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Borgo Mooca: a verdadeira comida simpática, gostosa e acolhedora.

Quem escreveu

Jo Machado

Data

26 de February, 2018

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Apresentado por

Comer bem não é só saciar o paladar e o estômago. Comer bem também é sentir-se confortável, acolhido e obviamente ser bem atendido. É inegável que a gastronomia paulistana – e mundial – vem tomando formas mais caseiras, mais receptivas, aconchegantes e menos pretensiosas. Culpa do tão esperado fim da gourmetização e o começo de um movimento que trata a comida como ela deve ser tratada: como comida!
Caipira que sou, sempre torci por mais lugares com essa pegada “casa de mãe” onde a dedicação e o amor empregados no preparo dos pratos sejam mais latentes que a estrelas renomadas. E felizmente tenho visto isso acontecer cada vez mais em São Paulo. Felizmente!

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Cozinha aberta, é só entrar.

Foi buscando essa onda de prezar por lugares onde a história, o amor e a dedicação de quem prepara a comida é refletida na mesma, que me deparei com o Borgo Mooca. Que a Mooca é um reduto da comida roots, da italianada feliz e receptiva, todos sabemos. Mas eu nunca imaginei encontrar algo além dos grandes pratos de macarrão da mamma em cantinas cheias de famílias. Tolinho que sou!
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O ambiente mais aconchegante do Borgo.

Já na chegada, o Borgo surpreende. Em uma ruazinha pacata, em uma das laterais de Clube Juventus, fica esse sobradinho dos anos 50 com cara de casa de vó e que esconde grandes surpresas. Com um atmosfera meio vintage-maluquete o interior é, além de convidativo, muito curioso. Do banheiro ao quintal, da cozinha à varanda, tudo pede uma espiadinha!
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Chef Matheus e sua turma.

Se por acaso houver alguma espera, o que provavelmente não acontece normalmente, a simpatia e o carinho dos atendentes fazem a vez para a experiência continuar a surpreender. E ao sentar-se à mesa, certamente em algum momento o chef Matheus vai passar para cumprimentá-lo. Mas não com pompa de chef estrelinha, mas sim como um amigo que parece te conhecer há anos. É um cara muito legal!
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Dá pra perceber o quão o Matheus é carismático, não?

Depois de já ter trabalhado com grandes nomes da gastronomia brasileira, viajado o mundo, feito especializações na Itália, e passado um tempo trabalhando com comida de rua, o Matheus seguiu o sábio conselho da esposa Bianca e voltou para a cozinha. Tirando suas inspirações das receitas da nonna, no jazz, no blues, nas suas diversas experiências mundo afora, e utilizando técnicas gastronômicas muito bem aplicadas, o chef cria pratos fartos e com muita personalidade.
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Tá no caminho certo, Matheus!

“Eu estou super feliz pois voltei a fazer o tipo cozinha que eu acredito!”

Definir a cozinha do Borgo Mooca é um pouco arriscado para uma primeira experiência. O que dá para afirmar que além do menu curto e objetivo, você vai encontrar muita criatividade e personalidade. Mas também que é uma cozinha muito fresca e sazonal, que muda semanalmente. Então creio que seja mais sensato falar sobre o que eu pude provar naquele dia.

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O delicioso pão da casa com manteiga e cebola carbonizada. Meu pai!

Para abrir os trabalhos, um pão caseiro com azeite de manjericão e uma manteiga coberta com cebola carbonizada. Senhor-pai-do-céu! Poderia viver desse pão com manteiga.
Na sequência, um bolinho de arroz carnaroli atomatado de lamber os beiços.
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O bolinho de arroz carnaroli atomatado.

Já o prato principal, eu fui pessoalmente na cozinha ver do que se tratava. Um tradicional cacio e pepe, feito por anjos e acompanhado de um filé de copa lombo à milanesa que dormiu em uma piscininha de leitelho antes de ser empanado. De morrer pela boca!
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O cacio e pepe do amor.

Os amigos que acompanhavam ficaram com o Atum Flip Flap, um lombo de atum mal passado, com vinagrete de polvo e purê de favas. Favas, são amor mano! Ah! E o Matheus ainda deu um toque final com pancheta defumada na casa. Salve-se quem puder!
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O lombo de atum dos amigos, que obviamente roubei um pedaço.

Acompanhando tudo isso, alguns rótulos de vinho, cervejas artesanais bem diferentes ou um delicioso chá preto com limão siciliano bem gelado. Foram 4, no meu caso.
Já para a sobremesa, uma prova do poder criativo e adaptativo da cozinha do Borgo. Recém chegado do Recife, o chef aproveitou o bolo de rolo que trouxe na bagagem para preparar um prato simples e delicioso: a Cassata Siciliana
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A sobremesa mais criativa dos últimos tempos.

“Eu derrapo à beça, eu erro. É natural que toda semana eu mude o cardápio.” – assume ele.

Não nego que me peguei muito eufórico e até inflamado com a experiência no Borgo Mooca. Ouvi quem disse ter vivido o contrário do que eu vivenciei. Que achou a comida bem “marromenu” e o atendimento/simpatia do pessoal bem dentro da média paulistana. Discordo 100%! Vivi no Borgo ótimos e inspiradores momentos. Não só no paladar, mas na troca entre quem cozinha e serve, e quem senta e saboreia. Tem mais do que só comida envolvida na arte de servir. E replico: é esse tipo de cozinha que particularmente tenho paixão e fomento sempre que possível. Parabéns, Matheus! Já sou seu fã. Vida longa ao Borgo.

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Até breve, xodózinho!

Antes de terminar, o Borgo funciona preferencialmente com reserva. Então se te convenci, liga e reservar para não correr risco de perder a viagem!
Ah! E obrigado Bianca!
Borgo Mooca
Rua Com. Roberto Ugolini, 129 – Parque da Mooca

Quintas e sextas, das 18h30 às 23h; sábados, das 12h às 23h; domingos das 12h às 17h.
Reservas: 11 9704.17543

Quem escreveu

Jo Machado

Data

26 de February, 2018

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Apresentado por

Jo Machado

O Jo é do tipo que separa pelo menos 30% do tempo das viagens para fazer o turista japonês, com câmera no pescoço e monumentos lotados. Fascinado pelas diferenças culturais, fotografa tudo que vê pela frente, e leva quem estiver junto nas suas experiências. Suas maiores memórias dos lugares são através da culinária, em especial a comidinha despretensiosa de rua. Seu lema de viagem? Leve bons sapatos, para agüentar longas caminhadas e faça uma boa mixtape para ouvir enquanto desbrava novos lugares. Nada é melhor do que associar lindas memórias à boas canções.

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    Vivemos em um mundo de opções pasteurizadas, de dualidades. O preto e o branco, o bom e o mau. Não importa se é no avião, ou na Times Square, ou o bar que você vai todo sábado. Queremos ir além. Procuramos tudo o que está no meio. Todos os cinzas. O que você conhece e eu não, e vice-versa. Entre o seu mundo e o meu.