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O que é o tal do 5G? Fomos descobrir no MWC 2019 em Barcelona

Quem escreveu

Amanda Foschini

Data

19 de March, 2019

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Apresentado por

O MWC – que até o ano passado se chamava Mobile World Congress – encerrou sua última edição em Barcelona com uma grande afirmação: o 5G já está entre nós e a tecnologia será a “gasolina” da próxima revolução digital. Durante toda a semana do evento, o assunto (além dos famosos telefones dobráveis que estavam hermeticamente protegidos dentro de caixas de vidro) dominou palestras, conversas e manchetes.

O 5G só chegará ao mundo real a partir do ano que vem em alguns países, mas foi possível ver a toda poderosa tecnologia – 100 vezes mais rápida que o 4G e com o poder de conectar muitos mais dispositivos à rede –  em ação em diversos momentos (em uma cirurgia guiada à distância por um médico presente no recinto do evento, por exemplo) e conhecer os produtos e serviços que nos levarão à nova era digital, como os carros autônomos, táxis aéreos 5G e casas hiperconectadas através da internet das coisas.

Uma (longa) volta pelos 120 mil metros quadrados dos pavilhões de exposições deixava claro que o 5G já é uma realidade entre os fabricantes e uma sentença de morte para os que não subiram ao barco. Todas as principais novidades da feira, das novas HoloLens da Microsoft (que tinham fila de 2h para a demo) ao Minimó, o novo carro elétrico 5g da SEAT, nascem em um contexto no qual o 5G já faz parte da vida da maioria das pessoas.

Quais foram os lançamentos?

Falando em produtos, o cabeça do lineup do MWC foi, sem margem para dúvidas, o tão comentado telefone dobrável. Mas, por mais empolgados que possamos estar com a ideia, os modelos apresentados no evento eram apenas o protótipo do que chegará ao mercado e estavam protegidos dentro de caixas de vidro. Pouquíssimos jornalistas conseguiram tocar um telefone dobrável e manuseá-lo sob o olhar desesperado dos assessores das marcas, morrendo de medo de um movimento exagerado quebrar a tela. O Galaxy Fold, da Samsung, e o Mate X, da Huawei, atraíram olhares de todos os lados mas ficou difícil saber e sentir como será o futuro dos smartphones com os dois produtos trancados dentro de uma gaiola.

Outros mil modelos de smartphones foram apresentados durante a semana, mas o volume de informação e a velocidade das novidades fazem tudo o que não é gigantesco se perder no tsunami tecnológico. Em comum, todas as novidades traziam ainda mais câmeras e mais resolução para fotos cada vez mais produzidas, em uma realidade que parece ser cada vez menos autêntica. Agarrando-se à sua singularidade, a Blackberry segue sem cair na vala dos lançamentos desenfreados e ainda se mantém fiel ao teclado que fez seus telefones famosos lá no começo do milênio.

Aqui, de boa, trocando ideia com o robô. Fonte: GSMA

A realidade virtual e aumentada estava por todas as partes para contar que no futuro sua casa vai poder virar sala de aula e sua sala de TV, o estádio do Barça. Em um estande, você podia jogar futebol diante de um estádio lotado; em outro, fazer um tour pela Arábia Saudita ou se ver refletida em uma tela que predizia sua idade e seu estado de espírito. O sistema errou a minha idade dizendo que tinha 30 anos, mas acertou dizendo que eu estava com cara de cansada. A maioria dos estandes tinha seu cantinho de gente com capacete de VR fazendo gestos estranhíssimos para os que continuavam aqui nesse plano.

Os carros conectados foram outro hit. Do Google a empresas chinesas de telecom, todos deram seu pitaco virtual em como vamos dirigir nossos carros no futuro. O seu painel vai te dar toda a informação do carro em tempo real e cruzará dados com todos os outros dispositivos conectados ao 5G para que você evite engarrafamentos, desvie de acidentes, abra caminho para ambulâncias e evite atropelamentos. Em um futuro um pouco mais distante, você não se preocupará com nada disso e será apenas o passageiro.

O lugar mais visitado da área de exposições foi a Android Avenue, uma área externa imensa onde o Google criou um tour com passaporte e tudo por ambientes tunados pelo Android: uma casa, um carro, um loja de roupa, uma loja de discos, um café, uma casa de sucos, um quiosque de games e um jardim de selfies. Em cada ambiente era possível explorar o espaço utilizando os recursos do sistema, como o GoogleLens, GooglePlay, Live Transcribe, Google Assistant, Google Photos, Google Pay. Para cada ambiente visitado, um carimbo diferente no “passaporte”. Com mais de seis carimbos, os visitantes podiam ganhar prêmios.

Palestras e conferências

Se no campo dos produtos o 5G é a realidade dominante, nas palestras e conferências do MWC, o futuro dá passos ainda mais largos. Nesse futuro, você poderá fazer o download do seu cérebro ou melhorar suas habilidades matemáticas com estimulação cerebral. Seu empregadores lerão seu código e não as experiências do seu curriculum. Pacientes com Alzheimer usarão realidade virtual para reviver cenas do seu passado. Em uma conferência com ares distópicos sobre conteúdo imersivo na qual apresentou o sistema de realidade virtual de sua empresa, Cher Wang, Fundadora e CEO da HTC, disse que a inteligência artificial interpretará nossos dados de maneira a “humanizar a tecnologia” e que seus produtos iriam “liberar a imaginação das fronteiras da realidade”. Sinistro?

Cher Wang, da HTC, em sua palestra sobre conteúdo imersivo. Fonte: GSMA

Divididas por temáticas como Inteligência Artificial, Confiança Digital, Conteúdo Imersivo, Indústria 4.0 e Bem-Estar Digital, as conferências cobriram diferentes aspectos do nosso futuro e enfatizaram a importância de reconquistar a confiança dos usuários (o Trust Barometer da Edelman foi citado inúmeras vezes), garantir a segurança dos dados e criar da tecnologia um recurso inclusivo para todas as sociedades. A Secretária Geral Adjunta da ONU, Amina J. Mohammed, disse que essa é a responsabilidade mais urgente da indústria da tecnologia e fez um chamado às mulheres presentes, dizendo que elas seriam a disrupção do futuro digital.

A revolução tecnológica das sociedades emergentes também esteve presente nas discussões. Esse outro levante é bem menos faraônico, sem 5G ou realidade virtual: aplicativos de fintech e de assistência médica com vídeo consulta tem melhorado a qualidade de vida e a economia de países como Índia, África do Sul, Mianmar e Paquistão.

4YFN – o braço jovem do MWC

O 4YFN traz startups do mundo inteiro. Fonte: GSMA

Four Years From Now é o nome do evento de startups do MWC e fala por si só: nele, startups de todo mundo se encontram para mostrar tudo o que veremos em quatro anos. Diferente do evento principal, o 4YFN é feito de jovens de tênis e camiseta em um ambiente muito mais relaxado. Tudo parece ser voltado ao mindset desse público: o formato das conferências é mais dinâmico e mais curto, os espaços são menos ostensivos e o conteúdo é mais amigável. O ponto alto do evento é o 4YFN Awards, a premiação oferecida cada ano a uma startup. A campeã de 2019 foi uma startup de tecnologia de segurança low-cost para dispositivos edge conectados.

Resumo da ópera high-tech

Neste dias de MWC, o que deu para sentir é que todo mundo já subiu no ônibus 5G mesmo sem ele nem ter saído da garagem ainda. Quando sair, vai trazer na rabeira a revolução tecnológica que vai nos deixar um passinho mais perto dos Jetsons (sendo otimista). Nossa responsabilidade enquanto sociedade é cobrar da indústria da tecnologia que essa nova era seja mais transparente, mais segura e mais inclusiva.

 

Quem escreveu

Amanda Foschini

Data

19 de March, 2019

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Apresentado por

Amanda Foschini

Jornalista paulistana hiperativa que às vezes puxa o R lá do interior. Viciada em música, açúcar, livros e praia. É mais feliz no verão, acredita nos reviews do Foursquare e sempre dorme no meio filme. Há 5 anos, vive um caso de amor (correspondido) com Barcelona.

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