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Porque para amar São Paulo não é preciso firulas.

Como abrir minha casa para completo estranhos mudou a minha vida

Quem escreveu

Iran Giusti

Data

14 de November, 2016

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Antes de começar, preciso me apresentar: me chamo Iran Giusti e sou, além de colaborador do SP24h, jornalista e militante LGBT. Tenho 27 anos, nasci na periferia de São Paulo e hoje moro no centro, em um quarto e sala que amo de paixão, e no meu tempo livre eu basicamente vivo de bater perna pela cidade conhecendo e buscando lugares incríveis.
No ano passado, estava precisando de uma graninha extra.  Apesar de trabalhar em um lugar legal que pagava super bem, as contas não fechavam. São Paulo é foda, e não importa o quanto você ganhe, nunca vai dar. Foi então que resolvi entrar na onda do AirBnb e alugar meu sofá cama, que serviu pra muitos amigos vindos de outras cidades passar uns dias.
Meu segundo hóspede via AirBnb era um cara uns três anos mais novo do que eu, que ficou completamente encantado com a minha relação com meu namorado, nossa vivência e minha militância. Passamos dois dias conversando muito e ele contou todos os seus dilemas em relação a sua homossexualidade. Depois de passar por aqui, ele conseguiu se livrar de um montão de culpas e amarras, começou a namorar, militar e agradeceu a gente. Virou um amigão que só não é mais próximo pela distância e a falta de tempo que assola todos nós.
Depois dele, eu resolvi que meu sofá teria melhor serventia para quem realmente precisasse. Então fiz uma foto meio mequetrefe, postei no Face e disponibilizei para LGBTs que tivessem sido expulsos de casa. Em questão de horas, o post viralizou: recebi cerca de 50 pedidos de acolhimento e o desespero bateu.  Como vou fazer para ajudar essa galera toda com um mísero sofá cama?
A resposta foi obviamente manter a calma e fazer o que fosse possível. Metade daquelas pessoas nem precisavam de um teto, só de uma conversa, de uma ajuda para conseguir organizar a vida e, por fim, recebi o primeiro morador. Não foi fácil abrir mão da minha privacidade conquistada a duras penas e, para a equação ficar mais bagunçada, o dog que ficaria hospedado só temporariamente acabou ficando permanente. E assim eu, que era um completo louco da organização e do controle, acabei em um apartamento de 50 m² , com mais duas pessoas, uma cachorra ciumenta e um dog epilético cheio de manias e completamente apaixonante.

Foto: Zanone Fraissat/Folhapress
Foto: Zanone Fraissat/Folhapress

Para piorar, logo depois fui demitido do trampo. Digo pra piorar só por conta do momento, porque no fim das contas saindo daquele emprego acabei podendo me dedicar a muitas coisas incríveis. Comecei a freelar em lugares maravilhosos, participei de projetos lindos e consegui finalmente achar uma forma de ajudar mais pessoas ao criar a Casa 1, um centro de acolhimento e cultura LGBT no centro da cidade de São Paulo. Para viabilizar o projeto, estou fazendo um financiamento coletivo, onde as pessoas contribuem com uma quantia e em troca recebem recompensas maravilhosas.
Porém o mais louco é que as pessoas tem muita dificuldade de entender porque estou fazendo tudo isso e como pretendo manter o projeto. A resposta é muito mais simples do que parece: eu estou fazendo porque eu quero, porque me fez bem pra caralho poder usar um privilégio meu para ajudar alguém. Estou fazendo porque eu não aguento mais ouvir relatos e não fazer mais nada, não suporto mais esperar uma ajuda e uma política pública que não vem nunca. Estou fazendo porque depois de anos tendo crises de depressão, ansiedade, pânico, eu percebi que a vida fica muito mais fácil quando tá cheia de gente, de cores, de risadas.
E sobre como eu pretendo manter o projeto: trabalhando, criando, fazendo atividades, chamando voluntários, correndo atras de marcas e principalmente contando com a ajuda de todos, fazendo as pessoas se moverem, se apoiarem. Tenho falado muito sobre como a Casa 1 vai ser uma versão estendida do que é minha casa hoje, como quero que sejamos muito mais uma república para receber quem precisa do que um projeto quadrado e rígido como são os públicos, que já vimos que não funciona.
A gente fala muito como o mundo precisa mudar, como a nossa sociedade precisa avançar e evoluir, mas fazemos muito pouco para que isso aconteça, e é por isso que eu peço pra todos vocês que colaborem com o projeto, para que tenhamos uma faisquinha de melhora.

Quem escreveu

Iran Giusti

Data

14 de November, 2016

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Comentários

  • Parabéns! Por iniciativas como essa, podemos vislumbrar um mundo melhor.
    - Helia Fraga
  • Maravilhoso!!
    - Camilo

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