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SP-Arte 2018: tudo que você precisa saber

Quem escreveu

Victor Gouvea

Data

12 de April, 2018

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A cena artística brasileira está em polvorosa. Talvez você até já saiba da existência da SP-Arte, a maior feira de arte da América Latina, que acontece em São Paulo de 12 a 15 de abril no Pavilhão da Bienal. Mas muita gente pensa: poxa, eu não posso comprar nada do que estará à venda lá, é como ir ao shopping no Natal sem um tostão no bolso. Enganou-se, parceiro. Quase 90% das pessoas que visitam a SP-Arte estarão lá só para bisbilhotar. Se pechinchar bem, dependendo do seu poder aquisitivo, até se acha uma coisa ou outra que os mortais conseguem pagar.

SP-Arte - fachada do pavilhão. Foto: Jéssica Mangaba para SP-Arte/2018
SP-Arte – fachada do pavilhão. Foto: Jéssica Mangaba para SP-Arte/2018

Para entusiastas é uma oportunidade singular de ver diversas obras que nunca foram exibidas por aqui, e a maioria seguirá direto para coleções privadas — pode ser que nunca mais encontrem o grande público. Também é a chance de ver trabalhos de gringos que ainda não povoam museus brasileiros, e obras de brasileiros que vão-se embora para a gringolândia sem passagem de volta.

Vale lembrar que esse é um panorama da arte que vende bem, não necessariamente do que há de mais vanguardista, inovador ou transgressor sendo realizado no mundo. Nem por isso menos interessante. Galerias prestigiadas aportaram aqui com seus catálogos recheados de nomões das artes.

Eu levei 7 horas e meia sem parar para um salgadinho. Só um xixi rápido. Mas vi cada coisinha que está exposta lá, e dedicando alguma atenção a elas. Como há mais de 140 galerias de 15 países (alô você que sofre de F.O.M.O, se danou), é melhor saber o que priorizar. Para começar, cada piso do pavilhão da Bienal tem um porquê, e vou dar a localização das minas de ouro para você anotar no seu mapa quando chegar lá.

No térreo você vai encontrar galerias mais novas, e o que a curadoria chamou de “Solos”, diversas obras de um único artista reunidas. Eu deixaria para o final se sobrar tempo porque, apesar de ter coisas bastante relevantes, não é o chantilly da SP-Arte.

O primeiro andar guarda as galerias mais clássicas, com vasinho de planta para decorar o ambiente e obras de expoentes do século 20. É para quem já conhece um pouco de arte e quer encontrar artistas consagrados. Logo de cara uma série imensa de Roy Liechtenstein e uma Tarsila do Amaral dão as boas vindas na Galeria Frente (G1). Vê-se a rodo Portinari, Di Cavalcanti, Lasar Segall, Mira Schendel, Cícero Dias, Abraham Palatnik e Tomie Ohtake. Ah, você quer gringos também? Na Fólio (F5) tem pinturas de Matisse a Miró, de Man Ray a Vasarely. A vizinha, ArtEEdições (F6) tem uma série do Anish Kapoor, uma caveira do Damien Hirst e, ame ou odeie, uma série de frutas do Ai Weiwei. Na Pinakotheke (F1) tem uma instalação maneira do Nelson Leirner e até um “Bicho” da Lygia Clark, que está custando pequenas furtunas no mercado internacional. Dois dos meus artistas favoritos estão espalhados por esse primeiro andar também, Cruz Díez e Jesús Rafael Soto — procure as obras de Op Art deles para dar um barato.

Ai Wei Wei e Olafur Eliasson. Foto: Leo Eloy para SP-Arte/2018
Ai Wei Wei e Olafur Eliasson. Foto: Leo Eloy para SP-Arte/2018

É pro segundo andar, porém, que as atenções estão voltadas: as galerias e obras mais importantes da feira estão ali. Essa parte é aos iniciados, que gostam bastante de arte, não se intimidam e querem explorar o que há de mais fresco rolando. As gringas são incontornáveis: assim que se sobe a escada rolante você desemboca na Neugerriemschneider (K3), de Berlim, com uma instalação imensa prateada com rodas de bicicleta dele, o Ai Weiwei. Também tem duas de Olafur Eliasson, entre outras. A White Cube (J2), de Londres, não fica por baixo com neon da Tracey Emin e mais coisas interessantes.

Na Nara Roesler (J1), uma das mais prestigiadas do Brasil, você vai ver um trio de esculturas de vidro assinado por Vik Muniz que não é muito comum na obra dele. O artista foi até Murano, na Itália, para aprender a técnica. Também não deixe de visitar as outras proprietárias da porra toda em São Paulo: Luisa Strina (J3) (tem Lygia Pape, Cildo Meirelles e mais Olafur Eliasson, com um toco pintado em escala cromática); a Millan (K2); a Emmathomas (H16); a Fortes D’Aloia & Gabriel (K7) e a Vermelho (K6), que se preocupou em afixar explicações simpáticas junto ao nome do artista para quem gosta de ser pego pela mão para entender melhor o que está rolando.

Boas surpresas que eu recomendo com estrelinha: Dan (L6) e as obras do LABau e do duo Grönlund e Nisunen. A Zipper (L4) está com uma curadoria incrível de esculturas e instalações, como os peixinhos coloridos (vivos!) do artista Romy Pocztaruk. Como conjunto da obra, a que eu mais gostei foi a Anita Schwarz (H8) e, não por acaso, era a que mais acumulava pontinhos vermelhos logo no dia de estreia (para quem não sabe, eles sinalizam que as obras foram vendidas). A Carbono (H2) também fez uma seleção boa de artistas graúdos como Leda Catunda.

SP-Arte: Coletivo Protovoulia (Foto: Ênio Cesar para SP-Arte/2018)
SP-Arte: Coletivo Protovoulia (Foto: Ênio Cesar para SP-Arte/2018)

Seguindo os passos da Documenta de Kassel e da Bienal de Veneza, a SP-Arte inaugurou esse ano uma área dedicada às performances, sinalizando a crescente importância da linguagem. Fica no segundo andar e tem ao menos uma imperdível: do chef/artista Gabriel Vidolin. Ele te convida silenciosamente a se sentar na mesa e oferece um sabor, um aroma, algo para você provar. Faz pensar em várias coisas e ninguém sai indiferente.

Se ainda tiver tempo, o que eu duvido, o terceiro andar é dedicado ao design (nem vi!), e no primeiro há estandes editoriais, como o da deusa dos livros Taschen, e de museus (tampouco consegui botar os olhos em cima). Para o caso de fome não faltam opções, sendo a mais badalada o restaurante Seen, com sede no Hotel Tivoli Mofarrej.

Além da feira em si, que pode ser explorada em tours guiados, rola uma programação extensa de galerias abertas até tarde com exibições frescas como as noites do outono paulistano — e festinhas descoladas. Hoje (quinta-feira) e sexta haverá debates gratuitos sobre, claro, arte. No sábado também vão acontecer visitas a ateliês de artistas na cidade. Para checar a programação completa fique de olho no site: www.sp-arte.com. A SP-Arte vai até dia 15 de abril.

*Foto destaque: SP-Arte por Jéssica Mangaba

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Victor Gouvea

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12 de April, 2018

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