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Obra imersiva do Julio Le Parc é a exposição que você não pode perder

Quem escreveu

Renato Salles

Data

30 de January, 2018

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Em cartaz desde o final de novembro, a exposição ‘Julio Le Parc: Da Forma à Ação‘ é a maior retrospectiva do trabalho do artista argentino de 89 anos no Brasil. A mostra, que foi apresentada no Perez Art Museum Miami em 2016, chegou aqui adaptada para o espaço expositivo do Instituto Tomie Ohtake, mas com a mesma curadoria de Estrellita Brodsky, e mais de 100 obras do mestre da op-art e da arte cinética. Certo. Essa é a parte informativa e jornalística desse texto. Agora vamos falar dos motivos pelos quais você tem que ir a essa exposição, que dura até 25 de fevereiro.

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Os primeiros trabalhos de op art – foto: Renato Salles

Le Parc se mudou nos anos 50 para Paris e de lá nunca voltou. Nos anos 60, ele fundou e integrou o Grupo de Pesquisa de Artes Visuais (GRAV), um coletivo que tinha como objetivo acabar com as interferências entre obra de arte e público. Foi assim que ele começou seus estudos da abstração geométrica do espaço, que pode-se ver logo no começo da mostra, na parte denominada ‘Da Superfície ao Objeto‘. Figuras bidimensionais em preto e branco adquirem movimento e sentido no olhar do espectador. O desenho estático só ganha vida na percepção de quem o vê. Era sua incursão no movimento da arte ótica, da qual Le Parc viria a se tornar um dos maiores expoentes. Depois disso, entramos nos seus estudos que misturam geometria, movimento e cor. Le Parc trabalha com uma escala de 14 tons que interagem nas mais diferentes formas, criando telas que parecem explodir em policromias diversas. Ondas, quadrados, nuvens de pontos em progressão sequencial de cor, com impacto visual é bem forte. Com certeza essa parte é um prato cheio para quem gosta de tirar selfies no museu.
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‘A Longa Marcha’ é composta por 10 telas contíguas – foto: Renato Salles

Adiante, o trabalho pula para fora do plano bidimensional, e é aqui que o visitante passa a realmente participar das obras. Le Parc aprofunda sua pesquisa no campo da percepção visual da luz e do movimento. O segmento ‘Deslocamento; Contorções; Relevo‘ começa por objetos tridimensionais que se movem, como tiras de metal espelhado que serpenteiam sobre fundos listrados e caixas de luzes coloridas que se movem ao toque de um botão. As obras progridem para objetos esculturais que flutuam no espaço vazio das salas escuras, labirintos de espelhos que causam uma sensação de desorientação, e jogos de luzes de efeito etéreo. É impossível passar por todos os trabalhos sem ser arrebatado pela proposta do artista.
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‘Continuel Mobile’ (1962) – foto: Renato Salles

A exposição termina na parte ‘Jogo & Política da Participação‘, que é quando a obra de Le Parc culmina em instalações imersivas que só fazem sentido quando você se envolve com elas. Ainda no átrio de fora, uma grande escultura de espelhos sobre um quadrado vermelho distorce o olhar quando alguém se move por trás dela. Um móbile de lâminas de vidro simula uma chuva que é ao mesmo tempo delicada e cortante. E por último, um verdadeiro playground convida a todos, crianças e adultos, a brincar com a arte. Óculos e espelhos que distorcem a visão, bancos com molas, uma queimada sobre um tabuleiro instável, a arte vira jogo e o espectador vira arte.
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‘Lumière Alternée’ (1966) – foto: Renato Salles

Assim como o trabalho de grandes artistas como Lygia Clarke, Cildo Meireles, Helio Oiticica, a obra de Le Parc é um convite à imersão na arte de forma participativa. Ele acredita que o engajamento do público é uma forma de empoderamento, e que a arte serve como um laboratório social. A retrospectiva que esta em cartaz é um excelente exemplo de como a experiência de arte pode ser muito mais abrangente e complexa do que apenas ver e gostar ou não.
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A última sala é um grande playground para crianças e adultos – foto: Renato Salles

Julio Le Parc: Da forma à ação
Instituto Tomie Ohtake – Av. Brigadeiro Faria Lima, 201
De terça a domingo, das 11h às 20h
Até 25 de fevereiro

Grátis

Quem escreveu

Renato Salles

Data

30 de January, 2018

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Renato Salles

Para o Renato, em qualquer boa viagem você tem que escolher bem as companhias e os mapas. Excelente arrumador de malas, ele vira um halterofilista na volta de todas as suas viagens, pois acha sempre cabe mais algum souvenir. Gosta de guardar como lembrança de cada lugar vídeos, coisas para pendurar nas paredes e histórias de perrengues. Em situações de estresse, sua recomendação é sempre tomar uma cerveja antes de tomar uma decisão importante. Afinal, nada melhor que um bom bar para conhecer a cultura de um lugar.

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Comentários

  • Sabem dizer se vai abrir durante o Carnaval?
    - Danilo Cardoso
    • Acabei de me informar lá, e eles fecham de 9 a 13 de fevereiro.
      - Renato Salles
      • Aaah, que pena. Muito obrigado pela info! Sabe dizer se rolaria uma lista de eventos durante o Carnaval? Acho que pode ter mais gente interessada em eventos 'alternativos'. :P
        - Danilo Cardoso
        • Oi Danilo, vamos ter uma programação além do carnaval nas "boas do finde", no Chicken or Pasta - www.chickenorpasta.com.br. Ele é publicado na quinta-feira :)
          - Lalai Persson

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Vivemos em um mundo de opções pasteurizadas, de dualidades. O preto e o branco, o bom e o mau. Não importa se é no avião, ou na Times Square, ou o bar que você vai todo sábado. Queremos ir além. Procuramos tudo o que está no meio. Todos os cinzas. O que você conhece e eu não, e vice-versa. Entre o seu mundo e o meu.