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Cusco: guia para aproveitar a capital dos andes peruanos

Data

08 de May, 2018

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É normal que turistas passem pouco tempo, cerca de dois dias, em Cusco (ou Cuzco, as duas grafias são válidas). A antiga capital do império Inca é um dos principais destinos de visitantes ao Peru e serve principalmente como ponto de chegada e partida para quem vai a Machu Picchu. Cusco é onde está o aeroporto, a maioria dos hotéis e agências de viagem da área. Mas também é bem mais que isso e merece uma visita: é uma cidade antiga, bonita, muito interessante e bastante cosmopolita. O que fazer por lá? Vem comigo que eu conto.

Comer & Beber

A gastronomia é parte importantíssima de uma viagem ao Peru — leia mais sobre isso nesse guia da capital do país, Lima. A cozinha peruana esbanja criatividade e abundância de ingredientes, principalmente os vegetais como milhos, cogumelos e batatas, e conversa com influências estrangeiras – em especial a chinesa – presente na tradição chifa, mistura de ingredientes locais com técnicas asiáticas. Um dos pratos peruanos que você vai encontrar em todos os cardápios, o lomo saltado (carne vermelha salteada com tomates, cebolas e molho de soja, normalmente acompanhado de batatas fritas) é parte da cozinha chifa.

Restaurante Causa Morena, Cusco
Isso é uma “causa”! Essa é de frutos do mar e você encontra no Morena Café / Gaía Passarelli

O Morena Café, perto da Plaza de Armas, é um lugar gostoso para tomar drinks e ouvir musica. Não deixe de comer uma porção das ótimas causas (petiscos frios que são pequenas torres de purê de batata com recheios que podem ser camarões, abacate, tomates e qualquer coisa que a criatividade permita). Para matar a fome, vá de parihuela, uma sopa de frutos do mar bem rica e temperada.

O Mercado San Pedro (leia mais sobre ele nesse post da Lalai!) é uma parada para qualquer momento: aqui você pode tomar uma jarra de suco fresco no café da manhã, almoçar alguma coisa barata e substanciosa (locais piram no polo asado!) e comprar ingredientes para cozinhar ou comer depois, como pães, chás e castanhas. Se estiver com espírito aventureiro, procure as señoras vendendo espetos de cuy nas saídas laterais – cuy é a carne andina mais popular e barata, conhecida aqui no Brasil como porquinho da Índia.

Quem curte comida a sério vai gostar de saber que o celebrado chef peruano Gastón Acúria tem um restaurante em Cusco, o Chicha. Como nos outros restaurantes assinados por ele, como Astrid y Gaston e Tanta, a carta é baseada na riqueza de ingredientes e técnicas peruanas com recorte autoral. Mas atenção: vive lotado. Não deixe de garantir reserva.

Outra entrada frequente nas listas de melhores experiências gastronômicas de Cusco é o acolhedor e delicioso Cicciolina, que fica no segundo andar de numa casa colonial com pátio, toda decorada com peças de arte. É o melhor lugar para comer tapas (o cardápio é sazonal) acompanhadas de boa oferta de vinho sul-americano (inclusive peruano!). Só não deixe de reservar. O Cicciolina também vende pães na parte debaixo do restaurante e (atenção, dica boa!) tem um serviço incrível de piqueniques em locações especiais nos arredores de Cusco — morra de vontade vendo por aqui.

A cidade é bem generosa com os vegetarianos, o que não é difícil dada a imensa variedade de vegetais do país. Um dos restaurantes vegetarianos mais recomendados na cidade é o Greens, pertinho da Plaza de Armas e aberto para almoço e jantar — chegue cedo e pegue a única mesa na pequena varanda! O menu muda sazonalmente, sempre com ingredientes frescos vindos da horta do restaurante em Lamay, no Valle Sagrado. Há uma ótima oferta de sucos e cervejas artesanais locais.

Não quero terminar sem falar do meu prato peruano preferido: o ají de gallina. É basicamente frango desfiado cozido em um molho cremoso de pimenta amarela, servido com arroz branco com milho. Assim como o lomo saltado, você vai encontrar o ají de gallina em qualquer menu de almoço de restaurantes populares. O melhor que comi foi no Marcelo Batata, um restaurante tradicional de Cusco que trabalha com pratos e ingredientes típicos em um ambiente informal porém sofisticado. É menos concorrido que os citados acima, então é mais fácil conseguir mesa sem reserva, mas não conte com isso na alta temporada (entre junho e agosto). O Batata em pessoa também oferece a cooking class mais concorrida (e, dizem, a melhor) de Cusco, apresentando ingredientes e pratos locais enquanto serve bons drinks. Pela fotos parece bem animado. Para saber como reservar, use esse link.

Onde ficar

Como boa cidade turística, Cusco tem hospedagem pra todos os gostos e bolsos. Hotel chiquérrimo para experiência única e exclusiva? Tem. Hostel com quarto compartilhado de 16 camas? Tem também. Vasta oferta de AirBnb? Pode apostar que sim.

Cusco é um hip de viajantes pelo Peru, então se seu lance é hostel, você vai encontrar de todos os tipos. É questão de pesquisar disponibilidade e estrutura. Uma dica é checar água quente (falta água em alguns horários e áreas de Cusco e isso pode ser complicado se você está repartindo banheiro) e também levar em conta a geografia local, porque chegar com mochilas super pesadas a pé na parte alta de Cusco pode ser um problema. Como em qualquer coisa relacionada a viajar, pesquise antes. Uma boa dica de hostel bem localizado, com água quente, wifi, opção de quarto privado, sala comunitária, armários, roupas de cama gratuitas e atividades para os hóspedes é o Pariwana.

Para ter uma experiência inesquecível de hotel categoria alto luxo, a melhor escolha é provavelmente o Belmont Monastério, na Plazoleta de Nazarenas. Como o nome diz, o hotel ocupa o antigo monastério da cidade (que também foi um palácio inca antes da chegada dos invasores europeus) e tem tudo que você espera de uma construção histórica, incluindo grossas paredes de pedra e lendas sobre fantasmas que passam nos corredores. Vale a pena conhecer mesmo que não caiba no seu orçamento, porque o lugar é verdadeiramente belo — já fiquei lá e falei sobre ele em 2015 nesse post no meu blog. O café da manhã pode ser desfrutado por não-hóspedes (cheque os valores antes!) e vale cada centavo de sole.

Parede do lobby do El Retablo / Gaía Passarelli
Parede do lobby do El Retablo / Gaía Passarelli

Dois bons hotéis que posso recomendar por experiência recente: o El Mercado e o El Retablo, ambos do grupo Mountain Lodges of Peru. Ambos são super confortáveis, tem quartos silenciosos e climatizados e com café da manhã completo. O Mercado fica bem perto da Plaza de Armas e é mais luxuoso, tem um restaurante incrível no térreo e um pátio aberto onde de noite rola fogueira e música. Já o Retablo fica na parte alta e tem como destaque a decoração inspirada nas pinturas peruanas, e em especial na arte do retábulo, que são esses pequenos altares coloridos:

Para se inspirar

Se você está indo para Cusco com agência de turismo, a chance é que já tem o famoso boleto turístico reservado. Se não, é só ir até o escritório principal do turismo de Cusco (COSITUC) que fica no centro da cidade, e comprar na hora. Esse link tem as informações completas e os amigos do blog Sunday Cooks explicam direitinho como funciona nesse guia super completo. O boleto dá acesso a 16 dos principais pontos de interesse histórico da cidade, como o antigo templo do sol, ou Korikancha (que tem um museu bem pitoresco no subsolo, debaixo do gramado) e as impressionantes ruínas de Sacsayhuamana Lalai contou nesses posts sobre nossa aventura em Cusco! Há diferentes modalidades (ou “roteiros”) de boletos de acordo com o que você quer (ou tem tempo de) ver.

Fora do boleto turístico há pelo menos dois museus imperdíveis: o Museo Inka ocupa um casarão do século 16 logo acima da Plaza de Armas. Custa apenas dez soles (cerca de R$10) para entrar e, apesar meio antiquado e com iluminação deficiente, exibe uma interessante seleção de peças arqueológicas dispostas em ordem cronológica e geográfica. É bem bom para perder umas horas entendendo o que você vai ver quando partir em viagem para o Valle Sagrado e Machu Picchu. Tem uma loja meio improvisada no pátio com boas peças artesanais ofertadas em parcerias com comunidades. Não é especialmente barato, mas é bem autêntico, vale ver com cuidado e investir. E o Museo de Arte Precolombino na Plazoleta Nazarenas, divide as salas por materiais e tem peças religiosas e de uso cotidiano de diferentes tribos e culturas que ocupavam o que hoje é o território peruano. A parte dedicada ao ouro é impressionante. A entrada é vinte soles.

O Planetário de Cusco é um programa pouco falado mas super interessante, especialmente se você se apaixonar pelo tema da arqueoastronomia, o estudo da astronomia dos povos antigos. Não é um programa para fazer na temporada de chuvas (entre novembro e fevereiro) já que os telescópios estão em espaço aberto. Você vai entender qual a ligação das estrelas com as linhas da cidade de Cusco e outras locais e estruturas dos antigos povos dos Andes. Fica fora da cidade e não adianta ir até o local: é preciso fazer reserva e encontrar com o grupo na Plaza de Armas.

San Blas, Cusco
Caminhando pela parte alta San Blas você vai encontrar menos turistas e alguma tranquilidade / crédito: Shutterstock

San Blas, o chamado “bairro boêmio” nas pirambas acima da Plaza de Armas, é a área para se perder e passear. Comece subindo de uma vez até o Mirador San Blas, de onde você consegue ter uma ótima visão da cidade de dia. Ao lado do mirador há um bar e restaurante, o Limbus, que afirma ter tem a melhor vista da cidade – eu acredito. O programa em San Blas, além de ver artesanato na pracinha ao lado da igreja que batiza o bairro, é bater perna pelas vielas, encontrando lojinhas (a King of Maps vende mapas super trabalhados que podem virar um presente legal) e ateliês artísticos que normalmente estão com portas abertas. San Blas também é o bairro mais gostoso de Cusco para tomar um café tranquilo. Procure o L’Atelier, de um expat francês, que além de cafés e bolinhos tem peças lindas garimpadas em Cusco mesmo.

Na praça, ao lado da igreja San Blas, não deixe de entrar no pequeno Museu da Coca, uma declaração de amor às folhas verdes que dominam a cultura Inca. Há artefatos antigos, fotografias de rituais, uma porção de informações científicas, todo tipo de produto feito com coca (de refrigerantes a biscoitos) e um peculiar espaço com homenagens à artistas “vítimas da cocaína” como Freddie Mercury e Amy Winehouse. Nota: folha de coca é diferente de cocaína e a entrada no Brasil com produtos comestíveis e/ou as folhas de chá é perfeitamente legal. O mesmo não vale pros EUA, onde as folhas são proibidas.

Compras

Basta andar pelas ruas de Cusco Vieja para encontrar uma oferta avassaladora de souvenires, ponchos, retábulos, colares e anéis em prata e jóias semi-preciosas, miniaturas de Machu Picchu, bolsas coloridas bordadas e afins. Os preços são mais ou menos iguais em todo o lugar. Se você é do tipo que compra essas coisas (eu sou!) recomendo deixar a escolha pro final da viagem.

Muita gente procura ingredientes culinários e nesse sentido o Mercado San Pedro é imbatível: quinoa, milhos, chia, sal grosso das salinas de Maras, grãos de café, barras de chocolates com 100% de concentração de cacau (experimente por sua própria conta e risco, amigo!) e pós com promessas milagrosas como a maca (um tipo local de guaraná em pó) são vendidos em quantidades que você pode levar na bagagem de volta. Procure também as barracas de artefatos religiosos e os ótimos pilões de pedra para usar na cozinha!

A maior commodity turística de Cusco é tecido bordado e nesse quesito o Centro de Textiles Tradicionales del Cusco (CTTC) é o lugar para aprender sobre essa arte ancestral e comprar a coisa certa. Na hora você nota a diferença entre o que é artesanal e o que é industrializado. As peças são numeradas e vem com o nome e vilarejo de quem a produziu. Não são baratas (uma manta de casal pode custar quase U$300) mas leve em consideração a qualidade do material, o tempo de produção e o fato de que uma peça dessa dura para sempre. O CTTC também tem um pequeno porém bem montado museu, com exemplos de arte em tecelagem.

CTTC, Cusco, Peru
Artistas da tecelagem cusqueña fazem demonstração dentro do CTTC. Foto: Gaia Passarelli

Ainda sobre comprar lã: se você for procurar por alpaca e em especial pela macia, maravilhosa e valiosa lã de baby alpaca, saiba que não vai gastar pouco. Uma malha lisa em uma cor só, sem detalhes, pode custar uns U$100. Mas é aquela coisa: escolha com cuidado, cuide bem e use para sempre. A Sol Alpaca (tem uma loja boa na Plazoleta Narazarenas, na frente do Museu de Arte Precolombiana) é uma das butiques chiques com produtos de qualidade garantida. As lojas populares vendem lã sintética misturada com alpaca. Já as pequenas butiques de San Blas, como a A La Lau!, vendem ponchos e mantas lindos feitos por criadores locais.

Uma última dica: o mal de altitude que ataca algumas almas menos preparadas para respirar e viver a mais de 3.000 metros acima do nível do mar (tipo eu) é localmente chamado soroche. Há remédios industrializados nas farmácias (que custam o dobro no aeroporto, fica esperto). O remédio imediato natural são as folhas de coca, que você encontra tanto em farmácias quanto em mercados e lojas de lembranças. As folhas mastigadas diminuem os sintomas do soroche como enjoos, sonolência, maus humores e desânimo. Outro conselho eficiente é dar uns dois dias sem fazer muito esforço e comendo comidas leves, dando tempo para seu corpo acostumar com o ar mais rarefeito.

*Por Gaía Passarelli

Data

08 de May, 2018

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Comentários

  • Oi, Gaía. Tudo bem? Muito obrigada por indicar o post do Sundaycooks. Ficamos felizes :D Bjs Natalie
    - Natalie Soares
  • Vale a pena conhecer também o shopping Plaza Real Os preços são os melhores que já vi
    - Kleison
    • Dica anotada :)
      - Lalai Persson

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