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Quando os bons ventos te levarem a Barra Grande – PI

Quem escreveu

Luciana Guilliod

Data

24 de May, 2016

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Se você nunca pensou em passar férias, carnaval ou réveillon no Piauí, é melhor rever seus conceitos. Não confunda com a homônima famosa, na Bahia. Estamos falando de Barra Grande no Piauí, que tem atrativos suficientes para valer a pena a viagem.

É longe, sim. Barra Grande fica no Piauí, e perto da fronteira com o Maranhão e o Ceará. Você pode voar até Teresina e alugar um carro – mas são 400km de estrada e o carro vai ficar estacionado na maior parte do tempo. A melhor opção é voar com a Azul até Parnaíba, a 70 km de Barra Grande. Também é possível contratar transfers a partir de Teresina por aproximadamente R$ 500 por trecho.

Sabe aquele vilarejo de praia com uma rua principal e uma pracinha em frente à Igreja? Assim é Barra Grande. Vá preparado: lá não tem asfalto, posto de gasolina ou caixa eletrônico. A simplicidade do lugar, porém, não condiz com a variedade de bons restaurantes e pousadas charmosas por lá. A grande atração da cidade porém, é o vento, que torna Barra Grande um dos melhores lugares do mundo para kitesurf no inverno, quando é invadida por europeus.

Praia de Macapá, Barra Grande/PI. Foto: Otávio Nogueira
Praia de Macapá, Barra Grande/PI. Foto: Otávio Nogueira

Fomos na altíssima temporada brasileira – o Carnaval – e o vilarejo se mostrou uma excelente opção para quem busca passar esse feriado com tranquilidade. Rolava uma festinha popular (até demais) na praia, mas no geral é aquele Carnaval das crianças jogarem farinha de trigo umas nas outras e quando passa um carro com o som alto, a música tem tudo a ver – Alceu Valença e sambas-enredo dos anos 80. No geral, rola uma baguncinha de dia, mas nada que atrapalhe o sono à noite.

O que fazer

Kitesurf, claro!: leve seu kite, alugue um por lá, aperfeiçoe manobras ou aprenda a velejar. A Kite Escola Paraíso existe desde 2008 e a BGK também oferece cursos para iniciantes. É possível até fazer downwind – ou seja, viajar velejando de kite para cidades próximas. Também dá pra alugar pranchas de stand up paddle – se as águas encrespadas pelo vento não te derrubarem.

Praia: não é o azul marinho do Caribe, mas pelo menos tem a água morna do Nordeste. A social durante o dia é na BGK e as areias nunca ficam lotadas. As melhores pousadas têm bares de praia que cobram consumação mínima e oferecem infra-estrutura charmosa. A maré baixa forma piscinas naturais.

(foto: Luciana Guilliod)
Foto: Luciana Guilliod

Ver cavalos marinhos: no começo achamos que seria meio bobo, mas foi super legal. Fomos de carroça por meio de dunas em frente ao mar até um braço de rio. Lá pegamos uma canoa e navegamos por um mangue, avistando siris e garças, até um ponto onde os guias mergulham para pegar cavalos marinhos no seu habitat natural. Eles põem os bichinhos num aquário de vidro para nós observamos e depois os devolvem à natureza. Voltamos ao ponto de partida fazendo flutuação com coletes salva-vidas pelo rio. Contrate na Barratur.

Delta do Parnaíba: é possível fazer tours em barcos grandes, mas por 600 reais é possível alugar no Porto dos Tatus, em Parnaíba, uma lancha para meia dúzia de pessoas e negociar o trajeto – além de abastecer o cooler com cerveja gelada. É um dia longo, mas com paisagens incríveis. Atravessamos dunas e lagoas até uma praia deserta no encontro do rio com o mar, caçamos siris no mangue, vimos uma revoada de guarás no final da tarde e almoçamos uma moqueca incrível, com direito a cochilo na rede.

(foto: Luciana Guilliod)
Foto: Luciana Guilliod

Onde comer e beber

O La Cozinha foi uma excelente escolha para nosso primeiro jantar, depois de uma longa viagem. O restaurante é intimista, um pouco mais afastado do centro e com menu de três pratos, carta de vinhos e cervejas belgas – mas com o piso de areia. O Manga Rosa é o restaurante mais popular do lugar e como detestamos música ao vivo no estilo voz e violão, não quisemos experimentar. O Bandoleiros é um restaurante simples, pé na areia, com a melhor caipirinha de seriguela do mundo. O Pomodoro Basílico tem tapiocas que valem por uma refeição e uma delicatessen na rua principal vende bebidas mais sofisticadas.

A night se limitou a um forró com três pessoas no Maoumé – mas em Parnaíba rolou show do Weslley Safadão, se você é desses. Os bares da cidade reúnem muita gente legal: Bandoleiros durante o dia e o bar ao lado da sorveteria Ora Bolas à noite, com uma extensa carta de drinks.

(Foto: Ana Raquel S. Hernandes)
Foto: Ana Raquel S. Hernandes

Onde ficar

Boa, bonita e barata: essa é a Pousada do Fred, que foi nossa escolha para o feriado. Quarto confortável, localização central e serviço informal. Fizemos amizade com os proprietários, staff e hóspedes. Recomendamos.

Não faltam opções requintadas em Barra Grande, como a BGK, em frente à praia e em meio a um bosque de coqueiros. A Ventos Nativos tem bangalôs em meio a muito verde e um bar de praia super charmoso. Luxo mesmo é a Pousada Chic, que providencia até voo de helicóptero e cada suíte tem um terraço privado.

(foto: Luciana Guilliod)
Foto: Luciana Guilliod

Seja qual for sua escolha leve repelente, livros, dinheiro vivo e filtro solar. Relaxe e aproveite umas das últimas praias rústicas do litoral brasileiro. Quem disse que Carnaval no Piauí não presta?

(Foto: Otavio Nogueira)
Foto: Otavio Nogueira

Foto do destaque: Flickr – Ana Raquel S Hernandes

Quem escreveu

Luciana Guilliod

Data

24 de May, 2016

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Luciana Guilliod

Carioca da Zona Norte, hoje mora na Zona Sul. Já foi da noite, da balada e da vida urbana. Hoje é do dia, da tranquilidade e da natureza. Prefere o slow travel, andar a pé, mala de mão e aluguel de apartamento. Se a comida do destino for boa, já vale a passagem.

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