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Lugares tradicionais no Rio de Janeiro pra ouvir música ao vivo

Quem escreveu

Marina Ivo

Data

15 de April, 2019

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Apresentado por

Quem não gosta de descobrir uma roda de choro, um showzinho de forró cheio de bossa ou um bar tradicionalmente boêmio com uma programação musical incrível? Esse artigo trata justamente dessa agenda musical anônima (ou quase) que corre na boca pequena entre os cariocas, no Rio de Janeiro.

O chorinho na praça que é famoso na vizinhança. O bar tradicional em Copacabana que recebe turistas mais antenados. O clube de jazz que já virou moda entre músicos. São pequenos grandes locais quase sempre com o DNA de seus donos. Nesses espaços, uma rede de amigos acaba se formando. Sem patrocínio, sem assessoria de imprensa, nem publicidade, eles seguem firmes. O charme está justamente aí. Os músicos são de primeira e o clima do local também. Quando não tem couvert, é de bom tom contribuir com uma quantia no chapéu.

Segunda tem Samba da Gávea

Lugares pra ouvir música ao vivo no Rio - Samba da Gávea. Foto: Marina Ivo
Lugares pra ouvir música ao vivo no Rio – Samba da Gávea. Foto: divulgação

A semana começa na segunda-feira com uma roda de samba diferente. Se você procura a catarse coletiva de cantar sambas-hits dançando com mãos pro alto, esqueça. O Samba da Gávea, definitivamente, não é esse lugar. Isso porque Pedrinho Miranda, João Cavalcanti, Alfredo Del-Penho, Luís Filipe de Lima, Thiago da Serrinha, Paulino Dias e Bruno Barreto, músicos da Zona Norte e Sul da cidade, optaram por utilizar o som acústico e mostrar canções autorais e outras joias esquecidas de grandes compositores. As duas escolhas trouxeram um clima intimista pra roda, semelhante a um concerto ou sarau. Ouvir as letras das músicas e a harmonia dos violões é prioridade por ali. A percussão – mais suave – acaba ficando de pano de fundo, o que inverte totalmente a lógica do samba. Desde a sua formação em junho de 2017, a roda se transformou em um núcleo de criação de novas músicas e parcerias. O time principal já teve a colaboração de bambas como Teresa Cristina, Zé Renato, Pedro Luis, Mosquito, Roberta Sá, Max Vianna e até mesmo da portuguesa Ana Moura, que foi prontamente acolhida pela roda de samba e a plateia, transformando a Da Casa da Táta numa Casa de Fado.

Samba da Gávea – Da Casa da Táta
Rua Professor Manoel Ferreira, nº 89 – Lojas N e O – Gávea
Telefones: 2511-0947. Às segundas-feiras, às 20h (chegar um pouco antes porque lota).
Ingresso: R$ 30.

Terça com jazz

Lugares pra ouvir música ao vivo no Rio - Armazém Cardosão. Foto: Marina Ivo
Lugares pra ouvir música ao vivo no Rio – Armazém Cardosão. Foto: Marina Ivo

O Rio de Janeiro com jeitinho de cidade do interior. É assim o jazz que acontece toda terça no Armazém Cardosão, um casarão com cara de mercearia de secos & molhados. As mesas do bar ficam na rua sem saída de paralelepípedo e, de quebra, tem um parquinho e uma quadra esportiva para os pequenos. O local era o boteco de estimação do músico Ney Conceição, que toda semana assistia aos jogos do Flamengo por ali. Há cinco anos sugeriu ao dono do bar implementar um jazz ao vivo às terças e, desde então, reúne os amigos e clientes para uma espécie de pelada musical, como ele diz, é a cervejinha no meio da semana com boa música. O Ney Conceição Quinteto é formado por Erivelton Silva (bateria), Luiz Otávio (piano), Bernardo Bosisio (guitarra), Ari Matea (trompete), além do seu líder no contrabaixo. Os cinco privilegiam músicas brasileiras de Tom Jobim, Moacir Santos, Edu Lobo, Gilberto Gil com arranjos e sonoridades próprias. Alguns minutos antes das 21h, o quinteto toca “A Rã”, de João Donato. “É o nosso aviso que estamos encerrando os trabalhos para os vizinhos ficarem tranquilos”, explica Ney.

Ney Conceição Quinteto no Armazém Cardosão.
Rua Cardoso Júnior, 312. Laranjeiras.
Tel: (21) 2225-3493. Às terças-feiras, das 18h às 21h.
Contribuição no balde R$ 20.

Forró Jazz Cigano Tropical na Fundição

Forró Sexteto. Foto: Divulgação
Forró Sexteto Sucupira. Foto: Divulgação

“Mas isso não é forró.” Essa era a frase que o Sexteto Sucupira mais ouvia até que Alexandre Bittencourt (sopros) solucionou o problema cunhando o estilo musical do grupo como Forró Jazz Cigano Tropical. O forró é o fio condutor para misturar gêneros musicais que os integrantes trazem na bagagem: música árabe, salsa, kumbia, jazz. O resultado é um bailão cheio de personalidade e de altíssimo nível musical. O salão do Mercado Fundição, com vista para os Arcos da Lapa, fica lotado desde às 21h quando o professor Marcelo Medusa inicia a divertida aula de forró gratuita. Quando o sexteto – Rudá Brauns (bandolim), Felipe Chernicharo (violão), Max Dias (baixo), Lucas Videla (percussões), Cláudio Lima (bateria), além de Alexandre – entra em cena, os casais já se formaram e a noite esquenta com o arrasta pé que inclui desde dançarinos tarimbados de pés descalços até gringos que se aventuram pela primeira vez no dois pra lá dois pra cá. Ninguém fica de fora.

Sexteto Sucupira na Fundição Progresso
Rua dos Arcos, 24. Tel: (21) 3212-0800. Às quartas-feiras, das 20h30 às 3h.
Gratuito até 21h. Após, R$10 com nome na lista e R$15 sem nome.

Bip Bip e o Alfredinho

Bip Bip - Copacabana - Rio de Janeiro - Brasil - Foto: Alexandre Macieira | Riotur
Bip Bip – Copacabana – Rio de Janeiro – Foto: Alexandre Macieira | Riotur

Figura mítica do Rio de Janeiro, Alfredinho, dono do Bip Bip, nos deixou no sábado de carnaval deste ano. O corpo foi velado dentro do bar. Enquanto pierrôs e bailarinas se despediam em volta do caixão, uma roda de samba celebrava a vida do senhor boêmio na calçada. Era ali, na calçada mesmo que ele costumava alocar sua mesa com o caixa, o telefone fixo e uma taça de vinho. De lá, ia educando o público a fazer silêncio com olhares e breves pitos. Isso porque no Bip tudo gira em torno da programação musical. O bar é dos músicos, feito para eles e o público não deve incomodar. Esse é o legado que Alfredinho deixou e até segunda ordem o bar continua funcionando normalmente. Segunda e terça tem choro. Quarta é dia de bossa nova. E o samba rola solto as quintas, sextas e domingos. Não estranhe se, após cada performance musical, os dedos são estalados como forma de aplauso. No Bip é assim, não se batem palmas. Não há garçom, se quiser beber uma cerveja, é só buscar na geladeira. São regras curiosas que dão um charme especial ao lugar. Alfredinho era um antigo cliente que assumiu o ponto há mais de três décadas. Sua postura política está bem clara em cada canto do boteco: desde as ações sociais praticadas pelo bar até o mural informe Bip Bip, com a lista das 17 medidas do atual presidente contra o Brasil. A placa Rua Marielle Franco, em homenagem à vereadora, está ali. Assim como o lenço verde original da campanha argentina pelo aborto legal, seguro e gratuito. Pode ser que você encontre um senhor de bermudas levantando de vez em quando uma placa “Lula Livre”.

Bip Bip
Rua Almirante Gonçalves, 50 – Loja D – Copacabana.

Telefone: 2267-9696.

TribOz – O Clube do Jazz no Rio

Lugares pra ouvir música ao vivo no Rio - Triboz. Foto: divulgação
Lugares pra ouvir música ao vivo no Rio – Triboz. Foto: divulgação

O único verdadeiro clube de jazz no Rio, segundo o jornalista musical norte-americano James Gavin, que há 20 anos escreve sobre jazz tendo no currículo artigos, textos em mais de 400 CDs, biografias de Chet Baker e Peggy Lee e uma indicação ao Grammy. O TribOz é daqueles lugares que você não acredita que passou tanto tempo sem saber da existência. Fica escondido numa portinha, na fronteira entre Glória e a boêmia Lapa, que se abre para um casarão do século XIX de cuja construção original só se manteve a fachada. A decoração é destaque com tijolos aparentes, pé direito alto, obras da arte tribal indígena australiana, africana e brasileira. Em cada detalhe tem a mão do etnomusicólogo australiano Mike Ryan (PhD da Universidade de Sidney, Austrália). Ryan, que pesquisou ao longo de 16 anos músicos imigrantes brasileiros na Austrália e foi professor visitante da UFRJ, tocou a obra da casa ao longo de cinco anos. Desenhou detalhes, fez, ele mesmo, a parte elétrica. Em 2008, o projeto iniciou suas atividades com aulas e shows. A curadoria privilegia grandes nomes do jazz brasileiro e internacional. Não tem erro, de quinta a sábado, ouve-se música da melhor qualidade por ali e o couvert artístico não é caro.

Triboz
Rua Conde de Lages, 19, Lapa.
Tel: (21) 2210-0366/9929-15942.
Show de quinta a sábado. Recomenda-se reservar um dia antes ou no mesmo dia do show.

Domingo na Praça

Lugares pra ouvir música ao vivo no Rio - Praça São Salvador. Foto Marina Ivo
Lugares pra ouvir música ao vivo no Rio – Praça São Salvador. Foto Marina Ivo

Todo domingo de manhã tem choro na Praça São Salvador, em Laranjeiras. Um dos melhores programas para aproveitar o fim de semana no Rio. Chamam de roda, mas para mim, é uma espécie de mini orquestra. No último domingo que estive por lá, eram 23 instrumentistas – flauta transversa, violão sete cordas, cavaquinho, pandeiro, banjo, clarinete, trombone, caixa, prato em punho – executando obras de Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Anacleto de Medeiros, Altamiro Carrilho, só para citar alguns compositores. A iniciativa começou de forma despretensiosa pelo simples desejo da flautista Ana Claudia Caetano de reunir um grupo de músicos amadores para tocar semanalmente. No domingo, 6 de maio de 2007, os donos dos bares do entorno emprestaram as cadeiras e assim começou o movimento de ocupar a praça com música. Quase 12 anos depois a roda “Arruma o Coreto”, uma brincadeira com o bloco carnavalesco “Bagunça meu Coreto” também da região, se tornou patrimônio cultural imaterial do Estado do Rio de Janeiro. O decreto foi publicado no Diário Oficial em agosto de 2018. Quer dar uma espiada? Tem canal no youtube e página nas redes sociais @arrumaocoreto, com postagens semanais de grandes choros (quintas e sábados) e dos vídeos da roda do domingo anterior (terças).

Arruma o Coreto
Praça São Salvador, Laranjeiras.
Aos domingos, das 11h às 14h. Gratuito.

*Foto destaque: Música ao vivo na Praça São Salvador // Mídia Ninja

Quem escreveu

Marina Ivo

Data

15 de April, 2019

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Apresentado por

Marina Ivo

Marina Ivo vive no Rio de Janeiro e é completamente apaixonada pela cidade e seu estilo de vida. Ama ir à praia de bicicleta e nadar no mar. Curte roda de choro, samba e jazz na calçada ou na praça. Gosta de teatro, cinema, livraria e chocolate. É mestre em literatura e começou o doutorado. Fala inglês, francês e espanhol e quer aprender japonês.

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