Viagem

De cabeça nos cânions de Capitólio

Quem escreveu

Chicken or Pasta

Data

08 de September, 2016

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No fim dos anos 50, com o objetivo de evitar um colapso do sistema de geração de energia elétrica no Brasil, Juscelino Kubitschek iniciou a construção da Usina Hidrelétrica de Furnas, em uma região agrícola e pacata do sul de Minas Gerais. A favor, a obra oferecia a geração de quase um terço de toda a energia gasta em todo o país. Mas a contrapartida seria o alagamento de uma área enorme, transformando a paisagem e obrigado mais de 35 mil pessoas a se mudar.

Controvérsias a parte, desde o fechamento do reservatório em 1961 a área nunca mais foi a mesma. O Lago de Furnas, ou Mar de Minas como é conhecido, hoje banha 34 municípios, e cobre uma área de 1.440 km² em dois braços que se estendem por quase 410 km de uma ponta à outra. Muitos municípios se aproveitaram da nova realidade, voltando seus esforços para o turismo.

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É o caso de Capitólio. Uma cidadezinha de pouco mais de 8 mil habitantes, que se divide entre a calmaria interiorana ao longo da semana, e o agito que vem com gente de fora nos fins-de-semana. Com a proximidade dos impressionantes cânions rochosos, o vilarejo acabou atraindo pousadas, estâncias, e toda a estrutura para os visitantes aproveitarem, dentro e fora d’água.

Como chegar

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São mais ou menos 440km até Capitólio para quem sai de São Paulo. Isso se você seguir pelo caminho do interior paulista, que tem boas estradas, mas muitos pedágios. Esse caminho sai pela Bandeirantes, fazendo o anel de contorno em Campinas, e de lá seguindo a Rodovia Governador Doutor Adhemar Pereira de Barros até Mococa, na divisa com Minas. De Mococa, você deve seguir as placas sentido Guaxupé, e então ir pela MG-146 passando por Bom Jesus da Penha, Alpinópolis e Furnas até o destino final. São mais ou menos 5h30 de trajeto.

Para economizar o dinheiro, perdendo um pouco de tempo, dá para ir pela Fernão Dias até Pouso Alegre, e de lá pela MG-179 até Alfenas. Até aqui vai tranquilo. Depois você tem que seguir pela MG-491 até Areado, a MG-184 até Alpinópolis e até cair na MG-341, e seguir o trecho final, mas se prepare para os trechos de terra se intercalam com os asfaltados, e bem uma horinha a mais dirigindo.

Onde comer

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Além do turismo, outra atividade que surgiu e cresceu muito desde a formação do Lago de Furnas é a pesca. Tem gente que vai lá para ficar a temporada toda com a vara na mão e o conto de pescador na prosa. O bom disso é que os restaurantes servem, além da boa e velha comida mineira, muitas receitas deliciosas com peixes fresquíssimos do dia.

A cidade mesmo tem só opções mais simples e caseiras. Os restaurantes maiores e mais elaborados estão mais afastados, ao redor do lago, nos pontos de maior circulação de turistas. Mas vale a pena encarar as filas, porque os pratos mais saborosos estão lá – as filas não são gratuitas.

O ponto de partida da maioria das lanchas que vão para os cânions é a ponte do Rio Turvo. Não à toa ali fica o lugar mais concorrido para os famintos que acabaram de sair da água. Informal, com cadeiras de plástico e mesas longas, atendimento hospitaleiro, servem ótimos petiscos e peixes bem preparados. No fundo ainda tem uma lojinha com guloseimas e artesanato para levar para casa.

Restaurante do Turvo
Endereço: Rodovia MG-050, km 306
Telefone: (35) 99981-0760

Uma casinha com ar colonial na beira da estrada esconde um pequeno paraíso gastronômico à beira do lago. O Empório Lagoa Azul fica na parte de cima da cachoeira de mesmo nome, e tem até um quiosque flutuante lá embaixo na água. A cozinha prepara desde receitas elaboradas de tilápia, até quitutes para o café da tarde. A torta de banana é obrigatória e inesquecível.

Empório Lagoa Azul
Endereço: Rodovia MG-050, km 311
Telefone: (37) 99983-7022

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Estando em Minas, não é aceitável sair de lá sem comer uma boa comida de fazenda. No Cozinha da Roça, a experiência é completa. Ele fica afastado, em um rancho bem cuidado, e o salão é um grande espaço aberto e despretensioso. Os famintos podem se esbaldar no torresmo sequinho e no sustancioso feijão tropeiro, que vem arroz, mandioca frita e bisteca. Ou senão, peça a tilápia assada na telha com molho vermelho e bechamel.

Restaurante Cozinha da Roça
Endereço: Estrada Capitólio/Balneário Escarpas do Lago, km 2
Telefone: (37) 99952-1389 / 99945-2937

Dentro da cidade, uma das melhores opções é o Tropeiro. Pelo nome já deu para ver que é para chegar com bastante fome, porque as porções são bem servidas. As porções são bem grandes, indicadas para 2 pessoas, mas 3 conseguem se esbaldar sem problemas.

Restaurante Tropeiro
Endereço: Rua Passos Maia, 14 (perto da Praça Matriz)
Telefone: (37) 3373-1665

Dentro do Escarpas do Lago, o Chico Pintado é concorrido por ser um dos melhores da área. A casa rústica e aconchegante com um jardim lindo em volta tem um ambiente super agradável para esticar a refeição. O carro chefe é a tilápia recheada com queijo.

Restaurante Chico Pintado
Endereço: Rua Das Âncoras, 430 – Balneário Escarpas do Lago
Telefone: (37) 3326-5331

Onde petiscar

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Em uma cidadezinha como Capitólio, não espere uma noite agitada e emocionante. A vida na roça é calma, e ótima para descansar. Mas se bater aquela sede incontrolável e a vontade de um agito, algumas poucas opções salvam a vida.

O Kanto da Ilha (não confundir com a pousada) é também um restaurante, mas o mais agitado é o pub que tem ao lado. De frente para o lago, o terraço tem sofás com guarda-sóis para se esticar por horas. Tem um menu bem diversificado, com opções originais, e algumas noites tem ainda música ao vivo para animar.

Kanto da Ilha
Endereço: Estrada da Ilha, Km 8
Telefone: (37) 3371.9019 / (31) 7504.0387.

Na cidade, o Scarpas Bier House é conhecido na região, por produzir lá mesmo seus produtos. O salão pequeno é decorado com bandeiras no teto, e para acompanhar o bate-papo, o cardápio tem bons petiscos.

Scarpas Bier Haus
Endereço: Rua Cel. Lourenço Belo, 459
Telefone: (37) 99294-7888

O que ver e fazer

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Inevitavelmente, quem vem a Capitólio quer ver os cânions. O melhor jeito de fazê-lo é pegar um passeio de lancha, que pode ser combinado com agentes (mas geralmente sai um pouco mais caro), ou então ir até a ponte do Rio Turvo. Ali, além do restaurante, tem estacionamento, barraquinhas com comidinhas para enganar a fome, e várias opções de lanchas, chalanas, escunas e jet-skies. É só negociar um bom preço e se jogar.

Os passeios são praticamente os mesmos sempre. Os barcos passam para mostrar algumas cascatas menores como a Dicadinha, e depois vão todos para um grande cânion em formato de coração, onde duas cachoeiras de 20m de altura mergulham com toda força na água cerúlea. É onde todo mundo aproveita para mergulhar, nadar e tomar sol. Por isso, o trânsito de barcos é intenso e deve-se tomar cuidado com os motores. No verão, é tão procurado que chega a formar fila de barcos na garganta que leva até o fundo. E aí não tem jeito, sai um, entra um.

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De lá, alguns barcos ainda fazem um pit-stop no bar flutuante da cascata da Lagoa Azul, aquela do empório na estrada. Quem quiser, pode pagar a taxa de manutenção pequena, e escalar as pedras molhadas até a lagoa, que fica no meio da queda. Ali, uma piscina de água limpíssima se forma na rocha amarelada, e curiosamente deixa a água com tom verde esmeralda, apesar do nome. Senão, dá para ficar lá embaixo no deque, e pedir uma porção de isca de peixe empanado, ou ainda um pão de queijo recheado com linguiça.

Aliás, cachoeira é o que não falta por ali. Fora do Mar de Minas, parques com trilhas e quedas d’água se espalham por vários cantos. É o caso do Cascata Eco Parque, com uma trilha que passa por cima das cachoeiras na ida, e por dentro das piscinas naturais na volta. Ou ainda a Trilha do Sol, famosa na região, que leva às cachoeiras do Poço Dourado e do Grito. Nessa última, dizem que quem toma banho em suas águas, deixa as supertições e medos para trás, com um grito bem forte que ecoa por todo o riacho. O parque ainda conta com estrutura para a prática de esportes de aventuras como trekking, rapel, marcha aquática, além de pousada, restaurante, redário e chuveirão.

Cascata Eco Parque
Endereço: Rodovia MG-050 – km 315,5
Telefone: (35) 9 9904-0001

Trilha do Sol
Endereço: Rodovia MG-050 – km 305
Telefone: (35) 9981-1855

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Um pouco mais afastado, e com ótima estrutura de restaurante, trilhas e camping, tem o Parque Ecológico do Paredão. A área, que era da Prefeitura de Guapé, foi arrendada pelo falante Seu Tião do Gera, que cuida de todo o parque, trabalha na cozinha, e ainda tem tempo para trocar um dedo de prosa e tomar uma cachacinha com os visitantes. Por ali, além de uma trilha que leva a três cachoeiras seguidas, ainda existem os paredões rochosos das duas serras vizinhas, onde praticantes de escalada deliram. Para chegar, você tem que seguir até Guapé pela balsa, e de lá são mais 15km de estrada de terra.

Parque Ecológico do Paredão
Telefones: (35) 3615-0672 / 99900-3272 / 99814-3672

Se o frio não permitir chegar perto d’água, dá para pelo menos admirar tudo lá de cima. O Morro do Chapéu é acessado por uma trilha a 8km do Engenho da Serra, e é o ponto mais alto da região, com 1.293m. Do alto se tem uma visão panorâmica do Lago de Furnas, e de muitas das cidades ao redor, como Capitólio, Guapé, Alpinópolis e São José da Barra. Bem no cume, ainda tem uma capelinha rústica e simpática com a imagem de Nossa Senhora dos Desamparados. Quem sabe você já não agradece alguma benção que recebeu por lá?

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Quem escreveu

Chicken or Pasta

Data

08 de September, 2016

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