Viagem

Paris com chuva, e daí?

Data

12 de November, 2013

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Sempre tive muita sorte com o tempo por lá, acho até que isso tem a ver com minha paixão pela cidade. Várias vezes em que fui, a previsão era de chuva, mas o sol se abriu na minha chegada e permaneceu até a minha decolagem. Ainda assim, peguei dias de chuva eterna deixando de lado uma das coisas que mais gosto: sentar em mesas na calçada, tomar meu bom vinho e ficar vendo as pessoas indo e vindo, o que na chuva não é uma boa escolha.

crédito foto: http://www.flickr.com/photos/scorbs/3773888411/
crédito foto: http://www.flickr.com/photos/scorbs/3773888411/

Aprendi a curtir Paris debaixo de chuva, pois opções não faltam. Para quem for marinheiro de primeira viagem e não der sorte com o tempo, encarne a Poliana e acredite, é uma boa oportunidade para voltar à cidade e curti-la com outro cenário, afinal para passear pelo Rio Sena, subir na Torre Eiffel e fazer um belo picnic no Parque Luxemburgo, você precisará de mais sorte.

Vamos às dicas de como curtir outras atrações, que também o deixarão satisfeito na sua passagem por lá:

IGREJAS

crédito foto: http://www.flickr.com/photos/vorn/
crédito foto: http://www.flickr.com/photos/vorn/

Paris pode ter sua história contada a partir das igrejas. E são muitas. Estive em Paris no final de julho desse ano, dessa vez com meus pais a tiracolo. Acabei fazendo uma verdadeira romaria visitando 10 igrejas em 3 dias. Acha muito? Pois bem, Paris abriga cerca de 126 igrejas espalhadas nos seus 20 arrondissementsE não precisa ser religioso para visitar igrejas, eu mesma não sou. Para mim, igrejas contam muito sobre a história, arquitetura e cultura de um país. E as igrejas de Paris são lindas e de todos os tamanhos.

Claro que há a lista obrigatória, mas há também igrejas super escondidas que valem a visita. Igrejas já foram refúgios para mim  dar uma boa descansada, rever meu roteiro do dia, observar as pessoas e, claro, me deleitar com a arquitetura.

As básicas com certezas farão parte do seu roteiro e valem a visita:

  • Notre Dame (1163) é uma das mais antigas da cidade e um dos principais pontos turísticos de Paris. Não tem como escapar dela. Na minha última visita com meus pais, tivemos a sorte de pegar uma missa com um trecho em português (eu nem sei rezar, mas acho o culto bonito). Não tem como não se impressionar com ela, mas não deixe de dar a volta na parte de fora dela e visualiza-la por trás. A traseira da Notre Dame é muito mais bonita que a frente (na minha opinião);
  • A minha favorita, a Sacre Couer (1875) com a qual eu tenho uma ligação inexplicável e nas 28 (ou 29) vezes que eu fui à Paris, eu dei uma passada rápida nela (se o tempo estava fechado, inacreditavelmente ele se abria quando eu chegava lá, coisa mística que a gente não sabe explicar). Aproveitando que está por ali, não deixe de passar na Église Saint-Pierre de Montmartre, que fica na lateral da Sacre Couer, foi construída em 1147, ou seja, chegou ali primeiro, mas acaba sendo ignorada pelos visitantes.
  • Saint German des Prés, a mais antiga da cidade. Datada de 542, o que acho incrível, valeu minha visita nessa minha última ida à cidade. Eu sempre fico boquiaberta com qualquer construção bem feita datada antes do ano 1.000, imagina 500!
  • Igreja Saint-Sulpice, vale a visita. É cheia de história, é a segunda mais alta de Paris e ainda conta com 2 obras incríveis do Eugène Delacroix. Tudo se destaca por lá. Na minha última passagem, eu dei de cara com um funeral. Os sinos batiam alto e aquela fila de pessoas bem idosas seguiam o caixão. Foi atípico, mas foi lindo. E ainda dizem por aí que a musa Catherine Deneuve mora na praça da igreja. Se você ama Rimbaud como eu, ainda terá o deleite de ler Le Bateau Ivre num muro quase em frente à igreja. Ou seja, dessa não dá para escapar. É cenário atrás de cenário e com chuva, fica ainda melhor.

Além dessas, 121 igrejas para visitar, uma com mais história que a outra. Vale dar uma lida, ver as histórias mais legais e curtir uma chuva no aconchego ou frieza (depende do ponto de vista) de uma igreja.

MUSEUS

crédito foto: http://www.flickr.com/photos/fmpgoh/
crédito foto: http://www.flickr.com/photos/fmpgoh/

Outra coisa que não falta em Paris são museus, um mais incrível que o outro. Dá para ficar uma semana (ou mais) só batendo pernas em museu, então aproveite a chuva e se refugie um dos mais de 150 listados. Além deles, ainda há mais de 75 galerias de arte, ou seja, se o seu negócio é se inspirar com arte, é só pesquisar e fazer a lista. Além dos museus óbvios que valem a visita, por mais apelo turístico que hoje eles tenham, tem uma infinidade de boas opções para chamar só de suas. Para ver o que está rolando na cidade, espie o Slash Paris, l’officiel Spectacles ou o Sortir à Paris. A dica é sempre comprar seus ingressos online, porque em dias de chuva é pra museu que todo mundo vai, então a chance de se deparar com uma fila, é imensa.

  • Para quem nunca pisou em Paris, vale a ida ao Museu do Louvre (esqueça a Monalisa e vá visitar os quartos do Napoleão). Dá para passar um dia tranquilamente percorrendo seus corredores, comendo e até fazendo comprinhas, porque o lugar abriga até um mini-shopping. Tem muita coisa incrível, mas fuja do burburinho. Tem alas bem tranquilas que ninguém quer ver porque mal sabem do que se tratam. Pesquise muito.
  • Ainda ali, tem o Museu da L’Orangerie, que sempre abriga exposições temporárias incríveis, além de ter as famosas Ninfas do Monet na lista de obras permanentes. Eu já vi exposições lá de cair o queixo, como a da Diane Arbus, que me arrancou lágrimas num dia pra lá de chuvoso.
  • O Museu D’Orsay é parada obrigatória até para quem não gosta de museu, pois a arquitetura é de cair o queixo. O acervo é incrível, sempre tem boas exposições temporárias, além de ter bons restaurantes, um assinado pelos irmãos Campana, uma lojinha para perder horas querendo levar tudo. É o museu que sempre me emociona quando percorro seus corredores.
  • Centre George Pompidou, que é um dos meus cantos favoritos. Vou pra lá nem que for para perder horas nas 2 lojas e ainda tomar um bom café ou para tomar um drink na cobertura. Já vi as exposições mais incríveis por lá, já me emocionei e me inspirei o suficiente para sair de lá afirmando que para São Paulo eu não voltaria. Mas voltei e sempre que posso, vou lá me inspirar. Eu adoro passar intermináveis horas por lá, nem que for sentada no saguão com o computador a tiracolo ou um bom livro para acompanhar.
crédito foto Musee Carnavalet: http://www.skyline-frankfurt.com/en/cities-international/paris/
crédito foto Musee Carnavalet: http://www.skyline-frankfurt.com/en/cities-international/paris/

Sei que listei os óbvios, mas para mim eles sempre são novos e sempre que posso eu vou, com exceção do Louvre que me dá certa preguiça. Além deles, há uma infinidade de boas escolhas que, na maioria das vezes, reservam boas surpresas. Eu super recomendo o Musée Carnavalet para conhecer melhor a história de Paris; Fundação Cartier sempre tem boas exposições de fotografia, mas fica esperto com os horários e dias de funcionamento; outra boa opção para quem curte fotografia é a Maison Européenne de la Photographie. A La Maison Rouge foi uma das boas surpresas na minha penúltima ida à Paris. É uma fundação privada que promove arte contemporânea, apresentando 3 exposições anuais muito bem escolhidas. O lugar, que fica pertinho da Bastilha, ainda conta com uma Rose Bakery para tomar um café.

Para quem ficou preso ao impressionismo, a parada obrigatória é o Museu Marmottan Monet, que hoje tem o maior acervo de obras do Monet, já que em 1966 o museu recebeu várias doações do acervo do filho do artista, além de ficar numa área nobre de Paris conhecida como NAP (Neuilly, Auteuil e Passy), que são três bairros elegantes ao lado do Bois de Boulogne, um lindo parque pra você visitar num dia ensolarado.

Também tive uma ótima experiência no Musée Maillol, onde tive a grande sorte de pegar a exposição “That’s Life ! – Vanities from Caravaggio to Damien Hirst”. Dois lugares que eu também amo são o Grand Palais e o Au Palais de Tokyo. Por último (e sofrendo, já que a lista não acaba), vá conhecer o Cite de la Musique, que no momento está com a exposição Europunk, ou seja, se você gosta de música, trata de coloca-lo na sua lista.

COMPRAS

Centre Commercial

Porque ir para Paris e não trazer uma sacolinha a mais é quase motivo de alta na terapia. Paris não é uma das cidades mais baratas, mas sabendo onde ir, sempre vão aparecer boas opções de compras. Fuja das grandes galerias, mesmo que em dias chuvosos você acredite que lá é seu único refúgio, mas não é. Compre um bom guarda-chuva e vá bater perna em Marais, que tem uma lista infindável de lojas charmosas. Bata muita perna entre a Rue du Temple, Rue Bretagne, Rue des Francs Borgeois, Rue Vielle du Temple, Rue des Archives, Rue des Rosiers e vai se perdendo entre todas elas, pois sempre vai ter um ótimo achado. Eis meu canto favorito, posso passar uma semana em Paris sem sair desse quadradão. Além de lojas, há também inúmeros cafés, restaurantes, galerias de artes e gente bonita. Não deixe de passar na FrenchTrotters, multi-marcas super descolada com uma seleção de peças de cair o queixo. Estando por ali, dá uma espiada na Galerie Xippas, tome um brunch na Rose Bakery ou no Nanashi, almoce no Cafe Charlot e depois tome um vinho (ou cerveja) no Le Progrès. E dê uma passada no Le Marché des Enfants Rouges.

Outro lugar ótimo para bater perna é o Canal de Saint Martin, que entre tantas lojas bacanas, tem o Centre Commercial, onde comprar é mais acessível que a Colette, por exemplo. Por ali tem também uma pequena loja de livros de design de cair o queixo, a Artazart Design Bookstore.

Caso você esteja do lado de lá do rio, em Saint-Germain-de-Prés, vá passear no Le Bon Marché. O lugar é incrível, tem boa comida, todas as grandes marcas estão reunidas lá. Depois vá bater perna na charmosa Rue de Buci e não deixe de visitar a loja da Taschen. Se o seu lado turístico estiver brilhando, vá tomar um vinho no Cafe de Flore. Depois pega o guarda-chuva e vá a City-Pharma, a farmácia mais barata de Paris, mas vá munido de paciência porque o lugar bomba mesmo com locais.

Para quem ama cerveja, anota a People’s Drugstore, que conta com mais de 550 rótulos de cervejas com preços imbatíveis, incluindo brasileiras, mas essas você compra aqui. Aproveita para visitar a loja caso você esteja na região de Pigalle. Rola pedir para gelar a cerveja na hora e tomar por lá mesmo enquanto discorre sobre o assunto “cerveja” com um dos dois donos, que falam inglês.

Caso tenha achado que lugar pra gastar dinheiros é a Champs-Élysées, não deixe de visitar  o Espace Culturel Louis Vuitton, que tem entrada na rua atrás da loja (esqueça a loja). Na minha última passagem peguei uma exposição de arte contemporânea incrível, não paguei nada e ainda saí de lá com um belíssimo catálogo a tiracolo.

COMER OU BEBER

Credito foto: NarikosNest
Credito foto: NarikosNest

Apesar de ser considerada uma das capitais da gastronomia, não acho que Paris é o lugar que esbanja comida boa em qualquer esquina. Recomendo pesquisar, pois tem muita comida meia-boca e lugares pretensiosos. Como estamos falando em dias chuvosos, eu recomendo escolher um ótimo lugar para comer, já que com chuva dá para fazer as coisas sem pressa. Deixe o preconceito de lado e experimente outras cozinhas além da francesa, em Paris, pois você terá boas surpresas.

Eu já comi pizza boa, melhor que a maioria que encontramos por aqui; virei os olhos comendo sanduíche de pastrami e hambúrguer numa deli no meio do Marais e, claro, me esbanjei em boa comida internacional e mesmo a francesa.

Aos empenhados na cozinha, nada como aproveitar um dia chuvoso para colocar a barriga no fogão fazendo uma aula de gastronomia. Opções não faltam, mas eu ainda não testei nenhuma. Caso tenha alguma dica, compartilha aí com a gente nos comentários. Uma ótima dica é ir tomar chá e comer um chifre de gazela (corne de gazelle) na Mesquita de Paris, além de ainda contemplar a bela arquitetura do edifício construído em 1920 e inspirado na Alhambra (Espanha). Quer algo mais inusitado que essa opção?

A lista de lugares para ir é imensa, então recomendo pegar a lista que fiz no foursquare, que tem boas opções para beber, comer e também se divertir. Além disso, não esqueça de conferir a programação noturna, pois sempre tem bons shows. Eu recomendo consultar sempre o songkick (baixa o app e deixe ele à mão).

PASSAGENS

Crédito foto: http://www.etsionsepromenait.com/blog/2012/2/3/la-galerie-vivienne.html
Crédito foto: http://www.etsionsepromenait.com/blog/2012/2/3/la-galerie-vivienne.html

Uma das coisas mais charmosas de Paris são as passagens ou “galerias” como costumamos chamar por aqui. Sempre tem lojinhas e outras surpresas escondidas.  Uma das minhas favoritas é a Galerie Vivienne, construída em 1823, que conta uma livraria que vende livros raros, uma casa de chá e lojinhas tão charmosas quanto a galeria. A arquitetura é de tirar o fôlego em apenas 176m de comprimento e 3m de largura.

Algumas passagens para bater perna enquanto a chuva cai lá fora, todas no 2ème, assim como a Vivienne: Passage Du Grand Cerf, Passage des Panoramas e Galerie Colbert. Caso esteja no 1er, procure pela Galerie Véro Dodat e no 10ème a boa pedida é a Passage Brady, a mais exótica de todas, pois fica no coração do bairro turco e curdo, vai te colocar num clima Bollywood.

*Foto destaque: Miguel Pinheiro – shutterstock.com

*Agradeço ao meu amigo (e padrinho) Domingos, que fica sempre à tiracolo comigo quando estou em Paris, me mostrando novos lugares e me deixando ainda mais apaixonada e derretida pela cidade. As dicas das passagens e de comer na mesquita são deles, que adora flanar em Paris

Data

12 de November, 2013

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