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Flow Festival: curadoria impecável, sustentabilidade e paridade de gênero

Quem escreveu

Lalai Persson

Data

16 de August, 2019

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Eu fui para o Flow Festival com as expectativas nas alturas só pelas fotos que vi, resenhas que li e, claro, pelo line-up apuradíssimo para 2019. Ainda assim, o Flow foi uma ótima surpresa e entrou para a minha lista “Top 3: melhores festivais de música que já fui”.

E esse telão mara? Foto: Konstantin Kondrukhov / Flow Festival
Foto: Petri Anttila / Flow Festival
O segundo palco principal. Foto: Flow Festival

Um público de 83 mil pessoas em 3 dias de festival com 10 palcos, mais de 170 artistas, sendo 63% mulheres e/ou banda com mulheres, o que garantiu ter a mulherada tocando em metade dos palcos do festival o tempo todo. O palco Resident Advisor, por exemplo, levou 17 produtores & DJs pra tocar nele. Desses, 12 eram mulheres ou trans, lembrando que a cena de música eletrônica ainda é dominada por homens, mas o Flow saiu na frente e está mostrando a nova cara dessa cena.

Robyn, Flow Festival. Foto: Riikka Vaahtera
Red Garden, uma celebração do vermelho no Flow Festival. Foto: Riikka Vaahtera
The Black Madonna no palco do Resident Advisor: Konstantin Kondrukhov / Flow Festival
The Black Madonna no palco do Resident Advisor: Konstantin Kondrukhov / Flow Festival

A curadoria musical do Flow é a cereja do bolo como deve ser. Música eletrônica com artistas emergentes e consagrados, headliners para todas as gerações (The Cure, Erykah Badu, Solange, Robyn, Tove Lo, Neneh Cherry, James Blake, são alguns nomes), um palco dedicado à música experimental para quem gosta de música avant garde e outro dedicado ao jazz que surpreendeu com lendas vivas, como o saxofonista Pharoah Sanders, que você nunca achou que veria ao vivo (e acabou vendo no gargalo e chorou de emoção).

Pharoah Sanders, a lenda do jazz no Flow Festival. Foto: Konstantin Kondrukhov / Flow Festival
Pharoah Sanders, a lenda do jazz no Flow Festival. Foto: Konstantin Kondrukhov

A produção é impecável pensada para cada cantinho do Suvilahti, uma antiga usina elétrica onde o Flow acontece e seu entorno. O resultado é um cenário de conto de fadas em forma de festival.

Reakor Stage – Flow Festival. Foto: Riikka Vaahtera.
Foto: Petri Anttila / Flow Festival
Flow Festival. Foto: Riikka Vaahtera.
Red Garden. Foto: Riikka Vaahtera / Flow Festival

O público geral chamou atenção pela diversidade (considerando que estamos falando de Escandinávia). Está todo mundo lá. Dos 18 aos 70 anos, a programação contempla música para todos os gostos. No domingo o Flow faz um chamado geral para o público ir com a família toda para celebrar o último dia de festival. Neste dia rola uma programação especial para as crianças, que até os 12 anos não pagam ingressos, com música, brincadeiras, workshops. Carrinhos de bebês e crianças tomam conta do local.

Público de todas as idades. Foto: Konstantin Kondrukhov / Flow Festival
Público bem diverso. Foto: Flow Festival
Muita montação. Foto: Konstantin Kondrukhov / Flow Festival
Domingão em família no Flow Festival. Foto: Mia Närkki

A área de alimentação é espalhada por todos os cantos com ótimas opções para vegetarianos e veganos (cerca de 50% do cardápio), além de restaurantes assinados por chefs finlandeses badalados, totalizando cerca de 40 vendors e 20 bares. Aliás, a cozinha asiática era a mais presente no festival. Barato não é, mas estamos falando da Finlândia. O preço médio dos pratos era 15 euros por uma boa refeição. A cerveja a 7 euros é uma facadinha no coração, mas também era possível comprar garrafa de vinho ou champagne por 39 euros para compartilhar com os amigos, ou cidra por 8 euros e coquetéis por 13. Não tem cashless, pagamento pré-pago muito utilizado por aqui e mundo afora, mas também não tem fila.

Polvo grelhado do restaurante Andreas. Foto: Andrew Taylor / Flow Festival
Polvo grelhado do restaurante Andreas. Foto: Andrew Taylor / Flow Festival
O velho e bom burger. Foto: Samuli Pentti / Flow Festival
Emo Restaurante. Foto: Andrew Taylor / Flow Festival

O Flow é um dos festivais mais limpos que já fui na vida. Tudo nele é reciclável, tornando o festival 100% carbon free. Os resíduos são todos direcionados para a produção de energia ou reutilização do material. O público tem a opção de receber 1 euro por lata, garrafa ou taça, ou doá-los para o projeto de reflorestamento que aconteceu dentro do festival. Apesar da tentação do 1 euro de volta, este ano o número doado converteu em 11.700 árvores plantadas em Madagascar. Eu fiz a minha.

Reciclagem. Foto: Shoot Hayley / Flow Festival

O conforto dos frequentadores é pensado minuciosamente, afinal a programação diária é de pelo menos 12 horas. Ter áreas para descanso, apesar de ser algo básico, é essencial e muitos festivais não tem. O Flow tem diversos lounges espalhados próximos a todos os palcos, além de colocar sofás ou puffs nas áreas dos palcos menores.

Área de descanso. Foto: Andrew Taylor / Flow Festival
Área de descanso. Foto: Flow Festival
Café. Foto: Samuli Pentti / Flow Festival
Sentadinhas de frente pro palco principial. Foto: Samuli Pentti / Flow Festival
Área de descanso. Foto: Flow Festival

Os banheiros estão por todos os lados e estiveram viáveis para uso do início ao fim. Após a chuva que teve no início do domingo, por exemplo, que formou lama na entrada de alguns banheiros, logo foram preenchidas com folhas secas para não virar caos. A água é gratuita como deveria ser em qualquer festival. Um bom jeito de distribuir água gratuita é ter uma marca fazendo essa ativação como no Flow. Você pode levar sua garrafinha de casa e enchê-la em diversos pontos espalhados pelo festival. Na hora da chuva, capas foram distribuídas gratuitamente.

Pontos de distribuição de água feitos pela HSY, no Flow Festival. Foto: Mia Närkki

O tamanho do Flow também permite que você assista bem qualquer show que vá, do pequeno ao grande, não há lugar ruim para vê-lo. Eu vi de pertinho a Robyn, o The Cure (que fez um show de 2 horas!), o James Blake, a Solange, a Tove Lo, a Nina Kraviz, a Erykah Badu, o Stereolab, o Tame Impala, o Pharoah Sanders & Quartet, o Macaya McCraven, a Carista, a Bamba Pana (Nyege Nyege), a The Black Madonna, a Lena Willikens & Ivkovik, o Darryn Jones, o Modeselektor, o Disco Obscura, o Theo Parrish, a Kelly Moran, o clarinetista turco Cüneyt Sepetçi, só para citar alguns que vi e amei.

The Cure. Foto: Konstantin Kondrukhov / Flow Festival
Stereolab. Foto: Konstantin Kondrukhov / Flow Festival
James Blake. Foto: Konstantin Kondrukhov / Flow Festival
Lena Willikens & Ivkovik. Foto: Konstantin Kondrukhov / Flow Festival

Para os bon vivant o Champagne Bar & Lounge é um ótimo lugar para relaxar com boa música, enquanto os apreciadores de bons drinks ganharam um bar dedicado aos coquetéis. Quem gosta de se montar, o palco Red Garden era o lugar perfeito para estar. Nele, drag queens e muita gente levando a cabo o “red” vestia vermelho da cabeça aos pés para virar a tarde dançando disco e house music. No momento da preguiça, o cinema e o palco The Other Sound (música experimental) eram ótimos refúgios.

Red Garden. Foto: Flow Festival
Red Garden. Foto: Flow Festival

A arte também está bem presente no Flow com belíssimas instalações em vários de seus corredores. As marcas patrocinadoras, além de assinarem os palcos, fizeram ativações sem transformar o festival num “shopping center de marca”. Ao contrário, ativações em forma de serviço eram as mais comuns.

Flow Festival – iittala Vintage Bar. Foto: Andrew Taylor

Caso você esteja procurando um festival para conhecer que alie ótima produção e qualidade musical, o Flow pode certamente entrar para a lista. Decepção não vai ter. Ao contrário, vai ser mesmo o desejo de voltar. Aliás, o Flow é um festival perfeito para ir sozinho. Então nos vemos em 2020? Ele acontecerá de 14 a 16 de agosto de 2020, em Helsinki, na Finlândia. Já pode marcar a passagem.

Quem escreveu

Lalai Persson

Data

16 de August, 2019

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Lalai Persson

Lalai prometeu aos 15 anos que aos 40 faria sua sonhada viagem à Europa. Aos 24 conseguiu adiantar tal sonho em 16 anos. Desde então pisou 33 vezes em Paris e não pára de contar. Não é uma exímia planejadora de viagens. Gosta mesmo é de anotar o que é imperdível, a partir daí, prefere se perder nas ruas por onde passa e tirar dicas de locais. Hoje coleciona boas histórias, perrengues e cotonetes.

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