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Puerto Varas, a capital gastronômica do sul do Chile

Quem escreveu

Renato Salles

Data

24 de February, 2016

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O século 19 trouxe muitos colonos europeus para a América do Sul. No Chile, alemães e suíços vieram para se instalar ao redor do Lago Lanquihue, o segundo maior do país, a cerca de 1.000 Km ao sul de Santiago. As tradições germânicas seguem forte até hoje em toda a região, indo da arquitetura das casas aos costumes e à culinária. A atmosfera alpina pode ser percebida em todos os pequenos vilarejos ao redor do lago, com vista privilegiada dos gigantes vulcões Osorno e Calbuco. Este último entrou em erupção em abril de 2015, algo que não acontecia desde 1972, mas o fato não trouxe perigo à população. Pelo contrário: foi um belo espetáculo de luzes e fumaça.

A maior e mais conhecida cidade da região é Puerto Varas, que recebeu a alcunha de capital gastronômica do sul do Chile. Quem quer fazer o Cruce Andino, inevitavelmente vai começar ou acabar a viagem lá. Ela fica na borda sul do lago, com vista privilegiada das montanhas e vulcões ao redor. Para explorar a cidade, dois ou três dias são suficientes, mas dá vontade de ficar bem mais. Eu acho que o melhor jeito de desbravar a cidade é de bicicleta, que é o que fiz. Em um dia, dá para conhecer os pontos principais, como a Igreja Sagrado Coração e a “zona típica” em volta, a feira de artesanato local, a estátua de ferro de uma mulher que saúda o lago, e alguns lugares bem pitorescos, como o divertido Museo Pablo Fierro.

Escultura na beira do lago
Escultura na beira do lago

Para comer, dá para se dividir entre os restaurantes que preparam comida alemã típica, com destaque para os Kuchen (bolos) com recheios de framboesa ou mirtilo, e os de comida chilena, em especial os de frutos do mar, claro. Um dos restaurantes mais tradicionais é o Café Danés, que mistura no cardápio os Kuchen com empanadas típicas chilenas. Só fique atento porque eles não aceitam cartões de crédito. Os melhores frutos do mar da cidade estão no elegante Casavaldés, que se debruça na água e tem uma vista espetacular, e no La Olla, mais simples, mas com porções bem fartas. Uma grata surpresa é o simpático La Jardinera. A casinha rústica, mas aconchegante esconde uma culinária internacional de primeira qualidade. Cansou da comida local? O Bravo Cabrera serve, entre outras coisas, uma pizza deliciosa de massa fininha e crocante, junto com grandes copos de cerveja artesanal local.

Quem estiver lá no frio, vai aproveitar muito os cafés da cidade para esquentar os ossos. O La Gringa vale a pena pelos cookies e bolos que acompanham o café. O Pellin tem vários doces deliciosos, como galletas, manjares e cheesecake, que acompanham bem o chocolate quente. Quem quer só um espresso rápido, pode aproveitar o Café A Pié, que fica no fundo de uma Romiseta estacionada em uma pracinha em frente ao lago. E para levar para casa um pouco do sabor de Puerto Varas, uma passadinha no Müdolph é obrigatória. Esse empório vende, além dos chocolates artesanais, geléias, azeites, vinagres, conservas, molhos e muito mais. Também não deixe de levar um pote de mel de ulmo. Essa árvore, que só existe na Patagônia chilena, produz uma florzinha branca que dá uma coloração branca e um perfume muito especial ao mel.

Feira de artesanato local
Feira de artesanato local

Hospedagem em Puerto Varas tem aos montes e dos mais variados tipos. Você pode se hospedar no grande hotel do cassino ou em uma pequena cabana. O que todos tem em comum é o conforto. Eu me hospedei em dois hotéis diferentes entre a ida e a volta, ambos incríveis e que recomendo fortemente. O primeiro é o Cabañas del Lago, bem na extremidade onde fica a escultura, com vista privilegiada do lago e do skyline da cidade. Todo de madeira, com estrutura bem completa, mas clima de chalé na montanha. O segundo, o Hotel Patagónico, foi construído em 1936, mas em 2007 recebeu um projeto de renovação que o deixou totalmente atualizado e lindo. Os espaços são todos muito generosos, o atendimento é fantástico e eles contam ainda com um excelente restaurante, um bar e um spa.

Além de conhecer a cidade, tem muita coisa para fazer nos arredores. A natureza por si só já é um espetáculo. Em uma daytrip, seguindo o lago no lado leste, dá para visitar o Parque Vicente Perez Rosales e admirar os saltos do Rio Petrohué. Também existem passeios diários para quem encara subir os mais de 2.600m de altura do vulcão Osorno. No calor, a praia Niklitchek é uma das mais bacanas para dar um mergulho, mas o acesso é privado, então se informe antes de ir. No frio, as termas Puyehue e Águas Calientes fazem esse papel. Seguindo a noroeste, você encontra, próximo à cidade de Llanquihue, um interessante (e meio estranho) monumento à colonização alemã, no alto de um morro. A seguir, Frutillar guarda boas surpresas. A cidade, além de charmosa, é palco de um dos maiores festivais de música clássica do Chile, o Semanas Musicales, que atrai gente de todo o país e do mundo entre janeiro e fevereiro. Os espetáculos acontecem no imponente Teatro del Lago, inaugurado em 2010, dentro do lago, especialmente para o festival. Próximo ao teatro fica o Museo Alemán e vários lugares para comer um pedaço enorme de Kuchen. E um passeio imperdível também é o Museo Antonio Felmer, em Nueva Braunau. Criado em 1975, ele mantém mais de 3800 itens doados pela população local, com todo tipo de objetos usados pelos colonos alemães desde sua chegada ao Chile. Têm roupas, quadros, ferramentas, vitrolas e instrumentos musicais, objetos de cozinha e higiene pessoal e mais muita coisa. Fora que o Sr. Pedro Felmer, que cuida do museu, descendente do fundador, é uma simpatia em pessoa e sabe de todos os detalhes de cada peça.

Café na Romiseta
Café na Romiseta
Lojas de kuchen por todos os lados
Lojas de Kuchen por todos os lados
Monumento aos imigrantes alemães
Monumento aos imigrantes alemães
O suntuoso Teatro del Lago
O suntuoso Teatro del Lago
A vista da cidade a partir do Hotel Cabañas del Lago
A vista da cidade a partir do Hotel Cabañas del Lago
O curioso Museu Pablo Fierro
O curioso Museu Pablo Fierro
O Sr. Pedro, sempre solícito, conta a história de cada uma das pessoas nos quadros
O Sr. Pedro, sempre solícito, conta a história de cada uma das pessoas nos quadros

Foto do destaque: Shutterstock – sunsinger

Quem escreveu

Renato Salles

Data

24 de February, 2016

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Renato Salles

Para o Renato, em qualquer boa viagem você tem que escolher bem as companhias e os mapas. Excelente arrumador de malas, ele vira um halterofilista na volta de todas as suas viagens, pois acha sempre cabe mais algum souvenir. Gosta de guardar como lembrança de cada lugar vídeos, coisas para pendurar nas paredes e histórias de perrengues. Em situações de estresse, sua recomendação é sempre tomar uma cerveja antes de tomar uma decisão importante. Afinal, nada melhor que um bom bar para conhecer a cultura de um lugar.

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    Vivemos em um mundo de opções pasteurizadas, de dualidades. O preto e o branco, o bom e o mau. Não importa se é no avião, ou na Times Square, ou o bar que você vai todo sábado. Queremos ir além. Procuramos tudo o que está no meio. Todos os cinzas. O que você conhece e eu não, e vice-versa. Entre o seu mundo e o meu.