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Cascata trófica: como lobos recuperaram o ecossistema de Yellowstone

Quem escreveu

Renato Salles

Data

12 de January, 2017

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Existem apenas duas espécies animais no mundo que são capazes de mudar a natureza a ponto de destruí-la: o castor e o homem. Não é preciso nem começar a dizer quanto o poder de devastação do segundo é infinitamente maior e mais nocivo. Já falei aqui de alguns exemplos de desequilíbrio ecológico que foram causados pelos motivos mais esdrúxulos. Depois de ver que até as dóceis girafas (um dos meus animais favoritos) entraram para a lista de risco de extinção, eu estava realmente precisando de uma bela dose de boas notícias para não perder de vez a esperança na humanidade. Sorte que eu tropecei digitalmente no canal do Sustainable Human, e em um video inspirador sobre cascata trófica. Que? Calma, que a gente chega lá.

Aprendemos na aula de biologia que a cadeia alimentar se forma de baixo para cima. Existem as plantas, que são fornecedoras de nutrientes. A partir delas vem insetos, aves, pequenos roedores, herbívoros maiores, até chegarem os predadores lá em cima. Até bem recentemente, todas as tentativas de reequilibrar ecossistemas seguiam essa premissa, e partiam da base da pirâmide.

Chegada dos lobos a Yellowstone em 1995 - foto: NPS
Chegada dos lobos a Yellowstone em 1995 – foto: NPS

Os lobos tinham sido erradicados do Yellowstone National Park, no noroeste dos Estados Unidos, há 70 anos. Em 1995, seguindo o Endangered Species Act, o US Fish and Wildlife Service reintroduziu uma alcatéia de 14 lobos vindos do Canadá. Nos anos seguintes, mais algumas dezenas foram trazidas de outras partes da região. 20 anos depois, a transformação do parque é inacreditável: o número de animais – e de espécies – aumentou muito, a floresta teve uma recuperação expressiva, e até os rios mudaram. A chegada dos lobos causou uma mudança em cascata nos hábitos dos animais dos outros níveis tróficos. Ou seja: a cascata trófica nada mais é que o efeito indireto que um nível trófico exerce nos demais, começando pelo topo da cadeia alimentar. Muito complicado? Então assiste esse video (em inglês), que vai ficar bem fácil de entender:

Para quem não entender a língua, ou ficou com preguiça (não seja bobo, o video é lindo), aqui vai a cola: sem lobos, os alces e veados não tinham predadores, então podiam circular livremente e comer felizes e contentes toda a vegetação dos vales do parque. Quando chegaram os lobos, eles foram obrigados a seguir um padrão de comportamento mais seguro, se refugiando nas terras altas. Isso fez a vegetação crescer mais (em 10 anos, algumas árvores quintuplicaram de tamanho). Árvores mais altas significam mais aves, insetos, e mais castores. Esses, veja só, com suas barreiras criaram represas que atraíram lontras, patos, peixes e anfíbios. Os lobos caçam coiotes, o que fez o número de coelhos e ratos crescer, e esses atraíram falcões, doninhas e raposas. Texugos e corvos chegaram para se alimentar das sobras das caças dos lobos. Ursos também apareceram, em parte pela caça farta, mas também pelo aumento das frutas nas árvores e arbustos. O crescimento da mata afetou as margens dos rios, pois as raízes reduzem a erosão. Os rios tiveram seus cursos estabilizados, passaram a formar piscinas naturais, e os canais estreitaram. Os lobos mudaram não só o ecossistema, mas a geografia do parque.

Yellowstone Park em 2010 - foto: Acroterion
Yellowstone Park em 2010 – foto: Acroterion

O que aconteceu em Yellowstone é tão surpreendente, que cientistas não são completamente capazes de explicar o verdadeiro alcance da cascata trófica. Claro que não é tudo tão lindo como o vídeo mostra, e muita polêmica se formou em torno do assunto. Mas o fato é que a reintrodução dos lobos em um ambiente, que naturalmente precisava deles, causou um impacto grande. 20 anos é bem pouco tempo para se avaliar a real recuperação do ecossistema que vem sendo destruído pelo homem a séculos. O tempo dirá. Quem sabe não encontramos uma forma de começar a salvar o mundo.

*Foto do destaque: NPS – Wikipedia

Quem escreveu

Renato Salles

Data

12 de January, 2017

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Renato Salles

Para o Renato, em qualquer boa viagem você tem que escolher bem as companhias e os mapas. Excelente arrumador de malas, ele vira um halterofilista na volta de todas as suas viagens, pois acha sempre cabe mais algum souvenir. Gosta de guardar como lembrança de cada lugar vídeos, coisas para pendurar nas paredes e histórias de perrengues. Em situações de estresse, sua recomendação é sempre tomar uma cerveja antes de tomar uma decisão importante. Afinal, nada melhor que um bom bar para conhecer a cultura de um lugar.

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    Vivemos em um mundo de opções pasteurizadas, de dualidades. O preto e o branco, o bom e o mau. Não importa se é no avião, ou na Times Square, ou o bar que você vai todo sábado. Queremos ir além. Procuramos tudo o que está no meio. Todos os cinzas. O que você conhece e eu não, e vice-versa. Entre o seu mundo e o meu.