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Zhangjiajie: a China nas alturas

Data

21 de September, 2018

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Na província de Hunan, no centro sul da China, fica Zhangjiajie, destino certo para o turismo no país. É lá que ficam suas montanhas mágicas, dentre elas aquelas do cenário que inspirou o filme Avatar e suas montanhas flutuantes. Prepare-se para subir muito alto em toda a sua viagem!

Tianmen Mountain

Tianmen Mountain. Foto: Maria Claudia Pompeo
O teleférico para a montanha visto da estradinha que desce da Tianmen Mountain. Foto: Maria Claudia Pompeo

Para começar a contar sobre esta experiência, preciso confessar que eu pessoalmente tenho verdadeiro pânico de altura. Sim, eu congelo, sou daquelas que não sentem mais as pernas se estiver na beirada de um lugar alto, seja num prédio ou montanha. Aquela sensação de vertigem, pavor mesmo. Por isso, esse tipo de viagem seria a última opção em minhas escolhas usuais. Só que ando vivendo a máxima “carpe diem” para muitas coisas na minha vida, então lá fui eu, acompanhada do meu marido e um amigo, bem mais corajosos que eu.

Morando em Qingdao, no nordeste da China, optamos pela ida de avião (por todo o continente chinês, podemos optar pelo trem, mas o avião ainda nos poupa tempo se a viagem é curta), e chegamos lá em 2 horas e meia.

Para agilizar a nossa vida, desta vez, contratamos uma guia chinesa com fluência em inglês. Acho que foi sem dúvida uma escolha acertada para uma viagem de fim de semana. Ela agiliza os tickets e arruma o hotel, van para os parques e ficou tudo bem mais rápido com sua ajuda. Ficamos em um hotel (Huatian) perto do local, a uma distância a pé de onde teríamos que ir pela manhã para pegar o teleférico para a primeira montanha, então foi tudo muito prático. O café da manhã do hotel era chinês, não agrada muito o nosso paladar, mas deu pro gasto. O hotel é perto da Tianmen Mountain e próximo do aeroporto, eu recomendaria a estadia ali, a quem se aventurar por aquelas bandas.

Tianmen Mountain. Foto: Maria Claudia Pompeo
Andando entre nuvens na Tianmen Mountain. Foto: Maria Claudia Pompeo

Aliás, só um adendo, a cidade de Zhangjiajie ainda não tem muita influência ocidental (lojas, restaurantes), pelo que pudemos perceber nestes dois dias. Achei isso curioso, pois é uma cidade turística. Se tiver vontade de comer comida ocidental, fica mais difícil, apesar de existir uma rede de fast food (até em um dos parques) e um ou outro “western food” por lá. É uma cidade pequena, mas como isso é relativo aqui na China, ela por exemplo, conta com mais de um milhão de habitantes. Ou seja…tudo depende do ponto de vista! Se tiver questões com comida, sugiro pesquisar alguns mercados e de repente se virar com o que dá para comprar e preparar por si. Eu ainda não me acostumei com a gastronomia chinesa (não, não é igual o que temos no Brasil, nem o pastel chinês é chinês, tá?), então sofro um pouco quando só tem essa opção. Mas nada dramático! Dá para levar. O que importa aqui, é a viagem.

Teleférico de Tianmen. Foto: Bo Lu/Visualhunt
O teleférico que leva até o topo da Tianmen Mountain a mais de 1300 metros de altura. Foto: Bo Lu/Visualhunt

A Tianmen Mountain era nosso destino do sábado pela manhã. Para chegar até lá, temos algumas opções, dentre elas, o teleférico. Nada mais, nada menos do que o teleférico de maior extensão do mundo, medindo 7 mil metros de extensão, chegando a 1300 m de altura. Para se ter uma ideia, o Pão de Açúcar tem 396 m de altura. Medo, pânico, horror, mas lá fui eu, enfrentar uma hora de fila (isso porque estamos fora de alta temporada, que termina com as férias em agosto), mais alguns passifloras nas ideias e subimos.

Durante meia hora, lentamente vamos subindo e passando pela cidade, por fazendas aí começa a ficar tudo mais longe e você percebe que agora o carro tá em graus nunca antes imaginados numa situação dessas. Chega a ficar em uma inclinação de 37º e à medida que vai chegando perto do topo, você tem noção da altura que se encontra. Tem uma hora, no último momento, nos dois últimos picos, que ousei abrir os olhos e percebi que o teleférico estava num grau quase vertical, dando a impressão que íamos colidir a qualquer momento naqueles paredões que cresciam diante dos nossos olhos. O tempo nublado fazia da paisagem uma coisa mais surreal ainda. Para os corajosos, aos que conseguem ficar de olhos abertos, recomendo muitíssimo, pois a vista é de tirar o fôlego (literalmente).

Chegando na estação no alto da montanha, com as pernas trêmulas e o choro engasgado, me recompus e seguimos para o passeio pelas montanhas.

Como o tempo estava bem nublado, me foi poupada a noção da altura em que estávamos, já que as nuvens cobriam a paisagem do precipício, tornando o passeio menos vertiginoso. A verdade é que lá em cima, andamos ao longo da encosta da montanha, sobre passarelas de concreto construídas e coladas nos paredões, com apenas uma cerca de concreto e aço que reproduzem troncos de árvores nos separando do abismo. É tudo muito mágico, não dá para explicar muito bem. É como quando sonhamos com algum lugar que não sabemos onde fica, mas que é tão real que parece que existe de verdade, pode ser que nos seus sonhos, esteja passeando nestas montanhas.

Parece sonho, mas é realidade a muitos metros de altura. Foto: Maria Claudia Pompeo

Aqui tem a opção de você pagar um valor para andar sobre uma passagem de vidro. Eu, no meu medo de altura, fiquei aliviada em saber que isso seria opcional e também, como o tempo estava ruim, achei que nem valia a pena a “emoção”, já que a visibilidade estava um tanto ruim.

Falando nisso, a melhor época realmente é entre setembro e outubro, pois em agosto há férias coletivas, além de um calor bem grande. No inverno, também é possível ir, mas em épocas muito frias o acesso é fechado. Escolha a primavera, ou outono, melhores épocas para se passear na China.

 

Tianmen Mountain, Porta do Céu. Foto: Maria Claudia Pompeo
A caverna natural, do alto dos quase 1500 m de altura na Tianmen Mountain. Foto: Maria Claudia Pompeo

Demos a volta na montanha, para então descermos até o que é o ponto turístico principal da Tianmen, a caverna natural chamada “Porta do Céu” com seus 999 degraus rumo ao que seria o caminho da Terra ao Paraíso, segundo as crenças tradicionais. O número de degraus não é à toa, é tirado do Taoismo, filosofia tão presente na China, e acredita-se que seja um número de sorte. É realmente uma visão mágica, como todo o trajeto até lá.

Tianmen Mountain. Foto: Maria Claudia Pompeo
A encosta da montanha, por onde caminhamos dando a volta na montanha e o abismo coberto de nuvens. Foto: Maria Claudia Pompeo

Depois de circularmos a montanha para o lado oeste, descemos por dentro dela em escadas rolantes, perdi a conta de quantas que nos levam até a caverna, tudo muito organizado, apesar do grande número de turistas.  Depois de observarmos a caverna de pertinho, descemos a pé os 999 degraus (pode-se fazer o contrário também, subindo), e chegamos lá embaixo com uma visão deslumbrante do que é este marco na paisagem natural da China. Você pode fazer o contrário também, começando pela caverna, subindo os 999 degraus e fazendo o caminho inverso. Optamos por descer.

Tianmen Mountain. Foto: Maria Claudia Pompeo
A Tianmen Mountain com a “Heaven’s Gate” vista de baixo (com algumas nuvens) após descer 999 degraus. Foto: Maria Claudia Pompeo

O custo das coisas ficou embolado no meio do valor total que fechamos com a guia, portanto, sugiro que se for se aventurar, se informe com antecedência para saber sobre as entradas para os parques e teleféricos. Acredito que não seja nada absurdo, pois inclui o teleférico e o passeio lá por dentro. Infelizmente não deu para anotar cada valor, fico devendo a vocês essa parte.

Tianmen Mountain. Foto: Arquivo Pessoal
Os 999 degraus até embaixo, que são quase verticais e bem estreitos, só segurando bem e com calma para descer, ainda mais em um dia chuvoso. Foto: Arquivo Pessoal

Valeu a pena superar todo o medo de altura, pois a paisagem é grandiosa. Nunca vou esquecer o sofrimento de descer os 999 degraus inclinados, chegando a ficar com as pernas doloridas, mas vale cada passo dado nessa montanha.

A descida optamos pelo ônibus, que faz 99 curvas, um tanto quanto emocionantes, confesso, por serem bem fechadas. Como disse, você pode escolher subir de ônibus, teleférico, ou descer de ônibus, de teleférico…são várias opções para o seu nível de vontade de aventura.

Tianmen Mountain. Foto: Maria Claudia Pompeo
Já nos pés da caverna, depois de descer a escadaria, a caverna vista de baixo. Foto: Maria Claudia Pompeo

Para mais informações e valores acesse este link.

Zhangjiajie National Forest Park

Zhangjiajie National Forest Park. Foto: Maria Claudia Pompeo
A entrada para a subida ao teleférico do parque de Zhangjiajie. Foto: Maria Claudia Pompeo

Quem aí assistiu ao blockbuster Avatar, se lembra das florestas flutuantes e suas montanhas de formato estranho. Pois ela existe e fica no parque de Zhangjiajie, um patrimônio mundial da UNESCO. Depois de passar por um teleférico vertiginoso para a Tianmen, voltei a ter que subir em mais um. Normal, né? Estamos falando de montanhas e não há melhor maneira de se chegar até elas. Munida de mais coragem que na experiência de sábado, no domingo partimos para Zhangjiajie, um parque que normalmente levaria de 4 a 5 dias para ser visto em sua totalidade. Como só teríamos o domingo, a nossa guia achou melhor focar no que interessa: as montanhas de Avatar.

Zhangjiajie National Forest. Foto: Maria Claudia Pompeo Park.
A vista da chegada ao topo do Zhangjiajie National Forest Park é de tirar o fôlego. Foto: Maria Claudia Pompeo

Para chegar lá, pegamos uma van contratada pela guia, que do nosso hotel, levou mais ou menos 1 hora para chegar. Chegando lá, pegamos um ônibus dentro do parque e depois também tivemos um teleférico e outro ônibus. Subindo e subindo. Dessa vez, com mais coragem (depois da montanha de Tianmen, me sinto a Mulher Maravilha), consegui apreciar a paisagem daquele lugar lá do alto. Sei que estou soando repetitiva, mas é muito mágico! Ver aquelas formações rochosas diferentes, parecendo realmente um cenário de outro planeta, dá a dimensão do que é a diversidade geográfica deste enorme país que é a China.

Zhangjiajie National Forest Park. Foto: Pedro P. Felix
As montanhas de Avatar, de pertinho no Zhangjiajie National Forest Park. Foto: Pedro P. Felix

O parque é imenso, portanto, por causa do curto tempo que tínhamos, ficamos em um pedaço mais turistão mesmo, confesso que tinha horas que me incomodava com a quantidade de turistas em pontos específicos, mas consegui tirar algumas fotos onde não havia ninguém, olha a cara de felicidade diante da paisagem!

O elevador Bailong, o maior elevador externo do mundo. Foto: Ben Beiske/Visualhunt

Não perca o elevador panorâmico Bailong, o elevador externo mais alto do mundo. É uma atração à parte e se você der sorte de ficar primeiro na fila para entrar, consegue ficar no vidro para olhar os penhascos enquanto desce para o próximo nível mais perto da saída do parque. São muitos ônibus, que vão deixando em pontos específicos do parque, se você tiver mais dias do que nós, vai entender que não é difícil de circular por lá.

Zhangjiajie National Forest. Foto: Maria Claudia Pompeo Park.
Zhangjiajie National Forest Park e um cantinho onde não havia nenhum turista. Aprovei para tirar essa foto. Foto: Maria Claudia Pompeo

Achei essa visita bem mais cheia que a Tianmen Mountain, talvez por ser mais “bombada” mesmo pelo filme. Há poucos turistas ocidentais, a maioria que vemos são os chineses vindo sabe se lá de onde, para aproveitar o fim de semana. Respire fundo para encontrar um vão e tirar suas fotos e subir pelas escadinhas estreitas ao longo do caminho. Sempre, sempre, use tênis ou sapatos confortáveis, roupas leves caso vá no verão e uma mochilinha com água. São muitas subidas e descidas, prepare o cardio! Algumas pessoas me perguntaram se é tranquilo levar crianças. Achei sim, bem tranquilo. Claro, ficando de olho, porque são muitos abismos, mas vi crianças pequenas por lá, sem grandes problemas. Como é parque, tem banheiros, tem até um Mc Donald’s lá em cima, para matar a fome. Nenhum perrengue.

Zhangjiajie National Forest Park. Foto: Maria Claudia Pompeo
Você pode comprar fitinhas para pendurar seus pedidos e desejos pelas montanhas de Zhangjiajie. Os chineses acreditam que as montanhas têm poderes divinos. Alguém duvida? Foto: Maria Claudia Pompeo

Pelo caminho, tanto da Tianmen Mountain, quanto do parque Zhangjiajie, você encontra símbolos chineses e suas crenças. Alguns que marcam a paisagem são as fitinhas vermelhas, penduradas em diversos pontos das montanhas. Achei lindo e comprei uma fitinha que pendurei em Tianmen. Dizem os chineses que as montanhas têm poderes divinos. Eu não vou contradizer, pois só de olhar essas paisagens, a gente acredita!

Para valores e mais informações acesse este link

Ponte de Vidro

Glass Bridge. Foto: Maria Claudia Pompeo
A ponte de vidro tem extensão de 430 metros a mais de 300 metros de altura. Foto: Maria Claudia Pompeo

Como se não bastasse dois teleféricos, a ideia agora era andar sobre uma ponte de vidro com extensão de 430 metros e mais de 300 metros de altura entre cânions. Alguns pedaços da ponte não são de vidro, mas são muito disputados pelos motivos óbvios. Eu, que tenho acrofobia não consegui andar sobre o vidro. Fui até a metade da ponte, não tive como ir até o fim e depois voltar. Você precisa de pantufas que eles te dão na entrada, tem uma paisagem belíssima para quem tiver coragem de ficar tirando vários selfies ali, mas confesso, que foi o que mais me deu aflição de todos esses passeios.

Há um pedaço no meio da ponte, com um futuro local de bungee jump (com 270 metros de altura), que ainda não foi inaugurado. Dá para ver a estrutura embaixo da ponte, na primeira foto. Essa é para os fortes de coração!

Glass Bridge. Foto: Maria Claudia Pompeo
A ponte de vidro tem partes que não são de vidro, para quem (como eu), tem medo de alturas e vertigem. Foto: Maria Claudia Pompeo

Fica um pouco longe do Parque de Zhangjiajie em outro distrito, fomos de van contratada e levou cerca de 40 minutos até lá. Eu recomendaria se tiver com pouco tempo, contratar um guia de turismo que possa se encarregar de organizar esses traslados, mas, não é difícil conseguir descobrir ônibus até estes lugares, é só uma questão de poupar tempo. Tem também um teleférico que leva até a ponte, chegar lá, não é problema. Recomendo apenas tentar antecipar as entradas para não ter surpresas em altas temporadas e correr o risco de não conseguir entrar. O local abre às 7:30 e fecha às 17h. Tem mais algumas informações aqui.

Glass Bridge. Foto: Maria Claudia Pompeo
Sendo corajosa, na ponte de vidro de Zhangjiajie (embaixo é o local onde será inaugurado o bungee jump da ponte). Foto: Maria Claudia Pompeo

Todos estes locais dependem das condições climáticas para a visita, por isso, verifique na época (recomendo após o verão, no começo do outono ou na primavera) quais são as condições para não correr o risco de encontrar os parques fechados.

Quando você estiver na China, coloque Zhangjiajie em sua lista de locais a serem visitados! Vale a pena, você terá altas fotos para recordar e com certeza, não se arrependerá. Se tiver medo de altura, como eu, toma um calmante, vai com calma e com pessoas que confie e relaxe. Essa vida é muito curta para a gente se privar de lugares e experiências como essas.

Para mais informações e valores acesse este link. 

Até o próximo post! 再见! 谢谢!

 

*Foto Destaque:  Matt Shiffler/Visualhunt


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Data

21 de September, 2018

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Maria Claudia Pompeo

Maria Claudia Pompeo é carioca, consultora de moda para marcas e pessoas e produz conteúdo de moda e comportamento online há 15 anos. Coleciona revistas de moda e sofre quando tem que se desfazer de algumas, por pura falta de espaço. Viciada em internet desde os primórdios, teve inúmeros blogs e colaborou com algumas revistas online. Atualmente escreve sobre moda e tendências na sua página e faz a curadoria de suas pesquisas de imagem e comportamento no Instagram - @mcpompeo. Site: facebook.com/mcpompeoconsultoria

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