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Última chance de conhecer as obras de Kengo Kuma na Japan House

Quem escreveu

Renato Salles

Data

05 de September, 2017

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Em maio desse ano, a tão esperada Japan House abriu as portas, e como toda grande novidade de São Paulo, foi aquele fuá. Filas se esticavam pela Avenida Paulista e estava difícil de apreciar toda aquela cultura japonesa como manda o figurino: estava difícil ficar zen ali. Mas passada a loucura dos primeiros meses, a calma oriental se restabeleceu, e já dá para visitá-la com tranquilidade. Mas não dá para bobear, porque nessa semana acaba a primeira grande exposição da casa, que reúne os trabalhos do arquiteto que projetou o próprio preédio. A mostra da obra de Kengo Kuma na Japan House está chegando ao fim.

Lotus House, Japão (2003)
Lotus House, Japão (2003)

Kengo Kuma é hoje um dos mais celebrados e inventivos arquitetos do Japão, tanto que foi escalado para projetar o Estádio Olímpico de Tóquio para os Jogos de 2020, em uma reviravolta dramática que desbancou a toda-poderosa Zaha Hadid. Seu trabalho é mundialmente reconhecido por fazer uma mistura poética da tradição construtiva e programas e volumetrias complexos e ultra-arrojados. Fazendo uso de materiais rústicos como bambu, washi (papel) e sukyia (madeira), suas formas regulares ganham contornos orgânicos. As construções que nascem de sua prancheta moldam o espaço vazio com técnicas artesanais, usam a luz natural como elemento arquitetônico, e fundem-se ao entorno com equilíbrio e leveza.

Uma sala de chás feita só de um balão e tecido translúcido.
Uma sala de chás feita só de um balão e tecido translúcido, na expo do Kengo Kuma na Japan House.

A exposição, que ocupa todo o saguão do térreo da Japan House, traz várias maquetes detalhadíssimas de construções importantes da obra de Kengo Kuma em vários cantos do mundo, como o próprio Japão, China, Alemanha e República Tcheca. Mas não só. A obra de Kuma se destaca também pelo experimentalismo. Projetos de módulos, elementos arquitetônicos e estruturas poligonais abrem caminho para construção de espaços dinâmicos e efêmeros, como em um jogo de Lego. A sua criação se materializa na possibilidade de ser. E é essa desmaterialização da arquitetura que o inspirou no projeto da fachada do prédio, que se destaca na histriônica Paulista.

Xinjin Zhi Museum, China (2008-2011)
Xinjin Zhi Museum, China (2008-2011)

Quem for visitar a exposição do Kengo Kuma na Japan House, deve aproveitar ainda para ver a mostra ‘Subtle – sutilizas em papel’, no andar superior, que reúne trabalhos de artistas japoneses feitos exclusivamente com papel. São obras de uma delicadeza extrema, que muitas vezes querem uma lupa para se enxergar o nível de detalhe que as mãos nipônicas são capazes. Mas, como eu disse, tem que correr. As duas mostras ficam em cartaz só até o próximo domingo.

Xinpu Sales Center, Taiwan (2016)
Xinpu Sales Center, Taiwan (2016)

Kengo Kuma – Eterno Efêmero
Japan House SP – Avenida Paulista, 52
De terça a sábado, das 10h às 22h. Domingo, das 10h às 18h
Até 10 de setembro – Grátis
*Foto do destaque: China Academy of Arts, Hangzhou (2009-2015) – foto: Renato Salles

Quem escreveu

Renato Salles

Data

05 de September, 2017

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Renato Salles

Para o Renato, em qualquer boa viagem você tem que escolher bem as companhias e os mapas. Excelente arrumador de malas, ele vira um halterofilista na volta de todas as suas viagens, pois acha sempre cabe mais algum souvenir. Gosta de guardar como lembrança de cada lugar vídeos, coisas para pendurar nas paredes e histórias de perrengues. Em situações de estresse, sua recomendação é sempre tomar uma cerveja antes de tomar uma decisão importante. Afinal, nada melhor que um bom bar para conhecer a cultura de um lugar.

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