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Volta à Ilha: uma corrida de revezamento em Florianópolis

Quem escreveu

Luciana Guilliod

Data

23 de April, 2018

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Floripa, ah, Floripa. O sonho brasileiro de quem quer qualidade de vida, morar perto da natureza e, ainda assim ter acesso aos serviços de uma capital. A ilha é também um destino campeão pra qualquer feriado. Ótima para morar, linda para visitar.

A Volta À Ilha é a maior corrida a pé de revezamento da América Latina. Realizada todos os anos na Ilha de Florianópolis, em Santa Catarina, a prova soma 140 km de percurso divididos em 18 trechos, nos quais as equipes atravessam praias, asfalto, morros, dunas e trilhas.

Conseguir uma inscrição para a prova é uma prova em si mesma. As equipes que não possuem vagas garantidas, de acordo com o regulamento, se inscrevem em um sorteio e olha… apesar de 400 equipes ser muita gente, tem milhares de corredores querendo um lugar. Dei sorte de participar desse evento pelo terceiro ano, pois uma equipe com vaga garantida calhou de gostar de mim.

E quando chamo de “evento”, é porque a estrutura envolvida parece mesmo a de um show. Na 23ª edição, realizada em 7 de abril, foram mais de quatro mil participantes, centenas de carros de apoio, 600 postos de trabalho direto gerados e quase R$ 12 milhões injetados na economia catarinense.

O sábado da corrida começa seis meses antes, com as inscrições e a preparação logística. Na Street Runners, minha equipe, fomos nove atletas, um treinador, dois staffs, um micro-ônibus, uma moto, 40 camisetas, 50 litros de bebida e 70 sanduíches (vou demorar um tempo pra conseguir olhar novamente pra um de pão de forma). Ainda aproveitamos o dia anterior e o posterior à prova para dar um rolé mais relaxado em Floripa, que ninguém é de ferro.

Volta à Ilha, Florianópolis
Dunas do Santinho (foto: Foco radical)

O galo cantou às 4h30 da manhã de sábado. Felizmente, os hotéis estão mais que acostumados a receber atletas e servem café da manhã a partir das 5h. Nossa largada foi às 6h15, no mesmerizante amanhecer da Beira Mar Norte, em direção ao norte da ilha. Corri o segundo trecho, em perímetro urbano, em plena rodovia. E começa o city tour: na segunda hora de prova, passamos por um dos meus locais preferidos em Floripa: Santo Antonio de Lisboa, comunidade fundada por imigrantes açorianos no século XVIII de onde se vê toda a Baía Norte e o continente. Com vários restaurantes de pescados e mariscos espalhados em construções coloniais, o lugar é ideal pra um almoço sem pressa. Mas não nesse sábado.

Jurerê Internacional não é só aquela praia que bomba no verão com o pessoal que pede pra trazer a bebida que pisca e também tem um posto de troca para o revezamento. A trilha do Bom Jesus à bela Praia Brava é pesada e marca o último trecho no norte da ilha. Na praia dos Ingleses, há o próximo posto de troca e mostra a ostentação que é morar em Floripa: a apenas 30km do centro, é um local popular entre os manezinhos para… uma casa de praia.

Os próximos trechos são os meus preferidos: praias do Santinho, Moçambique e Barra da Lagoa. É correr debaixo do sol de uma da tarde, mas brother, como é LINDO. São dunas, trilhas, manguezais e muita praia selvagem, com um ou outro gato pingado mesmo em sábado ensolarado. Sempre que corro por ali, me prometo voltar para pegar essas praias com calma. Meu segundo trecho esse ano foi em Moçambique, numa mistura de areia fora e dura. Na Barra da Lagoa ainda tem um centro de visitantes do Projeto Tamar.

Volta à Ilha, Florianópolis
Finalizando o Volta à Ilha na Beira Mar Norte (foto: Foco Radical)

A praia da Joaquina é velha conhecida mesmo de quem nunca foi ao Volta à Ilha. O trecho seguinte, Novo Campeche, é outro queridinho meu em Floripa fora da competição: um almocinho tailandês no Mercado Sehat ou um café na Pães e Papos caem muito bem no pós praia.

Seguimos pelo sul da ilha rumo à Praia da Armação, uma das mais antigas colônias de pescadores de Floripa, vem o trecho mais temido da prova: o Morro do Sertão, carinhosamente chamado de Morro Maldito, onde você descobre que pra baixo, nem sempre todo santo ajuda. A Tapera, trecho seguinte, estava bem enlameada este ano e marca a volta da corrida aos terrenos urbanos. Em seguida há uma longa espera na Via Expressa Sul, último posto de troca de corredores, para que possamos partir pro abraço. A prova termina no mesmo ponto onde começou: o trapiche da Beira Mar Norte. Toda a equipe corre junta os metros finais e não há limites para os cliques no celular.

volta à ilha, florianópolis
Comemoração pós-prova (foto: Luciana Kamel)

Há uma área de convivência para as equipes que finalizaram a corrida com direto a DJ, comidas e bebidas, mas depois de quase 12 horas de prova ninguém dura muito por ali. Fica a dica pra um reality show: jogue num micro-ônibus 12 pessoas suadas, cansadas, de diferentes origens, com privação de sono e alimentação improvisada e veja o quanto elas conseguem cooperar entre si. Na Street Runners não só evitamos nos matar como gostamos uns dos outros e voltamos para esse delicioso perrengue todos os anos.

Curtiu a ideia de dar a volta em Floripa correndo e quer participar da próxima edição do Volta à Ilha? Fique ligado no site da prova a partir de outubro.

Quem escreveu

Luciana Guilliod

Data

23 de April, 2018

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Luciana Guilliod

Carioca da Zona Norte, hoje mora na Zona Sul. Já foi da noite, da balada e da vida urbana. Hoje é do dia, da tranquilidade e da natureza. Prefere o slow travel, andar a pé, mala de mão e aluguel de apartamento. Se a comida do destino for boa, já vale a passagem.

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Comentários

  • Parece uma grande confraternização, e não competição. 🏃🏃
    - Regina Vilma

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