Road trip pela Islândia

Data

25 de October, 2014

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Nos últimos meses pelo menos 6 pessoas diferentes que não se conhecem, me procuraram para pegar dicas sobre a Islândia. Sim, o mundo descobriu a terra do gelo e está indo inteiro pra lá, especialmente agora no verão em que a temperatura é mais amena com dias infindáveis. O sol se põe por volta das 23h22 e nasce às 3h47, porém não há sequer resquício de escuridão em nenhum momento.

Por do sol em Höfn - foto Lalai Persson
Por do sol em Höfn – foto Lalai Persson

Para quem já anseia mesmo pela Aurora Boreal, não é no verão que conseguirá vê-la. O fenômeno natural só é visto no inverno, pois quanto mais escuro, mais se vê a aurora dançando no céu. E vale a pena encarar o inverno islandês para se deleitar com as luzes do norte.

a nossa primeira aurora - foto por Ola Persson
a nossa primeira aurora – foto por Ola Persson

Resumindo, a Islândia proporciona boas experiências em qualquer época do ano, mas fuja dos meses dezembro e janeiro, quando os dias são curtíssimos, com sol das 11h20 às 15h30. A Islândia é um lugar em especial para para curtir o dia, pois a maior parte do passeio é relacionado à natureza, parques, vulcões, crateras, praias de areia negra, que só são visíveis com luz solar, ou seja, quanto mais longo o dia, mais você irá aproveitar e ver na viagem. A vantagem do inverno é que os preços são bem mais baixos, a desvantagem é que nas cidades pequenas nem sempre se encontra um restaurante aberto, seja para almoço ou jantar; há lugares que não são possíveis visitar e tem muitas estradas fechadas, o que pede alerta. Höfn, uma “cidade” grande para os padrões islandeses, só tinha o restaurante do hotel aberto na cidade para jantar; já Vik, só tinha um restaurante, que fechava às 21h. Ou seja, o risco de ficar sem ter o que comer não é tão pequeno.

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Eu fui no final de fevereiro, peguei sol constante, céu azul e temperaturas de 10ºC durante o dia, quando o normal nessa época é 1ºC. Mas também nevou. O tempo por lá é tão maluco quanto o nosso. Muda de uma hora para outra. Saímos do sol e depois de uns 80km na estrada, pegamos uma baita nevasca quase nos impossibilitando de dirigir. E venta muito, mas muito mesmo. Tenha sempre um bom casaco à mão, mesmo que o dia não peça isso ao sair do hotel.

Se há um país perfeito para uma road trip, esse país é a Islândia. A área total do país é 108.000 km2. Para ter uma base de comparação, imagine o tamanho de Pernambuco, que tem 98.000 km2 de área. A Ring Road, principal estrada islandesa, roda o país de ponta a ponta, ou seja, se for fazer uma road trip, é ela que você irá pegar. A extensão dela é de apenas 1.332 km, que dão cerca de 16h30 na estrada, ou seja, menos de um dia. Porém não se iluda, impossível faze-la em menos de uma semana, pois é uma coisa incrível atrás da outra para parar e contemplar.

Skógafoss - foto Lalai Persson
Skógafoss – foto Lalai Persson

Para quem vai no inverno, é bom se assegurar de que dá conta de dirigir em estradas escorregadias ou com gelo, além de investir mais na hora de alugar um carro. No nosso caso, a gente pegou um 4×4 para não ficar na mão. Valeu muito a pena o investimento, pois passeamos por lugares que com um carro básico, a gente não teria chegado.

Nosso 4x4 - foto Lalai Persson
Nosso 4×4 – foto Lalai Persson

POR QUE ALUGAR UM CARRO?

Ter um carro à disposição num país com áreas tão remotas como a Islândia, super vale a pena. Barato não é, por isso viajar em 4 pessoas pode diluir bastante os custos. Ficar por conta própria sempre dá mais liberdade de fazer o que queremos. A Islândia pede isso. Apesar de serem 16 horas de ponta a ponta, você pode levar pelo menos 2 semanas se for uma pessoa curiosa. Cada quilômetro da Islândia traz um cenário distinto e esse é exatamente o grande charme de lá.

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Chegamos a dirigir 50km em 6 horas de tanto que fomos parando e só continuamos, porque a noite caiu.

TENHA UM BOM MAPA À MÃO

Vale muito a pena ter um mapa de papel em mãos, daqueles gigantescos que mostram qualquer biboca que aparecer na frente, já que nem sempre o 3G vai colaborar como deve. Não titubeie quando ver uma placa indicando alguma saída minúscula no meio do nada, muitas vezes ela te reserva uma incrível surpresa no final, por isso vale também ter um bom guia do país para checar sempre que possível sobre o  que se trata tal lugar. A gente achou uma estrutura para fazer picnic no pé de uma geleira e no meio do nada. Não era possível sequer avistar a imponente geleira da estrada, quem dera a área de picnic resumida em 1 mesa, 2 bancos, lixo e um banheiro bem cuidado. Foi por lá que almoçamos, afinal não é sempre que você tem um “parque desses” só para você.

picnic no pé da geleira - foto Lalai Persson
picnic no pé da geleira – foto Lalai Persson

Foi assim também que encontramos uma locação de um filme que tinha uma história sobre vikings como roteiro, mas acabou não sendo feito. Foi divertido entrar num mini vilarejo construído apenas para um filme. E ficou lá, largado às traças em volta de montanhas negras de tirar o fôlego e cavalos de “polainas”.

A locação do filme - foto Lalai Persson
A locação do filme – foto Lalai Persson

Você viajará quilômetros sem ver qualquer sinal de civilização, por isso não esqueça: tenha sempre água e comida no carro, pois não é a tarefa mais simples encontrar lugares para comer no meio do caminho. Café foi algo que eu tomei muito pouco. Uma outra dica é comprar garrafas de vinho no aeroporto, pois a bebida alcóolica é bem cara na Islândia. Compramos várias e à noite nos reunimos em um dos quartos para ouvir música e tomar vinho.

Sempre que ver um posto (ou uma bomba de gasolina), abasteça, pois você não sabe quando verá outro. Há postos de gasolina que se resumem a uma bomba no meio do nada que parece completamente abandonada. Certifique-se de que seu cartão de crédito não vá te deixar na mão, pois é o único meio de pagamento e “do it yourself”, pois não tem ninguém para ajuda-lo, quem dera uma loja de conveniência agregada.

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E OS TOURS NAS GELEIRAS E LUGARES DE DIFÍCEL ACESSO, COMO FICAM?

Nós fizemos a maioria dos tours por conta própria, mas dependendo do lugar, não é muito indicado. Vale lembrar que a maioria dos brasileiros não tem intimidade em andar no gelo e eles aconselham mesmo quem nasceu com gelo no pé, a não se arriscar. Nossa primeira geleira foi dentro do Parque Nacional Skaftafell, que fica dentro do Parque Nacional Vatnajökull, onde ficam as maiores geleiras islandesas e a montanha mais alta do país, a Hvannadalshnjúkur, com 2110m de altura. Andamos cerca de meia-hora entre o estacionamento e as geleiras. Fomos um pouco imprudentes, pois subimos nas geleiras e andamos por elas. Lembrando: não tem seguranças a postos para socorrer se algum acidente acontece. Ao contrário, você raramente vai cruzar com um guarda e/ou segurança no país (na verdade eu não vi um sequer). Tudo que eles fazem para nos proteger é encher o local com avisos em inglês para que ninguém reclame que não foi avisado.

Skaftafell - foto Ola Persson
Skaftafell – foto Ola Persson

Subimos na geleira, pegamos uma ventania dessas que mal permite a gente andar, que poderia muito bem ter me derrubado em algum vão entre as pedras de gelo para eu nunca mais voltar. Mas saímos ilesos.

A turma CoP em Skaftafell - Foto Lalai Persson
A turma CoP em Skaftafell – Foto Lalai Persson

Também visitamos o lago das geleiras do Jökulsárlón. É de chorar de tão lindo, tanto que fomos 2 vezes visita-lo. Foi lá que pegamos nosso único tour guiado na nossa viagem, pois queríamos conhecer uma caverna de gelo. Para isso não tem outra alternativa, já que só os locais sabem onde elas estão em cada temporada. É também bem mais seguro, pois ficam em lugares bem remotos, que nos dão a sensação de ter alcançado a Lua.

Jökulsárlón Glacial Lagoon - foto Lalai Persson
Jökulsárlón Glacial Lagoon – foto Lalai Persson

Resumindo: leia bastante sobre os lugares que quer conhecer e descubra se a melhor opção é com guia. Uma caverna de gelo ou entrar num vulcão só serão possíveis com guia, então vá atrás, porque sempre valerá a pena ver lugares que você não consegue chegar.

Nós na nossa caverna de gelo, onde ficamos por 4 horas - foto Lalai Persson
Nós na nossa caverna de gelo, onde ficamos por 4 horas – foto Lalai Persson

Sugestão: se quer muito entrar num vulcão (só no verão) ou numa caverna de gelo (só no inverno), ao fechar tudo para a viagem, já reserve o passeio, pois eles são pequenos e concorridos. Nós só não ficamos na mão, porque um grupo não chegou a tempo no hotel.

As atrações na Islândia são quase todas gratuitas. Dirigindo e explorando os lugares pelos quais passar, você pode se deparar com um lago natural de água termal, pois o concorrido Blue Lagoon é, para decepção geral, artificial, mas ainda assim vale a experiência.

Dani & Fe na Blue Lagoon - foto: Ola Persson
Dani & Fe na Blue Lagoon – foto: Ola Persson

ONDE DORMIR

A Islândia requer um pouco de planejamento para quem quer fazer uma road-trip, especialmente se for na alta temporada. O turismo está numa crescente vertiginosa, mas ainda assim o país não está totalmente preparado para ele (ainda bem). Fomos no inverno e, mesmo com 2 meses de antecedência, a gente quase ficou sem hotel em uma das cidades em que dormimos.

O hotel que ficamos: Ion Hotel - foto bar Nothern Lights por Ragnar Th Sigurdsson, Arctic Images/Alamy
O hotel que ficamos: Ion Hotel – foto bar Nothern Lights por Ragnar Th Sigurdsson, Arctic Images/Alamy

Para encontrar hospedagens, nossas recomendações são via trip advisor e o airbnb, que traz opções incríveis a preços acessíveis:

airbnb

PARA ONDE IR?

Depende muito da quantidade de dias que você tem. Para uma viagem de 7 dias, a minha recomendação é explorar o sul e Reykjavik. Para 2 semanas, vale dar a volta completa na ilha (e vai achar insuficiente).

Praia de areia negra Dyrhólaey - Vík - foto Lalai Persson
Praia de areia negra Dyrhólaey – Vík – foto Lalai Persson

Há muito para ver, explorar, mas vale lembrar: Islândia é um lugar para quem gosta de natureza. Os baladeiros vão se encantar com Reykjavik, que tem uma vida cultural, gastronômica e musical agitada, mas podem ficar entediado fora da cidade (ainda não conheci nenhum que ficou). Por lá é se entregar a uma paisagem inóspita, de tirar o fôlego. É se aventurar. Melhor ainda para quem sabe nadar, já que é o único lugar do mundo em que é possível mergulhar entre os continentes europeu e americano, na falha de Silfra, que divide as placas tectônicas.

Silfra
Silfra

ROTEIRO

A lista de lugares para ver é gigante, por isso fizemos um roteiro para dar a volta completa na ilha, que pode ser consultado nesse mapa. Para quem for ao sul, a recomendação é ir até Höfn. Dá para tirar um dia esticando mais ao norte, como fizemos, mas Höfn é uma boa opção de lugar para dormir. E a outra boa parada no sul é Vík, que tem boas atrações ao redor.

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Aproveitei e fiz uma boa pesquisa de tudo que quero ver no norte e fiz um guia com todas as atrações de ponta a ponta  da Islândia. Mas claro, tenha certeza que se você fizer essa mesma viagem, vários pontos novos irão surgir e é justamente essa a graça do país:

O que me inspirou a escrever esse post, foi esse vídeo que prova o quanto a Islândia é um lugar perfeito para uma road trip. Se ainda não se convenceu, clique no play e depois navegue pelo nosso guia.


Iceland 2014 from Kieran Duncan on Vimeo.

Data

25 de October, 2014

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