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Fru.to 2020: Diálogos com o alimento

Quem escreveu

Vanessa Mathias

Data

28 de January, 2020

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Apresentado por

Esse fim de semana, dos dias 24 e 26 de janeiro, na Unibes Cultural rolou a terceira edição do Fru.to – Diálogos com o Alimento. Confira tudo que rolou por lá!

O Fru.to é definitivamente um dos meus eventos favoritos em São Paulo, como já contamos aqui e aqui. Não há nada tão necessário como discutir a importância da alimentação, sustentabilidade, desafios e soluções do nosso tempo e para os próximos anos. Idealizado e criado pelo chef Alex Atala e o produtor cultural Felipe Ribenboim, o evento que conta com a curadoria do Instituto ATÁ e surgiu da necessidade de discutir e dialogar sobre a reorganização e os problemas que envolvem a alimentação mundial, levando a todos a mensagem de que o maior elo entre a natureza e a cultura é a cozinha. 

Fru.to: Alex Atala e Felipe Ribenboim. Foto por Ricardo Dangelo

Para 2020, os temas de destaque do Fru.to colocaram no holofote questões em torno da ‘água’ e do ‘alimento como saúde’, além de reciclagem e ao reaproveitamento de materiais.

O Fru.to abordou como um dos temas centrais a questão da água, pois entende a necessidade de se questionar sobre o uso de um recurso natural esgotável. Foram debatidos assuntos relacionados ao acesso, tratamento, distribuição, cuidados em nascentes, lençóis freáticos e outros temas que focam na importância da água para o meio ambiente e a humanidade, principalmente vindo da América Latina, onde concentram-se grandes reservas hídricas mundiais, Amazônia e Patagônia.

Quase todos os palestrantes mencionaram uma conta básica – porém não disseminada, sobre a disponibilidade de água no planeta:

O principal ensinamento é que não temos uma crise da água – e sim uma crise sobre gerenciamento da água: como Milton Antonio da Matta, da UFPA, fez questão de frisar. Foi descoberto o SAGA – Sistema Aquífero Grande Amazônico – que se estima possuir no subterrâneo 3 vezes mais água que o Guarani, conhecido como o maior até então.

No sábado, por sua vez, foi a vez de se falar sobre reciclagem, resíduos, embalagem e rótulo. Entre as entidades presentes nas palestras, podemos citar o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, Aliança Resíduo Zero e do Engajamundo – organização que nasceu a partir de um encontro na ONU. Para além do consumo, fomos convidados a repensar a maneira com que a produção de alimentos impacta a sociedade quando pensamos sob a ótica da água. Destaque para Paula Costa e Valter Ziantoni, da PretaTerra, consultoria agroflorestal que se propõe a criar designs replicáveis de sistemas de produção regenerativos, combinando dados científicos, informações empíricas e conhecimentos tradicionais com inovações tecnológicas.

Fru.to 2020 @ Unibes Cultural. Foto: Ricardo Dangelo

O dia 26 do Fru.to já se iniciou com uma inovação: pela primeira vez, o evento foi aberto ao grande público. Iniciando com o Planeta Oca, um show voltado à família que conta com músicas que passam pelo tema central do evento – a água -, bem como o cuidado com o planeta, lixo e biomas do Brasil. Ao longo do dia, houve a exibição de diversos documentários que reforçaram as ideias tratadas nos dias anteriores, tais como “Ilha das Flores”, “Muito Além do Peso” e “Nuvens dei Veneno”. Em paralelo, ocorreram duas mesas de debate, ambas mediadas pela sommelier Gabriela Monteleone.

Sob a temática “Fermentados” e com a presença de especialistas da área, a primeira discussão girou em torno da cerveja, do pão e do vinho. Em quase duas horas de bate-papo, o assunto que permeou as falas foi o papel da indústria alimentícia na preservação (ou não) da cultural local. Ao mesmo tempo que existe uma tendência em vilanizar tal indústria, não podemos nos esquecer que ela foi a responsável por conseguir alimentar, ao longo de um século, um aumento de 600% da população mundial. Ainda assim, em última instância, trata-se de uma discussão ética, pois indústrias tem o poder de decidir sobre o impacto que podem (e querem) gerar.

Falando sobre “Bebida Brasileiras”, a segunda mesa já começou com uma provocação: “a maior expressão brasileira, no copo, é a cachaça”. A cachaça – e a cana-de-açúcar – possui uma importância cultural, econômica, histórica. Mas será que valorizamos essa bebida, a ponto da mesma estar presente no cotidiano? Por que beber vinho é sinônimo de status, mas costumamos pensar na cachaça como bebida “pra encher a cara”? No viés da agrobiodiversidade alimentar, podemos ir mais longe: você já consumiu tiquira, o destilado de mandioca? Esse tubérculo tem o Brasil como país de origem, e seu destilado é comum na região Nordeste do país. Quantas outras possibilidades ainda não são exploradas, por que achamos que “a grama do vizinho é sempre mais verde”? Por fim, o consenso foi que existe uma necessidade latente de construir espaços voltados ao diálogo ao redor da cadeia do alimento.

Fru.to 2020 – Unibes Cultural. Foto: Ricardo Dangelo

E não é justamente isso que o Fru.to se propõe? “Uma plataforma de conexão, engajamento e mobilização de ações, projetos, pessoas, organizações e empresas voltadas para solucionar os grandes desafios da produção de alimento bom, limpo e justo, no mundo hoje e nos próximos anos”.

Contribuiu: Vanessa Mathias & Diogo Tomaszewski. Apaixonado por Alimentação e Inovação, é fundador do blog de alimentação social Da Fome à Gastronomia, acredita que a comida muda o mundo e que coentro é um assunto polêmico.

Quem escreveu

Vanessa Mathias

Data

28 de January, 2020

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Apresentado por

Vanessa Mathias

Seu exacerbado entusiasmo pela cultura, fauna e flora dos mais diversos locais, renderam no currículo, além de experiências incríveis, MUITAS dicas úteis adquiridas arduamente em visitas a embaixadas, hospitais, delegacias e atendimento em companhias aéreas. Nas horas vagas, estuda e atua com pesquisa de tendências e inovação para instituições e marcas.

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