Tendências dos principais festivais de inovação e criatividade do mundo.
Expressar em palavras o sentimento de bem estar e aconchego que tornam um lugar especial pode ser complicado, pois trata-se do cheiro das árvores, temperatura do vento, velocidade com que as pessoas se olham ou de como sentir-se bem vindo. Bem, tentarei descrever.
Ao norte da França, delimitada por cinco províncias (Aube, Côte des Blancs, Côte de Sézanne, Montagne de Reims e Vallée de la Marne) encontra-se a belíssima região de Champagne, onde as cidades com maior expressão comercial são Épernay e Reims. E, em 1942, foi fundado o CIVC (Comité Interprofessionnel du Vin de Champagne), para garantir a regulamentação da terminologia que dá nome Champagne a todo o vinho naturalmente gaseificado produzido nesta região, bem como para definir o padrão das características de cada variação produzida.
As primeiras impressões sobre a região foram a limpeza e os cuidados com a natureza. A maioria das pessoas fala baixo e sem pressa, ainda assim o serviço é pontual e amigável. Notei também uma certa generosidade no ar, que talvez seja pretensão achar que é para com o turista: estacionamento gratuito mesmo no centro dos vilarejos, preços realistas e entrada franca para adolescentes nas tours e degustações (caráter educativo claro, já que o consumo é proibido para menores).
De fácil acesso, é possível viajar de trem desde Paris até Épernay, Reims e Hautvillers, ou contratar um serviço personalizado,que além do transporte também pode servir como guia para caves e degustações. Alugar um carro também é uma possibilidade: de Paris a Reims são 146km em aproximadamente 1h45min.
No nosso caso, o ponto de partida foi Amsterdã, fizemos 500km em aproximadamente cinco horas em maio, um período bem agradável e bonito, por conta da primavera. Sem querer ofender os pontuais, mas parte da diversão em uma viagem de carro, é se deixar levar… Nada de relógio cronometrando cada minuto. Afinal, quanto tempo leva para descobrir que atrás daquele posto de gasolina tem um bosque lindo? Não saberia responder. Mas sei que tem que ter tempo para se deixar afetar pelo lugar.
Marinheiros de primeira viagem, considerem a visita guiada da cave Pommery, em Reims. Uma tour onde é explicado como desenvolveu-se a cultura do champagne que tornou a região mundialmente conhecida e também a importância da visionária Louise Pommery, que considerava a fabricação do champagne uma arte. O pioneirismo dessa produtora se estabeleceu em 1874, quando apresentou a sociedade francesa o primeiro champagne Brut, um marco na maneira de fabricar e saborear uma das bebidas mais sofisticadas do mundo. Além da produção, parte dos 14km de caves subterrâneas, funcionam como galeria de arte.
O guia explicará bastante sobre a história, fabricação, produção, temperaturas, tipos de uva, enzimas, condições de armazenamento e o tour termina com uma degustação. Durante os 45 minutos de tour, nas caves subterrâneas, estão vídeos instalações, esculturas e exposições temporárias, os guias estão capacitados para responder sobre os artistas e obras em exibição. Na loja, os souvenirs destacam-se do convencional: nada de imãs de geladeira ou canetas com o nome da cidade. É possível levar para casa um Pommery Cuvee Louise e a bolsa para transporte do mesmo.
Também é possível reservar uma visita guiada em inúmeras outras caves, inclusive a da Moet Chandon, em Épernay. Particularmente, acho mais interessante começar pela Pommery, por oferecerem um guia mais detalhado sobre a evolução da tradição e depois seguir explorando as dezenas de pequenos/médios produtores ou os já estabelecidos, através das degustações que são oferecidas diariamente.
$ Kyriad Hotel (Épernay)
$$ La Chevalee (Hautvillers)
$$$ Chateau Les Crayeres (Reims)
$ Café d’ Hautvillers (Hautvillers)
$$ Brasserie Flo (Reims)
$$$ Le Théâter (Épernay)
Já respondendo a pergunta que alguns devem ter em mente: sim, existe bastante controle por parte da polícia. Fomos parados para uso do bafômetro logo no primeiro dia, por isso quem estiver dirigindo não deve beber. Obviamente.
Champagne é daqueles destinos que você vai embora com o calendário aberto, sonhando com o dia da volta. Champagne é bem mais que uma região ou uma bebida, é um estado de espírito.
Tchin-tchin!
*Fotos: Priscilla Dieb
A Priscilla escolheu como mantra a frase de Amyr Klink: "Pior que não terminar uma viagem é nunca partir". Adora mapas e detesta malas. Não perde uma promoção ou um código de desconto e coleciona cartões de fidelidade. Nas horas vagas é diretora de arte, produtora de festas, dj e coletora de lixo nas ruas de Amsterdã. Escreve aqui e no www.almostlocals.com
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