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Montparnasse, dos ateliês e cafés

Quem escreveu

Alecsandra Matias

Data

17 de January, 2017

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Na virada do século XIX para o XX, todos os caminhos levavam para Montmartre, o bairro oficial da boemia francesa. Era fácil esbarrar com pintores, como Tolouse-Lautrec, Van Gogh, Renoir e Degas nos cabarés e ruas do pedaço.

Depois, na primeira década do século novo, um pessoal diferente surgiu no bairro: Pablo Picasso, Amedeo Modigliani, Apollinaire, Juan GrisGeorges Braque, e outros. Sem um tostão furado, eles viviam em ateliês improvisados como o Bateau Lavoir, soit dit en passant, lugar onde nasceu o cubismo.

Bateau Lavoir, Montmartre, Wikipedia.
Bateau Lavoir, Montmartre, Wikipedia.

Com o passar dos anos, esses artistas foram se deslocando mais para a margem esquerda do rio Sena. Lá os aluguéis dos ateliês eram mais baratos e existiam cafés menos sofisticados. O novo bairro era Montparnasse (inspirado no monte Parnaso, montanha grega, morada do deus Apolo e de suas nove musas). O nome não poderia ser mais adequado, não?

Nos anos de 1920, conhecidos como Les Années Folles (os anos loucos) e na década seguinte, Montparnasse era o ponto de encontro de artistas, escritores e compositores vindos dos quatro continentes. Inclusive os brasileiros Emiliano Di Cavalcanti, Cícero Dias, Tarsila do Amaral e outros.

Surgiram os ateliês coletivos, como La Ruche, e ruelas com ateliês de artistas, entre elas a Avenue du Maine, onde esteve o Musée du Montparnasse e agora é Villa Vassilieff. As grandes academias de arte também se instalaram em Montparnasse, como a Grande Chaumière (em funcionamento até os dias atuais), a Colarossi e a Ranson (fechadas nas décadas de 1930 e 1950, respectivamente). No mesmo período, foi criada a Cidade Internacional Universitária de Paris. O objetivo era favorecer as trocas entre estudantes do mundo inteiro. Hoje, são 40 edifícios que atendem cercada de 10 mil estudantes.

Cité internationale universitaire de Paris. Facebook.
Cité internationale universitaire de Paris. Facebook.

Nos bares e cafés se reuniam filósofos, artistas, escritores, modelos e prostitutas para beber, dançar, conversar e se atualizar sobre as novas tendências. Esses cafés e bares ainda estão por lá e em plena atividade: La Rotonde, Le Dôme e La Coupole são exemplos vivíssimos. Nesses lugares nasceu o surrealismo.

La Rotonde, Montparnasse. Foto: Henrik Berger Jørgensen. Flickr
La Rotonde, Montparnasse. Foto: Henrik Berger Jørgensen. Flickr
La Coupole. Foto: Phil Beard. Flickr.
La Coupole. Foto: Phil Beard. Flickr.

Os arredores do bairro serviram e continuam servindo como fonte de inspiração para muitas obras de arte. Entre elas, a Gare de Montparnasse, uma das 6 grandes estações de trem de Paris. Nas pinturas de Giorgio De Chirico, a Gare de Montparnasse sempre surge poderosa. Ela faz as ligações de Paris para as cidades de Tours, Bordeaux, Rennes e Nantes, além de ser uma estação de metrô (Montparnasse-Bienvenue).

Num lugar de tanta vida, duas atrações do bairro se ligam ao “império da morte”: as catacumbas abertas ao público desde o século XIX e o cemitério, onde estão enterrados Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir.

Catacumbas, Paris, Foto: El Primer Paso Blog. Flickr.
Catacumbas, Paris, Foto: El Primer Paso Blog. Flickr.

Por último, a Tour Montparnasse, a segunda torre mais alta da Europa, com 209 metros de altura, domina o bairro. O bar, restaurante e observatório no último andar oferecem uma vista panorâmica de Paris. Mas não se engane, ela foi construída, em 1973. Muito depois dos nossos artistas terem desbravado o Monte Parnaso!

Fotografia destaque: Montparnasse. Foto: Spry. Flickr.

Quem escreveu

Alecsandra Matias

Data

17 de January, 2017

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Alecsandra Matias

Rata de galerias e museus, não perde a oportunidade de ir procurar aquela tela, escultura ou monumento famosos que todos só conhecem pelos livros.

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Comentários

  • Maravilha de artigo!!!
    - Lulu Prado
    • Obrigada, Lulu! Você leu o post sobre Montmartre? Acho que está bacana também!!! Beijos.
      - Alecsandra Matias
  • Alecsandra o Antônio Bandeira e o Caciporé frequentaram muito a boemia parisiense. Parabéns pelo seu artigo.
    - Flávia Rudge Ramos
    • E não é, Flávia! Esses artistas brasileiros abalaram Paris! Beijos
      - Alecsandra Matias

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