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A experiência Drive-In

Quem escreveu

Danilo Cabral

Data

28 de June, 2016

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Nossas referências de drive-in nunca vieram de experiências pessoais. Tudo que sabemos sobre o assunto veio de relatos dos nossos pais, de filmes americanos e de um velho e decadente estacionamento na Avenida Santo Amaro que, por pretensão ou somente por carregar uma fagulha de um passado glorioso, ainda ostentava a placa de “Auto Cine Snob’s”, lá pelo final dos anos 80. Esse hábito de assistir a um filme de dentro do carro, tendo o parabrisa como filtro e regado de milkshakes e hamburguers não pegou por aqui e ficamos durante muito tempo sem esse tipo de diversão.

Mas agora a cidade ganhou um novo cinema que promete reviver um pouco dessa época, em que o barato não era só ver o filme, mas envolvia também mexer com os outros sentidos, mais precisamente o paladar. Fomos assistir a uma sessão no novíssimo Drive-In, uma sala de cinema dentro do Caixa Belas Artes e que recria com muita propriedade a sensação de outros tempos.

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Crédito: MM18 Arquitetura

O Drive-In foi ideia de duas mentes inquietas de São Paulo: Facundo Guerra, do Grupo Vegas, e André Sturm, do Belas Artes e MIS. Surgido há alguns anos, a ideia era trocar figurinhas e criar um projeto totalmente novo – novo para a experiência de cinema de André, novo para o know-how de entretenimento e comida de Facundo e, principalmente, novo para o público da cidade. Com auxílio luxuoso do escritório MM18 Arquitetura – parceiro do Facundo em todas as suas casas – o conceito saiu do papel e virou realidade, em forma de uma sala gostosa, com clima retrô dos antigos cine drive-in, e que conversa bem com públicos bem diversos.

Pois bem, para nossa sessão inaugural particular escolhemos um filme emblemático, o sexy sem ser vulgar “9 1/2 semanas de amor”. A última vez que vimos este filme foi em meados dos anos 90 e lembrávamos muito pouco dele, ou melhor, a gente só lembrava que eram quase duas horas de Kim Basinger e Mickey Rourke sarrando o tempo todo e que envolvia cenas quentes de erotismo com comida. Tinha tudo a ver! A compra do ingresso para o Drive-In pode ser feita on-line ou na hora, em guichê separado da bilheteria normal. Você pode escolher entre as cadeiras normais de cinema, os bancos de carro antigos ou então a primeira fileira, com um banco tão grande que rola de  assistir ao filme deitado. Esses bancos são todos originais de carrões antigos do tipo Dodges, Impalas, Galaxies e Cadillacs.

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Crédito: MM18 Arquitetura

O primeiro passo é escolher algumas das opções de milkshakes, petiscos e comidinhas, todos eles com nomes inspirados em filmes clássicos e elaborados pelo pessoal do Riviera Bar e pela chef Mari Gilbertoni. Os drinks foram todos criados pelo menino prodígio Kennedy Nascimento, um dos melhores mixologistas do Brasil. O destaque vai para o Drive-In Highball, que leva bourbon com infusão de manteiga clarificada, pipoca e refrigerante de cola, é uma delícia!

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Crédito: Divulgação

Para entrar totalmente no clima, pedimos um mac n’ cheese (apropriadamente chamado de Lebowski) e a especialidade da casa, o Touro Indomável, um hamburguer generoso, com picles de maxixe, alface, bacon, tomate, queijo raclette num pão de brioche. Para acompanhar, o milkshake Branca de Neve, uma gostosa mistura de sorvete de nata, morango e hibisco e o fabuloso 5 Dollar Shake (que nome!), que leva sorvete de caramelo com amendoim salgado e pó de pipoca!

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Crédito: MM18 Arquitetura

O mais legal é que você não precisa ficar esperando em pé até o rango ficar pronto, pode ir se acomodando na cadeira escolhida e ser avisado que está tudo pronto através de uma senha eletrônica. Basta ir até a cozinha e pegar tudo prontinho. Enquanto espera, a telona exibe clipes (nesta sessão rolou até Sade), desenhos animados e trechos de filmes. Tudo pronto, entra o hilário “manual de instruções” do cinema – narrado pelo maravilhoso Pereio – as luzes se apagam e o filme começa. A tela e o som é o padrão do Belas Artes, nada de som digital e cópias em ultra HD. O lance aqui é rever um filme de sua infância em tela grande ou então assistir um clássico numa experiência totalmente nova. A curadoria dos filmes exibidos é bastante apurada e tenta cobrir todos os estilos, seja comédia pastelão, filmes de terror, muita Sessão da Tarde e até Monthy Python!

Mas devemos confessar que falhamos miseravelmente na missão de ver o filme.  As cadeiras confortáveis, para sentar juntinho com seu amor ou crush, aquele escurinho e inspirados pela pegação non-stop da dupla Basinger/Rourke e pela famosa trilha sonora erótica, foi difícil nos conter e praticamente não vimos nada do filme, se é que você me entende….

Quem escreveu

Danilo Cabral

Data

28 de June, 2016

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Danilo Cabral

Danilo passou mais de 20 anos suando sangue no mercado financeiro. Até que a crise da meia idade bateu forte e ele resolveu largar tudo e partir para o que gosta de fazer: viver bem. Desde então passou a sair mais, a tocar em tudo quanto é canto, a viajar melhor, a exercitar a veia da escrita e da leitura, cuidar do corpo, a montar playlists e, principalmente, amar fazer tudo isso. Não quer nem lembrar da fase em que esteve debruçado em cima de uma HP12C. Saravá, Danilo!

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    Vivemos em um mundo de opções pasteurizadas, de dualidades. O preto e o branco, o bom e o mau. Não importa se é no avião, ou na Times Square, ou o bar que você vai todo sábado. Queremos ir além. Procuramos tudo o que está no meio. Todos os cinzas. O que você conhece e eu não, e vice-versa. Entre o seu mundo e o meu.