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Sónar Barcelona: o ano em que o calor veio antes da música

Quem escreveu

Amanda Foschini

Data

22 de June, 2017

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Música para gostos diversos e controversos, exposições e congressos para cabeças curiosas, arte e tecnologia para almas inquietas. A última edição do Sónar Barcelona teve espaço para tudo e para todos: de Björk atacando de DJ – no bom sentido – a De La Soul e companhia fincando de vez a bandeira do hip hop no festival.

Entre todos os muitos destaques da edição mais plural e inflada que o Sónar já teve (123 mil pessoas), houve uma unanimidade que acertou todo mundo como um tapa na cara: o calor agoniante e esgotador que transformou Barcelona em uma grelha à beira-mar nos dias do festival, com temperaturas acima dos 34 graus.

Björk em DJ set raríssimo e para poucos na inauguração do festival. Foto: Divulgação

O solzão e o céu azul que no papel parecem muito bonitos, na prática se tornaram um quase pesadelo que me fez questionar por alguns breves momentos a relação estável que tenho com o Sónar há 5 anos. O excesso de calor e de pessoas transformaram as idas ao bar em uma tarefa nada agradável e deixou muita gente passando sede e nervoso. Mas como o amor aceita tudo e mega festivais tem lá suas limitações, a questão foi resolvida com dança na fila e leque na mão.

Naquilo que o Sónar sabe fazer de melhor, ele brilhou como sempre e tirou todo mundo para dançar com muitas e boas surpresas como a metralhadora de rimas Princess Nokia (que teve seu celular roubado e recuperado por esta jornalistona heroína que vos escreve e uma amiga) e Anderson Paak, que atropelou todo mundo com seu carisma já nas primeiras horas do SonarNight. Aliás, esta edição tatuou vida loka no braço e afundou os dois pés no mundo do hip hop, do grime e do trap com um novo palco inteirinho dedicado ao gênero, o SonarXS. A velha escola foi representada com muita classe por De La Soul e DJ Shadow, o pai de toda essa história de samplear músicas.

Princess Nokia: novidade do hip hop no palco principal do Sónar Day. Foto: Divulgação

O Sónar Day continua sendo a melhor fantasia de um festival que pode ter a cara que você quiser. O público, um pouco mais velho e mais tranquilo, não se sentiu na obrigação de nada além de se divertir e isso se traduziu numa vibe “paz, amor e pega outra cerveja lá pra mim, por favor”.  O tamanho mais compacto da versão dia deixou o vai e vem mais possível e permitiu que o público explorasse tudo sem perder nenhum grande momento. E foram muitos: o live do HVOB com céu de cinema e mini chuva express de 30 segundos para refrescar o espírito, a loucura cheia de luzes e quase incompreensível de Evian Christ e o tão esperado show dos neozelandeses do Fat Freddy’s Drop, que mesmo não fazendo parte do olimpo da música eletrônica, entortaram todo mundo com muita simpatia e foram, sem nenhuma dúvida, o melhor do Sónar Day.

O Sónar+D, a feira de ciências mais high tech que frequentei na vida, também serviu de respiro entre batidas e ondas de calor. Iniciativas espertas vindas de todo o mundo para mostrar que tecnologia e música dão muito jogo e que a música eletrônica vai muito além do som.

Entropy: cosmologia e música com Dopplereffekt. Foto: Divulgação

As noites foram de jogação no Sónar Night e o calor por lá também judiou. As pistas fechadas fizeram o conceito de inferninho ser atualizado e só mesmo Moderat, Soulwax e Justice – que, lindamente, terminou de derreter o que ainda restava de nós –  para fazerem o público encarar a ardência calorenta do SonarClub. Também valeu mergulhar em suor para ver algumas horas do set magistral de 6 horas do Masters at Work no SonarCar para entender que baile bom se faz mesmo é com house.

No meio dessa brasa, os palcos ao ar livre viraram um oásis. Houve quem preferiu passar a noite inteira ali no “fresquinho” em excelente companhia: Avalon Emerson, De La Soul, Daphni & Hunee e Black Madonna, que fechou o festival mostrando que lugar de mulher é descendo a lenha no grave e fazendo todo mundo suar até as 7 da manhã.

Justice fazendo um show lindo, dançante, calorento e muito especial. Foto: Divulgação

O calvário valeu a pena e as queimaduras de sol com marca de regata. Mesmo com pontos a melhorar e algumas chatices a serem desconsideradas, é lá onde a música eletrônica se sente em casa e reina soberana em todas as suas formas. No ano que vem o festival completará 25 anos e a organização já deixou claro que a festa vai ser ainda maior. O primeiro lote de ingressos, inclusive, já está esgotou no dia seguinte ao final desta edição.

Quem escreveu

Amanda Foschini

Data

22 de June, 2017

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Amanda Foschini

Jornalista paulistana hiperativa que às vezes puxa o R lá do interior. Viciada em música, açúcar, livros e praia. É mais feliz no verão, acredita nos reviews do Foursquare e sempre dorme no meio filme. Há 5 anos, vive um caso de amor (correspondido) com Barcelona.

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