Tendências dos principais festivais de inovação e criatividade do mundo.
Uma parte do mundo nerd se divide (e se diverte) entre DC Comics e Marvel, disputa que há tempos extrapolou os quadrinhos e chegou aos cinemas. Quem é mais forte, Batman ou Homem-aranha? É por aí. Os fãs mais ávidos comparam tramas, bilheterias, universos (expandidos ou não), heróis e sei-lá-o-que-mais. Por aqui, apenas observamos a lutinha, ora revirando os olhos, ora comendo pipoca para evitar a fadiga. Maior estreia da semana, “Capitã Marvel”, com a oscarizada Brie Larson (foto) no papel-título, movimenta a rixa e alarga o racha. Fica aqui uma lembrança: “Mulher-Maravilha”, adaptação da DC, foi um estrondo de bilheteria em 2017, tendo arrecadado mais de 800 milhões no mundo. A Capitã consegue mais? O filme mostra como a piloto Carol Danvers se tornou a toda-poderosa da Marvel.
“Capitã Marvel”. Confira salas e horários aqui.
Woody Allen se tornou um diretor maldito. O motivo existe desde o início da década de 1990, mas foi redescoberto e redimensionado vinte anos depois, em parte devido ao movimento #MeToo e à revelação pública de poderosos predadores no mundo do cinema. O diretor é acusado de ter abusado sexualmente da filha adotiva, então com 7 anos. As engrenagens da história são complexas e essas poucas linhas não dão conta de remontá-las. O fato é que Allen foi investigado à época e não foi acusado oficialmente pela justiça. É fato também que Dylan, sua filha, mantém a história. É importante ouvi-la, claro. E diante do que ela diz e escreve, uma pergunta sobressai: o que fazer com o diretor e sua obra? A sessão especial de “Manhattan” (1979), um dos filmes mais queridos de Allen, nos jogou de volta à questão. Há quem se delicie com as imagens em preto-e-branco e se divirta com os conflitos do escritor de meia-idade vivido por Allen. Há quem se atente ao romance entre o personagem de Allen (com mais de 40) e o de Mariel Hemingway, uma adolescente de 17 anos no filme, e vislumbre ali uma chave para interpretar supostas atitudes do cineasta. A pergunta está fincada: o que fazer com o diretor e sua obra? A despeito da questão extra-fílmica, “Manhattan” é belo. Ainda é?
Sessão especial de “Manhattan”. Sábado (09.03), às 19h. Após o filme, haverá debate com o crítico Marcelo Janot. Ingressos a R$ 15, aqui.
Cine Joia. Avenida Nossa Senhora de Copacabana, 680/SS loja H – Copacabana.
Após o recesso do Carnaval, “As crianças” volta ao Poeira. Volta também ao Chicken, porque está entre as peças que mais gostamos de ver em 2019. Ainda estamos em 2019, certo? Para fisgar espectadores-foliões, o retorno vem acompanhado de uma lista mais que amiga, friend. Com o nome lá, você paga R$ 30, valor bem menor que o Poeira costuma cobrar por inteiras. Se não viu por falta de grana, vale a pena. No palco, após uma ausência de quase 40 anos, Rose (Stela Freitas) visita um casal de amigos, os físicos aposentados Dayse (Analu Prestes) e Robin (Mario Borges), e faz uma proposta que muda drasticamente a vida deles.
“As crianças” com lista amiga. Quinta-feira a sábado, às 21h. Domingo, às 19h. Ingressos a R$ 30 (preço promocional só com lista amiga e só até domingo).
Teatro Poeira. R. São João Batista, 104 – Botafogo.
Filipe nasceu em Salvador, mudou-se aos 9 anos para Belo Horizonte e, aos vinte e poucos, decidiu encarar o Rio de Janeiro. Há quatro anos conheceu Gustavo, cria da capital fluminense. Jornalistas culturais, gostam de receber amigos em casa e ir ao cinema. Cada vez mais são adeptos de programas ao ar livre - sempre que podem, incluem no passeio Chaplin, esperto vira-lata adotado há um ano.
Ver todos os postsVivemos em um mundo de opções pasteurizadas, de dualidades. O preto e o branco, o bom e o mau. Não importa se é no avião, ou na Times Square, ou o bar que você vai todo sábado. Queremos ir além. Procuramos tudo o que está no meio. Todos os cinzas. O que você conhece e eu não, e vice-versa. Entre o seu mundo e o meu.