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Gastrodiplomacia: quando a cozinha vira ferramenta diplomática

Quem escreveu

Pedro Ivo Dantas

Data

13 de March, 2018

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Existe nas Relações Internacionais o conceito de soft power: a capacidade de influência que um Estado tem sobre os outros. Por exemplo: se nós, brasileiros, nos identificamos com os valores defendidos pelos americanos, então naturalmente o Brasil tenderá a assumir posições que podem ser vantajosas pros EUA. O soft power é definido em contraste ao hard power, que envolve a capacidade econômica e militar de um Estado. De acordo com os especialistas, são 3 os pilares do soft power de um Estado: cultura, valores políticos e política externa.

Diplomacia na cozinha

Vários países já acordaram para o valor em propagar seu soft power e tem políticas ativas nesse sentido. O campo que estuda esse tipo de atividade é chamado de Diplomacia Pública (DP). Em última instância, a finalidade da DP é exercer influência sobre governos estrangeiros de forma indireta, apelando por sobre as cabeças desses governos às pessoas com influência sobre ele. As ferramentas de DP incluem eventos e trocas culturais, intercâmbios acadêmicos e toda sorte de produtos culturais como filmes, livros, música, etc.

Cozinha típica da Tailândia. Foto: Takeway (Wikimedia Commons)

Recentemente, está crescendo nos meios acadêmico e político a percepção que a gastronomia também pode ser uma ferramenta especialmente efetiva de Diplomacia Pública. Nada mais natural: a gastronomia é uma das facetas mais características de uma cultura nacional. Ao estudo desse fenômeno específico se deu o nome de Diplomacia Gastronômica ou Gastrodiplomacia.

De certa forma, a gastronomia sempre esteve envolvida na diplomacia: não foram poucas as decisões que definiram o destino de nações que foram definidas à mesa, em meio a grandes banquetes. A diferença é que agora a gastronomia está sendo utilizada para influenciar a percepção de populações estrangeiras sobre um determinado Estado, aumentado assim seu soft power e capacidade de atuação no sistema internacional. O que essa teoria defende é que, no fundo, a pizza fez mais pra popularizar a Itália que qualquer outra iniciativa diplomática poderia.

Banquete na Coréia do Sul. Foto: Julie (Flickr)

O termo gastrodiplomacia surgiu num artigo da revista The Economist em 2002 que analisava o programa tailandês “Thailand: kitchen of the world”. Essa iniciativa do governo da Tailândia visava fomentar o aumento do número de restaurantes tailandeses no mundo, e foi um enorme sucesso: de 5,5 mil restaurantes em 2002, esse número passou para 9 mil em 2006 e 13 mil em 2009, fazendo com que a cozinha tailandesa passasse de uma culinária marginal na Ásia para uma das mais populares no mundo. Além das óbvias vantagens econômicas, como aumento no turismo, essa ação também incrementou o soft power do país, gerando benefícios em outras áreas.

Gastrodiplomacia pelo mundo

O exemplo tailandês foi percebido e logo copiado por outros países como Taiwan, Coréia do Sul, Peru e Malásia. Em 2009, o governo sul-coreano lançou o programa “Korean cuisine to the world”, também chamado de “diplomacia do kimchi”, com o propósito expresso de tornar a culinária coreana uma das 5 mais populares no mundo. Taiwan também está utilizando a gastrodiplomacia para compensar sua baixa capacidade em outras áreas diplomáticas (devido à resistência por parte da China, pouquíssimos países reconhecem Taiwan diplomaticamente, e o país asiático não é aceito em quase nenhum organismo internacional).

Mercado de comida em Cajamarca, Peru. Foto: Christopher Crouzet (Wikimedia Commons)

Mais próximo ao Brasil, o Peru também elaborou um programa próprio, “Cocina peruana para el mundo”, que visa incluir a culinária típica desse país na lista de Patrimônio Cultural Imaterial da UNESCO (a cozinha típica francesa faz parte dessa lista).

Prova de que a cozinha ocupa um lugar cada vez mais importante no mundo da diplomacia é que o relatório The Soft Power 30, maior levantamento de soft power a nível global, fez uma modificação em seus critérios no relatório de 2017: a inclusão da cozinha como um dos fatores objetivos para a classificação de um país – a métrica é o número de restaurantes com estrela Michelin. Além disso, a percepção sobre as cozinhas nacionais também entra como um dos fatores avaliados numa pesquisa levada a cabo em todo o mundo, e que contribui com parte expressiva da colocação final de um país. Não é a toa que a primeira colocação no relatório em 2017 foi para a França – o Brasil amarga a penúltima posição, à frente apenas da Turquia.

*Foto do destaque – iStockphoto

Quem escreveu

Pedro Ivo Dantas

Data

13 de March, 2018

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Pedro Ivo Dantas

Paraense radicado em Lisboa. Engenheiro, cozinheiro e cervejeiro, sem ordem específica de preferência. Viajante de vocação.

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