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Natura no SXSW

A Natura participou do Festival SXSW, maior evento de economia criativa do mundo, fazendo parte do movimento #BrazilInspiresTheFuture.

Exploramos o Novas Frequências: festival de música experimental no Rio

Quem escreveu

Vanessa Mathias

Data

12 de December, 2017

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O Novas Frequências é aquele tipo de festival que enche o nosso coração tupiniquim de orgulho apenas por existir. Não é só a gente que acha, ele já é reconhecido aqui e lá fora como uma das principais plataformas de música exploratória do mundo. Por isso tivemos que pegar a ponte aérea para aproveitar esse finde que encheu o Rio de Janeiro de som.

A escolha dos lugares é um dos pontos altos do evento, entre eles a Igreja da Lapa, a Sala Mário Tavares, no Theatro Municipal, o MAM, e até um galpão na área portuária que só foi divulgado no sábado. Somos apaixonados aqui no blog por esse tipo de festival que reinventa os espaços, nas intersecções da música com arte, com espiritualidade, com subversão, com raízes, com invenção.

O festival começou quebrando tudo. Já era esperado pela organização que o Otomo Yoshihide com os cariocas Felipe Zenícola e Renato Godoy seria um sucesso estrondoso, mas a abertura com a dupla Ute Wasserman e Thomas Rohrer foi tão – ou mais- elogiada.

Uma das apresentações mais representativas do festival foram as apresentações na Igreja da Lapa, com projetos de música experimental: mais do que entretenimento, a experiência era sensorial. As artistas Dewi de Vree e Patrizia Ruthensteiner apresentaram Magnetoceptia – Maria de’ Medici e Maria Stuart, uma performance que jogava com magnetismo, luz e a energia da igreja. Logo depois dessa performance hipnótica, é chegada a hora de ver o William Basinski e seus loops tapes. Foi uma verdadeira “missa em tributo ao David Bowie”. O artista em uma hora e meia iniciou sua performance com uma marcha fúnebre luzes, com cor néon e uma energia de pensamento em que todos na sala sentiram o poder de cada de onda sonora invadindo e ecoando na nossa mente. Da morte ao renascimento, o artista levou de forma cadenciada e crescente todos ao paraíso, deixando todos na sala leve. Era unânime o sentimento de relaxamento extremo – um outro poder da música.

Uma novidade do festival foi a programação especial voltada para crianças, que trouxe uma instalação-performance da Chelpa Ferro.

E porque música também é festa, nos juntamos à juventude cheia de estilo que frequenta a O/NDA. O espaço foi revelado no dia, chegamos às 2 da manhã para ver o live da Aïsha Devi, chinesa que prepara um live set cheio de mantas e expressão. Já a Francesa Stellar OHM entrou com sua presença forte carregando muita personalidade com graves e toques de house, deixando a pista quente para o duo esperado da noite, o Acid Arab. Eles entraram junto com o sol, que nascia às 5 da manhã. Com um techno intenso e as várias referências aos diversos tipos de músicas árabes, saíram às 7 com a galera pronta para uma noite (ou melhor, dia), de sono.

Em um festival que a música é muito mais arte do que diversão, o papel do curador é crucial. A cabeça por trás já nesses 7 anos de existência é o Chico Dub, que contou ao Chicken or Pasta: “A principal mudança foi de formato mesmo. Sempre trocamos os espaços que sediam o festival e isso proporciona novas experiências para a gente, o público e os artistas. Foi um festival menor em termos de números de artistas mas certamente conseguimos manter a mesma excelência artística.”

Magnetoceptia na Lagoa | por Francisco Costa | I hate Flash

Para ele alguns dos pontos altos do festival foi a primeira das três performances “Magnetoceptia”, da holandesa Dewi de Vree e da austríaca Patrizia Ruthensteiner. “Acho que ninguém fez nada tão louco quanto elas em plena Lagoa Rodrigo de Freitas.” Também citou a instalação/performance “To the Bone”, de Nicolas Field e Pontogor, não só pela parte artística em si, mas em função da complexidade da obra e da importância de ocuparem por 7 dias um espaço tão importante e simbólico quanto o MAM Rio.

To the Bone no MAM | Francisco Costa do I hate Flash

Sabemos da dificuldade de colocar um festival desse em pé. Conseguir apoios e patrocínios locais, e principalmente um festival que não é de massa, com artistas desconhecidos e muitas vezes “difícil”. Mas o cuidado dedicado em cada apresentação mostrou que vale esse investimento – eu, pessoalmente, só me arrependo de não ter visto todos os shows.

*texto com colaboração de Fernanda Mello

Quem escreveu

Vanessa Mathias

Data

12 de December, 2017

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Vanessa Mathias

Seu exacerbado entusiasmo pela cultura, fauna e flora dos mais diversos locais, renderam no currículo, além de experiências incríveis, MUITAS dicas úteis adquiridas arduamente em visitas a embaixadas, hospitais, delegacias e atendimento em companhias aéreas. Nas horas vagas, estuda e atua com pesquisa de tendências e inovação para instituições e marcas.

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