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Turismo sustentável: um assunto que precisamos falar

Quem escreveu

Renato Salles

Data

09 de February, 2015

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Todo mundo já está cansado de saber o quanto o ser humano tem a capacidade de destruir tudo que é natural, lindo, e por isso mesmo, geralmente turístico. Já falamos sobre os estudos feitos pelo impacto do turismo no ambiente natural aqui, sobre a possibilidade de alguns paraísos simplesmente desaparecerem aqui. O ciclo se repete: um lugar incrível e imaculado é descoberto, poucos aventureiros começam a visitar, começa a aparecer na mídia, e quando menos se espera, o lugar é tomado por turistas ávidos por fotos para seus instagrams e souvenires para seus avós. A beleza selvagem dá lugar para grandes hotéis, a população local deixa sua ingenuidade para lucrar o seu, ecossistemas inteiros são destruídos e a mágica acaba.

O turismo é muito importante para o desenvolvimento de economias e sociedades, e mais ainda para aproximar culturas distantes e fazer com que a gente entenda esse mundo enorme, louco e diverso em que vivemos. Mas o custo do turismo desenfreado parece estar deixando de compensar pelas coisas boas que ele traz. Nesse cenário, uma filosofia nova está em ascenção até na hora de viajar: o turismo sustentável.

Shutterstock: VietnamPhotos
Shutterstock: VietnamPhotos

Sejamos francos. Até quando temos as melhores das intenções, sempre tem alguém que se aproveita da tua inocência para tirar proveito, em detrimento de um bem maior. Você está viajando como voluntário em uma comunidade pobre? Provavelmente você pagou por isso e teu dinheiro não chega diretamente a eles. Ou está tomando o emprego de algum local que não pode competir. Escolheu aquele hotel especial todo ecológico? Pode ser que o projeto, toda a tecnologia e a mão-de-obra tenham vindo de fora, o lugar só forneceu os recursos naturais para o empreendimento. É muito difícil ter certeza absoluta de que se está fazendo apenas o bem, porque sempre alguma parte do processo todo está maculado. Muitas vezes, as organizações em torno dos dólares turísticos são grandes violadores de direitos humanos e do meio ambiente. A humanidade é foda!

O assunto é delicado, e muito complicado de se discutir, já que dificilmente a gente tem uma visão global da situação de outros países, regiões e cidades. Mas existe um monte de sites e comunidades que trabalham para ajudar os turistas a acharem aonde ir passar as férias de forma ética e sustentável. Portais como o Tourism Concern, o Ethical Travel Portal e o Ethical Travel são boas opções. Além de indicarem destinos que o turista consciente pode querer colocar na lista, eles também levantam boas discussões sobre os limites dos benefícios da exploração turística.

Além deles, o Ethical Traveler, uma organização sem fins lucrativos sediada na Califórnia, estuda e ranqueia anualmente os países em desenvolvimento que mais trabalham para vigiar os direitos humanos, preservar a natureza e apoiar o bem estar social, enquanto mantêm uma indústria do turismo local viva. São estudados dados presentes e passados para que se entenda quais foram as transformações ocorridas ao longo dos anos. As informações são fornecidas pela Freedom House, a Millenium Challenge Corporation, Reporters Sans Frontieres, UNICEF, organizações LGBT e o Banco Mundial. Todos os 10 países que estão no topo da lista enfrentam problemas, principalmente ligados à violência de gênero e ao tráfico humano, mas são os que mostraram maior empenho em oferecer uma experiência rica para os visitantes dentro de princípios éticos. A lista segue ordem alfabética, sem relação com a pontuação:

– Cabo Verde: a pontuação mais alta na África em bom-estar social, a pequena ilha teve nota máxima no relatório de direitos civis e políticos da Freedom House.

Shutterstock: Raul Rosa
Shutterstock: Raul Rosa

Chile: o país sulamericano foi o melhor colocado no quesito proteção ambiental entre todos os 10. Foi o primeiro país da América do Sul a aprovar a cobrança de taxa por emissão de carbono, a partir de 2018.

Dominica: a ilhota caribenha ganhou muitos pontos pelas iniciativas ligadas ao uso de energia limpa e preservação da vida animal, incluindo resistência contínua à caça comercial das baleias.

Lituânia: o único pais europeu da lista chegou a 22% do uso de energia renovável, sendo que a meta era chegar a 23% em 2020. Também ficou em primeiro no programa da ONU de crescimento do IDH.

Shutterstock: Bokstaz
Shutterstock: Bokstaz

– Ilhas Maurício: a ilha conhecida pelas praias paradisíacas começou uma campanha em 2014 pela plantação de 200mil árvores. Em termos sociais, foi apreciado por ser o único país africano com um programa de previdência social efetivo.

Palau: outra ilhota no meio do Pacífico que ganhou uma estrela dourada pela contínua ação de preservação da vida marinha e terrestre.

– Samoa: um dos estreantes na lista desse ano, Samoa recentemente assinou um tratado de preservação da biodiversidade e proteção contra as ameaças causadas pelas mudanças do clima.

– Tonga: em 2015, a ilha de Ha’aapai vai se tornar a primeira a introduzir a cultura agrícola orgância, e o país tem o objetivo de reduzir em até 50% da importação de óleo diesel até 2020.

Uruguai: nossos vizinhos estão trocando taxis e ônibus por versões elétricas. Na Colónia del Sacramento, os turistas já circulam pelo sítio de Patrimônio da Humanidade da UNESCO em carrinhos que não usam combustível.

– Vanuatu: conhecido pelos rituais das tribos locais com costumes muito exóticos, o país teve muito progresso na reforma agrária em benefício dos direitos indígenas.

Shutterstock: Flash-ka
Shutterstock: Flash-ka

A indústria do turismo é hoje uma das maiores do mundo e movimenta cerca de 1 trilhão de dólares por ano em todo o mundo. Cada moedinha que a gente gasta no cafezinho durante as férias conta, e muda o planeta. Por isso, e tema do turismo sustentável e ético é muito extenso e complexo, então vamos ter muito assunto para falar. Assim, esse é só o primeiro de uma série de posts que vamos escrever. Espero que todo mundo participe! O mundo agradece.

Foto do destaque: Shutterstock – Maciej Bledowski

Quem escreveu

Renato Salles

Data

09 de February, 2015

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Renato Salles

Para o Renato, em qualquer boa viagem você tem que escolher bem as companhias e os mapas. Excelente arrumador de malas, ele vira um halterofilista na volta de todas as suas viagens, pois acha sempre cabe mais algum souvenir. Gosta de guardar como lembrança de cada lugar vídeos, coisas para pendurar nas paredes e histórias de perrengues. Em situações de estresse, sua recomendação é sempre tomar uma cerveja antes de tomar uma decisão importante. Afinal, nada melhor que um bom bar para conhecer a cultura de um lugar.

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    Vivemos em um mundo de opções pasteurizadas, de dualidades. O preto e o branco, o bom e o mau. Não importa se é no avião, ou na Times Square, ou o bar que você vai todo sábado. Queremos ir além. Procuramos tudo o que está no meio. Todos os cinzas. O que você conhece e eu não, e vice-versa. Entre o seu mundo e o meu.