De repente, China

A China nos olhos de uma carioca.

Decoding

Tendências dos principais festivais de inovação e criatividade do mundo.

Eventos gratuitos SP por Catho

Guia semanal de eventos gratuitos para curtir em São Paulo

Festivais de música

Os melhores festivais de música do Brasil e do mundo num só lugar.

Fit Happens

Aventura, esporte, alimentação e saúde para quem quer explorar o mundo.

Nomadismo Digital por Treviso

Trabalhando e viajando ao mesmo tempo.

Podcast Jogo do CoP

O podcast Jogo do CoP discute quinzenalmente assuntos aleatórios.

Quinoa or Tofu

Restaurantes, compras, receitas, lugares, curiosidades e cursos. Tudo vegano ou vegetariano.

Rio24hrs

Feito com ❤ no Rio, para o Rio, só com o que há de melhor rolando na cidade.

SP24hrs

Gastronomia, cultura, arte, música, diversão, compras e inspiração na Selva de Pedra. Porque para amar São Paulo, não é preciso firulas. Só é preciso vivê-la.

Valle Nevado

Chicken or Pasta na temporada 2019 do Valle Nevado.

O renascimento do Ca'd'Oro, um dos hotéis mais emblemáticos de São Paulo

Quem escreveu

Renato Salles

Data

18 de October, 2016

Share

Algumas memórias de infância geralmente são meio borradas e abstratas, e é assim que eu me lembro do Hotel Ca’d’Oro. Meus pais nos levaram lá algumas vezes, quando tinha alguma comemoração ou enquanto ele participava de torneios de bridge. Meus irmãos, primos e eu devíamos ter entre 7 e 12 anos, e a nossa diversão era correr pelos corredores vazios, pular nas pesadas poltronas de couro escuro e tentar conseguir algum petisco direto na entrada da cozinha. Mas o que me marcou muito era o ambiente denso, a nobreza decadente, de quem aceita seu caminho lento para o fim.

Em nada aquele lugar refletia as histórias que meu pai contava dos dias de glória do primeiro hotel cinco estrelas da cidade. Ele enchia a boca para falar daquele hotel que tinha sido um dos mais elegantes de São Paulo. Naqueles quartos já tinham se hospedado gente do calibre de Luciano Pavarotti, Nelson Mandela, Pablo Neruda, Di Cavalcanti, Vinicius de Morais, sem falas nos reis da Espanha e Suécia. Naquele salão aconteceram algumas das festas mais animadas da sociedade paulistana, daquelas que a gente só consegue desejar voltar no tempo para ver. Os dias de glória tinham passado, e o hotel se entregava ao seu destino fatal junto com aquele começo da Rua Augusta, que trocava as boutiques pelos botecos, as madames pelas prostitutas.

Quem não quer um quarto com vista?
Quem não quer um quarto com vista?

De lá para cá, aquela região virou de ponta cabeça várias vezes. A boca do lixo virou point underground, depois se encheu com o agito noturno, e aos poucos recobrou seu caráter múltiplo, democrático. O hotel assistiu todas essas transformações estóico, até que seu fechamento foi anunciado em 2010. O prédio tinha sido vendido e seria demolido. Mas agora em outubro, depois de 6 anos, o Ca’d’Oro renasceu para recuperar os dias de glória.

A Brookfield Incorporações, que arrematou o antigo edifício, viu uma ótima oportunidade de recuperar um ícone da cidade em seu novo projeto. Ali surgiram duas torres novas que misturam os diversos usos, como uma cidade cosmopolita deve ser: 374 apartamentos residenciais de diversos tamanhos, 147 apartamentos de hotel, escritórios, salas de reunião e eventos, um bar e um restaurante. O hotel agora tem 4 estrelas, mas não diminuiu em nada o conforto e a elegância. Seu quartos ficam todos acima do 19º andar, e tem vistas privilegiadas do skyline da cidade. A cobertura ainda tem piscina, academia e sauna panorâmicos. No térreo, o bar e o restaurante resgatam aquele clima chique e lendário, mas com ares de modernidade.

Assim são os quartos novos
Assim são os quartos novos

Quando se trabalha com tradição, o risco de se cair na mimetização vazia é grande. Para não cair no erro nessa empreitada, a incorporadora envolveu também a família Guzzoni, que está já em sua 4ª geração trabalhando no ramo hoteleiro, e descende do italiano Fabrizio Guzzoni, fundador do Ca’d’Oro original. Quem melhor para recuperar o charme e o glamour dos tempos áureos, do que os próprios donos da marca? Com eles veio não só a expertise e o bom gosto e o atendimento de primeira, mas também o chef de cozinha e até o mensageiro, que trabalhou por 30 anos lá.

A piscina fica na cobertura do hotel
A piscina fica na cobertura do hotel

Aliás, o restaurante é um assunto à parte. Antes de ser hotel, o Ca’d’Oro foi o restaurante que trouxe a culinária do norte da Itália para o Brasil, incluindo influências do Piemonte, Lombardia, Ligúria e Vêneto. Foi Guzzoni quem trouxe para nós pela primeira vez receitas que hoje parecem tão comuns, como risoto, carpaccio, a bresaola e o presunto de Parma. O cardápio de hoje recupera grande parte dos pratos célebres, inclusive os pratos do dia, servidos diretamente de um rechaud que fica circulando pelo salão.

O Anitra alla Colleoni, um dos pratos tradicionais que voltou ao cardápio
O Anitra alla Colleoni, um dos pratos tradicionais que voltou ao cardápio

O Centro de São Paulo está recuperando o vigor que merece, um processo que demorou tantos anos para acontecer. Mas parte dessa transformação tem que levar em conta também a história e as tradições da cidade. O novo Ca’d’Oro é bem mais do que uma ótima opção de hospedagem no Centro. É a volta de um marco importante, que além de carregar a memória paulistana, agora também faz parte do futuro da cidade.

Hotel Ca’d’Oro
Endereço: Rua Augusta, 129 – Centro
Telefone: (11) 3263-4300

* Esse post faz  parte de uma parceria entre o Hotel Ca’d’Oro e o Chicken or Pasta.

Quem escreveu

Renato Salles

Data

18 de October, 2016

Share

Renato Salles

Para o Renato, em qualquer boa viagem você tem que escolher bem as companhias e os mapas. Excelente arrumador de malas, ele vira um halterofilista na volta de todas as suas viagens, pois acha sempre cabe mais algum souvenir. Gosta de guardar como lembrança de cada lugar vídeos, coisas para pendurar nas paredes e histórias de perrengues. Em situações de estresse, sua recomendação é sempre tomar uma cerveja antes de tomar uma decisão importante. Afinal, nada melhor que um bom bar para conhecer a cultura de um lugar.

Ver todos os posts

    Adicionar comentário

    Assine nossa newsletter

    Vivemos em um mundo de opções pasteurizadas, de dualidades. O preto e o branco, o bom e o mau. Não importa se é no avião, ou na Times Square, ou o bar que você vai todo sábado. Queremos ir além. Procuramos tudo o que está no meio. Todos os cinzas. O que você conhece e eu não, e vice-versa. Entre o seu mundo e o meu.