Esporte & Aventura

Um elefante para chamar de seu

Quem escreveu

Vanessa Mathias

Data

03 de July, 2014

Share

Viajando pelo sudeste asiático não é nada difícil achar um tour oferecendo um amigo elefante. Em qualquer esquina, você é bombardeado com brochuras. Cartões de visita brotam do chão. Discursos e gritos sobre o “santuário” mais perto em um um inglês memorizado, gravam na sua cabeça igual jingle de salgadinho.

IMG_0517
Elephant Village no Laos, um dos tours éticos disponíveis

Mas a imensa grande maioria, infelizmente, maltrata de alguma forma os animais. Não é necessariamente tortuta e chicotes (até porque, chicotes mal fazem cócega em elefantes). Mas separam os elefantes bebês da mãe para serem domesticados, ou trabalham horas demais, os obrigarem a pintarem desenhos com a tromba, serem tudo menos… ELEFANTES.

IMG_0532
Mae, minha elefanta

Pesquisar direito e, mais importante, estar disposto a gastar mais dinheirinhos coloridos por lugares responsáveis – é muito importante antes de decidir brincar com os colossais mamíferos. Vários sites como esse explicam o que se atentar. E vale muito a pena!

Majestosas e mágicas, elefantes são criaturas encantadoras. Escolhi o Elephant Village no Laos, que resgata elefantes expostos a trabalhos forçados na indústria da madeira, e usam o turismo para angariar a grana necessária para cuidar dos bichões.

IMG_0560
E lá vamos nós!

Aprender a subir pela orelha e dar ordens em tailandês para onde virar é um show à parte. Ao menos se quem está em cima é uma brasileira meio descoordenada. A pele que tem cara de lisinha, é mais grossa do que uma polegada e toda peluda. E arranha sua mão.

IMG_0445
Dá banana que penso no seu caso se viro à direita como você está mandando…

Mae, minha elefanta, falava tailandês.

IMG_0431
Sai Sai… vamos vamos!

A interação do elefante com você pela tromba é incrível. Você sabe quando ele quer brincar, quando ele está de saco cheio do que você está fazendo, e principalmente quando ele quer uma banana de agradecimento. E ele quer muitas. [Aliás, denúncia: eles não gostam de  amendoim! Malditos desenhos animados que víamos na infância.]

IMG_0488
OK, já trabalhamos demais levando essa dondoca de guarda chuva pra passear. Agora, bananas!

E você aprende muito. Como o fato da pobre elefanta ficar grávida por quase 2 anos.

IMG_0466
Max, o elefantinho, nasceu lá por acaso. Resgataram uma elefanta grávida.

Aliás, apesar da pele ser super grossa, eles se queimam facilmente. Então nada mais aprazível que chafurdar embaixo de uma terra qualquer ou jogar uma aguinha no corpo, não?

A Luciana já havia ido para África onde aprendeu que são bichos muito perigosos. E que o ataque de elefantes de uma das principais causas de morte em vários países – e por isso tínhamos que falar baixo quando nos aproximávamos de uma manada.  Observe a expressão de horror dela ao correr risco de morte.

Eles são super sociáveis. Conseguem escutar outro elefante a 8 quilômetros de distância… E sabem nadar!

elephantswimmingjodymacdonald
Foto Jack McDonald

Eles choram, brincam, tem uma memória incrível. E sabem rir! Tudo em elefantês, claro. Demonstram luto, compaixão, sabem quem são, altruísmo…para outros do grupo.

elephanthug
Foto Jack McDonald

Eles cumprimentam outros amigos elefantes quando os amigos foram para floresta e retornam para o bando. Homenageiam outros elefantes quando morrem, tocando os esqueletos com as trombas e pés. Onde um elefante era da turma batuta deles passa dessa pra melhor, eles param um tempinho no mesmo local (independente de quanto tempo passou). E fazem um minutinho de silêncio calados… não é o máximo?

elephantfriends
Foto: Jack McDonald

Escolhendo direitinho, o turismo ajuda a contribuir para o resgate dos elefantinhos de más condições. Mae não coube na mala de volta, mas vou lembrar dela com muito carinho. E, diz a lenda, ela também de mim.

*foto destaque: Donovan van Staden – shutterstock.com

Quem escreveu

Vanessa Mathias

Data

03 de July, 2014

Share

    Adicionar comentário

    Assine nossa newsletter