Música & Diversão

Into the Valley: festival perfeito para quem ama música eletrônica

Data

04 de August, 2016

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A expectativa para o festival Into The Valley era grande, muito mais pela locação do que pelo line-up, que era inteiramente incrível.

O Into the Valley abriu as portas da bela Dalhalla já na quinta-feira com uma festa de boas-vindas. Dirigimos por quase 4 horas, atravessamos Rättvik, a cidade mais próxima.

A praia de Rättvik, que lotou no fim de semana
A praia de Rättvik, que lotou no fim de semana

Decidimos que acamparíamos para ter uma experiência mais completa do festival. Não fomos tão felizes nessa decisão, porém não teve como voltar atrás, já que Rättvik também hospedava o Classic Car Week, deixando o movimento bem intenso, hotéis, camping e pousadas completamente lotados.

O lugar

Dalharlla
Dalhalla

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Chegamos ao local na quinta-feira, às 20h30, e o camping não estava pronto, não tinham colchões suficientes e a equipe estava despreparada para a confusão. Resolvemos não estressar e seguir para dentro do festival, pois eu mal aguentava minha ansiedade de ver aquele lugar com meus próprios olhos. O dia ainda estava claro e ensolarado. A entrada foi rápida e quando alcançamos o topo da antiga pedreira e olhamos para baixo, mal conseguimos conter nosso entusiasmo diante de tal beleza. Uma fila de pessoas tentava alcançar a ponta da cerca para conseguir o melhor ângulo para uma foto do anfiteatro, que imperava absoluto 60m abaixo de nossos pés. Dalhalla fica no meio de uma cratera gigante formada há muitos milhões de anos por um meteorito (a cratera tem cerca de 52km de diâmetro) e funcionava como uma pedreira, que deixou-a num formato bem especial com os degraus formados pela erosão do calcário.

São 400m de comprimento e 175m de largura tornando Dalhalla um lugar único e dando a ela uma acústica perfeita, que é completada com um sistema absurdo de som com torres de caixas da Funktion One, colocando-a na lista como uma das melhores acústicas do mundo.

Sistema de som invejável
Sistema de som invejável

No pé da cratera há o famoso anfiteatro Dalhalla com 4.000 lugares para sentar. Ao lado e atrás um lago verde e as paredes de calcário ao redor. Na quinta-feira apenas dois palcos estavam abertos: o The Temple, o primeiro palco logo que entramos no festival, e a Pyramid, que fica exatamente atrás (colado) ao The Temple.

A estrutura

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Uma das áreas de alimentação

Bares espalhados por todos os cantos, incluindo nas laterais de todos os palcos. Num dos degraus da cratera, uma área de alimentação formava uma simpática pracinha com opções vegetariana, italiana, tailandesa, asiática e de sanduíches, além de ter uma tenda só para carregar celular sob o pagamento de 60 SEK (cerca de 6 euros) e outra de merchandising, onde muita gente comprou moletom para dar conta do frio inesperado. Os pratos custavam em média 100 SEK (ou 10 euros), a cerveja comum 55 SEK (5,50 euros), a artesanal 75 SEK (7,50 euros), e drinks 140 SEK (14 euros).

Bar de coquetéis
Bar de coquetéis
O café
O café
A comida
A comida

Uma área com 3 palcos: The Temple, Pyramid e o The Hanging Garden, que parecia uma grande estufa, com os vidros tampados com tecido escuro e plantas penduradas em vasos por todos os cantos da pista, com um bar na lateral.

Palco Pyramid
Palco Pyramid de um lado e The Temple do outro, e o Theater lá embaixo

Na área externa entre os palcos, alguns banheiros, nenhum deles químico (ufa), um grande restaurante, que servia uma ótima comida fusion, meio sueca, meio asiática, alguns food trucks de sushi, hambúrguer e um maravilhoso de café da Etiópia feito na hora (40 SEK o copo ou 4 euros), que sempre tinha filas enormes (sim, as pessoas amam tomar café em festival), bar de cerveja artesanal, bar especial de coquetéis, balanços, bancos e algumas instalações, sendo uma toda de espelho bem concorrida, que tinha fila para entrar (cabiam 5 pessoas em pé espremidas dentro), e a outra intitulada “burn“, que foi queimada no segundo dia com direito a performance. E então, abaixo de tudo o grande anfiteatro, que ganhou o nome de Theater, que rodeava todo o festival com sua imponência. E novamente, é de chorar de tão lindo.

O palco principal: Theater
O palco principal: Theater

O festival contou com dois campings, que foi produzido por uma empresa terceira. Um deles, onde ficamos, era todo feito com kartent, ou seja, barracas feitas de papelão; o outro já ficava no meio da floresta com festa liberada para rolar 24h non stop. A falha mesmo foi da organização, que atrasou a montagem do camping, e o público que não respeitou muito as regras do nosso camping, que era justamente o que não permitia festas, mas elas duraram até às 8h da manhã. Além disso, só tinham banheiros em uma das pontas e poucas duchas, causando sempre filas imensas para tomar banho. Mas, fora o problema do camping, a organização, mesmo com um pequeno atraso, deixou o festival funcionando com perfeição sueca. Na entrada e próximo ao camping, tinha um food truck de café e tostex, perfeito para um café da manhã decente por cerca de 80 SEK (8 euros) para quem estava morando por ali temporariamente.

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A minha “casinha” por 3 dias
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O camping

Filas somente para banheiros em horário de trocas de DJs, mas no geral as filas eram rápidas. Tinha também lugar para recarregar a garrafa d’água gratuitamente (festivais, por favor, aprendam isso. Água é algo muito básico).

O público

Foram cerca de 5.000 pessoas no total, a maioria presente nos dois dias oficiais. Dos 5.000, cerca de 70% estrangeiros, metade acampada, vindo de diversos países do mundo, mas com a Alemanha e Inglaterra marcando grande território. No geral o público era bem simpático e educado, além de ser sociável. Foi bem fácil começar conversas com estranhos e parecerem melhores amigos em minutos de conversa.

O line-up

O Into the Valley é o tipo de festival para quem adora uma boa pista de música eletrônica. Por lá, apenas DJs e produtores se apresentam num line-up realmente impecável com DJs consagrados e outros que estão despontando, incluindo muitas mulheres incríveis nas pickups.

Começamos a festa de abertura na quinta com Mano Le Tough, que entrou após o ótimo live do Motor City Drum Essemble, com um animado set de house, enchendo a tenda. Na outra pista, a dupla de DJs suecas, Nadja Chatti e Clea Herlöfsson, faziam um b2b. A noite foi tranquila, pois nem metade do público tinha chegado na cidade.

Mano Le Tough
Mano Le Tough

No primeiro dia a programação foi um pouco mais eclética e a minha favorita. Vi nomes como a DJ Tennis, que foi nossa primeira atração do dia com um delicioso e animado set de house e bom para embalar a tarde; a DJ Black Madonna, que chegou com uma entourage caprichada, começou o set bem animado com Let a Bitch Know (Kiddy Smile); o Ricardo Villalobos fez um b2b com o DJ Zip no anfiteatro com o habitual set pesado e bem quadrado, que me fez trocá-los pelos DJs Tornado Wallace (que tocará dia 20/8 em São Paulo) e o simpático norueguês Prins Thomas. Neste dia ainda tocaram Kerri ChandlerLevon VincentDaniele Baldelli e Dixon, com quem dançamos até o fim da noite.

Ricardo Villalobos
Ricardo Villalobos
DJ Tennis
DJ Tennis
Ali atrás tem os DJs Ricardo Villalobos e o Zip
Ali atrás tem os DJs Ricardo Villalobos e o Zip

O sábado amanheceu chuvoso e mostrou a boa resistência da nossa kartent, que chegou intacta no seu último dia. Esperamos a chuva passar e decidimos almoçar no festival ao invés de fugir para o centro da cidade. Foi uma boa escolha, mas que tornou o dia mais longo e cansativo. O techno imperou absoluto no segundo dia de festival e foi o momento que senti falta de um lounge para dar aquela relaxada.

A lama
A lama

Às 15 horas apenas 2 mulheres lideravam as duas pistas principais: a alemã veterana Tama Sumo, que tocava no Theater um set pesadíssimo com cara de after-hour para poucas pessoas. Mas ela tem uma técnica com precisão tão cirúrgica, que mesmo não estando preparada para este tipo de set àquela hora, eu encostei próxima à grade para admirá-la. É a DJ que mostra em cada música os anos e anos de profissão que tem (ela é DJ desde o início dos anos 1990). Já no The Temple, a DJ americana Honey Dijon fazia um bom set de house.

Às 15h um animava a pista
Às 15h um animava a pista

Four Tet, um dos mais aguardados da tarde fez uma ótima viagem sonora em 1h30 de live, começando com jazz, passeando pelo house, até alcançar batidas mais pesadas. O palco lotou repentinamente, o céu abriu, o sol surgiu no horizonte, durando até seu encerramento quando passou o bastão para Marcel Dettman, mas aí já estava dançando com a Ellen Allien, que entrou animadíssima, lotou a pista e botou todo mundo para dançar. No palco ao lado o sueco Kornél Kovacs dividiu a atenção com a bela loira alemã. Dançamos um pouco na pista de cá, um pouco na pista de lá. Estava difícil decidir onde ficar.

Four Tet
Four Tet

O dia prosseguiu com Paranoid London, John Talabot, Rødhåd, Ben Klock, Hunee, que foi uma ótima surpresa, Jeff Mills, que fez uma entrada triunfal com uma intro com um pouco mais de 2 minutos, que deixou o público suspenso até a entrada de The Bells. A noite entrou com Joy Orbison b2b com Ben Ufo, live do Kink, que foi um dos meus preferidos do sábado. Não deve ser uma tarefa fácil entrar logo após o Jeff Mills, mas a bela russa Nina Kraviz não decepcionou ao entrar com I, Lax (Kimps) para fechar a noite. A entrada foi apoteótica e fechou o festival com chave de ouro.

Kink
Kink
Jeff Mills
Jeff Mills

Conclusão

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O Into the Valley chegou bem em seu segundo ano e tem boas chances de entrar para a lista de melhores festivais de música eletrônica do mundo. Por dois dias inteiro, Dalhalla virou a meca do house & techno. Só não se divertiu mesmo quem não foi. E a Suécia tem uma boa lista de motivos para visitá-la, então se já está pensando em 2017, por que não colocar nos planos?

*Fotos: Ola Persson

**O Into the Valley foi um dos festivais escolhidos para projeto Volta ao Mundo em Festivais de Música, patrocinado pela KLM Brasil, que faz parte do SkyTeam e oferece voos para 1.052 destinos em 177 países. #fly2fest

Data

04 de August, 2016

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