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12 horas em Cidade do Cabo por Eduardo Shimahara

Quem escreveu

Lalai Persson

Data

26 de April, 2016

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O Eduardo Shimahara (a.k.a. Shima) é brasileiro, ex-engenheiro e já rodou o mundo. Viveu em Paris, nos Estados Unidos e hoje vive na Mother City, nome carinhoso dado à Cidade do Cabo, desde janeiro de 2013 com toda a família e não tem planos de sair de lá. É co-fundador do educ-acao.com e divide seu tempo entre educação “alternativa” ligado a “escolas” como o Yip.se na Suécia, a Team Academy na Espanha, o Sustainability Institute na África do Sul e também construindo pontes ligando pessoas e projetos entre África do Sul, Brasil e Nova Zelândia. Sempre que acorda e olha para as montanhas em Hout Bay, respira fundo e agradece pela oportunidade de viver num lugar tão bonito e complexo como Cidade do Cabo. Curte pedalar, correr e tomar um bom vinho, que ele faz questão de buscar pessoalmente num dos mais de 600 produtores locais em torno da cidade.

Eduardo Shima & família
Eduardo Shima & família

E foi o Shima quem deu as dicas de como passar um dia na Cidade do Cabo. Esse guia é focado em pessoas que estão indo para a cidade pela primeira vez na vida (como nós), mas ele tentou fazer um mix de atrações turísticas com atrações locais – como a gente adora.

Saindo do aeroporto

A primeira dica é sobre a melhor forma de sair do aeroporto e ir para o centro da cidade pegando o MyCity Bus. Tem uma estação do lado de fora do aeroporto de Cidade do Cabo (que é pequeno) onde se pode comprar o bilhete com cartão de crédito. Sua recomendação já é incluir 200 Rands de crédito, que dá tranquilo para uma semana na cidade. Não esquecer o pin number, que será necessário caso precise recarregar o cartão.

Sobre a comida

A comida típica da África do Sul, ao contrário da do Brasil, onde a “máxima” talvez seja o #tudojuntoemisturado, adota o #tudojuntoeseparado e passei a encontrar beleza nos dois jeitos. Na Cidade do Cabo, as culturas estão muito vivas. É comum ver famílias muçulmanas passeando ao lado de famílias judias, indianas, outras bem brancas de sardas (descendentes de ingleses), famílias Xhosa carregando bebês nas costas…

Cada uma destas culturas ainda preserva a sua comida e, por isso, é difícil dizer o que seria puramente sul-africano.

O braai (assar em Afrikaans) é o churrasco no país e é comum ver muitos animais selvagens na grelha: springbok, kudu, gemsbok (exemplos de antílopes que se encontram nos pratos), além de avestruz (ostriche) e um peixe bem típico da África do Sul, que é o kingklip (peixe branco) e ainda crayfish, as lagostas sul-africanas).

potjiekos
Potjiekos

O potjiekos é uma coisa bem sul-africana e significa comida de caldeirão. Vale também experimentar a fusão da cultura negra com a cultura malabar (litoral da Índia de onde vieram escravos para trabalhar na África do Sul), comida conhecida como cape malay, com diversos curries (bem mais leves que os indianos) e o bobotie, uma torta de carne moída com especiarias.

Manhã

Truth Coffee. Foto: Divulgação
Truth Coffee. Foto: Divulgação

Pensar em café da manhã na Cidade do Cabo é fácil, muito fácil. A cidade tem dezenas de cafés absolutamente sensacionais e, nesta lista, obviamente não poderia faltar o Truth Coffee Cult, na 36, Buitenkant Streetna região central da Cidade do Cabo.

Eleito por dois anos consecutivos como o melhor coffee shop do mundo pelo Daily Telegraph (UK), o café já chama atenção de cara pela decoração incrível no estilo steampunk, além de o menu ser recheado de coisas bacanas para começar o dia. Não deixe de experimentar a ginger beer. O serviço é impecável e deu vontade de morar lá.

District Six Museum. Foto: Thomas Sly
District Six Museum. Foto: Thomas Sly – flickr/thomas_sly

A partir do Truth Coffee, existem diversas atrações, facilmente acessíveis a pé, pois o centro da Cidade do Cabo é relativamente pequeno. Praticamente ao lado do café, está um dos mais importantes museus que retratam a brutalidade do Apartheid (regime de segregação racial que vigorou entre 1950 e 1994 na África do Sul). O District Six Museum retrata o que aconteceu naquele bairro quando a segregação racial começou. Você pode ainda escolher ser guiado por um representante de uma das três famílias que gerenciam o museu e que foram vítimas desta segregação, tendo suas casas tomadas pelo governo branco e enviados para viver longe do centro nas townships. O museu é pequeno e o tour guiado dura cerca de 1 hora. Endereço: 25A Albertus St & Buitenkant Street.

The Company's Garden. Foto: Rachel Lovinger
The Company’s Garden. Foto: Rachel Lovinger

Continuando a caminhada pelo centro agora, é hora de curtir o Company’s Garden, a versão local (guardadas as devidas proporções) do Central Park de Nova York. O jardim ocupa uma imensa área central na cidade, de onde se tem vistas incríveis de um dos cartões postais da cidade, a Table Mountain. Endereço: 19 Queen Victoria St, Cidade do Cabo, Centro.

South African National Gallery. Foto: Harris/flickr
South African National Gallery. Foto: Harris/flickr

O parque também abriga a South African National Gallery, sempre com exposições interessantes. Numa das saídas do jardim, está o antigo prédio do Parlamento e também a catedral St.Georges. Dentro da cripta da catedral, fica um dos melhores bares de jazz da cidade, o The Crypt! Endereço: Government Ave, Company’s Garden

Maxhosa by Laduma
Maxhosa by Laduma

Agora é hora de cair na Long Street e arredores, conhecendo um pouco da rua mais movimentada do centro da cidade à noite. Perto da esquina da Long Street com a Strand Street fica uma das lojas de moda, com peças dos grandes estilistas do continente africano. Prepare-se para preços de São Paulo e muita surpresa com o incrível design de moda. Destaque para as peças de Laduma Ngxokolo, designer sul-africano que tem feito sucesso entre celebridades como Beyoncé. A loja que vende suas peças na cidade é a Marchants, na 34, Long Street.

Artesanato xhosa
Artesanato xhosa

Ainda na Long Street, há diversas lojas de artesanato africano, com destaque ao artesanato Xhosa (grupo étnico do qual Nelson Rolihlahla Mandela se originou e quem tem uma língua bastante curiosa, cheia de cliques feitos com a boca – o isiXhosa) feito de miçangas e de um dos tecidos preferidos dos locais, o kikoy, uma peça de algodão bastante comum no Quênia e que na Cidade do Cabo é parte obrigatória do vestuário. O kikoy serve para ser usado como uma esteira de piquenique, na areia da praia ou como uma canga ou uma toalha, podendo ainda ser enrolado em torno do pescoço.

Hugh Masekela. Foto: Brett Rubin - griot.de
Hugh Masekela. Foto: Brett Rubin – griot.de

A Long também tem um lugar muito bacana para encontrar música africana e principalmente sul-africana. A Long Street Music Store tem uma enorme coleção (incluindo vinil) de ícones do jazz sul-africano como Hugh Masekela, passando pelos mais eletrônicos como Black Coffee. Endereço: 134 Long Street.

Foto: SAM. Made Ceramics, Shameema Brown, Matter Of Fakt Jewellery and Matter Of Fakt.
Foto: SAM. Made Ceramics, Shameema Brown, Matter Of Fakt Jewellery and Matter Of Fakt.

Se você tiver um passo rápido, dá para incluir uma passadinha na rua paralela à Long Street, a Bree Street. Conhecida por ser o ponto alto dos restaurantes mais bacanas do centro, é frequentada em sua maioria por locais e é também o endereço de uma loja com diversas peças de design de jovens designers sul-africanos, a SAM – South African Market, na 107 Bree Street.

Almoço

Oranjezicht City Farm. Foto: holidaybug.co.za
Oranjezicht City Farm. Foto: holidaybug.co.za

Vá para o Waterfront, especificamente no incrível Farmer’s Market – Oranjezicht, que acontece aos sábados, das 9h às 14h, no lookout dentro do complexo do Waterfront – outro cartão postal da cidade. Por lá, os produtos locais vendidos diretamente pelos produtores orgânicos, além de ter um incrível espaço de alimentação, onde dá para se ter uma ideia da enorme diversidade quando se trata de comida na Cidade do Cabo. Se quiser experimentar algo bem típico, opte por um potjekos, que conta também com versões vegetarianas. O mercado Oranjezicht é bastante frequentado por locais que vão em busca de comida mais saudável e de contato direto com o produtor. São cerca de 6 Km entre a Long Street e o Water Front, que podem ser feitos em 15 minutos de carro. Endereço: V & A Waterfront, Granger Bay perto do Lookout.

Waterfront Food Market. Foto: Divulgação
Waterfront Food Market. Foto: Divulgação

Caso seja outro dia de semana, a sugestão é um almoço rápido no Food Market. Sugerimos o wrap de Cape Malay com frango, acompanhado de uma taça de vinho branco, que você compra no bar no 1º andar.

Waterfront. Foto: slack12
Waterfront. Foto: slack12

Depois de um delicioso potjekos (a pronúncia é algo como “poiki koss”) é hora de caminhar pelo enorme complexo do V & A Water Front, uma infraestrutura de primeira, cheia de restaurantes, lojas e diversas outras atrações. Destaque para o Watershed, enorme galpão que reúne o melhor do artesanato local, para o Food Market, em frente à praça onde estão as estátuas dos 4 prêmios Nobel da Paz sul-africanos, a moldura amarela onde turistas fazem fila para bater a foto oficial da cidade, que inclui o Water Front com a Table Mountain ao fundo. Dentro do complexo está sendo construído o Zeitz Museum, que vai ser o maior museu de arte do continente africano e que será inaugurado no segundo semestre de 2017.

Tarde

Sea Point. Foto: flickr.com/flowcomm
Sea Point. Foto: flickr.com/flowcomm

Vá pedalar no calçadão de Sea Point. Obviamente, o mar e as montanhas são parte da vida diária dos locais e uma forma bacana de apreciar a vista incrível é uma boa pedalada. Partindo do Waterfront de bike (que você aluga em diversas companhias como a Up Cycles ou Awol Tours), Sea Point fica a cerca de 15 minutos pedalando e possui um enorme calçadão a beira-mar. Mas se você já estiver cansado demais, pule esta etapa e siga direto (num táxi ou uber) para a praia de Camps Bay (se estiver pedalando a partir de Waterfront, em 30 minutos você chega lá).

Camps Bay. Foto: PROLoren Kerns
Camps Bay. Foto: flickr.com/LorenKerns

Camps Bay tem uma das vistas mais lindas da cidade. É um bairro de imensas e belas casas, com os Doze Apóstolos ao fundo (a cadeia de picos que faz parte da Table Mountain), tem uma boa infraestrutura para se preparar para um pôr-do-sol inesquecível. Diversos restaurantes e bares oferecem excelente comida, drinks e vinhos locais (a África do Sul produz mais de 7.000 rótulos diferentes). Hora de pegar o kikoy que você comprou no Centro, estender na areia e relaxar ao som das ondas e depois planejar um bom jantar. Se para você a jornada termina aqui, descanse, porque a Cidade do Cabo tem muito, mas muito mais a oferecer.

Jantar

The Test Kitchen. Foto: Divulgação
The Test Kitchen. Foto: Divulgação

Bons restaurantes não faltam na cidade. O melhor da África do Sul é o The Test Kitchen, que tem espera de 6 meses. O restaurante fica no incrível bairro de Woodstock, tem cozinha internacional, mas feita com muitos ingredientes sul-africanos. A cozinha é comandada pelo britânico Luke Dale-Roberts. Endereço: 375 Albert Road, Shop 104 A, The Old Biscuit Mil +27(0)21 4472337.

Pk
Pot Luck Club. Foto: Divulgação

Também em Woodstock, há o Pot Luck Club, cuja cozinha também é comandada pelo Luke Dale-Roberts e é necessário reserva, com uma cobrança de 250R por pessoa (cerca de R$ 62). Os pratos são tapas para compartilhar, mas o restaurante tem ainda um concorrido brunch por 400R (cerca de R$ 100). Cozinha internacional. Endereço: Silo Top Floor, Shop 104 A, The Old Biscuit Mill, Woodstock +27(0)21 447 0804.

Black Sheep Restaurant. Foto: divulgação
Black Sheep Restaurant. Foto: divulgação

A Bree Street e Kloof Street têm ótimas opções de restaurantes como o Black Sheep, frequentado por locais. A cozinha varia de acordo com os produtos da época. Comida e vinho bons são garantidos. 104 Kloof Street. Reservas: [email protected]

The Crypt. Foto: Cape Town Travel
The Crypt. Foto: Cape Town Travel
Tjing Tjing. Foto: divulgação
Tjing Tjing. Foto: divulgação

Se quiser dar uma esticada na noite, encontre alguns dos locais no Tjing Tjing ou no Arcade no Centro. Outra ótima pedida é ir curtir um show de jazz ao vivo no The Crypt, um dos melhores bares de jazz da cidade e que fica dentro da cripta da igreja St. Georges. Os shows acontecem das 20h às 23h e foi uma das melhores experiências que tivemos na cidade. Couvert 85R (cerca de R$ 22). Tem que ir.

Endereços:
Tjing Tjing: 165 Longmarket Street. +27 (0)21 422 4920. Terça a sexta, a partir das 16h. Sábado, a partir das 18h30
Arcade: 152 Bree Street (esquina Pepper Street). Segunda a sábado, a partir das 11h30. Reserva de grandes grupos aqui.
The Crypt: 1 Wale Street, St. George’s Cathedral. Terça a sábado, das 19 à 0h. Show de jazz ao vivo, das 20h às 23h.

Outras sugestões

É tradição na Cidade do Cabo fazer o almoço em vinícolas, como os restaurantes dentro de Groot Constantia ou ainda na vinícola Glen Constantia, sem falar nos piqueniques dentro do Jardim Botânico, em Kirstenbosch.

Se quiser ir um pouco mais longe, Stellenbosch é a capital da região vinícola do país e fica a cerca de 45 minutos de carro da Cidade do Cabo. Lá tem restaurantes de cair o queixo!

*Foto destaque: Camps Bay, Cape Town por Michael Jansen

*Esse guia faz parte do Afrikaburn, festival escolhido para representar o continente africano no projeto A Volta ao Mundo em Festivais de Música, com patrocínio da KLM Brasil, que faz parte do SkyTeam, oferecendo voos para 1.052 destinos em 177 países. #fly2fest

Quem escreveu

Lalai Persson

Data

26 de April, 2016

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Lalai Persson

Lalai prometeu aos 15 anos que aos 40 faria sua sonhada viagem à Europa. Aos 24 conseguiu adiantar tal sonho em 16 anos. Desde então pisou 33 vezes em Paris e não pára de contar. Não é uma exímia planejadora de viagens. Gosta mesmo é de anotar o que é imperdível, a partir daí, prefere se perder nas ruas por onde passa e tirar dicas de locais. Hoje coleciona boas histórias, perrengues e cotonetes.

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Comentários

  • Gostei das dicas, é o meu perfil, bem elaborado. Tenho mais um mês em Cape Town para aproveitar as sugestões. Obrigada
    - Lenoar Vieira
    • opa, depois conta pra gente se gostou!
      - Lalai Persson

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