Arte & Cultura

Porque me apaixonei por Bangkok

Data

28 de January, 2015

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Chegar em Bankgok não foi fácil. Foram quase 40 horas de viagem, 3 vôos, 3 continentes, 3 fusos horários que me deixaram desnorteada. Voltar ao eixo não foi também uma tarefa fácil. Fiquei completamente destruída e, ainda assim, por dias eu despertava antes das 6 da matina. Bankgok me impressionou logo de cara exatamente como imaginei que me impressionaria. A cidade lembra muito São Paulo: caótica, trânsito infernal e pornograficamente barata (roubando o termo utilizado por um amigo). Os pratos em lugares bons e baratos custam entre R$ 5 e 10,00 e nos lugares mais badalados você vai gastar pelo menos R$ 100 num jantar. As cervejas locais custam entre R$ 4 e 12, dependendo de onde você estiver. Num sky bar ela chega a custar R$ 30.

Bar Vertigo - foto Sanchai Kumar - shutterstock.com
Bar Vertigo – foto Sanchai Kumar – shutterstock.com

Como já devem ter ouvido falar bastante, a Tailândia é cheia de templos, ultrapassando 40.000 espalhados pelo país e um considerável número espalhado na capital, sendo cerca de 30.000 ainda em uso. Nas ruas monges, ladyboys, pessoas comuns, hispters, turistas de todos os cantos do planeta se misturam.

Bangkok é intensa, viva, divertida e não pára nunca, assim como minha cidade natal. Ela é 24 horas de verdade. É moderna, é velha, é simpática. Lembrou-me muito o nosso Brasil com suas diferenças sociais visíveis e onde a simpatia impera, mas precisa ficar esperto. Não é fácil ser turista por lá. Cair em golpes é uma escorregada que provavelmente você vai ter. Eles são bons nisso. Negociar o tempo todo é exaustivo, táxi ou tuk tuk nunca serão tarefas fáceis. Ao pegar um táxi para ir a lugares turísticos, é bem corriqueiro que te levem para um lugar diferente do que você pretende ir para tentar enfiar goela abaixo algum passeio extra em que ganharão algum extra em cima. Ao negociar tuk tuk também é bem comum que o motorista tope sua contra-proposta desde que você aceite entrar em alguma loja no caminho. Ele afirma que você não precisa comprar nada, apenas entrar, olhar e ir embora. É assim que funciona. É assim, alguns tiros no escuro. A melhor coisa que me aconteceu foi aprender a me virar com sky train e metrô, que me levou para todos os cantos que eu quis ir.

O caótico trânsito em Chinatown - foto Ola Persson
O caótico trânsito em Chinatown – foto Ola Persson
A gente passeando por um dos vários mercados - foto Ola Persson
A gente passeando por um dos vários mercados da cidade – foto Ola Persson

Em 2 dias fomos vítimas de 2 tentativas de golpes, mas por sorte acabamos não sendo engabelados como o esperado, mas apenas porque a Dani já tinha visitado a cidade e sabia que tinha alguma coisa errada nas 2 vezes. Os tailandeses são gentis, esforçados e sorridentes, por isso é tão fácil cair na amabilidade deles. Um taxista tentou nos levar para um lugar diferente do que pedimos e depois quase caímos no conto do professor de inglês, que nos ofereceu dicas “quentíssimas” para conseguir não gastar muito para ir de barco até o templo que queríamos. Já nossos amigos pediram para ir a um mercado flutuante e acabaram em outro bem ruim.

Em Bangkok se come e se bebe bem. Não à toa, o TripAdvisor conta com 8.143 restaurantes resenhados. Arrisque além das listas,pois  sempre vai surgir algo novo à sua frente. Se for com a cara, encare. Em Bangkok fica o restaurante nº 1 da Ásia, o Nahn, mas acabamos passando. A nossa melhor experiência gastronômica na cidade foi numa dica que a Van nos passou que não tinha endereço e nem o nome. Fácil? Não, mas sei lá como, acabamos achando o lugar. Continuamos sem saber o endereço e o nome, mas nos esbaldamos com uma ótima comida, ótimo serviço e o uma conversa toda viabilizada pelo Google Translate. Funcionou!

Almoçando curry em algum boteco - foto Ola Persson
Almoçando curry em algum boteco – foto Ola Persson
Passeando por Chinatown. Frutos do mar de todos os tipos. Foto Ola Persson
Passeando por Chinatown. Frutos do mar de todos os tipos. Foto Ola Persson

Chegamos na cidade em dezembro, mês de aniversário do Rei Bhumibol, que completou 87 anos e é reverenciado nos 4 cantos do país. Falar mal dele pode render prisão, então raramente as pessoas vão dar vazão a qualquer pergunta que você fizer sobre o rei. Ou seja, não puxe papo usando-o como gancho. Em qualquer lugar há uma foto do rei cercada de flores, bandeira e outros adereços. Pontualmente às 6h da tarde o hino nacional é tocado em lugares públicos e todos param para ouvir e canta-lo. A cena é surreal especialmente se você estiver em meio a um mercado lotado e barulhento. O tempo pára, o silêncio impera e as pessoas ficam imóveis até o seu término. Impossível não se impressionar. 

eu numa foto bomba no Wat Arun - foto: Ola Persson
eu numa foto bomba no Wat Arun – foto: Ola Persson

Não há como passar incólume pelos lugares turísticos estando em Bangkok. É tudo grandioso, belo o suficiente para deixar você sem ar. Tem que ir no Wat Arun (atravesse o rio de balsa pública, que custa 3 bahts, fuja dos passeios de barco, a não ser que queira muito fazer um), Wat Pho (que tem uma ótima escola de massagem. A dica é entrar, marcar uma massagem e ir visitar o templo, pois a espera é grande), Grand Palace. Não esqueça que não rola entrar de shorts ou bermuda, calçado, assim como ombros de fora em templos. Ou seja, facilite pra você.

Não tem como não se render às famosas massagens tailandesas, que estarão sempre há um passo de você onde quer que você esteja. E são ótimas. Renda-se o quanto puder a elas. Uma boa massagem de 1 hora num spa decente custa em média 500 bahts, ou seja, menos de R$ 50,00. Em bibocas na rua elas custam 150 bahts ou cerca de R$ 15,00.

Golden Buddha - Wat Traimit - foto: Ola Persson
Golden Buddha – Wat Traimit – foto: Ola Persson

Caso esteja lá no final de semana, é obrigatório ir conhecer o Chatuchak, um dos maiores mercados do mundo com 15.000 estandes/lojinhas espalhadas numa área de 27 acres. Tem tudo, mas tudo mesmo, incluindo muita coisa legal, além de restaurantes, massagem, bares, coisas falsas e originais. Ele só acontece aos sábados e domingos. Vale passar a tarde toda lá. E também não deixe de se perder em Chinatown e em seus mercados.

A Khao San Road é uma das ruas mais turísticas de Bangkok, mas vale o passeio. É ponto de encontro de mochileiros. Está sempre lotada, é divertida, barulhenta e tem todos os cacarecos do mundo para comprar, inclusive insetos fritos. Pegue uma mesa na rua, peça cerveja e petiscos e fique assistindo às cenas que se desenrolam na sua frente. Você sairá de lá com muitas histórias para contar.

Khao San Road - Foto: MJ Prototype - shutterstock.com
Khao San Road – Foto: MJ Prototype – shutterstock.com

Impossível sair de Bangkok ileso de um piriri. Prepare-se e não esqueça de levar floratil, provavelmente você vai precisar. Ao contrário do que me amedrontaram é super possível comer bem mesmo que não seja muito fã de comida apimentada. Eu que sofro com elas, comi tudo que pude com ou sem pimenta (com o tempo você começa a querer a experimentar e acaba se rendendo sem passar mal). Se há um povo que ama comer, esse povo é o tailandês. Eles comem o tempo todo e em todo lugar. O café da manhã é praticamente um almoço, não há diferença entre as 3 refeições: café da manhã, almoço e jantar. Para os amantes da gastronomia asiática, vale pegar um food tour que dura o dia todo e te leva para lugares inimagináveis.

Floating Market Damnoen Saduak - foto: topten22photo - shutterstock.com
Floating Market Damnoen Saduak – foto: topten22photo – shutterstock.com

Para os mais animados com compras, shopping é o que não falta por aqui. Meu favorito é o Siam Center, que tem lojas de marcas locais bem modernas e citado Chatuchak. A cidade tem diversos mercados de rua, além dos floating markets e shoppings center monstruosos, como os complexos Siam, Silom e o MBK (imagine um Shopping Ibirapuera no formato de Stand Center? É assim). Para quem prefere marcas de luxo internacionais, a boa opção é o Siam Paragon, que é ótimo para uma escapada para pegar um cinema. Já quem prefere buscar por bons produtos locais e mais modernos, a parada é no Siam Center. Quem gosta de se inspirar com lojas de decoração e design, a parada é o Central Embassy, que conta também com marcas de luxo.

Banca de comidas no Chatuchak - foto LEE SNIDER PHOTO IMAGES - shutterstock.com
Banca de comidas no Chatuchak – foto LEE SNIDER PHOTO IMAGES – shutterstock.com

Em Bangkok a dica é se perder um pouco. Ou muito. Arrisque! A cidade é relativamente segura, mesmo com seus mais de 10 milhões de habitantes. É bem fácil se virar com transporte público mesmo que seja impossível ler o nome das estações. Rapidamente a gente cria métodos para se achar mesmo que seja comparando os ideogramas. O valor da passagem varia de acordo com a quantidade de estações até o destino final.

Bangkok é gigante e tem hotéis em todos os cantos. Caso fique poucos dias na cidade, já vale pegar uma opção no meio do burburinho, como Silom e a região de Siam Square, preferencialmente com uma estação de sky train ou metrô próxima. Eu fiquei no Arcadia Suites, perto da estação Phloenchit, e na segunda vez eu fiquei no Bandara Suites, em Silom. Gostei bastante dos dois hotéis, mas preferi a localização do Bandara, que tem tudo a um passo da recepção. Os bairros mais hipster são Ekkamai e as mediações da estação Ari.

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Bangkok – foto Imaake – shutterstock.com

Não deixe para conhecer Bangkok por último, é melhor começar por ela, pois a quantidade de informações pode ser menos aproveitada depois que você já rodou o país e anda sonhando com sua cama e você volte nem achando a cidade tão incrível. Bangkok é assim, puro amor.

*Esse post é apenas minha impressão pessoal da cidade. O nosso guia Bangkok está sendo atualizado (com muita coisa nova) e logo mais alguns lugares e programas ganharão posts exclusivos, como o mercado Chatuchak, a biboca maravilhosa em que almoçamos com a ajuda do google translate e outras descobertas. 

Foto destaque: MeSamong – shutterstock.com

Data

28 de January, 2015

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