cerveja islandesa incrível, e cheio de locais.

Foto http://isaacjamesbaker.blogspot.com.br/
Foto http://isaacjamesbaker.blogspot.com.br/

Lebowski Bar: assim com o nome já indica, o bar tem o filme como tema na decoração. A lista de drinks conta com 17 tipos diferentes de White Russian. A trilha sonora é bem rock’n roll, o lugar bem frequentado. Imperdível.

CHACOALHANDO O ESQUELETO

Kaffibarinn: Diria que se você tiver 8 noites em Reykjavik, vá as 8 noites no Kaffibarin. A melhor música da cidade, e o melhor lugar para fazer amigos. Uma vibe meio islândico-indie, mas obviamente é para quem curte um esquema meio inferninho. Não se irrite com os locais passando na frente, eles meio que tem um ‘direito adquirido’. E islandeses são péssimos para enfrentar fila e fazem de tudo para furar. O único problema é que acaba. À 1 da manhã em dias de semana, e umas 5 às sextas e sábados.

kaffinbarin
Foto www.foodrepublic.com

É preciso comentar também que a azaração rola solta. Não é raro ver o pessoal usando o ÍSLENDIGABÓK. Um app na balada para saber se você é parente do seu hookup potencial.

Pausa para história: Os islandeses não tem nome de família… o sobrenome significa “Filha do Peter” ou “Filho do X”. Então não se sabe se quem você está pegando o primeiro em primeiro grau. Daí o governo ajudou a galera e montou uma árvore genealógica na internet. Que logo virou um app, que é a sensação na balada reykjaviquenha saber qual a distância do cara que está ficando. Acima de dois graus, tá tudo bem.

Data

02 de December, 2013

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